Capítulo 1
Arsenio Torres estava furioso. Ele tinha planejado um dia produtivo, mas esse objetivo foi por água abaixo no momento em que Dae Jung Park sofreu um acidente. Ele esperava fechar um negócio lucrativo: uma ilha particular muito rentável por um preço baixo. A maioria das pessoas compreendia contratempos assim e remarcava a reunião com educação, mas Arsenio não era esse tipo de homem. Ele brincava com o peso de papel em sua mão e soltou um suspiro pesado. Ele teve vontade de jogar a pedra através da mesa, contra a parede, mas se conteve.
Uma batida na porta o trouxe de volta de seu pensamento frustrante e ele se virou. Controlando a expressão em seu rosto, ele murmurou um "entre", baixo, porém claro. Seu secretário, Sawyer, entrou na sala. Ele era um homem franzino de rosto contraído, mas, sem dúvida, uma de suas melhores contratações: um homem extremamente inteligente, com um físico discreto e olhos de águia.
“Fiquei sabendo do que aconteceu com o Sr. Park”, disse Sawyer. Sua voz soou contida e clara, como de costume.
“Se não fossem as etiquetas de civilidade, eu teria feito ele assinar a transferência da ilha para mim ali mesmo, na mesa de cirurgia. É difícil ser educado. Imagino que você tenha enviado um buquê de flores em meu nome”, disse Arsenio, arrastado, enquanto ainda brincava com o peso de papel.
“Acho que o senhor deveria definitivamente visitá-lo”, sugeriu Sawyer.
“É mesmo?”
“Absolutamente, senhor. Seu concorrente, o Sr. Roman Black, já está usando essas mesmas etiquetas de civilidade que o senhor tanto despreza para comprar a ilha do Sr. Park. E, se devo acreditar nos boatos que andam circulando, Roman está disposto a pagar trinta por cento a mais do que o senhor está oferecendo”, disse Sawyer.
Arsenio cerrou os dentes e assentiu. Sawyer fechou a porta ao sair. Brincando com o peso de papel, Arsenio começou a cantarolar uma melodia. O objeto era um cristal extremamente bonito, rosa e áspero ao mesmo tempo, mas ele não se importou. No instante seguinte, jogou a pedra inútil contra a parede cinza-escura à sua frente. Furioso, ele encarou a parede. Nem uma marca, nem uma rachadura sequer marcou a parede impecável, cuja cor combinava perfeitamente com seu humor sombrio.
Ele pegou seu paletó e saiu da sala.
“Prepare o carro, vamos fazer uma visita a Dae Jung.”
Ele caminhou a passos largos pelos corredores do hospital, seguindo uma enfermeira que o levou até o quarto de Dae Jung. A viagem de carro foi tensa; ele não gostaria que a ilha escapasse de suas mãos. Havia tanta esperança depositada nesta visita; ele já podia imaginar seus resorts de luxo na paradisíaca ilha tropical.
Ele entrou no quarto e viu Dae Jung folheando uma revista de moda. Arsenio quase explodiu diante da cena. Ele estava envelhecendo só de pensar em sua preciosa ilha, mas o dono parecia tão calmo e controlado.
Claro que ele estaria calmo; o otário estava recebendo ofertas de outras pessoas agora. Arsenio tinha certeza de que Dae Jung jogaria aquilo na sua cara como se fosse manteiga no pão. Ele forçou sua raiva para dentro e manteve um semblante impassível.
“Como você está, Dae Jung?”, perguntou Arsenio.
Dae Jung, o magnata do setor imobiliário coreano, olhou para cima e deu um sorriso gentil e caloroso. No entanto, Arsenio pôde ver a malícia escondida em seus olhos; ele queria mais, o idiota queria mais do que o que estava sendo oferecido a ele.
“Obrigado pela visita, Sr. Torres. Eu não estava esperando por você”, disse Dae Jung, fingindo surpresa.
“Bem, isso não é apenas negócios, certo? Nós também somos amigos, Dae Jung. E, por favor, me chame de Arsenio”, disse Arsenio, com fluidez. É melhor que essa ilha seja minha; ele não era do tipo que oferecia sorrisos e conversas polidas. Mas sabia que Dae Jung Park valorizava essas coisas, então teve que deixar a raiva de lado e ser um político esperto por uma vez.
“Eu não faço amizades, Sr. Torres. Na verdade, só chamo os membros da minha família pelo primeiro nome. Sabe, laços familiares são difíceis de romper; você pode ter uma conversa informal com eles”, disse Dae Jung, com um sorriso afetado.
O que ele queria dizer com aquilo?
“Tenho certeza, Dae Jung, mas considere-me da família, afinal…”
“Tenho uma condição, Sr. Torres. Eu esperava te informar sobre isso no momento em que você demonstrou interesse pela ilha. Sinto muito, mas não tive a oportunidade de mencionar antes”, disse Dae Jung. Arsenio examinou o rosto dele e imediatamente percebeu que aquilo era uma armadilha; ele tinha decidido, intencionalmente, esconder essa informação dele.
“Não me olhe assim, Sr. Torres. Tenho certeza de que você vai querer ouvir isso. Veja, se você concordar com essa condição, levará a ilha de graça.”
