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Nos braços do caçador

Resumo

Ele era conhecido como o melhor caçador de recompensas que existiu — implacável, frio, nunca falhou um trabalho, nunca deixou nada abalar seu coração de pedra. Até que aceitou uma missão: eliminar Vitória Mendes, a única filha de um homem poderoso. Ele a esperou na porta da faculdade, pronto para cumprir o contrato… mas quando ela apareceu, com seus cabelos brancos como neve e olhos azuis que brilhavam com uma inocência rara, ele travou. Pela primeira vez na vida, Toji não conseguiu fazer o que foi pago para fazer. Algo nele despertou — um desejo de protegê-la em vez de feri-la, de ficar ao lado dela em vez de desaparecer. Agora, ele está disposto a enfrentar qualquer um, quebrar todas as regras e lutar contra o mundo inteiro para mantê-la segura. O caçador que nunca pertenceu a ninguém finalmente encontrou sua casa — nos olhos dela.

Status
há 2 dias
Capítulos
1
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

" O Trabalho "


O esconderijo é pequeno, escuro, cheirando a poeira e metal velho. Uma lâmpada nua balança no teto, lançando sombras que se arrastam pelas paredes de tijolo aparente. Toji está sentado na beira de uma cama estreita, os cotovelos apoiados nos joelhos, girando uma adaga entre os dedos sem prestar atenção.

Os pensamentos vêm em ondas, sem piedade. Os rostos das últimas semanas se misturam uns gritaram, outros nem tiveram tempo de entender o que acontecia. Ele aperta a mandíbula. Nunca foi de remorso. Sempre foi precisão, pagamento, silêncio. Mas essa noite, o silêncio pesa diferente.

Megumi. O nome surge de repente, sem aviso. O garoto tem os mesmos olhos verdes que ele, a mesma expressão séria, que não pede nada mas vê tudo. Toji não se lembra da última vez que o viu. Não por falta de memória por escolha. Ficar longe é o melhor que pode fazer por ele. É o que repete a si mesmo, todas as noites.


Ele passa a mão pelo cabelo e solta um suspiro curto. O celular vibra em cima da mesa. Número desconhecido. A mensagem é curta


"Proposta alta. Serviço hoje. Vai?"

Toji encara a tela um instante. Depois digita

"Endereço."

A resposta chega rápido. O valor é imenso o bastante para quitar dívidas e sumir por um tempo. Não há foto. Só os dados, dezenove anos, cabelos brancos, aluna da Aurora University, horário de saída. Poderia ser qualquer garota. Não importa. Nunca importou.

Ele guarda o aparelho, coloca a adaga na bainha lateral, veste a jaqueta preta e apaga a luz. Antes de sair, olha para o espaço vazio na parede onde antes pendia uma foto do filho. Agora só resta o prego enferrujado. Fecha a porta sem olhar para trás.

O vento frio bate no rosto enquanto corta as ruas, o motor da moto rugindo sob as mãos firmes. Cada farol parece um aviso. Já tem tudo planejado: entrada oeste, saída leste, beco sem visibilidade,Fácil,Rápido.

Estaciona em uma esquina com vista limpa para o portão. Desliga o motor. A faculdade ainda pulsa risadas, conversas, carros parando. Ele se mantém imóvel, escondido na sombra de um muro antigo, os olhos verdes fixos no fluxo de gente. Confere a lâmina no cinto. Respira devagar. É só mais um nome.


Então o portão se abre. E no meio do grupo, ela aparece.

Branca como a luz. O cabelo solto balança com o vento, e você olha para os lados, distraída, procurando algo. Ele aperta o punho. Faz muito tempo que nada o deixa assim paralisado.


A mão dele desliza até o cabo da adaga,Mas não puxa,Apenas observa.

"É ela."

A voz interna não soa convicta. Ele permanece ali, imóvel, preso entre a sombra e a luz. Esperava alguém comum alguém que pudesse esquecer no instante seguinte. Mas há algo nela que não cabe nesse trabalho. Algo leve, puro, que ele já tinha esquecido que existia.

O vento traz o perfume dela até ele doce, suave, fora de lugar naquela rua escura. Ele range os dentes. A adaga continua ali, silenciosa, esperando. Mas ele não se aproxima.


"Mata logo." A ordem vem fria, como sempre foi. Só que o peito dele aperta em resposta não é medo. É recusa.

