Destined To You 🌶️🌶️🌶️🌶️🌶️ Very Spicy Version (A Sons Of Ash Mc Saga — Book 7 Raze X Rina) por theatricalsiren em Inkitt
Personalizar legibilidade
Aa

DESTINED TO YOU 🌶️🌶️🌶️🌶️🌶️ VERY SPICY VERSION (A SONS OF ASH MC SAGA — BOOK 7-RAZE X RINA)

Todos os Direitos Reservados ©

Resumo

ELE A DESENHOU COM O SEU PAU NA BOCA E OS OLHOS DELA REVIRADOS. Quando o taciturno executor e tatuador dos Sons of Ash vê uma mulher se despindo na janela do outro lado do beco, ele sabe — com a fria certeza de um homem que passou a vida inteira observando o mundo por trás de um vidro — que ela já é sua. Ele só ainda não a reivindicou. A luz da luminária era suave, o tipo de brilho que fazia sua pele parecer mel. Ela estava diante de seu pequeno espelho, com o cabelo solto ao redor dos ombros, a blusa ainda desabotoada. Ele podia ver a curva da sua cintura, o relevo da sua espinha, a sombra entre seus seios. Ela usava um sutiã rosa-claro — simples, prático, do tipo que uma mulher usa quando não espera que ninguém veja. Ele viu. Ele viu tudo. Sua mão se moveu lentamente. Deliberadamente. Do jeito que ele fazia tudo. Ele se acariciou da base à ponta, o polegar circulando a glande, sua respiração embaçando o vidro. "Olhe só para você", ele murmurou. "Abotoando sua blusa. Se escondendo do mundo. Guardando toda essa beleza em um cardigã e um jaleco como se fossem uma armadura. Você não sabe que estou observando. Você não sabe que venho observando há semanas. Você não sabe que vou me casar com você." Ele gozou com um gemido que mal reconheceu como seu. Sua liberação respingou em sua mão, no parapeito da janela, no vidro. Ele permaneceu ali, ofegante, observando-a pegar sua bolsa, suas chaves e seu triste lanche embalado, e não sentiu vergonha. Nenhuma. A vergonha tinha sido queimada semanas atrás, consumida por algo mais quente, algo mais sombrio, algo que não se importava com conveniências, limites ou com a forma como homens normais se apaixonam. Ele não era normal. Ele nunca tinha sido normal. O QUE ACONTECE QUANDO UMA MULHER QUE FOI INVISÍVEL A VIDA TODA DESCOBRE QUE O HOMEM MAIS PERIGOSO DA CIDADE ESTÁ OBSERVANDO-A — DESENHANDO-A — DESEJANDO-A — HÁ MESES? O QUE ACONTECE QUANDO ELA NÃO FOGE?

Status
Completo
Capítulos
44
Classificação
5.0 9 avaliações
Classificação Etária
18+

1

RAZE

O clubhouse estava barulhento.

Ultimamente era sempre barulhento — crianças gritando, irmãos discutindo, velhas rindo num canto como se se conhecessem a vida toda, e não apenas há alguns anos. Os Sons of Ash tinham se tornado algo que Raze jamais esperaria: domesticados. Não moles. Nunca moles. Mas cheios. Cheios de barulho, calor e daquele caos peculiar de pessoas que escolheram umas às outras e continuavam escolhendo, todo dia, contra todas as evidências e razões.

Raze sentou-se na poltrona do canto — aquela com a mola estragada que todos evitavam — e lia Camus.

Ele virou a página. O barulho o envolvia. Axle discutia com Scarlett. Scarlett estava ganhando e Axle fingia estar bravo com isso, o que ainda era engraçado depois de tanto tempo — a ex-informante federal que caçava cartéis e se tornou uma senhora, reduzindo o presidente dos Sons of Ash a um homem que pediria desculpas se respirasse errado. Grimm estava com Rain em seu colo, a mão enterrada no cabelo dela, a boca próxima ao ouvido dela, sussurrando algo que deixou as bochechas dela da cor das cordas de shibari que ele mantinha enroladas no quarto particular deles. Hound estava esparramado no chão, sendo usado como apoio para os pés por Tara, que explicava a Natasha os requisitos estruturais precisos de uma torre de champanhe de sete níveis. Natasha fazia anotações como uma CEO, o que ela era, só que agora ela também era noiva de Sydney, o que significava que ela tinha sido absorvida pelo caos como se sempre estivesse ali. Sydney jogava pretzels em Knuckles, que os pegava com a boca com uma taxa de acerto de aproximadamente trinta por cento. Voss sentava rígido em seu canto, o laptop equilibrado nos joelhos, Cray drapeada sobre seus ombros como um xale particularmente inapropriado, seu cabelo tingido de vermelho um corte violento contra seu colete de tricô cinza.

