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Arianna
A primeira coisa que notei sobre Dawson Rhodes foi que ele estava me encarando. Não era aquele tipo de olhar insistente e assustador que faz a pele arrepiar, nem mesmo aquele jeito sutil e calculado. Ele simplesmente encarava — direto e sem vergonha, como se tivesse esquecido completamente que havia outros quarenta estudantes amontoados no anfiteatro conosco.
Franzi a testa, ajeitando-me na cadeira para vê-lo melhor. Ele não desviou o olhar. Em vez disso, imitou minha expressão com um sorriso torto e arrogante, depois ergueu casualmente sua xícara de café em uma saudação minúscula e debochada.
*Que porra é essa?*
Virei a cabeça rapidamente, examinando as fileiras atrás de mim para ver se ele talvez estivesse olhando para outra pessoa. Nada. Apenas estudantes entediados e mesas vazias. Olhei para a esquerda, depois para a direita. Ainda nada. Quando me virei de volta para ele, ele exibia um sorriso presunçoso de orelha a orelha.
*Babaca.*
Revirei os olhos e forcei minha atenção para a frente da sala, obrigando-me a olhar para o quadro branco. O palestrante convidado estava no meio de uma frase, falando sobre as nuances éticas do jornalismo esportivo, mas meu cérebro estava preso no capitão do time de hóquei sentado três fileiras à frente. Tentei expulsar o pensamento da minha cabeça, mas era como tentar parar uma onda gigante. Não era só porque ele era gostoso, embora isso certamente fosse parte do problema. Dawson Rhodes era irritantemente, frustrantemente atraente. Ele tinha aquele conjunto de quase dois metros de altura com o cabelo escuro bagunçado elevado a uma forma de arte, e um sorriso que provavelmente já tinha destruído mais de algumas vidas durante seu tempo em Westbrook. Como capitão do time de hóquei e nome certo para o draft da NHL, ele era uma celebridade no campus, um cara que todas as garotas da faculdade conheciam pelo nome. Inclusive eu. Mas só porque eu sabia quem ele era, não significava que eu queria que ele me olhasse como se eu fosse a única coisa na sala que valia a pena ver.
No segundo em que o professor nos dispensou, eu já estava enfiando meu laptop na bolsa, desesperada para escapar. Cheguei ao corredor, indo em direção à saída, mas não cheguei à porta.
“Arianna.”
Congelei. *Não. De jeito nenhum.*
Respirei fundo, lentamente, e me virei, minhas botas raspando no piso. Dawson estava a poucos metros de distância, sua pesada bolsa de hóquei jogada descuidadamente sobre um ombro. De perto, ele era de alguma forma ainda maior, uma parede de músculos e energia inquieta que parecia completamente injusto de se ter por perto tão cedo no dia.
“Oi?” perguntei, mantendo minha voz seca.
Sua boca se contraiu, aquele sorriso irritante brincando nos cantos de seus lábios. “Já está indo embora?”
Pisquei, genuinamente confusa. “A aula acabou, Dawson.”
“Eu percebi.”
“Então por que está perguntando?”
Seu sorriso se alargou, aprofundando as covinhas que eu me recusava a achar encantadoras. “Por motivo nenhum.”
“Ok”, eu disse, virando nos calcanhares para sair novamente.
“Arianna.”
Parei, apertando a alça da minha bolsa. “O que foi?”
“Você nunca responde às minhas mensagens.”
Minha cabeça girou tão rápido que quase dei um mau jeito no pescoço. “Que mensagens? Eu nem tenho seu número.”
Ele pareceu genuinamente ofendido, franzindo a testa. “Eu te mandei três mensagens.”
Minhas sobrancelhas subiram. “Você não tem meu número, Dawson. Eu nunca te dei.”
O silêncio dele durou exatamente um segundo antes de ele zombar. “Claro que tenho.”
“O quê?”
“Você me deu.”
“Definitivamente não dei.”
“Você deu.”
“Dawson, para.”
“Arianna, começa.”
Estreitei os olhos para ele, e ele nem piscou, apenas estreitou os olhos de volta para mim. Deveria ser enfurecedor. Deveria ser um sinal de que ele era apenas mais um atleta arrogante jogando um jogo. Infelizmente, era apenas… magnético.
“Me mostra”, desafiei.
Sem um segundo de hesitação, ele tirou o celular do bolso, tocou na tela e estendeu para eu ver. Meu queixo caiu. Lá estava ele — meu número, claro como o dia. Salvo com um nome de contato que fez meu sangue ferver.
*Ari ❤️*
“Que porra é essa?” Apontei para a tela, com o rosto esquentando.
Os olhos dele foram para o nome do contato, e ele parecia totalmente indiferente. “Ah.”
“'Ah'? É só isso que você tem a dizer?”
“Sim.”
“Dawson, por que tem um coração?”
Ele me olhou com genuína confusão, como se eu estivesse perguntando por que o céu é azul ou por que a água é molhada. “Porque eu gosto de corações.”
Eu apenas o encarei. Ele me encarou de volta, o silêncio se estendendo entre nós até que finalmente cedi, soltando uma risada aguda e incrédula. Não podia ser a vida real. “Você é absolutamente ridículo.”