Recua um passo, as costas encostando no muro frio,Sabe que bastariam dez passos,Talvez menos,Mas cada plano que traça na mente desmorona antes de virar ação. Os anos de instinto gritam agora, enquanto algo mais fundo, há muito adormecido, sussurra não.

— Que porra é essa…

murmura baixo, só para ouvir a própria voz.

Se recusa a aceitar. Mas a verdade está ali, diante dos olhos dele, pela primeira vez, ele não quer cumprir o contrato. Não quer ferir Quer proteger.

E isso o assusta mais do que qualquer inimigo.

Vitória ficou parada por um tempo, olhando a rua, esperando o motorista ou o pai aparecer. Como a casa não era longe, guardou o celular e decidiu ir andando. Sozinha,Passo leve, tranquila, como se nada de ruim pudesse existir ali.


Toji acompanhou cada movimento com o olhar. Soltou um riso baixo, sem nenhuma graça.

— Estúpida… ou corajosa demais.

Não importava. Era a oportunidade perfeita.

Saiu das sombras e seguiu atrás, mantendo distância. Passos silenciosos, quase sem som. A rua era estreita, mal iluminada, e a silhueta branca dela brilhava entre as sombras, alheia ao perigo que vinha se aproximando.


O instinto de caçador trabalhou sozinho, calculou o ritmo, o ponto cego, o beco que logo adiante ficava completamente escondido. Dois minutos. Ninguém veria. Fim. Mas quanto mais se aproximava, mais o coração batia não de excitação, e sim de algo que ele se recusava a nomear.


Ela parou de repente, como se sentisse algo. Toji prendeu a respiração. O cabelo prateado mexeu com o vento. Ele estava a poucos metros, escondido entre as árvores. A mão não foi até a lâmina.


Faz... Foi pra isso que veio.


Os pés, porém, não avançaram. E quando ela voltou a andar, ele apenas… a seguiu. Sem atacar. Sem entender por quê.


Até que chegaram ao beco. Ali, ele tomou coragem.


Movimento rápido, preciso. Agarrou o braço dela e a puxou para dentro, encostando-a contra a parede fria de tijolos úmidos. O corpo dele a encurralou, e a mão cobriu sua boca com firmeza, sem machucar, mas impedindo qualquer grito.

— Shhh… quietinha.

A voz saiu baixa, áspera, quente perto do ouvido dela.


Ele sentiu o corpo dela tremer, a respiração acelerada contra o peito dele. O perfume doce invadiu o espaço curto entre os dois, e Toji fechou os olhos por um instante, como se doesse. O beco era escuro, fechado. Lá fora, a vida seguia sem notar. Ninguém viria.


Afrouxou a mão devagar, mas não soltou o pulso dela. Os olhos verdes desceram ao rosto assustado e ficaram ali, intensos e tensos. Estava furioso consigo mesmo. Furioso por não ter cumprido o trabalho antes, furioso por tê-la visto, furioso por não conseguir afastar-se.


Idiota... Agora ela viu seu rosto


Ela o olhava, os olhos prateados arregalados de pavor. Em vez de ameaçar, ele apenas permaneceu ali, prendendo-a entre si e a parede, sem saber o que fazer.

Foi então que a realidade bateu. A moto. Ele tinha vindo de moto. Não havia carro. O plano era simples: fazer o trabalho perto da faculdade e sumir. Agora? Levar uma garota desmaiada na garupa chamaria atenção. Carregá-la no colo pelas ruas então? Impossível.

Praguejou baixinho entre os dentes. Tudo tinha saído do controle.

Não havia tempo para hesitar. Com um movimento rápido e preciso, acertou um golpe leve e certeiro na lateral do pescoço dela. Ela desabou nos braços dele de imediato. Segurou-a antes que batesse no chão. O rosto dela estava sereno, como se apenas dormisse.

Olhou ao redor. Ninguém. Ajeitou o corpo dela contra o seu, cobrindo-a com a jaqueta escura para esconder o cabelo branco e as roupas claras. De longe, pareciam apenas um casal se abraçando.

Caminhou até a moto. prendendo-a firme com um braço contra o peito, a cabeça dela apoiada no ombro dele. Ligou o motor e partiu cortando a noite. Não sabia ainda o que faria. O único lugar que vinha à mente era o galpão afastado ,abandonado, silencioso, onde ninguém ia.

A estrada passava escura ao redor. Ela pesava leve nos braços dele, e o perfume doce continuava ali, insistente, confundindo tudo. Ele não sabia por que não tinha feito o que foi pago para fazer. Só sabia que, a partir daquela noite, nada seria igual.




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