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Aventuras de Uma Donzela Espadachim na Era do Aço

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Resumo

Seiscentos anos após um planeta vagante desestabilizar a órbita lunar e fazer o astro se despedaçar na atmosfera terrestre, formando um anel ao redor do mundo, os Cavaleiros Estelares são aqueles que destroem os meteoritos que caem dos anéis e protegem as pessoas, criados pela misteriosa empresa Corporação Castro, com equipamentos concedidos por ela. Larissa Serra é uma jovem cavaleira de ranking baixo que descobre anéis capazes de lhe concederem poderes maiores que os próprios cavaleiros, mas de onde vieram esses anéis? E quem a caçará por isso?

Gênero
Scifi
Autor
Ágata Vaz
Status
há 8 horas
Capítulos
2
Classificação
n/a
Classificação Etária
16+

Capítulo 1

Larissa caminhava calmamente em direção ao seu cavalo, as vozes de seus companheiros falando, os outros cavalos batendo os cascos contra o chão de grama e relinchando, o barulho parecia mínimo para o rapaz. Afinal, ela tinha muito o que pensar.

Embora parecesse calma, Larissa incessantemente pensava no que podia fazer para ascender como cavaleira. Estar na Cavalaria Estelar havia sido seu sonho desde sempre, e claro, ela estava feliz por ter o conquistado, com trabalho duro e uma carta de recomendação de seu tutor, um professor na infame Academia Espada Prateada, mas ser apenas um mero Cavaleiro Baixo não era o bastante para a jovem, ela gostaria de ser uma paladina de verdade, alguém que luta nas linhas de frente.

A pausa para o descanso tinha se encerrado, o que significava que era hora de voltar à patrulha. Os meteorologistas haviam avisado a Fortaleza Central do Rio do novo meteorito mortal que ameaçava à vida na Terra e para lá eles iriam.

Os cascos dos equinos batiam contra o chão de terra de maneira desordenada, porém reconfortante para Larissa, que adorava ouvir os passos dos animais.

O seu próprio garanhão, Guerreiro, um cavalo castanho cujo focinho e as patas eram brancos, era um de seus melhores amigos.

Larissa desviou o olhar para os seus colegas enquanto uma brisa suave passava, fazendo seus longos cabelos loiros claros voarem. Ela realmente se encantava com o fato de a Corporação Castro ter como vestimenta padrão os uniformes de soldados do começo da segunda metade do século dezenove. A jovem sorriu e com uma das mãos, a outra segurando firmemente a rédea do cavalo, ajeitou a camisa, os olhos azuis varrendo rapidamente as roupas. Ao contrário de seus companheiros, ela vestia um corpete de mangas bufantes, luvas, uma saia cujo comprimento se esticava até os seus joelhos, meias-calças longas e sapatos com saltos grossos e baixos.

Em poucas horas o bando de cavalos cessou aos poucos a corrida, com o líder principal, o Primeiro Cavaleiro Alto, um homem sério chamado de Patrício, fazendo sua montaria recuar.

Os subordinados pararam imediatamente, atrás do chefe.

Larissa ergueu levemente a cabeça para ver o que acontecia na fileira frontal, pois sendo um mero Cavaleiro Baixo, ela jamais iria para à linha de frente, a não ser que um desastre acontecesse.

Patrício levou os olhos para o céu, aguardando pacientemente o inimigo aparecer, e em poucos minutos, uma brilhante luz surgiu no céu.

— Cavaleiro João, Cavaleiro Daniel, avancem! — o líder ordenou com um comando firme e os soldados em questão desceram de seus cavalos.

Os dois homens caminharam para o meio do campo aberto e ambos sussurraram em uníssono a palavra que Larissa conhecia tão bem; "Desvencilhar!".

Com um som metálico estridente, os braceletes por baixo das mangas dos soldados emitiram uma forte luz esbranquiçada que durou apenas alguns segundos. O feixe então se dirigiu para as mãos dos homens, se transformando em algo parecido com uma flecha. Daniel e João, sem perder mais tempo, se abaixaram em conjunto e miraram no objeto celeste que se aproximava.

Com um disparo surdo, as duas flechas alvas avançaram em um instante. Atravessando o campo, elas voaram em alta velocidade antes de se encontrar definitivamente contra a rocha espacial. Em um impacto, os feixes partiram o meteorito em milhares de pequenos pedaços, que se desfizeram na atmosfera, nunca alcançando o chão.

