EU TE AMAREI EM TODOS OS AMANHÃS

Todos os Direitos Reservados ©

Resumo

Sete anos atrás, Amara de Leon esperou sob uma antiga torre do relógio por Rafael Villareal — o rapaz que prometeu encontrá-la ali e escolher o futuro deles juntos. As onze horas passaram. Depois, a meia-noite. Rafael nunca apareceu. Com o coração partido, Amara partiu com uma certeza: o homem que ela amava escolhera uma vida sem ela. Sete anos depois, Amara já não é a jovem que esperava ser escolhida. Ela é uma arquiteta construindo a própria carreira quando recebe a oportunidade de restaurar um hotel histórico à beira-mar. Só há um problema. O novo dono do hotel é Rafael. Mais velho. Bem-sucedido. Diferente. E ainda a olhando como se sete anos não tivessem passado. Forçados a trabalhar juntos, lembranças antigas começam a emergir entre paredes inacabadas, pores do sol no oceano e conversas que deveriam ter tido anos atrás. Amara quer odiá-lo. Rafael sabe que não tem o direito de pedir uma segunda chance. Mas Rafael carrega um segredo desde a noite em que tudo acabou. Ele foi, sim, à torre do relógio. Ele apenas chegou tarde demais. E em algum lugar dentro do antigo hotel jaz uma carta que ele escreveu naquela noite — uma carta que Amara jamais deveria encontrar. Porque, às vezes, as histórias de amor mais dolorosas não são sobre duas pessoas que pararam de se amar. São sobre duas pessoas que nunca pararam.

Status
Complete
Capítulos
37
Classificação
5.0 (1 avaliação)
Classificação Etária
13+

O Homem no Fim do Corredor

Capítulo 1 — O Homem no Fim do Corredor

O mar estava exatamente como Amara de Leon se lembrava.

Inquieto.

Azul.

E completamente incapaz de guardar segredos.

Ela estava ao lado do carro, com uma das mãos apoiada na porta aberta, encarando o velho hotel empoleirado sobre a costa.

Casa Esperanza.

Até o nome parecia algo de outra vida.

O prédio de três andares já fora um dos hotéis mais bonitos daquele trecho do litoral. Paredes brancas. Varandas amplas. Janelas em arco voltadas para o oceano. Buganvílias subindo pelos corrimãos.

Agora, partes da pintura estavam desbotadas sob anos de sal e chuva. Várias janelas estavam fechadas com tábuas. Os jardins tinham crescido de forma selvagem.

Mas Amara não via algo arruinado.

Ela via algo esperando para se tornar bonito novamente.

Ela subiu os óculos de sol para o topo da cabeça.

“Tudo bem, Mara”, ela sussurrou. “É apenas um hotel.”

Um contrato de restauração de seis meses.

Era só isso.

E se ela fizesse tudo certo, a Casa Esperanza poderia se tornar o maior projeto de sua carreira.

Seu telefone vibrou.

Mama: Nakarating ka na?

Amara sorriu.

Amara: Sim, mãe. Já cheguei.

A resposta veio na hora.

Mama: Coma primeiro.

Amara riu.

Sete anos longe de casa não tinham mudado a mãe.

Ela pegou sua bolsa, as plantas e o notebook antes de caminhar em direção à entrada.

O caseiro do hotel já estava esperando.

“Arquiteta de Leon?”

“Amara está ótimo.”

O homem idoso sorriu. “Sou o Mang Ben.”

Eles apertaram as mãos.

“Bem-vinda à Casa Esperanza.”

No momento em que Amara entrou, ela parou.

A luz do sol entrava pelas janelas altas e caía sobre os azulejos empoeirados. Uma enorme escadaria de madeira se curvava em direção ao segundo andar. Um lustre antigo pendia do teto, faltando vários cristais.

“Este lugar é incrível.”

“Costumava ser.”

Amara olhou para ele.

Mang Ben sorriu com tristeza.

“As pessoas vinham aqui para casamentos. Aniversários. Luas de mel. Até pedidos de casamento. Às vezes, tínhamos música até a meia-noite.”

Amara caminhou até a escadaria, os dedos roçando o velho corrimão de madeira.

“Então por que fechou?”

“Diferentes donos. Diferentes planos. Ninguém ficou tempo suficiente para salvá-lo.”

Ela olhou ao redor.

“Até agora.”

A expressão de Mang Ben mudou levemente.

“Sim.”

Algo no tom dele chamou sua atenção.

“O novo dono deve acreditar muito neste lugar.”

Mang Ben abriu a boca.

Depois parou.

Amara franziu a testa.

“O quê?”

“Nada.”

Aquilo definitivamente significava alguma coisa.

Mas, antes que ela pudesse perguntar, Mang Ben apontou para o corredor.

“Seu escritório temporário fica no andar de cima. O dono pediu para que você tenha tudo o que precisar.”

“Generoso.”

