O Segredo do Bilionário: O Filho do Sol

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Resumo

Após uma noite de paixão anos atrás, Daisy deu à luz Leo, o centro luminoso de sua vida. Agora, seu novo emprego a coloca como chef pessoal do bilionário pai de seu filho — que não faz ideia de que Leo existe. O que poderia dar errado?

Status
Completo
Capítulos
101
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4.6 24 avaliações
Classificação Etária
18+

Prólogo: Daisy

— Você está se saindo bem, Daisy. — Daisy deu a Trevor seu melhor sorriso em resposta, grata pelo emprego que ele havia lhe dado. Não era um estágio com o melhor chef da cidade, mas era um bom começo. Um bico como garçonete para a alta sociedade não era nada mal, certo?

Mesmo que isso significasse ficar de pé por horas e manter um sorriso no rosto a noite toda. Trevor tinha avisado que aquela noite seria agitada, mas o pagamento era decente, então ela não podia reclamar.

— Obrigada — respondeu, se perguntando quando seria um bom momento para pedir a ele que trocasse a calça preta e a camisa branca por um jaleco branco de botões duplos.

Estava se adiantando de novo, mas não conseguia evitar. Algumas paixões eram fortes demais para serem domadas. Daisy pegou uma bandeja cheia, dessa vez com vinho em vez dos aperitivos que vinha servindo antes. Da próxima vez, pensou, equilibrando a bandeja enquanto passava pelas portas vaivém. Da próxima vez, perguntaria a Trevor se havia uma vaga na equipe de buffet. Aquela festa não era hora de tratar de assuntos profissionais; precisava se concentrar nas tarefas do momento.

O salão ornamentado estava cheio de pessoas elegantemente vestidas, e Daisy sabia que alguns dos vestidos que tinha visto naquela noite valiam mais do que ela ganharia em toda a vida. Até mesmo olhando para os homens, que pareciam simples em seus smokings pretos sob medida, sabia que não havia nada de simples no preço daquelas roupas. Eram de grife, o que significava que provavelmente dariam para financiar um país pequeno se vendessem todos os ternos daquele lugar.

Os convidados pegavam as taças com naturalidade, sem prestar atenção em Daisy enquanto ela se movia pelo salão. Em poucos minutos, a bandeja estava vazia de novo, permitindo que Daisy baixasse o braço e o flexionasse levemente enquanto voltava para a cozinha. Rapidamente, encheu a bandeja de prata com mais uma dúzia de bebidas, ansiosa para que o jantar começasse e pudesse descansar os prometidos minutos entre servir a refeição e preparar a sobremesa.

As portas balançando atrás dela, Daisy voltou ao trabalho, notando com uma careta que todos ainda perambulavam pelo salão, conversando e fazendo networking com os outros convidados.

— Você parece uma estátua — uma das outras garçonetes, a Toni, sussurrou ao passar, rindo quando assustou Daisy.

Toni trabalhava para Trevor havia muito mais tempo que Daisy, e isso transparecia na confiança com que servia. Daisy sorriu para a colega animada, que pegou um aperitivo da bandeja que segurava e o enfiou na boca com uma piscadela.

— O que o Trevor disse sobre comer na frente dos convidados? — Daisy perguntou, balançando a cabeça enquanto segurava o riso que ameaçava escapar.

— Vou desmaiar se continuar correndo pelo salão. Uma mordidinha não vai matar ninguém. Na verdade, ainda sou a imagem da profissionalismo! — Embora fosse verdade que Toni ficava melhor no uniforme do que Daisy jamais ficaria, a aparência podia enganar, pois ambas sabiam o quanto Toni podia se meter em confusão nesses eventos.

— Você é séria demais — Toni provocou, revirando os olhos. — Não é à toa que o Trevor gosta de você. Agora vamos logo pegar mais bebidas.

Daisy olhou para os poucos tartarinhos de camarão na bandeja de Toni, mas eles desapareceram antes que pudesse dizer qualquer coisa. Riu das bochechas cheias da amiga, que a deixavam fofa, apesar da travessura.

