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O Verão em que Ficamos

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Resumo

Laken deveria passar apenas um verão em Sweetwater Cove. Um refúgio temporário. Alguns meses ajudando sua tia na marina. Depois, ela voltaria para casa — para seu emprego, seu apartamento e a vida que já tinha planejado. Simples. Pelo menos, era para ser. Então ela conheceu Rhett Wilder. Charmoso, engraçado e irresistível, Rhett passou a vida inteira em Sweetwater Cove. Ele conhece cada píer, cada praia, cada canto escondido da cidade — e, em pouco tempo, ele está mostrando todos eles a Laken. O que começa como um flerte logo se transforma em algo mais profundo, tornando os dias tranquilos de barco, as fogueiras tarde da noite e os beijos roubados o melhor verão de sua vida. O problema? O verão sempre acaba. À medida que a estação se esvai, a realidade volta com tudo. Laken tem uma vida esperando por ela em outro lugar. Rhett tem raízes profundamente plantadas em Sweetwater. E, de repente, o futuro que eles vinham evitando torna-se impossível de ignorar. Porque se apaixonar foi a parte fácil. Descobrir se o amor é suficiente para mudar toda a sua vida? Isso é muito mais difícil. Repleto de romance *swoony*, aventuras à beira do lago, *found family* e uma cidade pequena da qual você nunca vai querer sair, O Verão em que Ficamos é uma história emocionante sobre arriscar, encontrar um lar onde você menos espera e escolher a vida que te faz mais feliz. Às vezes, a melhor coisa que você pode fazer... é ficar.

Gênero
Romance
Autor
Lynn Fair
Status
Completo
Capítulos
51
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

1

Rhett

O problema de trabalhar em uma marina — um lugar que basicamente serve como um ímã para pessoas com mais dinheiro do que bom senso — é que, eventualmente, alguém fará uma pergunta tão monumentalmente estúpida que te obriga a reavaliar toda a espécie humana. O prêmio de hoje vai para um cara de meia-idade usando bermudas cargo que estavam fazendo esforço demais para segurar suas coxas.

Ele está parado no píer, apontando um dedo bem cuidado para um caiaque laranja neon. Depois, ele aponta para a água. Em seguida, ele olha para mim, com a testa franzida em um exercício intelectual profundo.

“Vem com instruções?”

Eu encaro o sujeito. O caiaque me encara. A água bate contra os pilares, como se esperasse pelo desfecho da piada. Em algum lugar distante, juro que uma gaivota soltou uma risada debochada e estridente. Forço um sorriso, aquele que não chega exatamente aos meus olhos.

“Só lembre-se: o lado que boia fica para cima.”

O homem concorda, completamente sério. Ele olha para mim como se eu tivesse acabado de entregar os segredos do universo. “Certo. Lado que boia para cima. Entendido.”

Ele se afasta com total confiança, e eu fico ali parado por uns bons dez segundos, apenas processando a magnitude da interação. Atrás de mim, uma voz familiar e seca corta o silêncio.

“Sabe, uma hora dessas você deveria mesmo exigir adicional de insalubridade por ter que lidar com o público.”

Eu me viro e meu coração dá um pulo ridículo e traiçoeiro. Laken está ali, apoiada no batente da porta, rindo. Rindo de verdade. Não é aquele risinho sarcástico e mordaz que ela geralmente reserva para as minhas piores piadas; é um som genuíno e suave às minhas custas. De alguma forma, isso consegue ser ainda mais irritante do que o desdém de sempre.

“Bom dia para você também”, eu digo, cruzando os braços.

Laken coloca uma pilha de formulários de aluguel no balcão da marina, sua postura voltando à sua habitual rigidez profissional. “São dez e meia, Rhett. O período da manhã já passou faz tempo.”

“Bom final de manhã, então.”

Seus olhos reviram tanto que fico genuinamente preocupado que fiquem presos lá em cima. Isso é um ritual diário — nossa própria marca pessoal de café da manhã. Na verdade, comecei a cronometrar a duração do aborrecimento dela. Meu recorde atual é de quatro reviradas de olho distintas em menos de trinta segundos, e tenho total confiança de que ela vai bater essa marca até o meio-dia.

Laken ajeita o rabo de cavalo escuro sobre um dos ombros, vira as costas para mim e começa a organizar a papelada agressivamente. Ela está me ignorando. Faz isso com tanta intenção, com uma precisão tão fria e calculada, que é quase impressionante. Ela é, sem dúvida, a melhor pessoa em me ignorar que já conheci. Infelizmente para ela, sou um homem que prospera com atenção — qualquer tipo de atenção. Atenção hostil é o meu gênero favorito, e Laken é uma mestre no assunto.

“Ei, Laken.”

Nada. Apenas o som de papéis sendo remexidos.

“Ei.”

Ela nem pisca.

Eu sorrio, apoiando as costas no balcão. “Oh, ela está puta da vida hoje.”

