Quando o Castelo Aprende a Amar
Capítulo 1 — A nova serva da noite
A carruagem parou diante do portão como se tivesse medo de seguir adiante.
O vento cortava as árvores secas ao redor do castelo, fazendo os galhos baterem uns nos outros como ossos antigos. A jovem desceu com uma mala simples nas mãos e olhou para cima.
O castelo parecia não ter sido feito para pessoas… mas para lembranças.
“Você não devia ter vindo”, murmurou o cocheiro antes de partir rápido demais, deixando para trás apenas o som das rodas se afastando na estrada de terra.
Ela engoliu seco e apertou a alça da mala.
Mas precisava do trabalho. Precisava sobreviver.
As grandes portas de madeira se abriram sozinhas.
Lá dentro, o ar era frio demais, como se o próprio tempo tivesse parado ali dentro há séculos. Um corredor longo se estendia, iluminado por velas que não tremiam, mesmo sem vento.
E então ela ouviu passos.
Lentos.
Precisos.
Como se alguém já soubesse exatamente quem ela era.
— Você chegou tarde — disse uma voz masculina, profunda, vindo da escuridão.
Ela virou o rosto, mas não viu ninguém de imediato.
Até que ele apareceu.
Alto. Elegante. Vestido como se o século tivesse esquecido de passar por ele. Olhos escuros demais para serem apenas olhos.
O Conde Drácula.
Ela sentiu o corpo inteiro congelar… mas não de frio.
— Eu… fui contratada para trabalhar aqui — disse ela, tentando manter a voz firme.
Um silêncio caiu entre os dois, pesado como pedra.
Então ele deu um pequeno passo à frente.
— Sim… eu sei exatamente o que você veio fazer.
E por um instante estranho, ela teve a sensação de que não era ele que estava observando ela…
Era o castelo inteiro.