“O Rei da Vasectomia continua em alta”, anunciou Cray, rolando a tela do celular. “Número quatro no Twitter. Você foi destronado por uma cacatua dançarina.”

Sydney pegou um pretzel no ar. “Uma cacatua.”

“Uma cacatua muito talentosa.”

“Foda-se a cacatua.”

“Isso é ilegal em sete estados”, disse Hound do chão.

Tank estava parado perto da parede, silencioso como uma pedra, observando sua filha, Luna, organizar as crianças mais novas no que parecia ser um golpe. Alexander — o filho de Tank, ainda instável nas pernas — era o músculo. Maggie, a filha adotiva de Julian e Sebastian, era a estrategista. Elijah, o futuro filho adotivo de Sydney, era o diplomata. Luna era a ditadora. Ela tinha voltado da Suíça há três semanas e já tinha restabelecido a autoridade absoluta.

“A recompensa final dos mortos”, disse Raze, sem desviar o olhar do livro, “é não morrer mais.”

Silêncio. Breve. Incompleto.

Hound virou a cabeça lá do chão. “Que porra isso significa?”

“Significa que gente morta não precisa lidar com isso”, disse Sydney, gesticulando para o caos com um pretzel. “Sortudos do caralho.”

“Ele está lendo Camus”, disse Voss, ainda sem olhar para cima. “O Mito de Sísifo. Ele está sendo filosófico. Ignora ele.”

“Não é de O Estrangeiro?”, perguntou Hound.

Raze virou a página. “Não.”

“Então por que você está lendo isso?”

“Porque eu li O Estrangeiro dezessete vezes. Sísifo é novidade.”

“Você leu o mesmo livro dezessete vezes?”

“Dezoito, tecnicamente. Li duas vezes na mesma semana depois que aquela merda com Diablo aconteceu.”

A boca de Grimm se curvou — o mais próximo de um sorriso que ele conseguia produzir. “Ele estava insuportável.”

“Ele citou a cena da morte durante a missa”, disse Axle. “Scarlett jogou uma vela nele.”

“Era uma vela pequena”, disse Scarlett.

“Não era uma vela pequena.”

Raze não se defendeu. Ele era um irmão há oito anos. Executor há seis. Artista a vida toda. Ele não sabia ser outra coisa, e há muito tempo tinha parado de pedir desculpas pelos livros, pelas citações, pelo jeito que sua mente funcionava — padrões, sombras e a beleza particular das coisas que machucam.

“Não consigo ignorar ele”, disse Hound, ainda virado no chão. “Ele fica sentado aí sendo todo...” Ele gesticulou vagamente para a existência de Raze. “...melancólico, silencioso e essa merda toda.”

“Estou lendo.”

“Você está sempre lendo.”

“Ler é preferível a ouvir você discutir sobre creme de manteiga por quarenta e cinco minutos.”

“FORAM TRINTA MINUTOS”, gritou Tara de cima dele.

“Foram quarenta e cinco”, disse Raze. “Eu cronometrei.”

Tara pausou. “Foram quarenta e três. Eu estava arredondando para baixo.”

Hound jogou um copo de plástico na cabeça de Raze. Raze pegou sem olhar, colocou no braço da poltrona e continuou lendo.

“Exibido”, resmungou Sydney.

“Vou para a loja.” Raze fechou seu livro — um exemplar de bolso gasto, com a lombada quebrada em dezessete lugares. “Cliente às sete.”

“Quem?”, perguntou Axle.

“Carter. Ele quer terminar o tigre.”