Agora ele estava ainda mais cauteloso. O que aquele homem estava tramando?
“O que você quer dizer, Dae Jung?”
“Bem, esta é uma oportunidade que vai me fazer te chamar pelo primeiro nome”, disse Dae Jung.
“Não estou aqui para perder meu tempo, Dae Jung. Vá direto ao ponto”, disparou Arsenio. Ele não estava com disposição para ser um homem pretensioso agora.
“Tenho uma sobrinha, Sr. Torres. A mãe dela morreu há oito anos e, em seu testamento, deixou uma cláusula dizendo que todos os seus bens, incluindo a ilha, se tornarão propriedade do marido dela. O noivo, é claro, deveria ser escolhido pelo tio, que sou eu.”
Arsenio processou as palavras. Ele estava vendendo a sobrinha?
“E você está com pressa de se livrar dela, suponho”, disse Arsenio, arrastado.
“Claro. Sou um homem velho e preciso decidir o futuro dela, e rápido. O nome dela é Plum. Ela é uma garota doce, muito dócil e inocente. Você pode se casar com ela e ficar com a ilha. Também tenho certeza de que você pode continuar muito bem com suas amantes; minha sobrinha não vai dizer uma palavra. Posso garantir isso, Sr. Torres”, disse Dae Jung. Agora, seu motivo sórdido podia ser visto claramente em seu rosto. Ele estava se livrando da sobrinha, empurrando a garota tola para Arsenio.
Ele queria sentir nojo, mas o sentimento não veio. Em vez disso, viu-se considerando a oferta; a oferta que, se aceita, poderia terminar em casamento. Ele queria uma esposa? Ele poderia facilmente conseguir um apartamento para ela, ela viveria a vida dela e ele, a dele.
Talvez fosse isso que ele pretendia fazer.
“Sugiro que tome a decisão um pouco mais rápido, Sr. Torres. Há outros pretendentes adequados também.”
“Por que você está oferecendo sua sobrinha para mim?”
“Posso ser cruel por casá-la assim, mas até eu sei que ela é uma joia preciosa. Uma que eu ofereceria àquele que tem poder e comando no mundo dos negócios. Você é o par perfeito, mas não deixe que isso suba à sua cabeça. O Sr. Roman Black não está muito longe e até prometeu que ela seria mantida feliz”, disse Dae Jung, dando de ombros.
Arsenio Torres quase rosnou, mas apenas assentiu.
“Eu gostaria de conhecê-la”, disse ele. “Sawyer entrará em contato com você com todos os detalhes.”
Tudo o que Dae Jung pôde fazer foi sorrir e acenar.
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“Senhor, o que o senhor acha?”, perguntou Sawyer.
“É uma oferta tentadora. Quero uma cópia daquele testamento primeiro. Quero ver todas as cláusulas eu mesmo.”
Sawyer simplesmente entregou o arquivo a ele. Era por isso que ele gostava de Sawyer: sempre dois passos à frente.
“Senhor, se me permite sugerir, o senhor deveria definitivamente seguir em frente com esse casamento.”
Arsenio sinalizou para que ele continuasse.
“Li todas as cláusulas e até pedi que nosso advogado verificasse. A propriedade dela ficará em seu nome assim que vocês dois se casarem. No entanto, se decidirem se separar, a propriedade ainda será sua”, disse Sawyer. Havia um brilho de ganância nos olhos de Sawyer que combinava com o de Arsenio. Era um negócio tentador demais para deixar passar. A mãe de Plum Park era, de fato, uma mulher tola.
“Bem, acho que devo ter um anel para esta ocasião, não devo?”, Arsenio sorriu de canto e Sawyer assentiu.
Uma hora depois, ele encarava todos os anéis exclusivos à sua frente. Se ia se casar, podia muito bem comprar um bom anel; ele não era pão-duro e não tinha medo de gastar. Um bom anel era o mínimo que ele poderia oferecer, afinal, ela estava trazendo aquela propriedade que ele tanto queria.
Ele se perguntou como ela seria; esperava que fosse tão dócil quanto seu tio a descrevera. Ele não queria uma mulher que ficasse pegando no seu pé.
Ele pegou um anel, uma safira em um aro de platina. Franzindo a testa, ele o colocou de volta.
Ele percorreu com os olhos todos os anéis à sua frente até que um chamou sua atenção. Era um diamante rosa em formato marquise montado em um anel de ouro. O diamante era grande e lindo. Por alguma razão, ele sentiu que combinaria com Plum, com base no que Dae Jung dissera sobre ela.
“Conte-me sobre este”, disse ele ao joalheiro.
“Senhor, este é um diamante rosa de 12,03 quilates, muito raro e também um excelente investimento. O corte marquise é raro e é internamente impecável. É uma ótima escolha, senhor”, explicou o joalheiro.
“Eu vou levar.”
Agora, a única ocasião pela qual ele esperava era para deslizar este anel no dedo de Plum.
O joalheiro assentiu exatamente quando Sawyer entrou.
“Já providenciei o iate para o jantar de hoje, senhor”, disse Sawyer.
Um sorriso surgiu nos lábios de Arsenio, que se viu ansioso pelo encontro.