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TUDO O QUE EU NUNCA DISSE

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Resumo

**Tudo o que Eu Nunca Disse** Maya Carter nunca o notou na faculdade. Nem quando ele sentava algumas fileiras atrás dela. Nem quando ele a observava rir com as amigas. Nem quando ele passou anos carregando uma paixão secreta que tinha medo de confessar. Para ela, James Smith era apenas mais um rosto na multidão. Anos depois, Maya persegue o sonho de se tornar estilista quando um novo diretor assume o comando da empresa onde ela trabalha. Bonito. Poderoso. Impossível de ignorar. James se lembra de tudo sobre ela. Maya não se lembra de nada sobre ele. À medida que se aproximam, sentimentos enterrados vêm à tona, feridas antigas se reabrem e Maya descobre que o homem ao seu lado hoje é o mesmo garoto que um dia a amou em silêncio. Algumas histórias começam com uma confissão. A deles começa com tudo o que ele nunca disse.

Gênero
Romance
Autor
Alice
Status
Completo
Capítulos
27
Classificação
4.3 3 avaliações
Classificação Etária
13+

Capítulo 1

“Vamos, vamos ao bar hoje à noite!”

Emma se jogou na cama de Maya, sorrindo de orelha a orelha.

Maya mal desviou o olhar do seu livro.

“Você sabe que essa é uma péssima ideia.”

“Por quê?”

“Você sabe exatamente por quê.”

Emma revirou os olhos.

Maya se sentou e apontou para ela.

“Você sabe como eu fico quando bebo. Eu perco totalmente o controle. Ninguém consegue me segurar, sério.”

Emma riu e jogou um travesseiro nela.

“Isso é porque você não tem autocontrole nenhum.”

“Exatamente o meu ponto.”

“E é por isso que eu vou com você.”

Maya gemeu e enterrou o rosto em outro travesseiro.

“Não.”

“Sim.”

“Não.”

“Sim.”

Emma marchou até o guarda-roupa de Maya e começou a vasculhar suas roupas.

Um momento depois, ela puxou um vestido preto e o ergueu triunfante.

“Este.”

Maya balançou a cabeça imediatamente.

“De jeito nenhum.”

“Oh, com certeza sim.”

“É exagerado demais.”

“É perfeito.”

Emma jogou o vestido no colo de Maya.

“Você vai usar isso hoje à noite.”

Maya encarou o vestido.

“Emma...”

“Sem desculpas.”

“Eu nem quero ir.”

“Foi o que você disse da última vez.”

“E?”

“Você acabou dançando em cima de uma mesa.”

Maya cobriu o rosto com as duas mãos.

“Nós combinamos de nunca mais falar sobre isso.”

Emma caiu na risada.

“Foi icônico.”

“Foi constrangedor.”

“Foi lendário.”

Maya jogou um travesseiro nela.

Emma desviou facilmente.

“Olha, só veste o vestido. Quem sabe? Talvez você conheça um cara bonito hoje à noite.”

Maya ergueu uma sobrancelha.

“Ou talvez eu conheça outra walking red flag.”

Emma deu de ombros.

“É um risco que estou disposta a correr.”

“Quem vai correr o risco não é você.”

Emma sorriu com malícia.

“Tudo bem. Então pense deste jeito. Talvez hoje seja a noite em que seu futuro marido derrube uma bebida em você por acidente.”

Maya riu.

“Isso só acontece em livros de romance.”

“Exatamente. Então vamos dar uma chance ao destino.”

Maya olhou para sua melhor amiga teimosa e soube que não tinha como escapar disso.

Com um suspiro dramático, ela pegou o vestido preto.

“Tudo bem.”

Emma soltou um grito de vitória.

“Eu sabia que você diria sim!”

O sorriso no rosto de Maya permaneceu muito tempo depois que Emma saiu correndo do quarto.

Nenhuma das duas sabia que aquela simples noite fora estava prestes a mudar tudo.

No momento em que entraram no bar, a música alta e as luzes piscantes as cercaram.

Emma arrastou Maya imediatamente em direção ao balcão de bebidas.

“De jeito nenhum. Eu não vou beber hoje à noite”, disse Maya.

Emma riu.

“Uma bebida não vai fazer nada.”

Antes que Maya pudesse protestar, Emma colocou um copo em sua mão.

“Emma—”

“Só uma.”

Uma bebida virou duas.

Duas viraram três.

E logo, Maya perdeu a conta.

Quatro.

Talvez cinco.

Como de costume, ela acabou na pista de dança.

A música pulsava pelo ambiente enquanto luzes coloridas varriam a multidão.

Maya se movia sem esforço no ritmo, seu cabelo escuro caindo sobre os ombros enquanto ela cantava junto com a música que tocava.

