Prólogo - A Lenda
Há quinhentos anos, quatro deuses caminhavam entre os homens.
Aedis, o Deus da Sabedoria.
Diziam que não existia pergunta para a qual ele não possuísse uma resposta. Reis viajavam durante meses apenas para ouvir seus conselhos, e homens comuns batiam à sua porta em busca de soluções para problemas que pareciam impossíveis.
Lomios, o Deus da Luz.
Ninguém sabia ao certo onde ele vivia. Ele simplesmente aparecia. Em estradas escuras, vilarejos esquecidos e lugares onde a esperança já havia desaparecido. Onde Lomios passava, a escuridão parecia recuar.
Janette, a Deusa da Água.
Quando rios secavam e plantações morriam, as pessoas rezavam por ela. E, algumas vezes, eram ouvidas.
E havia Romensi, o Deus do Gelo.
Ele não era amado como os outros.
Romensi raramente ajudava os mortais e detestava ser incomodado. Ainda assim, fazia parte do equilíbrio que mantinha aquele mundo em paz.
Os quatro possuíam uma espada.
Por séculos, isso foi tudo o que o mundo precisou.
Até que um quinto apareceu.
Ninguém sabia seu nome.
Ninguém sabia de onde havia vindo.
E, mesmo depois de quinhentos anos, ninguém conseguia concordar sobre aquilo que ele realmente era.
Um deus?
Um demônio?
Ou algo que jamais deveria ter existido?
Os sobreviventes das primeiras batalhas contavam histórias diferentes sobre sua aparência. Alguns diziam que ele possuía grandes chifres. Outros juravam que aqueles chifres não passavam da sombra de uma coroa.
Mas havia uma coisa sobre a qual todos concordavam.
Ele carregava uma lança.
E não uma espada.
Quando os quatro deuses perceberam sua existência, já era tarde demais.
A batalha durou dias.
Montanhas foram destruídas.
Florestas queimaram.
Rios mudaram de curso.
E, um por um, os quatro deuses caíram.
Aedis.
Lomios.
Janette.
Romensi.
Mortos.
O mundo nunca mais foi o mesmo.
Os homens, aterrorizados, deram ao assassino um nome.
Monarca das Trevas.
Mas o Monarca não permaneceu livre.
Quando tudo parecia perdido, alguém surgiu.
Ninguém sabe quem.
Não existem estátuas.
Não existem livros.
Não existem relatos confiáveis.
A única coisa que se sabe é que, de alguma maneira, aquele ser conseguiu fazer o impossível.
O Monarca foi selado.
Um selo foi criado.
E o mundo recebeu uma promessa:
quinhentos anos.
Quinhentos anos até que o selo pudesse enfraquecer.
Quinhentos anos até que o Monarca pudesse retornar.
O tempo passou.
Guerras começaram.
Reinos surgiram e desapareceram.
Novos povos ocuparam as terras deixadas pelos antigos.
Os deuses viraram histórias.
As histórias viraram lendas.
E as lendas viraram contos contados para crianças antes de dormir.
Ninguém mais acreditava no Monarca.
Por que acreditariam?
Afinal...
eram apenas histórias.
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Ano 500.
Reino de Genadon.
A noite havia caído há algumas horas.
Em uma pequena taverna, pessoas bebiam, jogavam cartas e discutiam assuntos que provavelmente esqueceriam na manhã seguinte.
Ninguém ali sabia.
Ninguém poderia saber.
Mas, naquele exato momento, em algum lugar muito distante dali...
algo havia acontecido.
Uma pequena rachadura surgiu em uma pedra antiga.
Depois outra.
E outra.
Até que, no silêncio absoluto de uma câmara esquecida pelo mundo, ouviu-se um som que não era escutado havia quinhentos anos.
