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Conhecendo o Amor em Manhattan

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Summary

Duas estruturas inabaláveis. Um destino inevitável. Samantha Lawrence é uma engenheira civil brilhante, cuja lógica impecável serve de armadura no impiedoso mundo corporativo de Wall Street. Filha do dono de um império imobiliário, sua missão é clara: interditar o La Lanterna, um restaurante histórico no Greenwich Village, para dar lugar a um grande projeto da holding de sua família. Mas no caminho de seus cálculos está Chester Rossi. O imponente Chef de cozinha governa o seu salão com paixão, orgulho e uma teimosia rústica. Para ele, o restaurante não é apenas um negócio, é sua vida. O choque entre a mente métrica de Samantha e a força protetora de Chester é instantâneo. Mas por trás dos desentendimentos iniciais e da pose de durão, Chester possui um coração enorme e um instinto feroz de cuidar daqueles que entram no seu perímetro. O que começa como um confronto de interesses ganha contornos inesperados quando um escândalo familiar obriga a engenheira e o cozinheiro a simularem um noivado de fachada para a imprensa de Nova York. Forçados a conviver entre os bastidores da alta gastronomia e as intrigas frias das salas de conselho, as defesas de Samantha começam a desabar diante do homem que, longe dos holofotes, mostra-se o seu porto seguro mais fofo, carinhoso e protetor que ela já conheceu.

Status
Complete
Chapters
42
Rating
n/a
Age Rating
18+

PRÓLOGO | O Peso do Sobrenome

A futilidade tinha um cheiro bem específico: perfume francês caro importado ilegalmente, champanhe de safra exclusiva e o verniz fresco do piso de mogno do Fairmont.

Samantha Lawrence respirou fundo, tentando não deixar transparecer o tédio mortal que ameaçava paralisar seus músculos faciais. Ela forçou o terceiro sorriso protocolar nos últimos cinco minutos enquanto a assessora de imprensa de seu pai a guiava pelo salão principal. O evento era a gala anual da Lawrence Holding, o império de incorporação imobiliária que moldava o horizonte de Nova York.

Em teoria, a noite deveria ser de celebração para Samantha. Afinal, há apenas três dias, o projeto que ela liderara de forma independente — a revitalização sustentável do antigo complexo portuário do Brooklyn — havia conquistado o prestigiado prêmio Pritzker New Generation. Ela havia passado os últimos dezoito meses virando noites, sobrevivendo à base de café frio, discutindo com empreiteiros e calculando vigas de sustentação até os seus olhos verdes arderem.

Mas ali, sob os lustres de cristal da quinta avenida, a realidade era um balde de água fria com gelo gourmet.

— Donald! Aqui está ela! — a assessora exclamou, abrindo espaço por entre um círculo de investidores engravatados.

Donald Lawrence virou-se. O homem exalava o poder magnético que apenas bilhões de dólares na conta e décadas de comando absoluto podiam comprar. Seus cabelos grisalhos estavam perfeitamente alinhados, e o terno de alfaiataria italiana não tinha uma única dobra. Ao lado dele, um jovem empresário de maxilar quadrado e sorriso ensaiado — que Samantha reconheceu imediatamente como o herdeiro de uma rede de hotéis que seu pai tentava comprar há meses — a avaliou como se ela fosse uma propriedade de alto rendimento.

— Ah, minha linda Sam — Donald disse, a voz ressonando com uma falsa modéstia paternalista enquanto passava o braço pelos ombros dela, puxando-a para o centro do círculo. — Senhores, esta é a minha filha, Samantha.

Samantha manteve o queixo erguido, esperando. Aguardando os parabéns pelo prêmio. Pelo Brooklyn. Pelo trabalho.

— Ela herdou o meu bom gosto para o design — Donald continuou, rindo levemente, arrancando risadinhas subservientes dos homens ao redor. — Sam dá uns palpites ótimos na decoração dos nossos lobbies. Uma verdadeira Lawrence. Inclusive, Richard, você precisa mostrar a ela o projeto da nova cobertura do seu hotel em Miami. Quem sabe vocês dois não encontram... pontos em comum para trabalhar juntos?

O tal Richard deu um passo à frente, estendendo a mão banhada a ouro e segurando a dela por um segundo a mais do que o necessário.

— Seria um prazer absoluto, Samantha. Seu pai me fala muito sobre você. Uma jovem adorável. É sempre bom ver que a beleza da família também tem utilidade nos negócios.

Utilidade nos negócios.

Uns palpites ótimos.

A filha de Donald Lawrence.

As palavras ecoaram na mente de Samantha como marteladas em uma estrutura de vidro. Ninguém ali se importava com os cálculos estruturais dela. Ninguém se importava com as certificações ambientais que ela havia arrancado a dentes da prefeitura. Para o mundo, para a imprensa que disparava flashes na entrada, e, pior de tudo, para o seu próprio pai, ela era apenas um acessório. Uma extensão bonita e conveniente do sobrenome Lawrence. Uma moeda de troca bem-vestida para o próximo grande contrato.

— Com licença — Samantha disse. Sua voz saiu perfeitamente controlada, a personificação da etiqueta que fora forçada a aprender desde o berço, embora por dentro ela estivesse pronta para chutar uma das colunas coríntias do salão. — Preciso retocar o batom. Richard, boa noite. Pai, nos vemos depois.

Ela se desvencilhou do abraço de Donald antes que ele pudesse protestar e caminhou a passos firmes em direção à saída, ignorando os chamados discretos de sua assessora. Samantha não parou no banheiro. Ela passou direto pela chapelaria, pegou seu sobretudo de cashmere preta e empurrou as portas giratórias de vidro do Fairmont, saindo direto para o ar gelado e cortante da noite de Manhattan.

O vento de Nova York bateu em seu rosto, bagunçando alguns fios do seu coque impecável. Ela deu alguns passos calçada abaixo, longe dos fotógrafos, e parou sob a luz de um poste de iluminação pública. Olhou para as próprias mãos, ainda trêmulas de pura frustração e raiva contida.

Ela estava exausta. Exausta de viver em uma maquete pré-fabricada pelo pai. Exausta da rotina monótona de jantares onde ela era apenas um sobrenome andante, de reuniões onde suas ideias eram filtradas pelo ego de Donald, e de homens de terno que a olhavam como se ela fosse o topo de um bolo de casamento corporativo.

Samantha precisava de um escape. Algo drástico. Algo que não envolvesse concreto armado, prazos de entrega, colunas de orçamento ou jantares de gala. Algo que fosse puramente dela, onde o nome "Lawrence" não significasse absolutamente nada.

Ela olhou para o reflexo de seu vestido de grife na vitrine escura de uma loja fechada do outro lado da rua.

— Chega — ela sussurrou para a própria imagem. — Eu preciso de uma vida de verdade.

Samantha Lawrence ainda não sabia, mas a menos de dois quilômetros dali, em uma cozinha de linhas rústicas no coração do East Village, um homem de suéter cinza e óculos de grau levemente tortos estava prestes a se tornar o caos milimetricamente calculado que implodiria todo o seu mundo perfeito.

Chapters
1. PRÓLOGO | O Peso do Sobrenome
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