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A Caloura Proibida do Príncipe Alfa

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Resumo

Eriselle Marrowyn entra na Real Academia Vesperthorn com um objetivo: sobreviver ao ano sem que ninguém descubra o estranho selo enterrado sob sua pele. Ela não tem lobo, não tem linhagem e não possui uma família poderosa, o que a torna um alvo fácil entre os herdeiros das alcateias mais fortes. Então, o Príncipe Herdeiro Kaevren Dareth a sente pelo olfato diante de toda a academia. Ela é sua mate. Mas Kaevren já sabia o nome dela. Dias antes de sua chegada, o Rei Alfa ordenou que ele vigiasse a caloura sem lobo cujo sangue pode pertencer à linhagem Soryth Moonblood, uma família apagada por ameaçar o trono de Crownfire. Aterrorizado com a possibilidade de perder sua herança, Kaevren rejeita Eriselle publicamente. A resposta dela estilhaça a sagrada Pedra da Lua da academia. Agora, Vesperthorn está em confinamento, alunos estão desaparecendo e alguém dentro da academia está tentando quebrar o selo de Eriselle. À medida que seu lobo enterrado começa a despertar, Eriselle descobre que sua admissão não foi um acidente e que a coroa a procura desde a infância. Kaevren pode ser a única pessoa forte o suficiente para protegê-la, mas ele também é a primeira pessoa que a traiu. Para sobreviver, Eriselle precisa descobrir quem selou seu poder, por que o trono teme seu sangue e se um príncipe criado para obedecer pode algum dia escolhê-la acima da coroa.

Status
Completo
Capítulos
39
Classificação
4.8 (5 avaliações)
Classificação Etária
16+

Prólogo

A Noite em que Veyra Foi Silenciada.

O primeiro grito veio do pátio oeste.

Avelune Soryth acordou antes que o sino de alerta terminasse o segundo toque.

Atravessou o quarto das crianças descalça, segurou a ponta da cortina e olhou para baixo. O fogo já subia pela parede externa. Homens de armadura escura invadiam pelo portão arrombado, enquanto lobos corriam pelos jardins abaixo deles.

Nenhuma bandeira.

Nenhuma cor de matilha.

Apenas máscaras prateadas refletindo as chamas.

Atrás dela, Eriselle se mexeu dentro do berço.

A criança fez um som baixo e inquieto, depois ficou quieta.

Avelune se virou.

Sua filha observava a janela.

Aos seis meses, não deveria entender o perigo. Deveria ter chorado com o barulho, procurado a mãe ou escondido o rosto sob o cobertor.

Em vez disso, uma luz prateada percorreu seus olhos.

O berço começou a tremer.

Avelune atravessou o quarto e a pegou no colo. Um calor profundo se acumulava sob a pele da bebê, forte demais para ser febre. Pulsava sob a palma de Avelune no ritmo de um segundo coração.

“Não”, sussurrou.

Os dedinhos de Eriselle se fecharam no colarinho de sua camisola.

Um rosnado fraco saiu do peito da criança.

A porta do quarto se escancarou.

Mireya entrou tropeçando, com sangue na manga e uma faca de cozinha em uma das mãos.

“Já estão dentro da casa.”

“Onde está Tavren?”

A irmã olhou para o corredor.

A hesitação durou apenas um instante.

Avelune entendeu mesmo assim.

“Ele ficou nas escadas do sul”, disse Mireya. “Mandou eu levar você para a passagem secreta.”

Outro sino tocou.

Parou no meio da nota.

Avelune apertou Eriselle contra o peito. “A passagem começa na capela.”

“Eu sei.”

“Os soldados vão chegar lá antes da gente.”

“Então a gente corre mais.”

Mireya atravessou o quarto, pegou um manto de lã da cadeira e o enrolou nos ombros de Avelune. Suas mãos tremiam ao prendê-lo, mas a voz permaneceu firme.

“Você carrega ela. Eu abro caminho.”

“Você nunca abriu caminho com uma faca.”

“Já fui xingada por pacientes segurando coisas bem maiores.”

Avelune quase riu.

O som morreu antes de sair.

O chão tremeu sob seus pés. Em algum lugar lá embaixo, madeira se partiu e um homem gritou uma ordem. Os lobos do lado de fora responderam com um uivo só.

O corpo de Eriselle enrijeceu.

Uma luz prateada brilhou sob o cobertor.

Uma sombra surgiu na parede.

Não era de Avelune nem de Mireya.

Quatro pernas finas. Um focinho erguido. Um lobo grande demais para caber no corpo pequeno que o projetava.

Mireya arregalou os olhos.

“Ela está despertando.”

“Não pode.”

A sombra moveu a cabeça.

Os olhos de Eriselle brilharam mais forte.

Avelune passara meses imaginando esse momento dali a anos, sob uma lua tranquila, com Tavren ao lado e a filha já crescida o suficiente para entender a voz que se unia à sua.

Não ali.

Não enquanto homens revistavam sua casa.