Patrício emitiu um som baixo e curto, satisfeito, fazendo os cavaleiros se levantarem.

O líder observou mais algum tempo o céu, como se procurasse por mais uma das rochas, e então, finalmente retomou a cavalgada, afastando-se do local e sendo seguido pelos cavaleiros.

Larissa suspirou baixinho mas manteve o sorriso calmo. Embora não tivesse tido a chance de lutar, era maravilhoso que ninguém, principalmente a população, houvesse se ferido e a ameaça contida.

A jovem deu um último olhar para cima, o céu azulado onde as linhas brancas cruzavam a abóbada celeste. A sua tímida luz não podia ser comparada ao brilho do astro-rei, é claro, mas tampouco desaparecia em meio à imensidão turquesa.

...

A porta de madeira se abriu e um belo ruivo deu alguns passos para dentro do quarto, o som das botas ecoando. Ele pressionou o botão superior na parede, fazendo o de baixo saltar e voltar, como uma mola. A luz logo iluminou o quarto.

— Que aborrecimento! Seria bem mais interessante se tivessem outros meteoritos para que nós pudéssemos finalmente entrar em ação! — suspirou o ruivo, dramático. Ele jogou os braços para trás, os cruzando e descansou sua cabeça neles.

Larissa riu.— Bom dia, meu querido amigo. Cuidado, se o Patrício te ouve falar isso, ele mata-lhe de tédio com um carão.

A loira, que se encontrava em frente a sua cômoda, se virou para o amigo com um sorriso, uma carta dourada em sua mão.

O ruivo abriu um pouco os olhos.— Tomara que ele me expulse de uma vez. A vida de cavaleiro não é a brasa que eu pensava. Ei, porque guarda uma coisa dessas dentro do seu quarto, boneca?

Larissa apenas sorriu.— Não é apenas um convite, Guile. É a carta que o dono da pista de patins me deu quando eu era pequena. Era a primeira vez que eu via uma pista desse tipo.

Guilherme balançou a cabeça, suspirando, como se considerasse bobagem. Ele se atirou na cama do mais novo.

— E você guardou? Quanta cafonice! — o ruivo revirou os olhos, um sorriso irônico no rosto.

A loira riu e se aproximou, se sentando na beirada da cama. Seu quarto não era exatamente exuberante, pois, sendo de uma patente baixa e estando em uma fortaleza, a beleza não era exatamente a prioridade ali, mas a cômoda, as poltronas, a cama e as cortinas ofereciam conforto para a jovem. E é claro, ela decorava o lugar do seu jeito,.com pelúcias e bonecas articuladas, pois sendo quem era, uma colecionadora, ela não poderia deixar de colocar.

— Você pensa em deixar a ordem? — Larissa perguntou, de costas para o amigo.

— Hm... — Guilherme esticou o som por um breve momento.— Apenas se o cartola me expulsar.

— Cartola? — Larissa desviou o olhar, para olhar o outro.— bem, acho que é melhor do que "caduco".

— Pois é, mas eu pensei melhor. Patrício não é velho. É injusto que eu o chame assim — Guilherme rolou na cama, deitando de bruços, a cabeça descansando nos braços.

— Hm... — a loira respondeu.

...

Larissa caminhava pelas ruas agitadas da cidade com uma embalagem marrom em mãos. O cheiro do bolo de chocolate insistia em entrar em suas narinas.

Ela sabia que Guilherme sempre se esquecia de trazer algo doce para as vezes em que Larissa e ele treinavam juntos, então o lógico a se fazer, era a própria Larissa comprar um doce para os dois.

Embora tivesse pedido permissão ao Segundo Cavaleiro Alto, Larissa não gostava de deixar a fortaleza. Ela tinha a ciência de que não era essencial para a brigada, mas um cavaleiro a menos podia desfalcar o grupo.

De repente, a loira ouviu os miados agressivos de um gato. Ela parou em frente à um beco, onde avistou dois felinos brigando.

Um deles era grande e mordiscava, além de jogar de um lado para o outro, um menor.

A jovem suspirou baixo e caminhou em direção aos animais. Ao notar o humano, o maior se arrepiou, rosnando, mas Larissa apenas se abaixou, mantendo a embalagem perto de si.