“Ele também pediu que nada original fosse removido sem a sua aprovação.”

Amara ergueu uma sobrancelha.

Isso ela gostou.

“Finalmente. Um dono que não acha que restauração significa substituir tudo por mármore.”

Mang Ben riu baixo.

Eles subiram as escadas.

Enquanto caminhavam, Amara estudava cada detalhe.

Fotografias antigas decoravam as paredes.

Hóspedes parados ao lado de carros clássicos.

Famílias na praia.

Casais dançando sob cordões de luzes.

Então, ela parou.

Uma fotografia mostrava a torre do relógio.

O peito dela apertou.

Ele ficava perto da borda da antiga praça, de frente para o mar.

Amara encarou a imagem por mais tempo do que pretendia.

Por um momento terrível, ela não tinha mais trinta e dois anos.

Ela tinha vinte e cinco.

Em pé, sob aquele relógio.

Esperando.

22:42.

Ainda esperançosa.

23:18.

Ainda dando desculpas para ele.

23:57.

Ainda acreditando.

Então—

Meia-noite.

E Rafael nunca apareceu.

“Mara?”

Ela piscou.

Mang Ben estava alguns passos à frente.

“Desculpe.”

Ela se afastou da fotografia.

“Só estava pensando.”

Mas a lembrança a seguiu escada acima.

Sete anos.

Ela tinha passado sete anos ensinando a si mesma que algumas promessas só eram bonitas porque nunca eram cumpridas.

E Rafael Villareal tinha se tornado nada mais do que um nome que ela se recusava a dizer.

Pelo menos, era isso que ela dizia a si mesma.

Seu escritório temporário tinha vista para o oceano.

Amara colocou seu laptop sobre a mesa e abriu os documentos do projeto.

“Vou precisar de acesso à ala oeste”, disse ela.

Mang Ben hesitou.

“Amanhã.”

“Por que amanhã?”

“O proprietário está fazendo uma inspeção hoje.”

“Ele está aqui?”

Mang Ben parecia desconfortável novamente.

“Sim.”

“Ótimo.”

Amara levantou-se.

“Eu gostaria de conhecê-lo.”

“Arquiteta—”

“Vou trabalhar na propriedade dele por seis meses. É melhor saber com que tipo de pessoa estou lidando.”

Mang Ben coçou a nuca.

“Se você diz.”

Aquela resposta estava se tornando suspeita.

“Ele é difícil?”

“Não.”

“Exigente?”

“Às vezes.”

“Ele odeia arquitetos?”

Mang Ben quase riu.

“Não.”

“Então, qual é o problema?”

O caseiro olhou para ela por vários segundos.

“Você vai entender.”

Antes que Amara pudesse perguntar o que isso significava, passos soaram em algum lugar além do corredor.

Lentos.

Medidos.

Aproximando-se.

Mang Ben ficou em silêncio.

Amara virou-se.

Um homem apareceu no final do corredor.

A princípio, ela viu apenas sua silhueta contra a luz do sol que entrava pelas portas da sacada.

Alto.

Ombros largos.

Camisa branca de mangas compridas dobradas até os antebraços.

Calças escuras.

Uma das mãos dentro do bolso.

Ele falava com alguém ao seu lado, com a voz distante demais para Amara ouvir com clareza.

Mas ela conhecia o jeito que ele andava.

Seus dedos apertaram a pasta que ela segurava.

Não.

O homem deu um passo à frente.

A luz do sol atravessou seu rosto.

E sete anos desapareceram.

Rafael Villareal.

Amara esqueceu como respirar.

Ele parecia mais velho.

Claro que parecia.

Trinta e três anos agora, se ela se lembrava corretamente.

Ela odiava o fato de se lembrar.

Seu cabelo estava mais curto do que quando eram jovens. Seu rosto havia ficado mais marcado com a idade. Havia algo mais calmo nele agora.

Mais duro.

O garoto que ela amara tinha se tornado um homem que ela mal reconhecia.

Mas seus olhos...

Aqueles não tinham mudado.

Castanhos escuros.

Quentes quando ele sorria.

Devastadores quando não sorria.

E, naquele momento, Rafael não estava sorrindo.

Porque ele a tinha visto.

Ele parou de andar.

O homem ao lado dele continuou falando por mais dois passos antes de perceber que Rafael não estava mais o seguindo.

“Senhor?”

Rafael não respondeu.

Seus olhos permaneceram em Amara.

Mang Ben pigarreou.

“Sr. Rafael.”

Sr. Rafael.

O estômago de Amara revirou.

Não.

Não, não, não.

Mang Ben virou-se para ela.

“Arquiteta de Leon, este é—”

“Eu sei quem ele é.”

As palavras saíram mais frias do que ela pretendia.

O maxilar de Rafael se contraiu.

Mang Ben olhou de um para o outro.

“Vocês dois se conhecem?”

Nenhum dos dois respondeu.

O silêncio respondeu por eles.