Um lobo despertava cedo só quando seu humano enfrentava a morte.

Os soldados lá fora uivaram de novo.

Dessa vez, algo dentro de Eriselle respondeu.

O som sacudiu as janelas.

Mireya empalideceu. “Eles ouviram.”

Avelune correu para o corredor.

A fumaça já tomava o andar de cima. Chamas lambiam o corrimão entalhado que dava para o saguão de entrada. Dois guardas jaziam perto da escada, imóveis. Um ainda segurava a espada.

Mireya se abaixou para pegá-la.

Um homem surgiu da fumaça antes que sua mão alcançasse o punho.

Ela ergueu a faca.

“Calma”, disse ele.

Sevrik Halven puxou um pano escuro da boca. Cinzas cobriam metade do rosto, e a manga do casaco estava queimada perto do pulso.

Mireya não baixou a lâmina.

“Você deveria ter nos avisado antes do ataque.”

“Eu avisei o Tavren antes do pôr do sol.”

“Você disse que a patrulha do leste tinha voltado.”

“E tinha.”

Avelune o observou. Sevrik levava mensagens entre a Casa Soryth e a corte real havia anos. Conhecia as rotas secretas, as antigas proteções e quais conselheiros ainda respondiam a cartas particulares.

Naquela noite, nada daquele conhecimento os salvara.

“Quem são eles?”, perguntou.

“Não sei.”

“Isso não é resposta.”

“É a única que tenho.”

Outro clarão de luz prateada veio de sob o cobertor de Eriselle.

Sevrik olhou para a criança.

Sua expressão mudou.

Não era medo.

Era reconhecimento.

Avelune se virou levemente, protegendo a filha de seu olhar.

“Ela está despertando cedo demais”, disse ele.

“Eu estou vendo.”

“Se o cheiro dela chegar aos jardins, todos os lobos lá fora vão saber exatamente onde ela está.”

Mireya apertou a espada roubada. “Então nos ajude a chegar à passagem.”

Sevrik olhou para as escadas em chamas.

“Vocês não vão conseguir enquanto o lobo dela estiver chamando.”

Avelune sentiu o segundo coração de Eriselle ficar mais forte.

“O que você está sugerindo?”

Ele enfiou a mão dentro do casaco e tirou um estojo de metal estreito. O fecho resistiu aos dedos sujos de fuligem antes de ceder.

Dentro, havia um frasco de vidro negro.

Mireya deu um passo para trás.

“Não.”

Os olhos de Sevrik continuaram fixos em Avelune. “É uma poção de ocultação.”

“Para o cheiro?”

“Para mais do que o cheiro.”

Eriselle gemeu.

A sombra ao lado delas cresceu.

Garras prateadas surgiram na parede, esticando-se até o teto.

Avelune olhou para o frasco. “O que isso vai fazer com o lobo dela?”

“Vai deixá-lo fora de alcance.”

“Por quanto tempo?”

“Tempo suficiente para vocês fugirem.”

“Não foi isso que perguntei.”

Sevrik engoliu em seco.

O fogo estalou no corrimão. Vozes subiram de baixo.

“Anos”, admitiu. “Talvez mais.”

Mireya segurou o braço de Avelune. “A gente encontra outro jeito.”

“Não tem outro jeito”, disse Sevrik.

“Você não sabe disso.”

“Eu sei que a passagem fica dois andares abaixo e a casa está cheia de soldados. Sei que a criança está se anunciando para todos os lobos num raio de quilômetros. Sei que vocês têm minutos, talvez menos.”

Avelune olhou para Eriselle.

A respiração do bebê estava fraca. Debaixo do cobertor, seu pequeno corpo se contorcia, como se algo dentro dela buscasse uma saída.

Avelune já tinha sentido aquele lobo antes.

Uma vez, tarde da noite, Eriselle riu durante o sono, e uma presença prateada e quente roçou a mente de Avelune. Curiosa. Brincalhona. Viva.

Agora, estava apavorada.

As janelas do berçário explodiram atrás deles.

Cacos de vidro se espalharam pelo corredor.

Mireya puxou Avelune contra a parede, enquanto Sevrik as cobriu com seu casaco. Um soldado mascarado aterrissou dentro do berçário. Os olhos de lobo dele brilhavam pelas frestas estreitas do capacete.

“Lá”, ele gritou.

Mais passos apressados se aproximavam.

Sevrik sacou uma lâmina curta.

“Decida.”

Avelune pressionou os lábios na testa de Eriselle.

A pele da filha queimava.

“Me perdoe”, sussurrou.

Os olhos de Mireya se arregalaram. “Avelune.”

“Segure as pernas dela.”

“Você não pode confiar nisso.”

“Confio menos ainda nos homens que estão subindo.”

Mireya parecia querer discutir. Então o soldado atravessou o berçário.

Sevrik o interceptou na porta.

Aço se chocou contra aço.

Mireya largou a espada, pegou Eriselle e a segurou firme enquanto Avelune abria o frasco.

Nenhuma fumaça escapou.

Nenhum cheiro.