Daisy rapidamente distribuiu as duas últimas taças, e alguns convidados colocaram as vazias na bandeja enquanto voltavam. As duas saíram da cozinha agitada em menos de um minuto, seguindo caminhos diferentes. Alguns convidados sorriram para ela ao passar, enquanto outros estavam absortos demais na conversa. Daisy caminhou até o fim do salão, franzindo a testa ao ver uma pulseira no chão.

Pegou-a com cuidado, admirando os diamantes brilhantes, que certamente eram verdadeiros. Só havia alguns homens mais velhos por perto, e nenhum parecia ter usado a pulseira na festa. Daisy guardou-a rapidamente no bolso para deixar no achados e perdidos no caminho de volta à cozinha.

Só restava uma bebida na bandeja, e ela estava prestes a voltar para reabastecer quando ouviu um barulho atrás de si, vindo da sala de jantar vazia. Esquivou-se pela esquina e parou de repente ao ver um homem e uma mulher enlaçados em um abraço apaixonado. Seus olhos se arregalaram ao reconhecer o casal à sua frente, perguntando-se se estava começando a alucinar de cansaço. Talvez precisasse mesmo de uma pausa antes do jantar. E provavelmente comer alguma coisa; quando foi a última vez que tinha comido? Não conseguia se lembrar. Mas isso provavelmente explicava a visão horrível à sua frente. Sentiu os joelhos tremerem enquanto dava um passo à frente.

Se fosse qualquer outro convidado naquele beijo, Daisy teria se virado rapidamente e seguido com sua vida, mas não quando a silhueta alta e definida exigia sua atenção.

— James? — Daisy perguntou, chocada.

A luz fraca que vinha do salão dificultava ver os detalhes, mas ela reconheceria aquele cabelo em qualquer lugar. O homem se endireitou, culpado, confirmando o que ela já sabia ser verdade: era mesmo seu namorado. Seu namorado, que parecia muito ocupado com outra pessoa naquele momento. Naquela manhã mesmo, James tinha dito que estaria em um evento de trabalho a noite toda, mas fora vago nos detalhes, e Daisy não insistira. De todas as festas da alta sociedade de Nova York, ele tinha que estar justamente nessa.

— Daisy? — James perguntou, parecendo tão confuso quanto ela. — O que você está fazendo aqui?

Essa era a maior preocupação dele agora? O uniforme preto e branco de garçonete e a bandeja que ela segurava deveriam ser pistas óbvias, mas não importava. O que importava, porém, era a loira que ele ainda mantinha abraçada, e a mancha de batom levemente impressa em sua boca. Ela estava deslumbrante em seu vestido vermelho longo, que combinava com o batom fosco e vibrante que ambos agora usavam. Seu cabelo ondulado caía perfeitamente sobre os ombros, cada fio no lugar. O uniforme de Daisy e suas pontas duplas não tinham a menor chance contra aquela mulher, e James claramente havia percebido isso também. Ele continuava ao lado da loira enquanto o mundo de Daisy desabava.

— Não é o que você está pensando — ele disse, finalmente dando um passo em sua direção.

Como se traí-la não bastasse, ele ainda tinha que enfiar a faca mais fundo. Não havia o que pensar ali, tudo estava claro como água. Havia dois fatos nessa situação que eram cristalinos. Primeiro, James era seu namorado. E segundo, o dito namorado estava explorando os mistérios do universo na garganta da loira. Até que ponto James achava que ela era idiota?

Daisy abriu a boca para dizer a James exatamente o que pensava dele, mas as palavras não saíram. Sentiu as lágrimas arderem nos olhos e fez de tudo para contê-las. De jeito nenhum ia chorar na frente de James e de sua… acompanhante. O peito doía de humilhação, e tinha certeza de que desabaria em lágrimas se tivesse que ficar ali. Então, fez a única coisa que podia: virou-se e correu.

