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Prisioneira do Chefe

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Resumo

Clara Brooks é uma ladra mestra cujo último roubo a leva para o coração da toca de um predador. Quando é capturada pelo frio e calculista chefe da máfia, Dante Luciano, ela espera encontrar uma masmorra, mas acaba presa em um volátil jogo de poder e desejo. Dentro das paredes de sua extensa propriedade, a linha que separa o captor do prisioneiro começa a se apagar. Dante está obcecado em quebrá-la, enquanto Clara luta para manter sua autonomia. Entre a biblioteca mergulhada em sombras e os segredos perigosos do submundo, eles são atraídos para uma teia de atração sombria. À medida que sindicatos rivais ameaçam o mundo deles, seu antagonismo tóxico se transforma em uma aliança perigosa e ardente. Unidos pelo sangue, pela traição e por um desejo insaciável, eles precisam decidir se são inimigos lutando pela sobrevivência ou parceiros prontos para incendiar o mundo juntos. Nesse jogo de controle, a rendição é apenas o começo.

Status
Completo
Capítulos
30
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

A Sombra da Propriedade

A chuva em Sochi não caía; ela martelava a terra, um dilúvio gelado e implacável que transformava a paisagem costeira em uma tela borrada de ardósia e carvão. Lá em cima, as nuvens pendiam baixas e sufocantes, enganchando-se nos picos irregulares das Montanhas do Cáucaso antes de despejar sua fúria em direção ao Mar Negro.

Clara Brooks pressionou o corpo contra o exterior frio de calcário da propriedade Luciano, com a respiração curta e controlada. A adrenalina, que normalmente era um pico nítido e revigorante em suas veias, parecia lenta esta noite, abafada pela pura hostilidade dos elementos. Ela ajustou a pegada no gancho de fibra de carbono; seus dedos enluvados estavam dormentes apesar do forro térmico. Ela vinha sondando o perímetro por semanas, traçando os padrões de patrulha dos guardas e medindo os intervalos entre os holofotes que cortavam a escuridão como faróis de um navio-prisão.

Tudo na propriedade gritava isolamento e intenção letal. Não era apenas uma casa; era uma fortaleza encravada na encosta do penhasco, um monumento monolítico ao poder do homem que a possuía. Dante Luciano. Um nome sussurrado com reverência e terror de Moscou aos portos do sul. Ele era um fantasma que negociava nas sombras e, esta noite, Clara estava caçando esse fantasma.

Ela checou o relógio — uma peça personalizada com uma tela tátil que pulsava contra seu pulso. 3:02 da manhã. A patrulha se movia em um ciclo de quatro minutos. Ela tinha trinta segundos antes que o holofote do sul girasse de volta para reiniciar sua varredura do terraço.

Clara se moveu com a fluidez de um predador. Ela lançou o gancho, o som abafado pelo rugido da tempestade, e sentiu o ferro morder a cornija de pedra acima. Com um puxão experiente, ela escalou a parede, suas botas encontrando apoio na moldura decorativa da arquitetura neogótica. Ela se içou sobre a borda e caiu no terraço estreito e molhado, com o coração martelando contra as costelas — um contraponto rítmico e frenético à chuva.

Ela estava dentro do perímetro.

O ar ali era diferente — estagnado, com cheiro de agulhas de pinheiro, maresia e algo metálico, como óleo de arma. Ela rastejou ao longo do terraço, pressionando as costas contra o vidro frio das janelas que iam do chão ao teto. Ela espiou para dentro. O interior era uma extensão cavernosa de luxo minimalista, suavizada por pesadas cortinas de veludo e pelas linhas rígidas e limpas do mármore caro. Era um espaço projetado para alguém que comandava todos os cômodos em que entrava.

Ela tocou seu fone de ouvido, mas o sinal estava morto. A propriedade era blindada, uma gaiola de Faraday que engolia completamente a comunicação sem fio. Tudo bem; ela não tinha vindo ali para conversar.

Ela contornou a vedação da janela com um jato focado de nitrogênio líquido; o vidro estalou silenciosamente à medida que a ponte térmica era cortada. Ela entrou no escritório, e a transição do exterior congelante para o silêncio com temperatura controlada da biblioteca pareceu como entrar em uma tumba. O cômodo era colossal, forrado do chão ao teto com livros que pareciam não ter sido tocados em décadas. Uma lareira crepitava no centro, lançando sombras dançantes e alongadas que pareciam querer alcançá-la.

Clara caminhou em direção à mesa de mogno que dominava o cômodo como um altar. Seu objetivo estava no centro: um drive seguro, com criptografia biométrica, que continha as chaves da operação Luciano. Seus dedos se moveram com precisão robótica, extraindo a ferramenta de invasão de seu cinto.

Click.

A trava gemeu. O drive saltou para cima, uma pequena peça de metal do tamanho de um polegar.

