EXCERPT
EXCERPT
Deepak estava sentado no sofá com uma garota ao seu lado, e três de seus amigos estavam sentados no sofá oposto. Era uma sala luxuosa, com espaço de sobra para todos, mas aquela garota estava sentada perto demais de Deepak, de um jeito bem possessivo. Sargam ficou tão irritada ao vê-los juntos que nem prestou atenção na conversa que Deepak tinha com os amigos. Um deles chamava alguém de tola e ingênua.
“Fala sério, Deepak, você é um mágico. Você não só convenceu a garota a te mostrar a cidade, como fez ela te seguir por todo canto igual a um cachorrinho apaixonado”, disse um rapaz muito bonito, sentado exatamente à frente de Deepak.
Quando Sargam olhou com atenção, percebeu que o conhecia de algum lugar. Então, ela se lembrou. Era o mesmo rapaz metido que tentou forçá-la a tomar um café com ele no mercado, no mesmo dia em que conheceu Deepak. Ele era amigo de Deepak? Ela não conseguia acreditar. Ele era tão arrogante e mal-educado. Ela voltou a prestar atenção na conversa deles.
Ao comentário, o sorriso de Deepak desapareceu. “Ela nunca disse nada sobre amor, Atul. Nós somos apenas amigos.”
Então aquele garoto idiota tinha nome. Atul.
“Ah, qual é, Deepak! Não precisa agir como se não conhecesse o jogo. Você sabia desde o início que nenhuma garota resistiria ao seu charme. E uma garota como ela?” Aquele garoto estúpido falou com um tom divertido.
“O que você quer dizer com ‘uma garota como ela’?”, Deepak perguntou com um tom ameaçador. “Ela é uma garota muito legal. Só um pouco sonhadora e inocente.” Com essa afirmação, Deepak fechou os olhos e apoiou a cabeça no encosto do sofá. A voz de Deepak estava ríspida, e Atul percebeu. Certamente não era um bom assunto para discutir naquele momento, ou talvez nunca.
Atul e Deepak eram amigos de infância, e Atul sabia mais sobre ele do que Deepak pretendia compartilhar. Atul podia ver claramente que ele estava se arrependendo da aposta que tinha acabado de ganhar. Talvez ele estivesse até se arrependendo da decisão de vir para Darjeeling em primeiro lugar. A questão era: por quê?
“Ok, ok, não quero te irritar. Não precisamos mais falar sobre isso; você ganhou o carro e agora é seu. Admito que você é invencível quando se trata de garotas. Você é o rei.”
“Você já terminou com isso? Eu disse que não quero falar sobre o assunto. Chega disso. Amanhã partiremos para Delhi, e esse é o fim da história. Sobre o seu carro, eu não o quero mais. Nunca mais falaremos sobre essa aposta estúpida”, Deepak rugiu, e todos ao seu redor estremeceram com a explosão repentina. Atul abriu a boca para protestar, mas Deepak o silenciou erguendo a mão e continuou: “Vou fazer as malas e depois vou para a cama.”
Deepak se levantou, e tudo começou a girar ao seu redor. Sargam estava encarando-o com um olhar vazio. Ela estava branca como um fantasma e cinzenta como cinzas. Seu rosto estava parcialmente visível devido à luz da sala, mas tudo nela parecia sombrio.
Deepak sabia que a escuridão que viu ao redor dela naquele momento havia se instalado em seus corações, e isso os assombraria pelo resto de suas vidas. Ele caminhou em sua direção, e todos notaram pela primeira vez que a expressão de Deepak havia mudado de raiva para alarme. Todos olharam pela janela e viram Sargam.
Deepak aproximou-se dela lentamente, com cautela. Ele ainda estava decidindo como começar e o que dizer quando Sargam se virou totalmente para ele. Deepak olhou para ela e soube que nunca esqueceria aquele rosto. Seus lábios estavam cerrados em uma linha fina, e seu rosto estava frio como gelo. Seus olhos não estavam mais vazios, mas faiscavam de ódio e fúria. Não havia lágrimas, e ela respirava com dificuldade. Qualquer coisa que ele dissesse agora não faria diferença. Um coração partido, sonhos destruídos e confiança despedaçada. Ele deu a ela tudo isso. Sua mão estendida ainda estava no ar, e o pior estava apenas começando.
“O que você está fazendo aqui, Deepak?”, Chitra apareceu de um jeito bem casual. “Ah! Não percebi que tínhamos um convidado.” Chitra soou simpática demais, o que não era do seu feitio.
“Oi, eu sou a Chitra e você...?” Quando Sargam olhou para os dois com desprezo e não disse nada, Chitra falou novamente: “Eu sou a noiva do Deepak, mas tenho certeza de que ele nunca mencionou isso para você.” Chitra esperou com um sorriso vitorioso no rosto, enquanto Sargam sentiu um aperto no estômago e tentou não vomitar.
“Deepak nos contou como vocês se tornaram bons amigos nos últimos dias. Você deveria vir ao nosso casamento. É em...”
“Chitra.” O comando perigosamente frio de Deepak interrompeu Chitra no meio da frase, mas, quando ele viu o rosto de Sargam, soube que já era tarde demais. Ela parecia doente, e não conseguia abrir mais os olhos mesmo que tentasse. Seus olhos pareciam que iam saltar do rosto a qualquer segundo.
Apesar da situação em que estavam, ele sentiu um divertimento, e infelizmente isso transpareceu em seus olhos. Os lábios trêmulos dela o fizeram perceber como tudo aquilo devia ter parecido para ela. Ela achou que ele estava rindo dela. Havia ainda mais ódio em seus olhos, se é que isso era possível. Ela começou a andar.
Deepak a chamou várias vezes e correu atrás dela, deixando Chitra para trás. Quando Sargam não parou, ele agarrou seu braço e a forçou a parar. Ela se soltou com uma força tamanha que quase o fez perder o equilíbrio. Sargam esfregou o braço onde Deepak a tocou, como se nada no mundo fosse mais imundo do que o toque dele, e ela preferiria cortar o próprio braço a suportá-lo. Desta vez, quando ela voltou a andar, ele não encontrou coragem para detê-la.