O salão principal era um borrão, mas Daisy conhecia o caminho para a cozinha como a palma da mão, depois de tantas idas e vindas. Pena que seu senso de direção não levava em conta obstáculos, nem a bebida que ainda restava na bandeja.

Seus olhos se encheram de lágrimas, e Daisy nem percebeu o desastre até que aconteceu. Num segundo, estava atravessando o piso de mármore apressada, e no seguinte, tropeçava. Mãos fortes a seguraram antes que caísse, mas antes que o alívio tomasse conta, ouviu o tilintar suave de vidro se quebrando. O copo caro de Trevor, Daisy percebeu com um aperto no peito. Ergueu o olhar devagar, focando na mancha úmida que encharcava o tecido de uma camisa social cara.

— Me desculpe — disse, se preparando para a inevitável fúria do convidado.

Quando finalmente olhou nos olhos dele, não conseguiu evitar o espanto. O homem era lindo. Tinha um ar sério, mas seus olhos eram gentis, percorrendo rapidamente seu rosto como se a examinasse em busca de ferimentos.

— Você está bem? — perguntou, a voz profunda e suave, algo que ela não esperava.

Daisy não entendia por que ele estava preocupado com ela, já que fora ela quem tinha estragado sua camisa e seu paletó. Ainda assim, havia algo nele que a atraía. Já tinha visto muitos homens bonitos antes e nunca lhes dera a menor atenção. Mas esse homem era diferente, e Daisy não conseguia desviar os olhos dele. Nunca tinha sentido uma atração tão instantânea por alguém.

Daisy se perguntou se era legal uma pessoa ser tão bonita e, pelo visto, rica, a julgar pelo terno. O mesmo terno que ela acabara de encharcar com uma bebida. O pânico cresceu ao voltar à realidade, mas nem conseguiu formar as desculpas apressadas que estavam presas na garganta.

— Venha comigo — ele disse, colocando a mão suavemente em seu cotovelo e a guiando para longe da multidão.

Daisy olhou rapidamente para o copo quebrado e a bandeja no meio do salão, mas o homem disse para deixar ali. Ele tinha um tom de comando, mas não autoritário. O tipo de voz que vinha com anos de liderança e experiência. O tipo sem a arrogância que tantos homens ricos e poderosos ostentavam. Ela o seguiu até os elevadores, e isso lhe deu a chance de observá-lo mais de perto. Era alto, com ombros largos que preenchiam o terno, e, por sorte, o terno era sob medida para destacar seu corpo em forma.

— Você está bem? — ele perguntou de novo, tirando-a do transe. — Parece que precisa de uma pausa.

— O que me entregou? — Daisy perguntou com um suspiro. — A mancha na sua camisa?

O homem riu. — Isso, e o fato de que você estava à beira das lágrimas.

A lembrança de ter flagrado James a traindo fez as lágrimas voltarem a brotar. James estava a traindo esse tempo todo, ou tinha sido só uma vez? Seu instinto dizia que era a primeira opção, mas ele nunca tinha dado motivos para desconfiar durante o relacionamento. Seria algo que ela tinha feito? Trabalhava demais à noite ou não se arrumava mais? Uma voz no fundo da mente dizia que ela não era responsável pelas ações de James, mas era difícil ser racional quando algo assim acontecia.

O elevador a salvou de ter que responder, e ela seguiu o desconhecido lindo pelo corredor até uma suíte encantadora. Tudo era elegante e organizado, com a única exceção sendo uma pequena mala preta aberta no suporte de bagagem. O quarto parecia custar uma fortuna por uma noite ali.

Quando Daisy finalmente olhou de volta para o homem, ele a encarava com um olhar peculiar, e ela sentiu as orelhas esquentarem.

— Por favor, deixe-me limpar isso — disse, apontando para a camisa e o paletó ainda úmidos da bebida.

— O banheiro é por aqui — ele indicou, levando-a até o enorme banheiro privativo antes de sair e voltar momentos depois usando apenas uma regata branca, com a camisa e o paletó nas mãos.