Ela sentiu antes de ouvir — a mudança na pressão do ar atrás dela. Foi um deslocamento sutil, uma alteração na carga estática do cômodo. Uma ladra comum teria terminado o serviço; uma profissional sabia que os pelos da nuca estavam arrepiados por um motivo.

Clara congelou, com a mão pairando a centímetros do drive.

"Você está exatamente quatro minutos adiantada, Sra. Brooks", uma voz retumbou.

O som era profundo, carregado com uma cadência rouca e culta que fez os pelos finos de seus braços se arrepiarem. Ela não se virou, mas sabia quem estava ali. O silêncio do cômodo, antes seu manto, agora era uma armadilha.

"Me disseram que você era a melhor", a voz continuou, agora mais próxima. As tábuas do chão nem sequer rangiam sob o peso dele. "Mas as melhores geralmente sabem quando a porta da frente é deixada destrancada por um motivo."

Clara girou, sua mão mergulhando em busca da pistola cinética compacta no fundo de suas costas, mas ela nunca era rápida o suficiente.

Uma mão, grande e calejada, prendeu seu pulso antes que ela pudesse alcançar a arma. A força era absoluta, um aperto de ferro esmagador que prendeu sua mão contra sua própria espinha. Ela arfou, a dor irradiando pelo ombro, e chutou, um golpe rápido e clínico direcionado ao joelho dele, mas ele girou com facilidade, usando o próprio impulso dela para jogá-la contra a borda da mesa de mogno.

O fôlego escapou de seus pulmões em um chiado agudo e agonizante.

"Eu não aprecio visitas que não batem", murmurou Dante Luciano. Ele estava tão perto que ela podia sentir o cheiro suave e embriagante de sândalo e ar frio da montanha que pairava sobre sua pele.

Ela se forçou a olhar para cima, para encontrar aqueles olhos — escuros, inflexíveis e desprovidos de qualquer coisa que lembrasse calor. Eram os olhos de um homem que não apenas via através dela; ele a desmantelava. Ele era maior do que ela imaginara, com uma silhueta de ombros largos e imponente mesmo sob a luz âmbar e fraca da lareira. Ele não parecia um chefe da máfia; ele parecia um rei no exílio.

"Quem te enviou?", ele perguntou, com a voz em um ronronar baixo e perigoso.

Clara cuspiu em sua direção, um gesto desesperado e desafiador. "Vá para o inferno."

Dante não recuou. Ele apenas apertou o aperto em seu pulso, seu olhar caindo sobre o rosto dela e, então, demorando-se no ponto de pulsação em sua garganta. Ele riu, um som sombrio e zombeteiro que vibrou através da mesa e dentro de seus ossos.

"Nós já estamos no inferno, darling", ele sussurrou, com a mão livre subindo para traçar a linha de seu maxilar com um dedo que parecia uma lâmina de barbear feita de gelo. "E você, ao que parece, acabou de se tornar o centro da minha diversão."

Ele se inclinou, com o rosto a centímetros do dela. O calor de seu corpo era um contraste nítido e gritante com a realidade fria e úmida da tempestade que rugia logo atrás do vidro. Clara sentiu a armadilha se fechar. A missão tinha acabado. O plano de extração era fumaça. Tudo o que restava era a realidade sufocante e pesada de sua presença.

"Você achou que estava roubando segredos", ele disse, seus olhos travando nos dela com uma intensidade possessiva que fez sua respiração falhar. "Mas você só conseguiu roubar a si mesma."

Ele alcançou as costas dela, sua mão movendo-se com graça predatória até a trava das algemas presas ao anel lateral da mesa. Antes que ela pudesse processar o movimento, ele segurou suas mãos, puxando-as para trás de suas costas e prendendo as algemas de aço. O metal mordeu seus pulsos, frio e inflexível, ecoando a finalidade do som.

Clara puxou contra a restrição, com os dentes cerrados, mas o anel estava aparafusado na madeira sólida da mesa de mogno, imóvel.

"Me deixe ir", ela ordenou, embora sua voz vacilasse, traída pela percepção súbita e enjoativa de sua própria vulnerabilidade.

Dante deu um passo atrás, examinando-a como se ela fosse um prêmio que ele finalmente capturara após uma caçada longa e exaustiva. Ele descartou seu paletó, jogando-o em uma cadeira próxima com uma arrogância casual e devastadora, e começou a arregaçar as mangas, revelando antebraços cordados de músculo.

"Ir?", ele repetiu, um sorriso irônico e sem humor tocando seus lábios. "Clara, você nem começou a entender o que significa estar aqui."

A lareira estalou, um pedaço de madeira se movendo e enviando uma chuva de faíscas para o braseiro. No brilho repentino, Clara viu a verdadeira extensão de sua situação. As portas da biblioteca estavam fechadas, a propriedade era uma fortaleza e o homem à sua frente não era alguém que jogasse pelas regras do mundo que ela tentara infiltrar.

Ela não era mais a caçadora. Ela era a presa, e o jogo tinha apenas acabado de começar.

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