A CRIAÇÃO
Não se sabe ne o dia e nem a hora que tal acontecimento se sucedeu . Mas lá no meio das águas traiçoeiras do tártaro, quase imperceptível mediante ao agouro das almas perdidas, uma ilha , estava de pé ,uma ilha, onde tudo era belo e perfeito, e as pessoas que lá viviam eram personificadas em obras primas, exímias em beleza impecável e ofuscante. E aquela pequena ilha era o trono daquela que tinha nos cabelos a coroa feita do pomo de ouro, e que vestida de céus atravessava as fontes de águas vivas e porque elas semeava o amor. Deusa Aphrodite.
Também não é do meu conhecimento o que levou o coração avarento e cheio de ego da deusa a se inquietar com os cochichos incômodos no Olimpo, mas algo de fato aconteceu. E do trono ela o observou com estima a ilha que criaram. Tudo era perfeito, mas não havia aquilo que olhasse e realmente lhe bajulasse o ego.
E então, de puro infortunio, decidiu pôr-lhe as mãos ao pó e criar e dar vida a um sentimento, o amor e os seus vértices.
Um sentimento fragmentado que nos permite senti-los de outras formas, de outras maneiras.
E do pó se ergueu o primeiro.
Ágape -que representava o amor pela humanidade, um amor interessado e criativo. E no trigésimo dia, aquela beldade jamais retratada ,ganhou fôlego de vida, e tocando-lhe o alto da cabeça, Aphrodite o abençoou em sua posse.
O segundo a vir do pó.
Storge- que representava o amor que só os pais sentiam pelos filhos, o incondicional. E no trigésimo dia, aquele que tinha estima nos olhos ganhou fôlego de vida e foi abençoado pela fronte.
No terceiro mês, foi moldado Philia -que por sua vez representava um amor coletivo, revestido de amizade e bondade por comunidade. E no último dia do mês, aquele que se encontra aconchego nos braços tomou fôlego de vida e num toque foi abençoado.
E assim veio o quarto na linha da perfeição
Pragma- que representava o amor de duas pessoas, que assumia uma forma romântica e racional, o amor que exala carinho.
E assim, no dia 30 do mês, a quarta criação havia sido terminada, vestido de amor unilateral e com um terno toque foi abençoado.
E do barro se levantou o quinto:
Eros- que representava o amor carnal e apaixonado, que se acentuava em desejo e volúpia. E no trigésimo dia, aquele que se vestia em sedução tomou-se a vida e pelas mãos dela foi abençoado.
E por fim, o sexto foi erguido,
Philauria-que representava o amor próprio, a autopreservação e visão ampliada da beleza interior. E então, no último dia do mês, foi terminado aquele que se via preciosidade aos olhos, e assim também teve em sua narina soprado o fôlego de vida e pelos cabelos também foi abençoado.
E assim foram criados seis amores, tão perfeitos e de assombrosa beleza, que até os olhos da deusa se enchiam de tamanha admiração. E do trono ela os contemplou com profunda cobiça e ciúme, seu ego inflou aos montes com tamanha exuberância.







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