Daisy ficou grata por ter algo para fazer com as mãos, enquanto cem pensamentos passavam por sua cabeça. Acabara de ver seu namorado traindo, e agora tinha seguido esse desconhecido até o quarto de hotel dele sem hesitar. Não era algo que faria se estivesse em seu juízo perfeito, mas não achava que o homem bonito fosse uma ameaça. Ou será que era? Afinal, o que sabia sobre homens? Seu namorado acabara de provar que sabia muito pouco.

— A propósito, sou o Conrad — o homem disse, quebrando o silêncio enquanto Daisy continuava a esfregar a camisa.

— Combina com você — respondeu, erguendo os olhos ao falar.

— Nomes combinam com as pessoas? — ele perguntou, erguendo uma sobrancelha, o humor claro em seus olhos.

Daisy riu. — Claro. Meu caso, por exemplo. Meus pais me chamaram de Stanley.

Conrad caiu na gargalhada, e Daisy decidiu que era o som mais lindo que já tinha ouvido. Seu rosto inteiro se iluminou, e, em segredo, achou que isso o deixava ainda mais atraente — se é que isso era possível.

— Isso é trágico. Não combina nada com você, sem ofensas a todos os Stanleys por aí — Conrad disse, rindo de novo. — Então, devo chamar você de Stanley, ou só Stan? Prefiro chamar você de linda, isso com certeza combina mais com você.

— Depende — Daisy respondeu, o clima de flerte azedando na hora. — Você está sendo um babaca traindo sua namorada, que não faz nada além de ser leal a você?

Isso pareceu surpreendê-lo, mas ele apenas sorriu. — Eu diria que não. Estou ocupado demais para qualquer tipo de relacionamento agora. Mas parece que tem uma história aí. Foi por isso que você estava tão chateada antes de estragar minha camisa?

O sorrisinho no rosto dele dizia que estava só provocando, e ela balançou a cabeça com um sorriso.

— Não estou brava. Isso te trouxe até aqui, não foi? Embora eu deva admitir que só queria que você tivesse alguns minutos para se acalmar, mas agora meus pensamentos não são tão inocentes assim.

Daisy lambeu o lábio inferior enquanto imaginava que tipo de pensamentos ele estava tendo. Se fossem como os dela, as coisas estavam prestes a ficar bem mais interessantes. Colocou as roupas úmidas de Conrad na pia e deu um passo em sua direção, sorrindo quando ele espelhou seu gesto.

Conrad a observava como se esperasse um sinal de hesitação, mas não encontraria nenhum. Não naquela noite. Isso era tão diferente de Daisy, ficar com alguém que não conhecia. Mas tudo em que conseguia pensar era no quanto queria aquilo. Então, fechou os olhos e esperou que ele fechasse o espaço entre eles.

O primeiro toque de seus lábios foi como um choque elétrico em seu corpo, trazendo-a à vida. Seus lábios eram macios, e ele tinha gosto de vinho doce. Daisy derreteu-se contra ele, todos os seus sentidos preenchidos por sua presença. O peito dele era firme sob sua palma, e seu perfume era delicioso. Tudo nele e no beijo que compartilhavam era perfeito, e não conseguiu evitar abrir a boca para um gosto mais profundo.

Conrad gemeu contra seus lábios e mergulhou fundo, tomando controle da sua boca. Beijava como um homem com um propósito, e se esse propósito era deixá-la pronta para ele, estava conseguindo. Daisy sentiu calor por todo o corpo e não queria nada além de remover as barreiras entre eles e finalmente sentir sua pele contra a dela. Nunca tinha se sentido tão excitada na vida, e tudo o que tinham feito até então era se beijar. E quando sua mão finalmente subiu entre eles para apertar seu seio, ela estava perdida.

— Conrad! — ela gemeu contra sua boca, soltando um suspiro quando ele mordeu seu lábio inferior de leve antes de soltá-lo.

Seus olhos estavam escuros de desejo, combinando com a própria necessidade que sentia por ele. Ele traçou seus lábios com o polegar, alimentando seu desejo.

— Não quero parar — sussurrou.

