Capítulo 1
POV DE EMMA
"Como eu disse, Emma, é crucial que você encontre uma maneira de fazer esses pagamentos. Caso contrário, não poderemos manter seu pai no hospital."
A voz do Dr. Collins parecia distante, abafada, como se eu estivesse ouvindo debaixo d'água. Meus dedos apertaram a cadeira abaixo de mim enquanto eu lutava para conter as lágrimas que ardiam em meus olhos.
"Eu falei com a diretoria novamente", ele continuou, "mas eles se recusaram a continuar financiando o tratamento dele — especialmente no estado em que ele está. Você sabe que não há muita esperança, e eles preferem alocar recursos para casos com maior chance de recuperação."
As palavras dele me atingiram como uma lâmina.
"Como eles podem simplesmente desistir dele?" Minha voz vacilou, minha respiração estava instável. "Eu sei que ele vai se recuperar. Eu sei que um dia ele abrirá os olhos. Dr. Collins, eu não posso desistir dele — ele é tudo o que me resta. Por favor."
O médico suspirou, seu olhar suave com um toque de pena. "Emma, eu prometo que fiz tudo o que pude. Eu até abri mão dos meus honorários para reduzir os custos, mas o hospital não cede. O equipamento e a medicação de que ele precisa são caros — é um fardo enorme para a instituição. Por favor, tente entender..."
A mão dele pousou no meu ombro na tentativa de me confortar, mas não adiantou nada. Eu me senti fria. Vazia.
Saí do hospital atordoada, sentindo como se o mundo estivesse desabando ao meu redor. Deixar meu pai em um lugar onde a recuperação dele não era uma prioridade era insuportável. Eu precisava fazer algo. Eu tinha que encontrar um jeito de conseguir o dinheiro.
Na manhã seguinte
No momento em que saí do meu apartamento, algo me chamou a atenção: um pedaço de papel colado na minha porta.
Voltei, arranquei-o da madeira e congelei.
NOTIFICAÇÃO DE DESPEJO.
As palavras gritavam comigo em letras pretas em negrito, e meu coração despencou. Não me dei ao trabalho de ler o resto. Eu sabia o que aquilo significava. Dois meses de aluguel atrasados. Sem dinheiro. Sem opções.
Lágrimas arderam em meus olhos enquanto eu ia para o trabalho, as ruas da cidade embaçando ao meu redor. Eu tinha falhado. Em breve, estaria sem teto.
Quando cheguei ao restaurante, meus olhos estavam vermelhos e inchados. Fui direto ao banheiro jogar água fria no rosto, respirando fundo para me acalmar.
Eu só preciso superar o dia de hoje.
Mais tarde naquela noite
O movimento do jantar me manteve ocupada o suficiente para deixar minha miséria de lado — pelo menos por um tempo. Mas, por volta das 19h, uma sensação estranha formigou na nuca.
Olhei para cima.
Do outro lado do salão, em uma mesa mal iluminada no canto, um homem me observava pela borda de seu copo.
Seus olhos eram afiados, calculistas. Um copo de uísque descansava entre seus dedos. Ele não estava em nenhuma das minhas mesas, então o ignorei e voltei ao trabalho. Não era incomum lidar com algum babaca de vez em quando nesse emprego.
Quando meu turno terminou, a exaustão pesava sobre mim como tijolos. Meus pés doíam, e tudo o que eu queria era um banho quente e dormir. Peguei minha bolsa e meu casaco, esperando pegar o último ônibus para casa. Se eu perdesse, teria que caminhar quarenta e cinco minutos com as pernas cansadas.
Eu mal tinha caminhado cinco minutos quando senti — uma presença atrás de mim.
Um arrepio percorreu minha espinha. A rua estava escura. Vazia. Um nó se formou na minha garganta.
Eu poderia ser morta aqui mesmo, e ninguém saberia.
Meu coração batia forte enquanto eu sussurrava uma oração desesperada em minha mente. Deus, por favor, envie um anjo para me salvar.
Assim que as palavras saíram da minha mente, uma mão agarrou meu braço, puxando-me para trás.
Eu colidi contra um peito rígido, uma força que me tirou o fôlego pressionando-me. O cheiro de perfume almiscarado preencheu meus sentidos — escuro, terroso, poderoso.
Olhei para cima.
E encontrei um par de olhos penetrantes.