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Além do contrato

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Summary

# Além do Contrato Isadora Prado sempre acreditou que salvar vidas era mais importante do que viver a própria. Médica brilhante, pesquisadora apaixonada pela neurociência e completamente dedicada ao hospital universitário, ela jamais imaginou que seria obrigada a abrir mão dos próprios sonhos para salvar a família da ruína. Enrico Monteiro construiu um império empresarial com inteligência, disciplina e uma reputação impecável. Prestes a assumir definitivamente o legado da família, ele descobre que sua imagem está prestes a desmoronar por causa de uma crise que pode custar bilhões. A solução parece simples. Um casamento por contrato. Sem amor. Sem expectativas. Sem envolvimento. Apenas trinta dias fingindo ser o casal perfeito diante da imprensa e do mercado financeiro. Mas o que começou como um acordo frio rapidamente se transforma em uma convivência intensa, marcada por pequenos gestos de cuidado, olhares silenciosos e sentimentos que nenhum dos dois estava preparado para enfrentar. Enquanto Isadora luta para proteger sua carreira e concluir uma pesquisa capaz de transformar a vida de milhares de crianças, Enrico precisa enfrentar fantasmas do passado, disputas familiares e inimigos dispostos a destruir tudo o que ele construiu. Quando segredos vêm à tona e a linha entre obrigação e amor desaparece, eles precisarão decidir se o contrato foi apenas o começo... ou a oportunidade de encontrar a única pessoa capaz de mudar suas vidas para sempre. Porque alguns acordos são assinados no papel. Os mais importantes são escritos no coração.

Status
11d ago
Chapters
72
Rating
4.8 (5 reviews)
Age Rating
16+

A Razão de Isadora

O tempo no hospital universitário não passava em horas, mas em batimentos cardíacos por minuto.

No leito 4 da neuropediatria, a luz fraca do monitor cardíaco iluminava o rosto adormecido de Sofia, uma garotinha de apenas cinco anos. Isadora Prado ajustou o fluxo do soro com as mãos leves, tomando o cuidado de não acordá-la. Mas, quando fez menção de se afastar, sentiu um pequeno aperto em seu dedo indicador.

Sofia abrira os olhos, pesados de sono e medicação.

— Doutora Isa? — a voz da menina era quase um sussurro.

— Oi, meu amor. Eu estou aqui — Isadora se ajoelhou ao lado do leito, ficando na altura dos olhos da pequena paciente, e envolveu a mãozinha de Sofia entre as suas. — Teve um pesadelo?

— Não... — Sofia olhou para as próprias perninhas imóveis sob o lençol hospitalar. — É que o meu pai disse que o remédio novo do seu laboratório tá quase pronto.

Isadora sorriu, um sorriso caloroso que fazia os olhos castanhos brilharem, escondendo o cansaço das últimas vinte e quatro horas de plantão.

— Tá sim, fofinha. A gente tá trabalhando duro lá no microscópio todos os dias por você.

A garotinha apertou o dedo de Isadora com a pouca força que tinha. A pergunta veio sincera, ingênua e esmagadora:

— Doutora... eu vou voltar a andar?

O peito de Isadora se apertou de uma forma que ela já devia ter se acostumado, mas nunca se acostumava. Ela sabia dizer não para si mesma — na verdade, tinha uma enorme dificuldade de dizer não para qualquer pessoa que precisasse dela —, mas jamais mentiria para uma criança. Ela se aproximou e beijou a testa quente de Sofia.

— Nós vamos fazer de tudo, meu amor. Eu prometo que não vou desistir de você.

Quando Sofia finalmente pegou no sono profundo, Isadora caminhou pelo corredor silencioso em direção ao seu verdadeiro santuário: o Laboratório de Pesquisa Neuropediátrica Prado.

Aquele espaço representava cinco anos da sua vida, noites em claro e centenas de dados de ensaios clínicos com uma nova molécula promissora. Ao entrar, ela passou a mão pela bancada de granito, olhando para os equipamentos de última geração que a fundação de sua família mantivera com tanto orgulho.

Foi então que a porta do laboratório se abriu. Não era um colega. Era seu pai, Arthur Prado.