— Quem disse que precisa? — ela perguntou, ganhando um sorriso sexy antes que Conrad a beijasse de novo.

Ele começou a desabotoar sua blusa branca, jogando-a rapidamente no chão. O sutiã logo seguiu o mesmo caminho, e em segundos ela estava ali, seminua.

— Linda — Conrad disse enquanto se inclinava para beijar cada um de seus mamilos.

Daisy não fazia ideia de que era tão sensível até aquele momento, e seu corpo inteiro estremeceu em resposta aos toques de Conrad.

“Quero ver você inteira, mas não aqui.” Ele continuou, pegando a mão dela e levando-a até um quarto com uma cama enorme.

“Nossa, acha que a gente cabe aí?”, ela brincou, apontando para a cama.

Conrad riu e balançou a cabeça. “Vai ser apertado, mas acho que a gente dá um jeito.”

Ele a puxou para outro beijo rápido antes de cada um tirar o que ainda restava de roupa no outro. Que pena ele ter que usar camisa, Daisy pensou, porque o peito de Conrad merecia estar à mostra. Seus olhos desceram até as coxas fortes e a prova ainda mais evidente do desejo entre eles. Ia ser apertado mesmo, mas, como ele tinha dito, dariam um jeito. E ainda iam gostar.

“Você está corando”, ele disse, tocando o rosto dela.

Ela olhou para ele e sorriu. “Só estou admirando a vista.”

“E o que exatamente na vista fez você corar?”

Daisy riu e colocou a mão no peito dele, sentindo o coração bater firme por baixo. “Agora você está pescando elogios.”

“Ah, não, você vai me elogiar sozinha depois que eu fizer o que quero com você.”

Mas não havia nada de maldoso na forma como ele beijou cada centímetro da pele dela e a venerou com a boca até ela gritar de prazer. Nada de maldoso na maneira como ele se movia dentro dela, como se nunca quisesse sair. Daisy não sabia que era possível fazer amor com alguém por quem não se estava apaixonada, mas não havia outra forma de descrever aquilo. Eles estavam tão sincronizados que, quando ela gritou pela segunda vez naquela noite, ele estava ali com ela.

Não sabia quantas horas tinha dormido, só que fora o melhor sono que tivera em anos. Cada parte do corpo dela vibrava com a lembrança do prazer de antes, e Conrad estava lindo até dormindo. Mas aquela não era a realidade dela. Fora só um intervalo bonito. Ela saiu da cama, se vestiu e deu um beijo na testa dele.

Adeus, lindo desconhecido, pensou, antes de sair do quarto, passar pelo lost and found e pedir desculpas a Trevor.

****

Já fazia dois meses e meio desde aquela noite perfeita com Conrad, e Daisy ainda sonhava acordada com ele pelo menos uma vez por semana. Isso a ajudava a afastar os pensamentos sobre James, que continuava mandando mensagens e tentando se explicar. O mais louco era que, se ele tivesse pedido desculpas dois meses antes, em vez de inventar desculpas cada vez mais esfarrapadas, ela talvez o tivesse perdoado. Talvez, essa era a palavra-chave. E, justo quando pensava em James, uma vontade de vomitar a atingiu, e ela teve que correr para o banheiro. Lavou o rosto depois de terminar e olhou no espelho, reparando na pele pálida e no rosto inchado. Isso já durava quase duas semanas, e ela não podia mais ignorar: algo estava errado, e não era só o cansaço dos turnos longos e cedo no diner, como tinha pensado no começo.

A única outra explicação para os sintomas, além do cansaço, era algo em que ela nem queria pensar. E só havia um jeito de descobrir. Meia hora depois, depois de uma passada rápida na farmácia, Daisy estava olhando para os dois testes que podiam mudar sua vida para sempre. Por favor, que seja uma linha. Por favor, que seja uma linha. Ela repetia a frase sem parar, como se isso fosse influenciar o resultado.