“Aquele nas costas? Aquele que parece que está comendo a coluna dele?”

“Esse mesmo.”

“Assustador.”

“Ele está pagando o triplo.”

“Bom o suficiente.”

Raze vestiu seu kutte. O couro estava gasto e macio nos ombros, o emblema ASH RISE desbotado por anos de sol, suor e sangue. Ele tinha tatuado a fênix no peito de Axle doze anos atrás, quando ambos eram mais jovens, mais estúpidos e convencidos de que o mundo era algo que se sobrevivia, em vez de algo que se construía. Agora Axle tinha uma esposa, um quarto de shibari e um motivo para ficar parado. Todos eles tinham. Todos os irmãos, exceto Raze.

Ele não pensava nisso. Ele tinha se treinado para não pensar nisso.

“Raze.” A voz de Grimm, baixa. Raze virou-se. Os olhos cinzentos e pálidos de Grimm eram firmes — os olhos de um homem que tinha enterrado um líder de seita vivo e dormia melhor por causa disso. “A viagem de amanhã. Vamos pela rota norte. O tempo está virando.”

“Eu sei.”

“Você vai na frente.”

“Eu sei.”

“Não morra.”

“A recompensa final...”

“Se você me citar, vou colocar seu livro no liquidificador.”

Raze quase sorriu. Quase. “Estarei na loja.”

Ele saiu para a tarde cinzenta. O céu estava roxo — roxo e verde nas bordas, o tipo de céu que prometia violência. O ar tinha gosto de chuva, escapamento e algo metálico, algo elétrico, a carga antes da tempestade. Sua moto estava onde ele a tinha deixado, estacionada entre a Street Glide preta de Grimm e a chopper customizada ridícula de Hound, com os desenhos de chamas que Tara alegava serem “irônicos”, mas que Hound definitivamente levava a sério.

O caminho foi curto. As ruas estavam vazias — as pessoas ficavam dentro de casa, esperando o céu se abrir. O vento tinha dentes. Raze sentiu ele morder através do seu kutte, da sua camisa, da sua pele. Ele não se importava. O frio trazia clareza. O frio tornava mais fácil pensar, ou talvez mais fácil parar de pensar, o que às vezes era a mesma coisa.

A Iron & Ink estava escura quando ele chegou. Ele destrancou a porta. O sino tocou — um som suave e prateado que ele mesmo tinha pendurado oito anos atrás. A loja cheirava a tinta, antisséptico e ao fantasma fraco da colônia barata de Zane.

Zane olhou para cima do balcão. Ele trabalhava ali há três meses — um garoto magro com mãos nervosas e um dom para letras. Raze ainda não confiava nele, mas respeitava o trabalho. Naquele mundo, isso importava mais do que confiança.

“Carter está lá atrás”, disse Zane. “Ele chegou cedo. Ele também é um babaca.”

“Todos eles são babacas.”

“Verdade.”

Raze atravessou a loja. Carter estava esparramado na cadeira de cliente, rolando o celular, suas costas já preparadas e com o decalque. O tigre estava pela metade — músculos, pelos e dentes, uma coisa monstruosa subindo por sua espinha. Era uma das peças mais sombrias de Raze. Carter tinha pedido “algo que deixe as pessoas desconfortáveis”. Raze tinha entregue.

“Deite-se”, disse Raze.

“Finalmente. Estou esperando há vinte minutos.”

“Você chegou cedo.”

“E daí?”

“E daí que cale a boca e se deite.”

Carter calou-se. Raze vestiu as luvas, organizou suas tintas, testou a máquina. O zumbido preencheu o silêncio. Ele trabalhou por duas horas — constante, metódico, suas mãos encontrando o ritmo que tinha se tornado uma segunda natureza. O tigre ganhou forma sob a agulha. Listras. Sombras. A sugestão de garras. A sugestão de fome. Ele não pensou em nada enquanto trabalhava. A agulha era meditação. A tinta era prece.

Quando terminou, Carter admirou no espelho, torcendo-se para ver a espinha completa. “Porra. Ficou do caralho.”

“Não arranque as casquinhas. Aquaphor duas vezes por dia.”

“É, é.”

