O Homem no Funeral
A chuva tamborilava suavemente contra os guarda-chuvas pretos reunidos ao redor do cemitério. North Nelson estava ao lado do túmulo de sua mãe e observava o caixão de carvalho polido desaparecer terra adentro.
O som da chuva naquele dia deveria fazê-la sentir como se fosse o ponto final. Em vez disso, o fim parecia tão distante que a chuva quase escondia o caminho até ele. Sem saber o que viria a seguir. Era como se ela estivesse assistindo à vida de outra pessoa se desenrolar por trás de uma espessa folha de vidro.
Há um mês, sua mãe ria de panquecas queimadas na cozinha. Há duas semanas, ela reclamava do gato do vizinho desenterrando suas flores. Há três dias, ela se foi. Simplesmente se foi.
O pastor continuou a falar, sua voz ecoando pela tarde fria, mas North não conseguia se concentrar em uma única palavra. Ela mantinha o olhar fixo nas rosas sobre o caixão. Rosas brancas. As favoritas de sua mãe.
Uma mão quente apertou a sua. Era Sarah. Graças a Deus era Sarah. North olhou de lado. Sarah Smith estava ao seu lado, vestindo um casaco preto e uma expressão feroz que sugeria que ela estava pessoalmente preparada para lutar contra a própria morte, se tivesse a chance. Olheiras profundas marcavam seus olhos verdes. Ela não tinha dormido muito. Nenhuma das duas tinha.
"Você está bem?", Sarah sussurrou.
North quase riu. Era uma pergunta ridícula.
"Não."
Sarah assentiu.
"Bom."
North piscou.
"O quê?"
"Se você dissesse que sim, eu saberia que você estava tendo um surto psicótico."
Um sorriso mínimo surgiu nos lábios de North; ela tentou segurá-lo, mas não conseguiu. Foi o primeiro que ela conseguiu dar o dia todo. Sarah pareceu aliviada ao vê-lo.
O serviço terminou pouco depois. As pessoas se aproximaram. Ofereceram condolências. Flores. Muitas palavras de "pêsames" e abraços desconfortáveis.
North agradecia automaticamente. A maioria dos rostos estava borrada de qualquer maneira. Ela não sabia quem era quem.
Até que ela o notou.
Ele estava parado bem longe, sob um grande carvalho na extremidade do cemitério. Observando-a com atenção. Não falava com ninguém. Não se movia. A única coisa que fazia era observar.
Ele era alto, de ombros largos e vestido inteiramente de preto. A chuva escurecia seu cabelo. Mesmo à distância, algo nele parecia errado. Não errado de um jeito perigoso. Errado de um jeito que ela não conseguia explicar. Como ver um lobo no meio de um grupo de ovelhas inocentes.
Seu estômago se contraiu. Ela apontou com a cabeça para o homem, perguntando a Sarah:
"Quem é aquele?"
Sarah seguiu seu olhar.
"O bonitão?"
North revirou os olhos.
"Bem, claro, isso foi muito útil."
Sarah estreitou os olhos.
"Eu não o conheço. Mas adoraria conhecer."
O homem não desviou o olhar. A maioria das pessoas teria desviado, mas ele não. Seus olhos cinzentos permaneciam fixos nela. Ele estava calmo e com uma paciência quase inquietante, pois a observava sem sequer piscar.
Um calafrio estranho percorreu sua espinha. Então, alguém passou entre eles para oferecer condolências. Quando North olhou de novo, o homem tinha ido embora. Simplesmente assim. Desapareceu como a chuva na terra, como o vento no ar; ele simplesmente não estava mais lá.
"Isso não é nada assustador", murmurou Sarah.
North tentou ignorar o mal-estar que se instalava em seu peito. Mas não conseguia. Por alguma razão, não conseguia parar de pensar nele.
A casa parecia vazia sem sua mãe. Estava silenciosa demais e grande demais para morar sem ela. Simplesmente parecia errado.