— Vá embora — ela sussurrou, ríspida.

O gato, irritado, disparou para dentro do beco, por fim, pulando pelas paredes e sumindo se vista.

Larissa se virou para o pequeno e estendeu a mão para lhe fazer um carinho, o gato ronronou e se esfregou na mão da loira, que notou um laço amarrado ao pescoço do felino.

— Menos mal. Você tem uma casa — Larissa murmurou, antes de se levantar.— eu não poderia levar-te para a fortaleza.

Ao se virar para sair do beco, seus olhos se arregalaram, ela sabia o que o brilho intenso à frente significava.

Um ponto cintilante surgiu no céu azul, um meteorito. A moça deu alguns passos para a frente, encarando a ameaça.

Os meteorologistas haviam descoberto o meteorito? Haviam avisado os cavaleiros? Não, teria sido cedo, enquanto ela própria estava na fortaleza, então os cavaleiros estariam ali agora mesmo.

Larissa entregou a embalagem para a primeira pessoa que avistou.— Por favor, guarde isto para mim e passe um telégrafo para os Cavaleiros Estelares — ela estava desesperada, mas manteve a sua serenidade.

O desconhecido segurou o objeto e piscou algumas vezes, antes de concordar com a cabeça e correr para outro lugar.

A loira atravessou a multidão, apressado, enquanto as pessoas admiravam o fenômeno. Talvez pensassem que os Cavaleiros logo chegariam.

Larissa não podia se dar ao luxo de esperar os colegas, pois devido a distância, quando alcançassem a cidade, seria tarde.

Ela disse firmemente a palavra "mágica" e o som metálico do bracelete assustou algumas pessoas ao redor, que, ao perceberem o uniforme, se viraram para ver o espetáculo.

Larissa conseguia ouvir os murmúrios animados sobre ela ser uma cavaleira, enquanto a energia alva saltava do adorno de pulso para sua mão, entretanto, dois anéis que ela geralmente usava, e havia encontrado anteriormente, emitiram sons parecidos aos do bracelete, para a surpresa dela.

A luz branca e levemente viscosa iluminava o rosto e o uniforme de Larissa, faiscando em sua mão, porém, após os anéis manifestarem o sonido, o feixe se tornou ainda mais radiante.

A multidão reagiu com um arfar surpreso, mas claramente não tinham entendido o que havia causado o fenômeno.

Sem tempo para tentar decifrar o que havia acontecido, a loira se preparou para atirar, mas antes que se abaixasse para lançar, como uma flecha, ela sentiu algo em seus pés.

Descendo o olhar para baixo, ela percebeu duas argolas nas bordas de suas botas e atrás dos objetos, possuíam adornos que lembravam motores.

Larissa piscou. Não importava, ela podia se preocupar com aquilo depois! Agora ela precisava salvar a cidade.

Então, para o seu espanto, a jovem escutou mais um ruído e em poucos segundos, sentiu seu corpo flutuar, o vento batia em seu rosto de uma forma que ela nunca havia sentido antes.

Confusa, Larissa virou seus olhos para baixo, mas apenas viu as pessoas ficando pequenas. Sem saber o que estava acontecendo, mas não querendo alarmar a população, a loira apenas respirou fundo e encarou o meteorito, que se aproximava.

A moça ergueu a mão, levantando o feixe de energia. Faltando poucos metros para alcançar o meteorito, ela desferiu um golpe, cortando o ar na horizontal. A luz branca se expandiu, lançando os feixes radiantes contra a rocha.

A estrela cadente se despedaçou em milhares de pedaços que se desfizeram pouco depois.

A donzela espadachim sorriu, porém voltou sua atenção para o seu corpo. Como ela desceria?

Larissa fechou os olhos e pensou que a melhor maneira de lidar com um problema, era apenas optar pela solução mais simples.

— Desvencilhar... — a loira sussurrou e desejou descer.

Quando abriu os olhos novamente, Larissa percebeu estar realmente perdendo altitude, flutuando para baixo.

A multidão nas ruas torcia fervorosamente, alegre.

Assim que tocou os pés no chão, tratou de se esconder atrás de uma casa. Ela precisava descobrir porque aquilo havia acontecido e voltar imediatamente à fortaleza.

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