Carter pagou. Saiu. O sino tocou. A loja estava silenciosa novamente.

Zane estava limpando sua estação. “Vai lá para cima?”

“Daqui a pouco.”

“Quer que eu tranque?”

“Eu faço isso.”

Zane assentiu, pegou sua jaqueta e saiu. O sino tocou uma última vez.

Raze trancou a porta. Apagou as luzes. Subiu as escadas para o apartamento acima da loja.

O apartamento era pequeno. Dois quartos. Um banheiro com um chuveiro que só funcionava se você girasse o botão exatamente trinta e sete graus para a esquerda — ele tinha medido, uma vez, por frustração e pela obsessão particular com a precisão que o tornava bom no trabalho e péssimo em deixar as coisas para lá. Uma pequena cozinha com um fogareiro e um frigobar que ele mesmo tinha construído com madeira recuperada e teimosia.

Era pouco mobiliado. Poucas coisas. Mas não faltava personalidade.

Livros. Em todo lugar. Pilhas contra as paredes, no parapeito da janela, na mesa de cabeceira. Camus. Nietzsche. Murakami. Morrison. Baldwin. Um exemplar gasto de O Estrangeiro que ele tinha lido dezoito vezes, as páginas macias como pele. Cadernos de desenho enchiam as prateleiras — Moleskines pretos, cada um datado na lombada com tinta prateada, cada um cheio. Sua mesa de desenho estava coberta com papéis, designs de tatuagem, estudos anatômicos. Canetas. Lápis. Carvão. Tinta. Uma caneca de pincéis. Um frasco com água turva.

O frigobar continha uísque — um Islay decente, uma garrafa de single malt japonês que sua mãe tinha enviado há sete anos, ainda fechada. Ele serviu dois dedos do Islay. Bebeu em pé, no escuro.

A tempestade estava chegando. Ele podia sentir isso na pressão, na forma como o ar ficava denso. Raios cintilavam nas bordas da janela. A chuva ainda não tinha começado, mas começaria. Em breve.

Ele tirou a camisa. Seu corpo era uma tela — tinta preta e cinza da clavícula ao pulso. A gueixa em suas costelas. O tigre em suas costas, a imagem espelhada da tatuagem de Carter, exceto que a de Raze era mais antiga, melhor e significava algo que ele nunca contara a ninguém. O rosto da mulher em seu peito, que ele mesmo tatuou usando um espelho, a que não se parecia com ninguém e, ao mesmo tempo, com todas — uma composição de cada mulher que ele já tinha visto e nenhuma que ele tinha tocado. Seus músculos doíam de tanto ficar curvado sobre a coluna de Carter. Ele girou os ombros. Bebeu mais uísque.

Então, a luz mudou.

Dourada. Âmbar. Um feixe de calor cortando seu quarto escuro vindo do prédio em frente.

Ele olhou para cima.

O prédio abandonado no outro lado do beco estava vazio há anos. Janelas tapadas com tábuas. Danos causados pela água. Um lugar que o clube usava para armazenamento quando precisavam esconder coisas que não podiam ser encontradas — documentos, pertences de homens mortos, o tipo de segredo que exigia escuridão, poeira e o tipo de silêncio que vinha do abandono. Mas alguém tinha se mudado para lá. Alguém tinha retirado as tábuas da janela exatamente em frente à dele.

Alguém tinha acendido uma luz.

E, naquela luz —

Ela estava trançando o cabelo.

Raze ficou imóvel.

Ela era... não. As palavras não funcionavam. As palavras eram inadequadas. Ele passou a vida inteira traduzindo o mundo em imagens, em tinta, na linguagem particular das sombras e dos traços, e nada daquilo — absolutamente nada — era suficiente para descrever o que ela era.

O cabelo dela era obscenamente longo. Preto. Grosso como uma corda. Ela o trançava com mãos experientes, tecendo os fios em uma trança da grossura de seu pulso. Pendia sobre o ombro como uma serpente, como uma promessa, como algo que ele queria envolver em seu punho. Fios escapavam nas têmporas, curvando-se contra a pele na umidade, e ele sentiu vontade de lambê-los para deixá-los lisos.

