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Ondever O Mundo Esquecido

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Resumo

Um velho historiador e uma imagem misteriosa de um palácio algures no mundo: este é o ponto de partida para uma aventura incrível através de territórios inexplorados que nos abrem a porta para o Mundo Esquecido.

Gênero
Fantasy
Autor
JSemeano
Status
há 19 dias
Capítulos
11
Classificação
n/a
Classificação Etária
13+

A Imagem

Estava a terminar a década de 70 do século 20 quando Olfgang, um velho e prestigiado historiador da Academia Real Britânica, se retirou para os seus aposentos de Nottingham. Nessa altura, um reformado da Academia nunca era, verdadeiramente, um reformado, pois o telefone tocava com alguma frequência e os convites para seminários e palestras estavam sempre a aparecer.

Olfgang, porém, recusava-os a todos, como, na prática, sempre fizera ao longo da sua vida. Era um homem fechado e solitário, metido consigo próprio e avesso a eventos sociais.

Nascido numa pequena aldeia a poucos quilómetros de Nottingham, chamada Saltwell, Olfgang sempre fora um miúdo tímido mas particularmente inteligente. O seu pai era alemão, naquelas terras refugiado secretamente durante a grande guerra, naquelas isoladas terras britânicas, e por essa razão preservara a discrição ao máximo, deixando todos os contatos sociais entregues à mulher, uma inglesa desinibida e batalhadora chamada Judy.

Olfgang identificou-se com o quase anonimato do pai, e nem mesmo quando, na escola, os colegas o provocavam por causa do seu nome pouco “british”, ele não reagia, enfiando ainda mais o nariz e os olhos no livro que sempre tinha à sua frente.

Aluno brilhante, desde cedo mostrou especial tendência para os números e para a maravilha que era decifrar pequenos enigmas escondidos em equações matemáticas. Os professores diziam que ele seria um grande matemático. Porém, na adolescência os seus interesses começaram a mudar: em vez dos números, Olfgang apaixonava-se agora por sinais, rabiscos e desenhos estranhos. Quando, um dia, encontrou um livro escondido num grande baú no quarto dos pais, o seu destino ficou traçado: o livro estava repleto de sinais, que mais não eram, afinal, que comunicações secretas que poucos conseguiriam decifrar.

Olfgang conseguiu. Ao decifrar aquilo, percebeu melhor o pai e todo o enquadramento da sua família durante a grande guerra. Havia muitos mistérios, e era bom guardá-los.

Daqui até se interessar vivamente pela história, foi um pequeno passo. O prometedor matemático tornou-se num entusiástico historiador. E, além de historiador, num fenomenal especialista em criptografia, uma vez que a paixão pelos sinais estranhos jamais o deixou.

Naturalmente, as suas capacidades não passaram despercebidas, e Olfgang tornou-se num membro muito prestigiado da Academia Real Britânica, sendo frequentemente chamado para ajudar a resolver os enigmas mais difíceis. Chegou mesmo a trabalhar com a polícia secreta, e desvendou muitos textos com revelações extraordinárias acerca de guerras e políticas.

Quando se reformou, a Academia quis fazer-lhe uma homenagem. Ao seu estilo, Olfgang recusou. No seu último dia de trabalho, limitou-se a arrumar os papéis na sua secretária e a levar alguns poucos, na sua pasta, para casa. Saiu sem que ninguém desse por ele.

Entre os documentos na sua pasta, estava uma imagem de uma pintura muito antiga, de um palácio que ele nunca conseguiu identificar. Ao tirar os documentos para fora, já em casa, essa imagem caiu sob o seu olhar e ficou ali a desafiá-lo. Havia qualquer coisa nela que o intrigava. Qualquer coisa que o desafiava irresistivelmente.

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