Ch 1 A New Morning
Capítulo 1: Uma Nova Manhã
Os dias viraram semanas e um mês se passou.
O silêncio insuportável que antes consumia a casa Night tornou-se algo com que Lura aprendeu a conviver. Ela ainda não era a mesma, mas estava tentando.
Ela finalmente tinha voltado a comer, embora apenas o suficiente para satisfazer todos que a monitoravam constantemente. A comida perdeu o gosto depois da morte de Kael, e na maioria dos dias ela comia simplesmente porque sabia que Rowan teria gostado que ela o fizesse.
Ainda não havia notícias sobre Marisa.
Nenhuma carta.
Nenhum avistamento.
Nada.
Depois de semanas de burocracia, o Alfa Aldric ajudou Lura a recuperar tudo o que legalmente pertencia a Rowan. Não foi um grande consolo.
Ao organizar as finanças, ela descobriu uma verdade que fez seu peito apertar.
Marisa não tinha apenas abandonado a família...
Ela quase a arruinou.
Todas as contas que seu pai havia construído cuidadosamente ao longo dos anos foram esvaziadas. As economias que Rowan trabalhou incansavelmente para deixar para trás desapareceram em roupas caras, joias, festas e inúmeras compras inúteis.
Lura suspirou enquanto jogava outro extrato bancário na pilha crescente que cobria a mesa de seu pai.
A mesa de seu pai...
Não.
A mesa dela agora.
Ela descansou a mão na borda de madeira gasta, traçando lentamente os veios da madeira sob as pontas dos dedos.
Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.
"Eu me lembro de ajudar o papai a lixar isso..."
Seus dedos seguiram cada pequena ranhura.
Ele mesmo a tinha construído.
Cada corte...
Cada arranhão...
Cada canto imperfeito carregava a marca de suas mãos.
"Terra chamando Lura!"
Ela piscou.
"...Você está ouvindo?"
Lura riu baixinho e levou o telefone de volta ao ouvido.
"Desculpa."
Ao fundo, ela ouviu uma batida forte seguida por um gemido exagerado.
"Eli!", Jessa gritou. "Para de mexer nisso! O cercadinho está perfeito!"
Outro estrondo forte ecoou pelo telefone.
Lura não conseguiu conter o riso.
"Jessa..."
"O quê?"
"Eu te disse para parar de chamar de cercadinho."
"É um cercadinho!", Jessa argumentou. "É literalmente um dispositivo de confinamento para bebês!"
Lura caiu na gargalhada.
Do outro lado da linha, Eli suspirou dramaticamente.
"Lura... por favor, me ajuda."
"O que aconteceu agora?", ela perguntou entre risos.
"Eu amo minha companheira com todo o meu coração..."
Uma pausa.
"Mas ela é absolutamente selvagem."
Jessa ofegou dramaticamente.
"Eu ouvi isso!"
"Era para você ouvir mesmo!"
Os três caíram na risada.
Pela primeira vez em muito tempo...
Lura riu sem precisar se esforçar.
A conversa passou das decorações do berçário para nomes para o bebê, antes de finalmente chegar ao fim.
Jessa e Eli tinham se tornado oficialmente companheiros e esperavam seu primeiro filhote.
Mira tinha abraçado totalmente a vida como curandeira, passando quase todas as horas acordada estudando ervas, medicamentos e remédios.
Todos estavam seguindo em frente.
A vida não tinha parado.
Eventualmente, eles se despediram e encerraram a chamada.
"Você sorriu."
Lura levantou o olhar.
Encolhida confortavelmente na poltrona de leitura perto da janela, estava Rae com um livro grosso apoiado no colo.
"Eu tenho sorrido."
"Não", Rae provocou com um sorriso. "Aquele ali chegou aos seus olhos."
Lura revirou os olhos.
"Há quanto tempo você está se escondendo na minha casa desta vez?"
Rae deu de ombros.
"Alguns dias."
"Alguns?"
"Talvez quatro."
Lura riu.
"Quando você vai parar de se esconder do seu pai? Ele provavelmente está preocupado demais."
"Meu pai é dramático", Rae zombou. "Tudo o que ele quer é que eu ande por aí olhando para qualquer macho aleatório até que um deles se torne meu companheiro."
Lura quase engasgou tentando não rir.
Rae continuou lendo como se estivesse comentando sobre o tempo.
"Ele até mandou uma carta para o Leon."
Lura piscou.
"Ele mandou?"
"Uh-hum."
"Ele está realmente chamando seu irmão de volta para casa?"
Rae assentiu.
"Parece que o Alfa Aldric está finalmente pronto para deixar o cargo e permitir que Leon se torne o Alfa."
Lura sorriu.
"Estou feliz por ele."
"Eu não estou", Rae gemeu dramaticamente. "Você sabe o que isso significa?"
"O quê?"
