Create New List
Share with your friends
Customize readability

O Despertar de Athena.

All Rights Reserved ©

Summary

O DESPERTAR DE ATHENA Desde os oito anos, Cecília White convive com uma voz em sua cabeça. Diagnosticada com uma doença psiquiátrica rara, passou a vida entre consultas, medicamentos e a constante tentativa de distinguir realidade de alucinação. Agora, após a morte da mãe, ela acredita estar finalmente perdendo essa batalha. Mas tudo muda quando uma noite de trabalho nas Indústrias Harven transforma seu mundo em um pesadelo impossível. Animais surgem onde não deveriam existir. Corredores inteiros são destruídos por uma força sobre-humana. E um enorme lobo cinzento arrisca a própria vida para salvá-la. Convencida de que está vivendo o pior surto de sua vida, Cecília toma a decisão mais absurda que já poderia imaginar: sequestrar a própria alucinação. Enquanto tenta esconder um animal gigantesco em uma cabana isolada na floresta, ela se vê perseguida por perguntas que desafiam toda a lógica. E se a voz chamada Athena nunca tiver sido uma doença? E se os monstros forem reais? E se o maior perigo não estiver na criatura que ela salvou... mas naqueles que passaram anos tentando convencê-la de que ela era louca? Entre experimentos secretos, conspirações e um vínculo impossível de explicar, Cecília descobrirá que algumas verdades são perigosas demais para permanecerem enterradas. Porque, às vezes, a pior prisão não é feita de grades. É aquela construída dentro da própria mente.

Status
10h ago
Chapters
31
Rating
4.7 (7 reviews)
Age Rating
16+

PRÓLOGO

POV CECÍLIA

“Corre, pequena! Corre!”

“Estou correndo!” respondo, ofegante, a terra úmida grudando entre os dedos dos pés descalços.

“Você é lenta.”

“Não sou!” Dou uma risada e disparo até a velha mangueira do quintal, espantando os pássaros que bicavam o canteiro de flores. Escondo-me atrás do tronco grosso, tentando conter o riso.

“Mais para a esquerda.” A voz de Athena desliza dentro da minha cabeça, macia como sempre, do jeito que só eu consigo ouvir. “Ela vai te encontrar.”

“Não vai, não!” sussurro, apertando as mãos contra a casca áspera da árvore, segurando o riso.

“Cecília, vamos, meu amor, você vai se atrasar.” Ouço a mamãe me chamando de repente, bem atrás de mim. Ela sempre descobre meus esconderijos.

Cruzo os braços, batendo o pé no chão.

“Você é péssima em esconde-esconde, Athena.”

“Eu falei para ir mais rápido”, ela rebate, quase ofendida, e eu rio de novo, mas o riso morre quando vejo o rosto da mamãe.

“Cecília...” ela pergunta, devagar, do jeito que pergunta quando já sabe a resposta e não quer ouvir. “Com quem você está falando?”

“Com a Athena.”

O sorriso dela se apaga. Sempre se apaga quando eu digo esse nome, como se a palavra a deixasse triste. Ela segura minha mão com força — forte demais — e por baixo da pele sinto o tremor que ela tenta esconder.

“Vamos. Está quase na hora da sua consulta.”

No carro, ninguém fala comigo. William dirige com as duas mãos presas ao volante, os olhos fixos na estrada como se ela pudesse fugir se ele piscasse. Encosto a testa no vidro frio e observo as árvores passarem, borradas, e espero Athena comentar alguma coisa — ela sempre comenta tudo — mas ela também está quieta.

Isso nunca acontece.



O consultório do Dr. Phil cheira a livros velhos e a um perfume de baunilha que sai de uma velinha na estante. Ele tem um bigode engraçado que levanta quando ri, e um passarinho de cristal pendurado na janela que, quando o sol bate certo, espalha um arco-íris pequeno na parede — hoje ele está bem no meio do meu desenho.

Desenho a Athena. Sempre desenho a Athena, mesmo sem saber muito bem que forma dar a ela — então ela vira um risco de luz, um contorno que só eu entendo.

Depois de um tempo, o doutor me manda esperar do lado de fora. A porta fica, sem querer, um pouco entreaberta, permitindo que as vozes escapem pela fresta.

“Doutor... ela está pior.” A voz da mamãe treme numa palavra e quebra na seguinte. “Ela continua conversando com... com ela.”