Apenas um líquido escuro que grudava no vidro, como se tivesse medo do ar.

“Como?”, Avelune perguntou.

Sevrik empurrou o soldado para trás, arrancou a lâmina da mão dele e o acertou na garganta com o cabo.

“Três gotas acima do coração dela.”

“E depois?”

“Diga o nome do lobo dela.”

Avelune congelou.

“Nós não demos nome a ela.”

Sevrik olhou para a sombra prateada na parede.

“Talvez tenham dado.”

A resposta veio de algum lugar dentro de Avelune.

Fraca no início. Quase perdida no fogo.

Veyra.

A sombra se virou para ela.

A garganta de Avelune se apertou.

“Veyra”, disse.

O lobo se aproximou da parede, como se estivesse ouvindo.

Mireya segurou Eriselle enquanto Avelune pingava uma gota acima do coração dela.

O bebê gritou.

A sombra recuou.

Uma segunda gota tocou sua pele.

Linhas negras se espalharam sob o cobertor.

“Não”, Mireya sussurrou. “Já chega.”

Sevrik deu um passo à frente. “O selo não está fechado.”

Uma terceira gota caiu.

Eriselle se arqueou nos braços de Mireya.

O lobo prateado bateu contra a parede.

Avelune ouviu seu grito dentro da própria cabeça.

Não eram palavras.

Um pedido.

Ela estendeu a mão para a sombra, mas seus dedos atravessaram uma luz fria.

“Veyra, me perdoe.”

As linhas negras circundaram o peito de Eriselle.

O lobo desapareceu.

O silêncio veio em seguida.

Avelune pegou a filha de volta. Os olhos de Eriselle estavam fechados. Sua respiração era suave contra o pescoço de Avelune.

O segundo batimento cardíaco tinha sumido.

Mireya pressionou os dedos trêmulos sob o queixo da criança.

“Ela está viva.”

Avelune fechou os olhos.

Viva nunca soou tanto como uma perda.

Um estrondo veio da escadaria.

Sevrik pegou a espada. “Para a capela. Agora.”

Eles correram.

A fumaça turvava os corredores. Avelune manteve uma mão sobre a cabeça de Eriselle enquanto Mireya os guiava pelo setor dos empregados e descia uma escada estreita.

As portas da capela já estavam em chamas quando chegaram.

Tavren tinha aberto a passagem do altar antes de partir para o sul. Uma abertura escura esperava sob a mesa de pedra, estreita o suficiente para uma pessoa carregando uma criança.

Mireya a encarou.

“Você primeiro.”

Avelune não se mexeu.

O barulho do corredor ficou mais alto.

“Você leva ela”, disse.

O rosto de Mireya se esvaziou. “Não.”

“Você conhece Rillmere. Ninguém lá sabe que você tem ligação conosco.”

“Vamos juntos.”

“A passagem estreita depois da primeira curva. Se desabar, alguém tem que ficar para trás e segurar.”

“Sevrik pode ficar.”

Ele olhou para a porta. “Os soldados vão me reconhecer.”

O aperto de Mireya na espada se intensificou.

Avelune colocou Eriselle nos braços dela.

A irmã aceitou a criança sem pensar, mas logo tentou devolvê-la.

Avelune deu um passo para trás.

“Guarde o nome dela.”

“Avelune.”

“Mude tudo o que precisar, mas guarde o nome dela.”

Os olhos de Mireya se encheram de lágrimas.

“Ela precisa da mãe.”

“Ela precisa da mãe que vai tirá-la daqui.”

As palavras atingiram as duas.

Avelune tocou o rosto de Eriselle uma última vez.

Nenhuma luz prateada a recebeu.

“Nunca a traga de volta aqui”, disse. “Não deixe que ninguém teste o sangue dela.”

“Não vou.”

“Mantenha-a longe das casas reais.”

“Vou manter.”

Um grito soou do lado de fora da capela.

Mireya se moveu em direção à abertura.

Avelune segurou seu pulso.

“Mais uma coisa.”

A irmã olhou para trás.

“Vesperthorn”, disse Avelune. “Aconteça o que acontecer, ela nunca deve entrar naquela academia.”

Mireya franziu a testa. “Por quê?”

Avelune lançou um olhar para Sevrik.

Pela primeira vez naquela noite, ele desviou os olhos.

Não havia tempo para perguntar o que aquilo significava.

“Prometa.”

“Eu prometo.”

Mireya desceu pela passagem com Eriselle contra o peito.

Avelune observou até a escuridão engoli-las.

Então empurrou a pedra do altar de volta ao lugar.

As portas da capela se escancararam.

Soldados de máscaras prateadas encheram a entrada.

Avelune se virou para encará-los.

Sevrik ficou ao seu lado, lâmina em punho.

Muito além da propriedade em chamas, o sino mais alto da Academia Real de Vesperthorn soou uma vez na noite vazia.

Nenhuma mão o tocara.

Sob a academia, a sagrada Pedra da Lua abriu uma fina rachadura negra.

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