Rafael finalmente caminhou para mais perto.

Um passo.

Depois outro.

Amara se recusou a se mover.

Ela passara sete anos imaginando aquele momento.

Às vezes ela imaginava gritar com ele.

Às vezes, chorar.

Às vezes, passar por ele como se não fosse ninguém.

Ela nunca tinha imaginado estar dentro de um hotel abandonado com plantas contra o peito, enquanto ele olhava para ela como se tivesse acabado de ver um fantasma.

“Mara.”

Seu coração a traiu.

Uma palavra.

Foi tudo o que bastou.

Ela odiava o fato de que seu peito ainda se lembrava do som de seu nome na voz dele.

“Não me chame assim.”

Algo brilhou no rosto dele.

Dor?

Bom.

Ela esperava que tivesse doído.

“Amara”, ele corrigiu calmamente.

“Melhor.”

Mang Ben parecia desesperado para desaparecer.

O acompanhante de Rafael aparentemente entendeu a situação, murmurou algo sobre verificar o andar térreo e saiu.

Covarde.

Amara desejou poder segui-lo.

Em vez disso, ela olhou diretamente para Rafael.

“O que você está fazendo aqui?”

Ele a encarou.

“Eu sou o dono do hotel.”

As palavras pesaram mais do que deveriam.

Amara soltou uma risada, mas não havia humor nela.

“Claro que é.”

“Amara—”

“Você contratou a minha empresa?”

“Eu contratei a empresa.”

“Você sabia que eu fui escalada?”

Uma pausa.

Longo demais.

Seus olhos se estreitaram.

“Rafael.”

“Sim.”

O estômago dela deu um nó.

“Você sabia?”

“Eu vi a equipe do projeto antes de o contrato ser finalizado.”

“E você não disse nada?”

“O que você queria que eu dissesse?”

Talvez: “Não traga a mulher que você abandonou há sete anos para um lugar cheio de lembranças suas”.

Em vez disso, Amara sorriu.

Profissional.

Controlada.

O sorriso que ela usava com clientes que faziam pedidos impossíveis e esperavam milagres.

“Você deveria ter pedido outro arquiteto.”

“Eu não queria outro arquiteto.”

Aquela resposta atingiu de forma diferente.

Ela odiou isso.

“Você não tem o direito de decidir isso.”

“Eu não estava tentando decidir por você.”

“Você sabia que eu estaria aqui.”

“Sim.”

“E você me deixou entrar neste lugar sem me avisar.”

A expressão dele suavizou.

“Eu não sabia como te contar.”

A risada de Amara foi mais ácida desta vez.

“Engraçado.”

Ele franziu a testa.

“O quê?”

“Você também não soube como aparecer sete anos atrás.”

Silêncio.

Até o oceano lá fora parecia mais calmo.

Rafael desviou o olhar primeiro.

E, de alguma forma, isso a deixou ainda mais furiosa.

Amara pegou sua bolsa.

“Vou ligar para a minha empresa.”

“Por quê?”

“Vou solicitar minha transferência.”

Os olhos de Rafael voltaram rapidamente para ela.

“Não.”

Ela o encarou.

“Como é?”

“Eu quero dizer—”

Ele suspirou.

“Eu não quero que você vá embora.”

“Isso parece ser um problema seu.”

Ela passou por ele.

Rafael não a tocou.

Ele não tentou impedi-la.

Mas, quando Amara alcançou a escadaria, a voz dele a seguiu.

“Eu fui.”

Seus pés pararam.

Ela se virou lentamente.

Rafael estava parado no fim do corredor.

“O quê?”

O rosto dele estava pálido.

“A torre do relógio.”

Amara não conseguiu se mover.

Rafael engoliu em seco.

“Eu fui naquela noite.”

Sete anos de raiva subiram dentro dela de uma vez.

Ela o encarou.

“Não, você não foi.”

“Eu fui.”

“Eu esperei até a meia-noite.”

“Eu sei.”

“Então, onde você estava?”

A boca de Rafael se abriu.

Mas nenhuma resposta veio.

Os olhos de Amara ardiam.

Claro.

Sete anos depois, e ele ainda não conseguia explicar.

Ela balançou a cabeça.

“Adeus, Rafael.”

“Mara.”

Ela continuou andando.

Então, ele disse algo que a fez parar novamente.

“Eu ainda tenho a carta.”

A mão de Amara travou no corrimão.

Desta vez, ela não se virou.

“Que carta?”

Atrás dela, Rafael ficou em silêncio por vários segundos.

Então—

“Aquela que escrevi para você naquela noite.”

Amara fechou os olhos.

Lá fora, em algum lugar além das paredes do hotel, o velho relógio da torre começou a badalar.

Uma.

Duas.

Três vezes.

E, pela primeira vez em sete anos, Amara se perguntou se a noite em que Rafael Villareal partiu seu coração não foi a noite de que ela se lembrava.