O olhar dele suavizou, a intensidade mudando para algo muito mais perigoso. “Talvez.”
Por alguma razão, meu estômago deu um solavanco lento e traiçoeiro. Era irritante, era estúpido e absolutamente não era permitido acontecer. Puxei minha bolsa para cima no ombro, tentando recuperar alguma semelhança de controle.
“Enfim”, murmurei.
“Enfim.”
Apontei vagamente para o corredor. “Tenho um lugar para ir.”
Ele assentiu, sem se mover um centímetro. “Ok.”
“Ok.”
Nenhum de nós se moveu. Ficamos parados ali na sala de aula vazia, o ar parecendo subitamente raro demais. Finalmente, Dawson deu um passo para trás, quebrando o impasse.
“Te vejo hoje à noite.”
Franzi a testa. “Não, não vai.”
“Sim, vou.”
“Acho que não.”
“Coletiva de imprensa depois do treino.”
Meu estômago despencou. *Merda.* Eu tinha esquecido completamente. O departamento de esportes me colocou para cobrir a temporada do time de hóquei, e isso significava que eu estava presa a ele. Começando hoje à noite.
O sorriso de Dawson se alargou, confirmando que ele sabia exatamente o que estava fazendo o tempo todo. “Te vejo hoje à noite, Ari.”
Meu pulso falhou uma batida. *Ari.* Ninguém me chamava assim. Era um apelido que eu nunca tinha usado, mas ouvi-lo vindo dele pareceu… estranhamente bom. Irritantemente bom. Eu odiava isso.
“Não me chame assim”, avisei, mas ele já estava virando, caminhando para longe com aquele passo atlético e relaxado.
“Te vejo hoje à noite, Ari”, ele gritou por cima do ombro.
“Dawson!” gritei, mas ele apenas riu, sua voz ecoando pelo corredor.
E por motivos que eu absolutamente não conseguia explicar, mesmo parada ali, furiosa, dei por mim sorrindo.
Naquela noite, entrei na Westbrook Arena com meu caderno na mão e exatamente zero paciência restante para jogadores de hóquei. O lugar estava vivo, vibrando com aquele tipo de energia frenética e de alta voltagem que só uma pista da Divisão I pode gerar. Os jogadores já deslizavam pelo gelo, as lâminas abrindo sulcos profundos e rítmicos, enquanto o sistema de som tocava um rock que vibrava no meu peito.
Era caótico, e era lindo. Em algum lugar no borrão de patins e camisas, Dawson Rhodes cortava a defesa, movendo-se com uma velocidade que fazia todo mundo parecer estar parado. Eu odiava o quão bem ele parecia fazendo aquilo. Odiava o jeito que a luz batia no cabelo dele, o jeito que ele controlava o jogo, e especialmente odiava estar ali parada olhando para ele em vez de estar fazendo literalmente qualquer outra coisa.
O apito final soou, sinalizando o fim do treino, e os jogadores foram em direção ao banco, tirando os capacetes e limpando o suor da testa. Olhei para o meu caderno, tentando forçar meu cérebro a voltar para o modo profissional.
Quando olhei para cima, Dawson estava parado bem na minha frente.
Ele respirava fundo, o peito arfando, o cabelo úmido e colado na testa, as bochechas coradas de calor. Ele estava perto demais. Meu espaço — e minha sanidade — parecia completamente comprometido.
“Oi, Ari”, ele disse, a voz rouca por causa do esforço.
Soltei um suspiro longo e pesado. “O que você quer, Dawson?”
Os olhos dele desceram para o meu caderno, examinando a página. “Você está escrevendo coisas bonitas sobre mim aí?”
“Não.”
“Mentirosa.”
“Não. Nada de bom.”
“O que você escreveu, então?”
Fechei o caderno com força, o barulho ecoando na arena quase vazia. “Classificado.”
Ele riu, um som baixo que percorreu minha espinha. Então, seu olhar percorreu meu corpo. Não foi aquele olhar rápido e desdenhoso que a maioria dos caras me lançava; era lento, metódico e cuidadoso, como se ele estivesse realmente catalogando cada detalhe. Meu peito se apertou de um jeito que eu não queria analisar. A maioria das pessoas olhava através de mim, mas Dawson? Ele me fazia sentir como se estivesse sob um microscópio e, pela primeira vez, eu não queria fugir.
Os olhos dele encontraram os meus novamente, e o ruído da arena — os gritos distantes dos jogadores, o zumbido do sistema de refrigeração, a música ao fundo — parecia simplesmente desaparecer. Era só ele.
Então, ele me ofereceu um sorriso. Não era o sorriso arrogante da aula; era suave, silencioso, quase como um segredo.
“Bom”, ele disse, a voz baixando uma oitava.
Pisquei, atordoada. “O quê?”
Ele manteve meu olhar, sua expressão ilegível. “Você fica ainda mais bonita quando está brava.”
Meu cérebro desligou completamente. Antes que eu pudesse processar as palavras ou forçar minha boca a funcionar, Dawson piscou, virou-se e patinou para longe, deixando-me paralisada ao lado do vidro, olhando para ele — e, que Deus me ajude, sorrindo como uma idiota.









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