Daisy sentiu como se tivesse esperado uma eternidade pelos resultados, e não só os poucos minutos que levou. Mordeu o lábio e olhou para o primeiro teste, depois para o outro. Uma parte dela já sabia o resultado, mas torcia para estar errada. Que a náusea e a menstruação atrasada fossem só por causa do trabalho pesado no novo emprego. Ela estava cobrindo uma chef que tinha saído de licença-maternidade em um diner perto de casa, e o trabalho era puxado, mas estava grata pela experiência. Um pequeno passo rumo ao sonho, a menos que tivesse estragado tudo sem nem perceber.

“Vamos lá.”, sussurrou, concentrando-se no primeiro teste.

Como se a força da vontade pudesse invocar uma resposta, outra linha rosa e tênue apareceu, manchando a tela do teste. O coração de Daisy parou, e ela viu toda a sua vida passar diante dos olhos. Só que não era o passado, era o futuro. Um futuro que incluía um menininho ou uma menininha esperando para ser colocado na cama. Ajudando o filho com a lição de casa. Ensinando a andar de bicicleta e cuidando dos joelhos ralados na primeira queda. Em um milhão de anos, nunca tinha pensado que seria mãe aos vinte e dois, ainda com uma lista enorme de coisas que queria realizar antes de formar uma família. Mas agora tinha feito a cama, e sua vida estava prestes a mudar. Drasticamente. Daisy olhou para o outro teste, que confirmava a notícia. Uma onda de náusea a atingiu com força. Esvaziou o resto do estômago e, quando finalmente conseguiu respirar, as lágrimas brotaram nos olhos.

Estava oficial. Ela estava grávida.

Pensou na última vez que tinha transado com James, e não havia como essa criança ser dele. Tinha sido quase dois meses antes de Conrad, e eles sempre usaram proteção. Como tinha se deixado levar e sido tão burra? Quis gritar, mas não adiantava nada agora, a não ser planejar os próximos passos. E, mais tarde naquela noite, quando sua mãe finalmente chegou em casa, Daisy decidiu que não havia momento melhor para dar a notícia.

“Como é que é?”, a mãe disse, olhando para ela como se não tivesse ouvido direito.

Daisy suspirou. “Estou grávida, mãe.”

“O quê?”

“Estou com medo, mãe.”, Daisy disse, sentindo que ia chorar pela primeira vez desde que descobrira.

Precisava que a mãe a abraçasse e dissesse que tudo ia ficar bem, mas, pelo jeito que ela olhava, isso não ia acontecer tão cedo.

“O James sabe?”, a mãe finalmente perguntou depois de um longo silêncio.

Daisy balançou a cabeça. “Não é dele.”

“Mas você não está saindo com mais ninguém, está?”

“Não estou. Foi coisa de uma noite só.”, Daisy respondeu quase num sussurro, sentindo vergonha do que tinha feito.

“Pelo visto, vai virar coisa pra vida toda! Daisy Lang, como você pôde ser tão irresponsável?”

Daisy já tinha se feito a mesma pergunta um milhão de vezes, mas não adiantava. Ficou quieta e deixou a mãe desabafar. Ela andou de um lado para o outro por alguns minutos antes de parar na frente de Daisy de novo e continuar: “Você vai ter que fingir que é do James.”

Daisy olhou para a mãe, chocada. “O quê?”

“Você me ouviu, é a única saída.”

Ela se levantou e se afastou da mãe, tentando colocar alguma distância entre elas. Sentiu um enjoo com a sugestão, e dessa vez não eram os hormônios da gravidez, mas a consciência pesando.

“Você não pode criar um filho sozinha”, a mãe disse, firme.

“Eu sei que é difícil, mãe, mas não posso e não vou fingir que esse bebê é do James. Não é nem que eu o odeie. Fazer isso seria simplesmente errado”, Daisy respondeu, tentando conter a careta.

“Estou preocupada com você, Daisy”, a mãe finalmente implorou. “Criar um filho sozinha é muito mais difícil do que você imagina. Não só financeiramente, mas emocionalmente também. Acho que você não pensou direito nisso.”