Os olhos dela eram os maiores que ele já vira. Cor de avelã — marrom, verde e dourado, salpicados de tons que capturavam a luz âmbar da lâmpada e a prendiam. Mesmo daquela distância, mesmo através de dois vidros, eles eram devastadores. Um nariz pequeno. Lábios cheios, o inferior ligeiramente mais carnudo que o superior, o tipo de boca que pareceria obscena contornando uma colher. Ou o seu pau. Pequenas argolas de ouro que brilhavam quando ela se movia. Maçãs do rosto altas. Um maxilar que era suave de frente, mas afiado de perfil.

Ela usava uma camisa branca discreta. Uma saia azul-claro que caía abaixo dos joelhos. Sem maquiagem. Sem artifícios. Apenas ela — pele da cor de mel sob a luz da lâmpada, luminosa, a coisa mais linda que ele já tinha visto.

Seus seios eram fartos sob o algodão branco e modesto. Ele viu aquilo. Ele se permitiu ver. Ela não podia vê-lo olhando. Ela nunca saberia. Sua cintura era fina — ele pensou que suas mãos poderiam envolvê-la, e então se permitiu pensar nisso, permitiu-se imaginar seus dedos se encontrando em volta da caixa torácica dela, a coluna dela arqueando, a cabeça caindo para trás. Seus polegares descansariam nas covinhas acima dos ossos do quadril. Ele apertaria. Ela arfaria.

Cala a boca.

Seu maxilar tensionou. Suas mãos estavam cerradas em punhos ao lado do corpo. Ele estava duro — dolorosa e ridiculamente duro, como um adolescente, como um homem que nunca tinha visto uma mulher na vida.

Ele não era virgem. Ele tinha trinta e dois anos. Já tinha tido mulheres. Garotas do clube. Clientes. Estranhas em bares que queriam uma história para contar. Mas ele nunca — nem uma vez, nunca mesmo — tinha sentido isso. Esse desejo instantâneo, um soco no estômago, que vira o mundo de cabeça para baixo. Isso não era atração. Atração era controlável. Atração era uma mulher num bar com um sorriso simpático e interesse por Nietzsche. Isso era outra coisa. Algo que tinha dentes.

Ele puxou a cortina bruscamente.

O quarto estava escuro novamente. Apenas ele, seus livros, seu uísque e seu pau pulsando contra o zíper como uma acusação.

Ele ficou ali parado. Respirando. Sem respirar. Seu coração era um punho batendo na parte interna de suas costelas. A escuridão pressionava seus olhos, mas atrás deles, ela ainda estava lá — a trança, a luz da lâmpada, a curva insuportável de sua garganta. Ele ainda conseguia vê-la. Ele sempre conseguiria vê-la.

Que porra foi aquela?

Ele não queria saber. Ele queria terminar seu uísque, ir para a cama e esquecer a mulher na janela, a trança como uma corda, os olhos como uma floresta. Ele queria voltar para dez minutos atrás, quando sua vida eram livros, tinta e a solidão administrável de um homem que preferia a própria companhia.

Ele abriu a cortina novamente.

Ela ainda estava lá. Ainda trançando. Ainda alheia. Ela tinha se virado levemente, e ele podia ver a curva do pescoço dela, a concha delicada da orelha, o jeito que seus lábios se moviam — cantarolando algo que ele não conseguia ouvir, uma melodia que atravessava o vidro apenas como silêncio, mas que ressoava em seu peito mesmo assim.

Ele abriu o zíper da calça.

Ele não pensou a respeito. Não analisou. Sua mão estava em seu pau — já vazando, já doendo — e seus olhos estavam nela, e a vergonha deveria ter vindo. Ele esperou por ela. Preparou-se para ela. Ela não veio. Havia apenas ela. Apenas a luz dourada. Apenas a necessidade insuportável, inexplicável e devoradora de *ter*.

Ele se masturbou lentamente. Sua mão estava apertada demais — do jeito que ele gostava, do jeito que ele nunca se permitia pedir. Ele observou os dedos dela torcerem a corda escura de seu cabelo e imaginou aqueles dedos presos em seus lençóis. Imaginou aquela trança enrolada em seu pulso enquanto ele a prendia contra o colchão. Imaginou a boca dela — aquele lábio inferior cheio, aquela suavidade impossível — se abrindo em um suspiro, um gemido, um grito.