De repente, todos ficam quietos.

“Os exames descartam outras possibilidades”, diz o Dr. Phil, e cada palavra sai devagar, como se ele estivesse escolhendo onde pisar.

William solta o ar pelo nariz, um som que nunca ouvi ele fazer.

“Então o senhor tem certeza?”

“Infelizmente. Tudo indica esquizofrenia de início precoce.”

Esquizofrenia. Repito a palavra baixinho, só para sentir o formato dela na boca. É comprida e afiada nas pontas. Será que isso dói?

“Os remédios não estão funcionando”, a mamãe lamenta, e a voz dela já não parece mais voz, parece só ar tentando sair. “Nós já tentamos tudo!”

“Ainda não tudo.” Ouço papéis sendo manuseados. “Existe um estudo experimental.”

A mamãe começa a chorar baixinho, do jeito que ela chora quando não quer que eu ouça.

“Ela só tem oito anos...”

“O do Instituto Harven?” William pergunta, e alguma coisa na voz dele muda quando diz esse nome. Fica mais dura. Mais rápida.

“Sim. Embora ainda esteja em fase de testes.”

Outro silêncio. A cadeira do meu padrasto range quando ele se inclina para a frente.

“Acho que chegamos a um ponto em que vale a pena considerar qualquer possibilidade.”

Não entendo metade do que eles dizem. Não sei o que é um “estudo experimental”, nem por que o nome Harven faz o ar da sala mudar de temperatura. Mas sinto — do jeito que só sinto quando algo está muito errado — Athena se encolher no fundo da minha cabeça, pequena, como se estivesse tentando caber num espaço menor do que ela.

“Athena?“, chamo, baixinho, quase sem mover os lábios.

Nada.

Pela primeira vez desde que me lembro de existir, ela não responde. E o silêncio dela é mais alto do que qualquer grito que eu já tenha ouvido.

Aperto o desenho amassado contra o peito.

“Athena.” chamo.

“Pequena...”

A voz volta, mas errada. Trêmula. Pequena do jeito que nunca foi.

“Athena não sente medo. Athena não sabe o que é medo.”

“Cecília.”

Ela nunca diz meu nome, nem uma vez.

“Você precisa fugir.”

Sinto um arrepio pelo meu corpo.

“Foge, Cecília. Foge!”

Let CarolPadberg know what you thought about this chapter!
Love this

1

Love this

Funny

0

Funny

Spicy

0

Spicy

Suspenseful

4

Suspenseful

Emotional

1

Emotional

Profound

0

Profound

Heartwarming

0

Heartwarming

Shocking

1

Shocking

Good Writing

2

Good Writing

Compelling Plot

2

Compelling Plot

Great Character

2

Great Character

Strong Dialog

1

Strong Dialog

author

Ótimo primeiro capítulo. Me deixou curiosa, sobre o que é o Instituto Harven e se Cecília vai ouvir Athena e fugir.

12 days

Further Recommendations

The Heir's Shadow

Biva: Quite good for a novella. Impressive writing style and we'll edited. Just one thing- Karla keeps referring herself to a stray cat and while at first it makes sense the analogy gets stale after a while.

Read Now
THE WOMAN HE BOUGHT

Jkind12: Great story but I didn’t like the gap of 4 years in the end! It’s like the writer quit.!

Read Now
The Contract Wife

Linda: Plot is good but a little repetitive. Recommend for readers who like an easy ready, simple storyline.

Read Now
The zatorian

ktkirata: The story is really interesting. How the character described in the story is like you can see them and picture how they move, talk and feel in the every plots. Well done writer and keep it up.

Read Now
Broken Halos MC

Ashley Pierce: Touching story and great plot

Read Now
Bear Roberts

Heidi Rumfola: Great storyline, keeps you guessing about what's next.

Read Now
PARIS IN THE DARK

hazel_walker: This chapter was beautifully written and incredibly gripping. I loved the dark, intense atmosphere and the way Paris’s character was portrayed it really made me feel her pain and vulnerability. Julien’s mysterious and obsessive personality adds so much tension to the story, and the dynamic between ...

Read Now
Bear Shifter Secrets

Felicia: This is the 2nd book im reading of this writer. And I enjoyed it just as much as the first, Marked while we slept. Worth the read. Very good writer

Read Now