Daisy suspirou, sentindo-se sem saída. Entendia o que a mãe estava dizendo, mas não podia concordar com a sugestão. Trabalharia em dois ou até três empregos para sustentar o filho antes de mentir sobre algo tão sério. Não havia a menor chance de enganar James para que ele ajudasse a criar seu bebê.

“Pensei em tudo desde o momento em que vi aquelas duas linhas, mãe. E nem vou mentir e dizer que não estou com medo ou que tenho tudo planejado, porque não tenho. Estou apavorada, mas mentir para o James está fora de questão.” Daisy manteve a voz estranhamente calma, observando a reação da mãe com atenção.

“O James te ama—”

“O James me traiu, mãe!”, Daisy interrompeu, levantando a voz.

Olhou para a mãe, incrédula, se perguntando como ela podia ter esquecido o que tinha acontecido. James não se importava com ela, só consigo mesmo. Mas, ainda assim, não o enganaria para que assumisse a responsabilidade pelo filho dela.

“Daisy, escuta. Você precisa deixar os sentimentos de lado e pensar no seu futuro. Você vai acordar sozinha no meio da noite. Vai ser responsável pelas contas médicas e pela creche sozinha. Seu filho vai precisar da segurança e da estabilidade que só dois pais podem dar.”

Era tentador quando a mãe colocava as coisas assim. Mas aquela era sua responsabilidade, e ela faria o que fosse preciso para garantir que o filho tivesse tudo de que precisasse, mesmo sem um pai na vida dele.

“Vou garantir que esse bebê tenha tudo o que precisa, mãe. E vou fazer isso sem envolver o James nessa história.” Daisy não queria brigar com a mãe por causa disso. Precisava de todo o apoio que pudesse ter.

Só que não do tipo de apoio que a mãe estava sugerindo. Depois de um minuto de silêncio, parecia que nenhuma das duas ia ceder. Até que, finalmente, a mãe explodiu.

“Tá bom, então. Vai lá e faz o que quiser.”

“Preciso que você entenda, mãe—”

“E eu preciso que você comece a agir como adulta”, a mãe de Daisy gritou, interrompendo-a com fogo nos olhos. “Você não pode se dar ao luxo de ter princípios tão altos quando precisa colocar esse filho em primeiro lugar.”

“Você teria feito isso com o papai? Se outra pessoa tivesse te engravidado?”, Daisy perguntou, tentando apelar para a mãe.

“Eu não fui burra de transar sem proteção com um desconhecido. Sei que te ensinei a ter mais juízo que isso!”

“Desculpa a gente não ser todas perfeitas como você!”, Daisy retrucou, arrependendo-se na mesma hora ao ver a expressão da mãe.

“Quer fazer isso sozinha? Então faz. Mas não espere que eu te apoie, nem a você nem ao seu filho. Eu criei os meus. Agora é a sua vez de fazer o mesmo sozinha. Quero você fora de casa em uma hora.”

“Mãe—”

“Não”, a mãe disse, levantando a mão para que ela parasse de falar. “Faz o que achar melhor, Daisy. Afinal, você já é adulta.”

Daisy não conseguia acreditar que a mãe estava colocando-a para fora, mas também sabia como ela podia ser teimosa quando achava que estava certa. Não adiantaria tentar convencê-la a deixá-la ficar.

E foi assim que, uma hora depois, ela se viu na porta do apartamento de Emma com apenas uma pequena mochila.

No momento em que a melhor amiga abriu a porta, as comportas se abriram. Daisy não conseguiu conter as lágrimas que escorriam pelo rosto, e Emma a levou até o sofá, abraçando-a com paciência até que o choro passasse. Daisy secou os olhos, percebendo de repente como estava com sede. Teria optado por algo mais forte para esquecer a noite inteira, mas água teria que servir pelos próximos meses. Emma não disse nada enquanto Daisy pegava uma garrafa de água na lateral da mochila, esvaziava-a de uma vez e a jogava de volta, sem cuidado. A garrafa quicou e caiu no chão com um barulho, fazendo Emma cair na gargalhada.