Sua mão se moveu mais rápido. Sua respiração ficou ofegante. Ele a viu se alongar — seus braços subindo acima da cabeça, a camisa subindo, expondo uma faixa de barriga cor de mel, a sombra do umbigo, a curva do quadril. Ele queria colocar a boca ali. Queria morder a curva da cintura dela e deixar uma marca que ela sentiria por dias. Queria abri-la em sua mesa de desenho e desenhá-la de dentro para fora — cada centímetro, cada som, cada tremor.

O orgasmo o atingiu como uma lâmina. Ele gemeu — um som bruto e animalesco que ele nunca fizera em sua vida — e seu sêmen respingou em sua mão, no chão, no parapeito da janela. Seus quadris continuaram a investir contra seu punho, aproveitando o momento, seus olhos fixos nela. Ele não piscou. Não desviou o olhar. Ele a observou terminar a trança, observou-a levantar-se, observou-a esticar o braço —

E apagar a luz.

Escuridão.

Ele ficou parado no rescaldo. Sua calça estava aberta. Sua mão estava pegajosa. Seu peito subia e descia. A janela estava escura e vazia, ela tinha ido embora, e a ausência parecia uma ferida.

Ele se limpou com um pano da pia. Suas mãos estavam tremendo. Suas mãos nunca tremiam. Ele tatuou o próprio peito, costurou os próprios ferimentos, manteve uma agulha firme enquanto Grimm retirava uma bala de seu ombro. Mas agora — agora suas mãos tremiam como as de um garoto.

Ele serviu outro uísque. Bebeu. Serviu um terceiro.

Então sentou-se à sua mesa de desenho e abriu um Moleskine novo. Não um dos seus datados. Não um de seus livros de referências. Um novo. Capa preta. Páginas em branco. Ele destampou uma caneta.

Ele começou a desenhar.

A trança primeiro — o jeito que ela caía sobre o ombro, grossa e serpentina, os fios individuais captando a luz. Depois o pescoço, a curva vulnerável dele, o lugar onde seu pulso bateria se ele pressionasse a boca ali. A orelha com a pequena argola de ouro. Suas mãos — aqueles dedos experientes e habilidosos torcendo a corda escura de seu cabelo.

Ele desenhou o rosto dela. Os olhos enormes. O nariz pequeno. A boca — aquela boca obscena e devastadora. Ele a desenhou aberta, arfando, do jeito que imaginou que ela pareceria quando finalmente entrasse nela.

Ele desenhou o corpo dela. Os seios fartos sob o algodão branco. A cintura fina. A curva dos quadris. Ele a desenhou nua. Ele a desenhou aberta em sua cama, em sua mesa, contra sua janela. Ele a desenhou com o cabelo enrolado em seu punho. Ele a desenhou com a boca em seu pau — aqueles lábios esticados em volta dele, aqueles olhos olhando para cima, aquelas argolas douradas balançando a cada investida.

Ele a desenhou até o sol nascer.

A tempestade passou por volta das quatro da manhã. A chuva castigava as janelas. O trovão rolava pelo beco como artilharia. Raze não notou. Ele estava perdido na tinta, na curva do ombro dela, no tom específico de grafite que combinava com a sombra abaixo da clavícula dela.

Quando a luz mudou novamente — o amanhecer cinzento em vez da luz âmbar da lâmpada — ele pousou a caneta. Sua mão estava com cãibras. Suas costas gritavam. O Moleskine estava pela metade, página após página dela, um catálogo de obsessão.

Ele não sabia o nome dela.

Ele não sabia se ela era real ou se ele a tinha conjurado a partir de tinta, uísque e a solidão específica de um homem que passou a vida inteira observando o mundo por trás do vidro.

Mas ele sabia — com a certeza fria de alguém que sobreviveu a coisas que deveriam tê-lo matado e saiu do outro lado marcado, mas de pé — que tudo tinha acabado de mudar.