“Eu preciso de alguém que me segure perto, mais profundo do que eu já conheci...”

A letra fluía de seus lábios como se ela fosse a pessoa contando a história.

“Cujo amor parece um rodeio, sabe exatamente como assumir o controle...”

Ela balançava com a música, completamente perdida no momento.

“Você é alguém que pode chegar lá?”

“Porque eu não quero ter que te mostrar...”

Parecia quase como se ela e a música tivessem se tornado um movimento só.

Então, de repente—

Uma mão envolveu sua cintura.

Um estranho a puxou para perto dele.

O sorriso de Maya desapareceu instantaneamente.

Ela o empurrou.

“Não me toque.”

O homem cambaleou para trás, mas não foi embora.

Em vez disso, ele deu um passo à frente novamente.

“Qual é, gata—”

“Eu disse não.”

Ele tentou pegá-la mais uma vez.

Antes que sua mão pudesse encostar nela—

Um punho atingiu seu rosto com força.

O homem tropeçou para trás e caiu em uma mesa próxima.

Toda a área ficou em silêncio.

Um homem alto estava entre eles.

Sua expressão era fria.

“Ela disse não”, disse o estranho.

O homem no chão gemeu e tentou se levantar.

O estranho deu um passo à frente.

“Sugiro que você fique aí embaixo.”

Algo em sua voz fez todos ao redor congelarem.

Até o homem bêbado pareceu entender.

Naquele momento, Maya vacilou.

O ambiente girou ao redor dela.

Tudo ficou embaçado.

E antes que ela pudesse se segurar—

Ela desmaiou.

“Ei!”

Emma correu pelo meio da multidão.

“Maya!”

Mas, antes que Maya pudesse atingir o chão, o estranho a pegou.

Ele a segurou com firmeza e facilidade.

Emma finalmente os alcançou, respirando com dificuldade.

“Meu Deus. Ela está bem, né?”

“Ela está inconsciente”, ele respondeu com calma. “Álcool demais.”

Emma esfregou a testa.

“É... isso é bem a cara da Maya.”

O estranho olhou para a entrada.

“Onde está o seu carro?”

“Está lá fora.”

Sem dizer mais nada, ele levantou Maya cuidadosamente em seus braços.

Emma o seguiu pelo meio da multidão.

Lá fora, o ar frio da noite os atingiu imediatamente.

O estranho carregou Maya até o carro como se ela não pesasse nada.

Ele abriu a porta do passageiro e a acomodou gentilmente no banco.

Em seguida, prendeu o cinto de segurança dela com cuidado.

Por um breve momento, seu olhar permaneceu no rosto adormecido dela.

Algo indecifrável brilhou em seus olhos.

Então ele se virou para Emma.

“Você também andou bebendo?”

“Um pouco.”

O maxilar dele travou.

“Espere aqui.”

Ele pegou seu celular e fez uma ligação.

Um minuto depois, um homem uniformizado de motorista atravessou o estacionamento correndo.

"Você vai com eles", instruiu o estranho.

Emma franziu a testa.

"Isso realmente não é necessário."

O motorista assentiu respeitosamente.

"Vou garantir que ambas cheguem em casa em segurança, madame."

Emma voltou-se para o estranho.

Mas ele já estava olhando para Maya pela última vez.

Por um segundo, sua expressão suavizou.

Como se estivesse vendo alguém que conhecera no passado.

Alguém que ele nunca tinha esquecido de verdade.

Então, sem dizer mais nada, ele virou as costas e desapareceu na noite.

Na manhã seguinte, Maya acordou sentindo como se alguém tivesse jogado uma pilha de tijolos direto em sua cabeça.

"Minha cabeça..."

Ela gemeu e enterrou o rosto no travesseiro.

A luz do sol entrando pelas cortinas definitivamente não estava ajudando.

Após alguns minutos de sofrimento, ela se forçou a sair da cama e cambaleou até a cozinha.

A primeira coisa que fez foi pegar um copo e espremer um limão dentro dele.

Ela bebeu a água com limão em segundos.

Depois veio o café.

Uma xícara bem grande de café.

Só depois de terminar a metade é que finalmente começou a se sentir humana de novo.

Apoiada no balcão da cozinha, ela tentou se lembrar da noite anterior.

O bar.

Música.

Dança.

Bebidas.

Muitas bebidas.

Depois disso...

Nada.

Absolutamente nada.

Suas memórias não passavam de fragmentos espalhados.

Ela franziu a testa.

"Ótimo."

Aparentemente, ela tinha passado vergonha de novo.

Embora, considerando que Emma ainda não tinha ligado para rir dela, talvez não tivesse sido tão ruim assim.

Tomara.

Um olhar rápido para o relógio a fez paralisar.

