Entre o Gelo e o Destino

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Resumo

O que você faria se seu avião caísse no meio da natureza selvagem do Alasca? Felizmente, Amelia tem sorte: Caleb, um montanhês recluso, a encontra antes que ela morra congelada. Agora, ele precisa decidir o que fazer com ela, já que o avião que traz seus suprimentos só voltará no verão.

Status
Completo
Capítulos
30
Classificação
4.7 140 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

Amelia segurou firme nos braços do assento enquanto o monomotor balançava e tremia, sacudindo para todos os lados.

"Como isso pôde estar acontecendo?", ela pensou, olhando para a paisagem que se aproximava rapidamente lá embaixo.

"Mayday! Mayday! Mayday", o piloto gritou pelo rádio enquanto o avião mergulhava novamente, fazendo o estômago de Amelia revirar.

"Billy", ela gritou acima do barulho e do zumbido dos motores. "Billy, o que está acontecendo?"

"Sinto muito, senhora", ele respondeu, olhando para ela. Seus olhos estavam tão dilatados que pareciam completamente negros. "Parece que vamos cair."

A expressão no rosto dele disse a Amelia tudo o que ela precisava saber. Ele estava apavorado, sem nenhuma esperança de sobrevivência. Se um piloto do Alasca estava com tanto medo, ela sabia que a situação era grave.

"O que nós fazemos?", ela perguntou, desejando que houvesse algo, qualquer coisa, que ela pudesse fazer para ganhar mais alguns minutos no ar.

"Prepare-se!", ele gritou, com os músculos dos braços tensos pelo esforço de tentar manter o avião voando.

"E se você acredita em Deus", ele acrescentou, "reze por nós!"

Amelia fechou os olhos, desejando ter uma última chance de conversar com Dale. De dizer a ele tudo o que estava em seu coração, todas as verdades que ela guardava para si mesma há muito tempo.

Billy soltou um rugido aterrorizante quando o avião bateu na primeira árvore. O impacto arrancou a asa esquerda, fazendo a aeronave girar descontroladamente pela encosta da montanha. Amelia sentiu cada solavanco, seu corpo sacudindo como uma boneca de pano. A cada batida, ela rezava para que o fim chegasse logo. Morrer lentamente no meio do nada, no Alasca, não era algo que ela queria enfrentar. Se tinha que morrer, que fosse rápido.

Felizmente, no impacto seguinte, ela desmaiou ao bater a cabeça na estrutura interna do avião. Ela nem sentiu quando seu assento se soltou da fuselagem, arremessando-a para fora dos destroços em chamas. Ela atravessou árvores e rochas antes de parar na base da montanha.

Ao acordar, Amelia percebeu que tudo estava de cabeça para baixo. Sua cabeça latejava e seu corpo doía. Ela estava em um mundo branco, ainda presa ao que restava do seu assento. Com os dedos frios e doloridos, ela tentou soltar o cinto, com lágrimas nos olhos enquanto lutava para se libertar.

Pareceu uma eternidade até que ela conseguiu destravar o mecanismo. Ela escorregou pela encosta íngreme, batendo a cabeça em várias pedras escondidas no caminho.

Vendo estrelas, Amelia conseguiu se levantar. Uma onda de náusea a dominou e ela esticou o braço esquerdo para se apoiar em uma árvore próxima. Algo estava errado. Seu ombro irradiava dor sempre que tentava movê-lo. Protegendo o braço, ela piscou para afastar a escuridão que parecia querer tomar conta de sua visão.

Não vendo nada além de branco em todas as direções, ela decidiu continuar descendo a montanha, para longe dos destroços, na esperança de que fosse a coisa certa a fazer.

Depois de caminhar por horas, tentando afastar a exaustão e a náusea que a fizeram vomitar várias vezes, Amelia viu o que parecia ser uma pequena cabana no meio do nada. Cambaleando, com a garganta tão seca que não conseguia nem gritar, ela chegou à porta. Com o resto de suas forças, ela a empurrou, caindo no interior frio e escuro.

Atordoada, Amelia conseguiu entrar rastejando. Mal se lembrou de fechar a porta antes de se enterrar em uma pilha de tecidos sujos num dos cantos. Ela finalmente cedeu à escuridão que rondava sua visão, caindo em um sono sem sonhos.