Chapter 1
Ponto de vista de Gabriella
Era o fim da tarde quando fiz minha última prova do terceiro ano. Fiquei esperando lá fora pela minha amiga Chloe e pelo namorado dela, Alex, sentindo-me mais leve do que me sentia há meses.
O ano que vem seria o meu último.
Para alguém como eu, era preciso dar o meu melhor. Eu não tinha dinheiro para pagar meus estudos, então me certificava de manter minhas notas altas o suficiente para garantir uma bolsa de estudos.
Chloe estudava com bolsa desde que entrou na universidade, mas ela reprovou em várias matérias e a bolsa parou de fornecer assistência financeira. Alex pagava a mensalidade dela desde então.
Eu admirava o Alex. Ele tinha dinheiro e cuidava da Chloe. Eles estavam juntos desde o segundo ano e se adoravam. Os pais do Alex também adoravam a Chloe — honestamente, às vezes parecia que eles gostavam mais dela do que do próprio filho. Quando os dois discutiam, os pais dele sempre ficavam do lado da Chloe.
Eu esperava encontrar alguém como o Alex algum dia.
Ele era gentil. E, meu Deus, ele era sexy. Muito sexy!
Chloe e eu crescemos juntas no orfanato. Fomos expulsas quando fizemos dezoito anos. Ficamos juntas depois disso, mas quando Chloe fez dezenove, Alex foi morar com ela. Agora eu tinha o lugar só para mim enquanto estudava e trabalhava em meio período.
Chloe gritou: “Ei, Gaby!”. Ela se aproximou com Alex ao seu lado.
Antes que eu pudesse dizer oi direito, ela disparou: “Vamos sair hoje à noite para tomar uns drinques. Precisamos comemorar. O ano que vem é o nosso último, e não aceito um não como resposta. Vou te buscar às seis”.
Ela nem me deixou falar.
Peguei um táxi para a oficina, trabalhei por quatro horas e depois fui para casa. Tomei banho e fiz uma maquiagem simples. Eu sempre tentava parecer natural. Depois, vesti o vestido e o salto alto que a Chloe exigiu.
Às 17h45, ela me mandou uma mensagem.
Chloe: Pronta, vadia?
Eu: Desço em cinco minutos.
Quando caminhei em direção ao carro do Alex, tanto Chloe quanto Alex pareceram completamente surpresos.
As sobrancelhas do Alex se ergueram. “Pode me dizer onde você estava escondendo essa bunda?”
Alex era como um irmão mais velho para mim, e Chloe era como uma irmã. Ele era estudante de meio período e trabalhava na firma do pai. Ele era cinco anos mais velho que nós, mas de alguma forma acabávamos sempre nas mesmas turmas. Por mais protetores que fossem comigo, eles também me incentivavam a arranjar um namorado.
Chloe se inclinou para perto e deu um sorriso malicioso. “Acho que você vai transar hoje à noite.”
“Ah, cala a boca, por favor.”
Mesmo assim, eu sorri. Pobre e patética eu. Nunca tinha visto um homem nu. Nunca nem tinha beijado um. Sexo? Nem perto disso.
Alex nos levou a um clube enorme, cheio de luzes, barulho e corpos. Ele nos levou até a área VIP que havia reservado. Chloe pediu várias bebidas, e o que quer que ela tenha escolhido era doce e perigosamente delicioso. Eu mal conseguia sentir o gosto do álcool.
Ela agarrou minha mão. “Vamos, Gaby. Vamos começar a festa na pista de dança.”
Abrimos caminho no meio da multidão. O DJ estava tocando “Unstoppable”, da Sia. Eu conseguia sentir as pessoas olhando para mim, e isso me deixou arrepiada.
Olhei em volta e imediatamente fiquei irritada.
Chloe e Alex já estavam se beijando.
Recuei e fui em direção ao bar. Senti-me travada e fora de lugar. A pista de dança parecia reservada para casais, e eu não tinha um.
Bebi rapidamente, observando o barman enquanto a doçura atingia minha língua. Estava incrível, mas eu queria algo mais forte.
“Quero algo forte”, murmurei, colocando meu copo no balcão.
“Posso te dar uma dose de tequila”, ofereceu o barman.
“Claro. Manda ver.”
Inclinei-me para frente enquanto ele empurrava um limão na minha direção. “Como eu tomo isso?”, perguntei, rindo.
“Vira de uma vez.” Fiz isso, e a tequila queimou tudo enquanto descia.
“Mais uma.” Coloquei o copinho no balcão de novo, e ele serviu outra. Eu bebi aquela também, então examinei o lugar como se estivesse caçando algo.
Eu queria fazer twerk. Eu sempre fui uma fera no twerk, e a tequila tinha acabado de desbloquear essa parte do meu cérebro como se fosse a dona do lugar.
Voltei para a pista de dança, sem me importar mais se era “para casais”. Comecei a me mexer, rebolando minha bunda no ritmo, e pude sentir os olhos em mim novamente.
Por algum motivo, ser observada só me fez dançar com mais vontade.
É isso que eles querem dizer com desejo sexual?
Eu ri alto.
Um corpo se pressionou contra o meu enquanto eu balançava. Quase me virei para mandar quem quer que fosse se foder, até que uma mão agarrou minha bunda.
E em vez de ficar com raiva… eu quis mais.
Eu queria que ele agarrasse a outra banda também.
Minha boceta latejou no gancho da minha tanga com aquele único toque. Congelei por meio segundo, chocada com minha própria reação. Ninguém nunca tinha agarrado minha bunda antes. Eu não sabia o que fazer com aquela sensação.
Nossos corpos se moviam juntos conforme a música. Segui o ritmo dele sem pensar. Ele segurou minha mão, e um arrepio subiu pela minha espinha.
Então ele me girou.
Minhas costas bateram no peito dele. Ele me puxou para perto e pressionou minha bunda contra o volume dele. Balancei meus quadris no ritmo, esfregando-me levemente contra ele.
O que estou fazendo?
Espantei o pensamento porque não queria parar.
Ele me girou de novo, ainda segurando minha mão, e desta vez fiquei de frente para ele.
Ele era alto, com cabelos loiro-escuros e olhos azul-oceano. O jeito como ele me olhava, como se pudesse ver através de mim, fez meu estômago revirar. Eu não conseguia desviar o olhar.
Ele era um homem impressionante.
Ombros largos. Músculos sólidos. Do tipo que não parecia exagerado, apenas poderoso, como se fosse natural. Uma tatuagem serpenteava pelo ombro dele, desaparecendo onde eu não conseguia ver. Eu nem conseguia dizer onde ela começava.
Ele parecia mais velho. Nove, dez… talvez até onze anos mais velho que eu.
Eu não me importava.
Ele disse algo, mas meu cérebro demorou a processar a voz dele.
“Quer pegar mais algumas bebidas, gata?”
Eu pisquei, ainda tentando processar a presença dele. Ele engoliu em seco e pigarreou, e percebi que estava encarando por tempo demais.
“Hã?”
Ele deu um sorriso malicioso. “Vamos. Vamos tomar umas bebidas.”
“Sim. Claro.”
Então a voz da Chloe cortou o momento.
“Você tem que transar hoje à noite e perder a virgindade!”
Ela parecia bêbada. O calor subiu ao meu rosto. Olhei para ele, mortificada. “Sinto muito pela minha amiga. Por favor, ignore ela.”
“Tudo bem.” Ele se inclinou para perto, ainda sorrindo. “Vamos pegar as bebidas… ou você quer sair daqui?”









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