Ela estava atrasada.

Emma já tinha saído para o trabalho.

Maya correu para se arrumar.

Quarenta minutos depois, ela entrou no prédio do escritório com uma xícara de café em uma mão e sua bolsa na outra.

No momento em que entrou no departamento de marketing, percebeu que algo estava diferente.

Todos pareciam estranhamente animados.

Grupos de funcionários cochichavam entre si.

Os celulares estavam todos fora dos bolsos.

As pessoas estavam arrumando a aparência.

"O que aconteceu?", Maya perguntou a um de seus colegas de trabalho.

A mulher parecia chocada.

"Você não ficou sabendo?"

"Sabendo do quê?"

"Nosso diretor se aposentou."

Maya piscou.

"O quê?"

"E o neto dele vai assumir o cargo."

Isso certamente chamou a atenção dela.

"O neto dele?"

"É."

Outro colega se juntou à conversa.

"Dizem que ele é brilhante."

"Também dizem que ele é aterrorizante."

"E, aparentemente, ridiculamente bonito."

Maya revirou os olhos.

"Claro que dizem."

"O quê?"

"Todo executivo rico é, aparentemente, brilhante, aterrorizante e bonito."

Seus colegas riram.

Um deles se aproximou.

"O nome dele é James Smith."

Maya fez uma pausa.

James Smith.

Até o nome dele soava caro.

Ela tomou um gole de café.

James Smith.

Definitivamente um nome de gente rica.

Provavelmente o tipo de homem que possuía três relógios que valiam mais do que seu salário anual.

O tipo que nunca precisou se preocupar com contas.

O tipo que provavelmente chegava ao trabalho em um carro que ela nem sabia pronunciar o nome.

"James Smith", ela repetiu baixinho.

O nome sozinho soava como fortuna.

Por algum motivo, ela acabou rindo.

"Bem", ela murmurou para si mesma, "pelo menos o nome combina."

Totalmente alheia ao fato de que, em poucos minutos, ela ficaria cara a cara com o homem que a carregou para casa na noite anterior.

E o menino que ela nunca tinha notado anos atrás.

Maya não vinha de uma família rica.

Ela vinha de uma família comum, onde cada conquista fora alcançada com trabalho duro, sacrifício e determinação.

Ela era filha única, o que significava que todas as esperanças e sonhos de seus pais sempre repousaram sobre seus ombros.

Não que eles a tivessem pressionado.

Eles simplesmente acreditavam nela.

E Maya passou a vida inteira tentando fazer com que essa crença valesse a pena.

Alguns anos atrás, ela deixou sua cidade natal e se mudou para Nova York para construir sua própria carreira.

A cidade era tudo o que ela imaginava: rápida, competitiva, empolgante e aterrorizante ao mesmo tempo.

Felizmente, ela não enfrentou isso sozinha.

Ela dividia um apartamento pequeno com sua melhor amiga, Emma.

As duas se conheceram anos atrás e, desde então, tornaram-se inseparáveis.

Emma trabalhava como instrutora de gastronomia e passava a maior parte do tempo dando aulas de culinária, criando receitas e falando sobre comida com um nível de paixão que Maya nunca entenderia totalmente.

Maya, enquanto isso, trabalhava como consultora de design.

Era um cargo respeitável.

Um bom cargo.

Um que pagava as contas e lhe dava estabilidade financeira.

Melhor ainda, ela trabalhava para uma das maiores marcas de moda e estilo de vida de Nova York.

Uma empresa na qual milhares de jovens designers sonhavam em trabalhar.

A maioria das pessoas a consideraria bem-sucedida.

Mas Maya sabia a verdade.

Aquele não era o seu sonho.

Não exatamente.

O sonho dela sempre fora muito maior.

Desde que era uma garotinha desenhando vestidos nos cantos de seus cadernos, ela imaginava ver seu próprio nome nas passarelas.

Suas próprias coleções.

Seus próprios designs.

Sua própria casa de moda.

Ela queria que as pessoas reconhecessem seu trabalho com um único olhar.

Ela queria se tornar uma designer de moda mundialmente famosa.

Não alguém que apenas aconselhava os outros sobre seus designs.

Alguém que os criava.

Alguém que deixasse uma marca na indústria.

Por enquanto, porém, aquele sonho permanecia exatamente o que sempre fora.

Um sonho.

Um que ela mantinha guardado em segurança dentro do coração, enquanto passava seus dias ajudando a construir a marca de outra pessoa.

Mas todas as noites, antes de dormir, ela ainda abria seu caderno de esboços.

E todas as noites, ela desenhava outro modelo.

Recusando-se a deixar esquecer o futuro que ela ainda estava perseguindo.

Não importa o quão impossível isso, às vezes, parecesse.

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