A partida
Eu estava sentada na estação, esperando o metrô… mas, na verdade, acho que estava esperando outra coisa.
As pessoas passavam apressadas por mim, olhando pro celular, resolvendo coisas, vivendo vidas que pareciam ter direção. Era como se todo mundo soubesse exatamente pra onde ir… menos eu.
Eu queria ser assim.
Queria estar tão ocupada com qualquer coisa que não sobrasse espaço pra sentir.
Mas sobrava.
Sempre sobrava.
Minhas mãos tremiam de leve, quase imperceptível pra quem olhasse de fora.
Mas eu sentia.
Sentia tudo.
Apertei a alça da mala com mais força do que precisava. Como se aquilo fosse a única coisa me mantendo ali, inteira. Como se, se eu soltasse, alguma coisa em mim fosse desmoronar.
Engraçado, ela estava pronta há dias. Cada roupa dobrada com cuidado, cada item escolhido como se tivesse certeza absoluta do que estava fazendo, mas agora, ali, parada naquela estação… eu não tinha certeza de mais nada.
Nem do destino. Nem da decisão. Nem de mim.
Olhei em volta mais uma vez, ninguém me conhecia. Ninguém sabia o que eu estava fazendo. E, por um segundo, eu me perguntei se alguém sentiria minha falta.
O vento anunciou a chegada do metrô antes mesmo dele aparecer. Aquele barulho distante crescendo… inevitável.
Meu coração acelerou. Era agora.
Ou não.
O metrô parou na minha frente, as portas se abriram e, por um segundo, eu pensei simplesmente em ficar.