O silêncio seguia North de cômodo em cômodo. Sarah ficou até a noite. Tempo suficiente para garantir que North comesse algo. Tempo suficiente para garantir que ela tomasse banho. Tempo suficiente para ameaçar com violência caso North tentasse dormir no sofá de novo. Somente depois de arrancar várias promessas é que ela finalmente foi embora.
"Me liga se precisar de qualquer coisa, está bem? Você sabe que estou sempre aqui para você. Sempre."
North assentiu.
"Obrigada, Sarah. Eu sei."
Sarah hesitou em ir e a puxou para outro abraço.
"Repito: qualquer coisa."
Depois que a porta da frente se fechou, o silêncio retornou; aquele tipo de silêncio que faz cada cômodo parecer mal-assombrado.
North subiu as escadas. Ela não estava pronta para dormir. Em vez disso, entrou no quarto da mãe. O perfume de lavanda ainda pairava no ar. Por um momento, pareceu que sua mãe poderia passar pela porta carregando uma cesta de roupas. O pensamento doeu. North engoliu em seco.
Ela começou a andar pelo quarto, tocando em objetos aleatórios para sentir sua mãe por um pouco mais de tempo antes de deixá-la ir. As lágrimas escorriam de seus olhos uma a uma, lentamente, sem qualquer som. Ela sentia saudades dela. Tocou em seus lençóis, no pente de cabelo, nas escovas, no roupão, no batom. Tudo o que ela possuía ainda carregava uma parte dela. A cada toque, sentia-se um passo mais perto da mãe; entre cada toque, sentia-se um passo mais longe. Ela queria ligar, dizer que a amava, queria conversar sobre seu dia, sobre as pessoas no funeral, sobre Sarah. Ela sabia que não podia, mas simplesmente queria.
Decidiu tentar encontrar paz com o cheiro da mãe. Ela tinha um perfume muito único, que lembrava um jardim cheio de rosas e lírios. Abriu o guarda-roupa para sentir o cheiro das roupas. Tirou um dos vestidos do cabide e inalou o cheiro da mãe que permanecia nele, pelo tempo que seus pulmões permitiram. Com a expiração, um choro forte surgiu e ela caiu de joelhos no chão, chorando. Agora ela estava sozinha, sentia a ausência dela ainda mais, e doía como o inferno.
Enquanto estava sentada no chão chorando, notou algo estranho. Uma tábua solta no assoalho sob o guarda-roupa. Sua mãe morava naquela casa há mais de vinte anos. North nunca tinha visto aquela tábua levantada.
Ela deixou a curiosidade vencer. Estendeu a mão e, cuidadosamente, a forçou para abrir. Dentro, havia uma pequena caixa de madeira. Seu pulso acelerou. A caixa parecia velha, muito velha. Ela levantou a tampa. Lá dentro, descansava um único envelope selado. Literalmente nada mais. Sem joias, sem fotografias, sem dinheiro. Era apenas um envelope. Seu nome estava escrito na frente.
North.
Sua respiração falhou. Lentamente, ela o abriu. Uma única página dobrada esperava lá dentro. A caligrafia pertencia à sua mãe. North desdobrou o papel. A mensagem continha apenas seis palavras.
Se eles te encontrarem, corra.
North encarou o bilhete, depois leu de novo, e de novo. Uma risada nervosa escapou dela.
"Que diabos isso significa?"
Literalmente não havia explicação, não havia nomes, nada. Apenas seis palavras.
Lá fora, um trovão ecoou pelo céu. As luzes piscaram. Isso fez North pular.
O papel escorregou de seus dedos. Naquele exato momento, todos os cachorros da vizinhança começaram a uivar. Um após o outro, depois outro, depois dezenas. O som ecoou pela escuridão.
North virou-se lentamente em direção à janela do quarto. Um sentimento frio se instalou no fundo de seu estômago. Alguém estava parado do outro lado da rua. Observando a casa ou, pior, observando-a. Ele era alto e imóvel. Um par de olhos cinza-prateados captou a luz. Os mesmos olhos que ela vira no cemitério. O homem do funeral. E, de alguma forma, North soube. Ele não estava ali por acaso.