"Significa que o papai recrutou meu próprio irmão para me caçar e esfregar solteiros elegíveis na minha cara."
Lura não conseguia parar de rir.
Rae finalmente fechou o livro com um estalo.
"Estou com fome."
"Eu também."
Rae sorriu travessa.
"Brownies?"
Lura sorriu — um sorriso verdadeiro, desta vez.
"Brownies."
Juntas, elas foram em direção à cozinha, e a casa silenciosa parecia um pouco menos solitária do que no dia anterior.
O aroma rico de chocolate quente flutuava pela cozinha enquanto Lura despejava cuidadosamente a massa de brownie em uma forma.
Atrás dela, Rae estava encostada no balcão com os braços cruzados.
Rae:
"Eu ainda não entendo por que estamos fazendo brownies antes do almoço."
Lura sorriu sem olhar para cima.
"Foi você quem pediu brownies."
Rae:
"Eu sei."
Ela assentiu com orgulho.
Rae:
"Mas agora eu também quero almoçar."
Lura riu.
"Você sempre quer comida."
Rae:
"Meu lobo queima muitas calorias."
Lura revirou os olhos.
"Sua boca queima mais calorias do que seu lobo."
Rae estendeu a mão em direção à tigela com um sorriso travesso.
Sem nem olhar, Lura afastou levemente a mão dela com uma colher de pau.
"Não."
Rae:
"Eu só estava conferindo se a massa não estava envenenada."
"Você estava roubando."
Rae:
"Dá no mesmo."
Ambas as garotas caíram na risada.
Uma batida repentina ecoou pela casa silenciosa.
Rae congelou imediatamente.
Lentamente...
Bem lentamente...
Ela se virou para Lura.
Rae:
"Você não ouviu isso."
Lura não conseguiu evitar um sorriso.
"Eu definitivamente ouvi."
Rae:
"Talvez quem quer que seja vá embora."
Outra batida.
Mais alta desta vez.
Lura cruzou os braços.
"Por quanto tempo você pretende se esconder do seu pai?"
Rae:
"Eu não estou me escondendo."
"Você mora aqui há quase uma semana."
Rae:
"Estou evitando estrategicamente."
Lura riu.
"Isso se chama esconder."
Rae suspirou dramaticamente.
Rae:
"Não se chama."
Sorrindo para si mesma, Lura caminhou em direção à porta da frente.
Assim que ela abriu, o Alpha Aldric estava na varanda com a expressão paciente de um pai que já sabia exatamente onde sua filha estava.
Ao lado dele, um jovem alto carregava duas caixas de madeira transbordando de vegetais frescos, farinha, carne, ovos e outros suprimentos.
O jovem sorriu.
Leon:
"Oi, Lura."
Ela piscou por um momento antes que o reconhecimento se espalhasse por seu rosto.
"Leon?"
Ele riu.
Leon:
"Faz tempo."
Lura deu um passo à frente e o envolveu em um abraço caloroso.
"Faz mesmo."
Quando se afastaram, ela o observou de cima a baixo.
"Quase não te reconheci."
Leon:
"Eu mudei um pouco desde que éramos crianças."
"Com certeza mudou."
Alpha Aldric limpou a garganta com uma ofensa exagerada.
Alpha Aldric:
"Eu trago mantimentos toda semana e ele ganha o primeiro abraço?"
Lura riu antes de se aproximar e abraçá-lo também.
"Obrigada... por tudo."
A expressão dele suavizou.
Alpha Aldric:
"Seu pai teria feito o mesmo pela minha filhote."
De algum lugar dentro da casa—
Rae:
"Eu ainda não vou sair!"
Alpha Aldric suspirou olhando para o teto.
Alpha Aldric:
"Eu sei que você está aí."
Rae:
"Você não tem provas!"
Alpha Aldric:
"Lura riu."
Rae:
"Traidora!"
Leon riu, levando as caixas para a cozinha.
Enquanto ele passava pela porta, Rae espiou pelo canto.
No momento em que seus olhos se cruzaram—
Ela gemeu.
Rae:
"Não... você também não."
Leon sorriu.
Leon:
"Sentiu minha falta?"
Rae:
"Absolutamente não."
Leon:
"Bom. Papai disse que se eu não te encontrasse, ele me tornaria Alpha imediatamente."
Os olhos de Rae se arregalaram.
Rae:
"Viu! Ele já está tentando me prender!"
Lura não conseguia parar de rir.
"Acho que ele só está feliz por você estar em casa."
Rae:
"Não... eles estão trabalhando juntos."
Leon deu de ombros, inocente.
Leon:
"Eu nem estou em casa há um dia inteiro."
Rae:
"E você já está entrando para o Time Papai."
A sala se encheu de risadas.
Pela primeira vez em semanas...
A casa dos Night não parecia mais vazia.
Parecia um lar novamente.