A aparência dele chocou Isadora. O homem sempre impecável parecia ter envelhecido dez anos. Suas mãos tremiam levemente.

— Pai? O que faz aqui a esta hora?

— Isadora... precisamos conversar — a voz dele falhou.

Arthur caminhou até uma das banquetas e sentou-se pesadamente, cobrindo o rosto com as mãos.

— Há meses eu venho tentando esconder isso de você e da sua mãe... venho tentando contornar o incontrolável. Mas hoje o inevitável aconteceu. A empresa ruiu.

Isadora franziu o cenho, sem compreender.

— Como assim, pai? A crise no setor imobiliário... você disse que tínhamos margem de manobra.

— E tínhamos, no modelo antigo — Arthur suspirou, o olhar perdido. — Mas fomos lentos demais. Confiamos na gestão tradicional enquanto a entrada vertiginosa das novas plataformas de Inteligência Artificial no mercado financeiro e na construção civil mudava o jogo. Os fundos automatizados engoliram nossas garantias. Venho queimando reservas há seis meses para tentar segurar as ações, mas hoje a bolsa abriu em queda livre. A auditoria decretou falência iminente.

Isadora sentiu o chão sumir sob seus pés.

— Mas... e a fundação? O meu laboratório?

— Em menos de trinta dias, todos os bens da família serão penhorados para pagar credores. E o financiamento do seu laboratório... — Arthur olhou ao redor, impotente. — O conselho cortou hoje. Os equipamentos serão leiloados. Os testes com as crianças serão interrompidos na próxima semana.

— Não! — o grito saiu rasgado da garganta de Isadora. A imagem dos olhos de Sofia pedindo para voltar a andar veio como uma facada em seu peito. — Eles não podem fazer isso! Essa pesquisa é a única esperança de dezenas de famílias! Anos de trabalho não podem ir para o lixo assim!

— Existe uma única tábua de salvação — disse Arthur, a voz embargada pela humilhação. — Há semanas venho negociando em segredo com o Grupo Monteiro. Eles se ofereceram para comprar nossas dívidas, limpar o nome da nossa família e criar um fundo de investimento para o seu laboratório. Mas o Guilherme Monteiro impôs uma condição final para assinar o contrato amanhã.

— Que condição?

— Um casamento de conveniência. Entre você e o filho dele. O Enrico.

Isadora deu um passo para trás, chocada, como se tivesse levado um tapa.

Enrico Monteiro.

A memória a puxou imediatamente para o passado. Como as duas famílias sempre foram amigas de longa data, Isadora e Enrico cresceram frequentando os mesmos eventos sociais. Na adolescência, ela alimentava uma paixão secreta e ingênua por ele. Mas Enrico sempre fora um universo à parte: lindo, magnético, acostumado a ter todas as mulheres aos seus pés e a trocar de namorada a cada semana. Ele nunca a enxergara de verdade — para ele, Isadora era apenas a “filha estudiosa dos Prado”, invisível no meio do seu estilo de vida libertino. Com o tempo, ele se tornara o empresário frio e implacável que era hoje, totalmente fora da sua realidade.

— Não. Ficou louco, pai? — Isadora balançou a cabeça vigorosamente, a respiração descompassada. — O Enrico? Nós nos conhecemos a vida toda, ele nunca deu a mínima para mim! E agora vou ser vendida para ele como um ativo de negócios? Eu não sou uma mercadoria! Não vou me casar com um homem que me vê como nada além de uma obrigação familiar! A resposta é não!

Arthur não argumentou. Apenas abaixou a cabeça, derrotado, e assentiu.

— Eu entendo, minha filha. Me desculpe por colocar esse fardo sobre você.

Mas quando o pai saiu, o silêncio do laboratório a engoliu. Isadora olhou para os tubos de ensaio, para as equações na tela do computador, para o prontuário de Sofia sobre a mesa.

Ela sempre teve uma dificuldade crônica de dizer não quando o sofrimento dos outros estava em jogo. Ela sabia dizer não para a própria felicidade... mas não sabia dizer não para a esperança daquela criança.

Sozinha no laboratório escuro, Isadora caiu de joelhos e chorou.


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Good Writing

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Compelling Plot

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Great Character

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Strong Dialog

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