Ele estava esperando por algo. Ele não sabia disso até aquele momento, até o clique de um interruptor de luz do outro lado do beco, mas ele estava esperando. Todos esses anos. Todos esses livros. Todas essas horas na mesa de desenho desenhando mulheres que não existiam porque as que existiam nunca eram as certas, nunca eram o bastante, nunca eram a coisa que ele procurava sem saber que estava procurando.

Ela era a coisa.

Ele fechou o Moleskine. Olhou para a janela com cortinas do outro lado do beco. A tempestade tinha passado. O céu estava clareando. A luz atrás da cortina dela ainda estava apagada. Ela estava dormindo. Ou talvez estivesse acordada, lendo, bebendo chá, existindo no espaço silencioso de sua vida sem a menor ideia de que um homem do outro lado do beco tinha acabado de reorganizar toda a sua compreensão sobre si mesmo em torno da forma de sua silhueta.

“Quem é você?” ele disse em voz alta.

O silêncio não respondeu. Ele não esperava que respondesse.

Mas ele descobriria. Ele observaria. Ele desenharia. Ele esperaria. E quando o momento chegasse — quando ela entrasse em sua loja, ou passasse por ele na rua, ou olhasse para cima e finalmente visse o homem na janela — ele estaria pronto.

Ele era um artista. Ele entendia de paciência. Ele entendia que o melhor trabalho levava tempo.

Ele entendia que algumas obsessões valiam a pena serem cultivadas.


Deixe theatricalsiren saber o que você pensou sobre este capítulo!
Amo isso

20

Amo isso

Engraçado

7

Engraçado

Picante

10

Picante

De Suspense

10

De Suspense

Emocional

10

Emocional

Profundo

7

Profundo

Tocante

9

Tocante

Chocante

9

Chocante

Boa Escrita

12

Boa Escrita

Enredo Envolvente

11

Enredo Envolvente

Personagem Ótimo

11

Personagem Ótimo

Diálogo Forte

10

Diálogo Forte

Ver 2 comentários anteriores...
author

I KNOW I will 😌

17 dias
1
author

RRRAAAAZZZZEEEEEEE if i thought the quiet ones were dangerous i don't knowwhat to call the artists and philosophers. because you DREW her until SUN UP???!!! RAZE, we're locked in with you

17 dias
2
author

I always tend to smile whenever the next story is posted 😊 ☺ 😄...I think I might need a reevaluation

16 dias
1

Outras Recomendações

Merry Christmas - Adventskalender 2025

Aelyn Raven: Wieder eine tolle Geschichte. Leider bin ich erst jetzt dazu gekommen sie zu lesen, aber das tut der Geschichte keinen Abbruch *g* ich freue mich schon auf den nächsten Adventskalender

Leia Agora
Charly's Weihnachten

T.M: Ich kann es gar nicht anders sagen also ich liebe diese Geschichte einfach. Sie hat für mich einfach alles was es braucht. Sie hat mich einfach mitgenommen auf eine echt schöne Reise. Danke❤️

Leia Agora
 Mehrfach zurückgewiesene Gefährtin

Silvia: Sehr schön geschrieben, mit Spannung von Anfang bis Ende. Tolle Geschichte .

Leia Agora
Mystic Wolf

Akthea: Fantastica

Leia Agora
Stripped Shadows

Pfefferwinz: Richtig gut geschrieben und spannend bis zum Schluss.Ich kann es nur absolut empfehlen und bin auch schon bei der Fortsetzung, ... soweit wie sie eben schon fertig gestellt ist. Ich bin sehr gespannt was noch kommt ♥️Danke für die Bereicherung meiner Freizeit. Für mich der perfekte Ausgleich zumArbe...

Leia Agora
SECRET BILLIONAIRE

Janet: Very heart warning, shows what a kindness will be rewarded. Good reading.

Leia Agora
Buried Alive

JlD: A beautiful and inspiring love story! 😍

Leia Agora
Bloodlines

Diana: Would recomend a good read, I like it's not to long

Leia Agora
DESTINED TO YOU 🌶️🌶️🌶️🌶️🌶️ VERY SPICY VERSION (A SONS OF ASH MC SAGA — BOOK 7-RAZE X RINA)