“Agora desembucha. Por que está encharcando meu sofá? Preciso contratar alguém para tirar o gel do cabelo do James na porrada?”, ela finalmente se controlou o suficiente para perguntar.

Daisy não conseguiu evitar uma risada com a palhaçada da amiga, o que só fez as lágrimas voltarem. “Estou grávida, a mãe me botou pra fora de casa, e não sei o que fazer. Falei que dava conta sozinha, mas acho que não consigo, Emma, como vou criar um bebê sozinha?”

Falava entre soluços, e era um milagre que a amiga tivesse entendido alguma coisa.

“Do James?”, foi a única pergunta de Emma, e Daisy balançou a cabeça.

“Foi só um one-night stand. Nem sei o nome completo do cara.”

“Achei que isso era coisa minha!”, Emma exclamou, fingindo indignação.

Daisy conseguiu sorrir, mas era difícil manter o sorriso com a tristeza da última hora puxando seu astral para baixo. Contou para Emma o que a mãe tinha sugerido, incluindo o plano de enganar James para que ele ajudasse a sustentar o bebê.

“Você ainda está considerando isso?”, a voz de Emma era neutra, como se estivesse pisando em ovos.

“Claro que não”, Daisy disse, franzindo a testa. “A gente brigou feio por causa disso. Por isso ela me botou pra fora. Estou oficialmente banida da casa da minha mãe porque não concordo com ela nessa história.”

“Ainda bem. Quem ia querer o James babaca como pai, de qualquer jeito? Todo aquele gel no cabelo não deve fazer bem pra um bebê!”

Daisy riu da tentativa de Emma de animá-la. Conseguia ver o amor e a determinação no rosto da amiga. O filho dela talvez não tivesse um pai, mas uma coisa Daisy podia prometer era a melhor tia do mundo.

“Vou te ajudar com o bebê o quanto você precisar, e pode ficar aqui o tempo que quiser. Só não deixa louça suja na pia.”, Emma disse.

“Mesmo quando o bebê te acordar toda noite? Só está preocupada com a louça?”, Daisy perguntou com um sorrisinho.

“Ah, por favor, você sabe que eu durmo como uma pedra. À noite, você se vira sozinha.”

“Obrigada.”, Daisy disse, com sinceridade transbordando na voz.

Emma sempre sabia o que dizer para animá-la. Enquanto Daisy costumava ser mais séria, Emma trazia um equilíbrio importante para a vida dela, complementando-a do jeito que só uma melhor amiga consegue.

“Sei que não vai ser moleza, mas a gente vai ter que ir levando um dia de cada vez, né?” Emma piscou rápido ao perceber o que tinha dito antes de continuar com um sorriso largo. “E olha só pra mim, já sendo uma tia sábia. Vou ser ótima nisso!”

“Acho mesmo que vai”, Daisy prometeu, recostando-se em Emma no sofá.

“E você vai ser a melhor mãe do mundo, Daisy. Já é a pessoa mais carinhosa que eu conheço. Estou aqui pra você. A gente pode até fazer aquelas aulas de parto juntas, se você quiser.” Emma terminou a frase com uma piscadela.

“Não poderia pedir ninguém melhor para me apoiar nisso”, Daisy disse, piscando de volta. “De novo, obrigada, Emma.”

“Só cuida dos seus rins, caso eu precise de um daqui a uns anos. A gente fica quites.”

Daisy riu. Embora Emma adorasse uma noite de farra, não era de beber tanto assim.

“Pelo menos me diz que o pai era bonito, pra meu sobrinho ser bonito também”, Emma insistiu, curiosa.

Daisy deu um soco de brincadeira no braço da amiga. “Todos os bebês são lindos!”

“A gente vai ver.”, Emma provocou, fazendo Daisy se sentir mil vezes melhor do que quando tinha chegado.

Tudo vai ficar bem, pensou. Emma ia dar um jeito e ajudá-la. Todos iam ficar bem. E, para tranquilidade de Emma, genes bons seriam o menor dos problemas. Conrad tinha de sobra.