Isso gera uma reação. Ela solta um suspiro lento e dramático e pisca para mim com uma paciência exagerada. “Eu não estou puta, Rhett.”

“Você está definitivamente puta. Está fazendo aquela cara de quem não pisca.”

“Estou literalmente trabalhando com papéis. Estou tentando evitar que este negócio vá para o buraco.”

“Com raiva”, eu aponto.

Ela levanta os olhos, me fulminando com um olhar que poderia derreter aço. “Você tem um talento único para fazer cada interação soar absolutamente exaustiva.”

“Isso é apenas meu charme natural.”

“Você acha que é charmoso”, diz ela, seu tom escorrendo descrença.

“Isso porque eu *sou* charmoso.”

“Pergunte por aí.”

Coloco a mão no coração, fingindo dor. “Isso dói. Isso realmente me atinge. Principalmente porque sei que você está mentindo e só está tentando manter sua imagem de garota durona.”

Ela está sorrindo. É um tremor minúsculo no canto da boca, mas está lá, e é meu. Por um segundo bizarro e suspenso, o mundo parece girar fora do eixo. Meu cérebro, que geralmente funciona a cem por hora, simplesmente... para. Estou apenas olhando para ela, e o silêncio na marina parece subitamente, intensamente pesado.

Laken percebe. Ela fica tensa, semicerrando os olhos. “Por que você está olhando para mim desse jeito?”

Eu pisco, espantando a sensação. “O quê?”

“Isso. Esse olhar.”

“Não faço ideia do que você está falando.”

“Você estava encarando.”

“Não estava. Você está imaginando coisas.”

“Claro, Rhett. O que você disser.”

O momento se dissolve tão rápido quanto surgiu, deixando-me com uma sensação estranha de falta de ar. Bom. Ótimo. Perfeito. Porque aquilo foi estranho, e eu não faço o tipo estranho. Eu faço o tipo divertido, leve e descomplicado. Essa é a minha marca. Todo mundo na cidade sabe disso.

Infelizmente, Noah Calloway escolhe exatamente esse momento para entrar na marina, com a mão firmemente entrelaçada na de Cora. É nojento. Sinceramente, o nível de felicidade doméstica que emana deles deveria ser regulamentado por lei municipal.

“Bom dia, perdedores”, diz Cora, imediatamente me mostrando o dedo do meio.

Eu brilho para ela, sem me incomodar. “E um dia espetacular para você, luz do sol.”

Noah suspira, parecendo um homem que aceitou seu destino. “Bom dia.”

Laken olha entre os dois, seu olhar vai para mim e depois volta para as mãos dadas deles. “Por que eles estão brilhando? Eles estão literalmente emitindo luz agora?”

Noah geme. Cora ri. Eu aponto para eles, aproveitando a plateia. “OBRIGADO! Alguém mais está vendo isso!”

“Eles parecem felizes”, diz Laken, com um toque de suavidade no tom.

“Eles parecem infectados”, corrijo. “É contagioso.”

Cora ri, pega um colete salva-vidas do suporte e joga na minha cabeça. Eu pego sem nem olhar, mantendo meus olhos nela. Noah passa o braço pela cintura dela, puxando-a para perto do seu corpo — novamente, em público, no meio do expediente, sem qualquer vergonha.

Eu odeio tudo isso.

Beau e Saylor chegam dez minutos depois, e a situação de alguma forma piora. Beau continua olhando para Saylor como se ela tivesse inventado o oxigênio sozinha, e honestamente, o sentimento é enjoativo. Laken observa os quatro, sua expressão indecifrável, antes de olhar de volta para mim.

“Você sabe que é o único solteiro que sobrou, né?”

As palavras aterrissam com um baque inesperado e pesado na boca do meu estômago. Ela não está errada. Beau e Saylor estão firmes. Noah e Cora são inseparáveis. Até Tanner tem agido de forma estranha, seu celular iluminando constantemente, seu foco se desviando do grupo. Todo mundo está formando casais, deixando-me para trás na poeira da solteirice.

Então eu olho de volta para Laken. Vejo seus braços cruzados, o desafio em seus olhos e o jeito que ela tem me deixado absolutamente, enlouquecedoramente maluco o verão inteiro. Antes que eu possa me impedir, um sorriso lento e perigoso se espalha pelo meu rosto.

“Ah”, eu digo, a ficha caindo.

Laken imediatamente levanta a mão, os olhos se arregalando. “Não.”

“O quê? Eu não disse nada.”

“Eu conheço esse olhar. Tira essa cara.”

“Que olhar? Estou só parado aqui.”

“Absolutamente não.”

Eu solto uma risada baixa e real — daquelas que começam em algum lugar profundo do meu peito. Porque de repente, o verão não parece mais tão solitário. Parece um desafio. E, a julgar pelo modo como o maxilar de Laken se contrai, ela está começando a perceber exatamente o que estou planejando.


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