Prólogo: A Roda da Existência
Antes da matéria ganhar forma, antes de os reinos serem erguidos e muito antes de o sangue manchar o continente de Vasteria, o Universo já era observado.
Acima do tecido da realidade — onde passado, presente e futuro colidiam em um abismo infinito — erguia-se a entidade suprema. Ele era o Deus do Tempo, do Espaço e do Destino, a própria encarnação da Roda que governava toda a existência.
Sua forma era uma anomalia ao mesmo tempo assustadora e sagrada: uma colossal engrenagem viva conhecida como a Roda do Destino. Sua estrutura era formada por doze braços maciços, cujas mãos permaneciam entrelaçadas em um círculo eterno. No centro de cada palma havia um olho vivo — doze íris ancestrais que observavam cada era, cada nascimento e cada suspiro de agonia que ecoava pelo cosmos.
No centro absoluto das mãos entrelaçadas abria-se uma boca cavernosa e grotesca, repleta de fileiras de dentes afiados como lâminas, capazes de triturar linhas temporais inteiras. Preso por duas correntes de elos negros e indestrutíveis, acima de um disco de ébano, pulsava o Coração da Existência — a fonte primordial que ditava o ritmo da vida e da morte.
Daquela escuridão atemporal, a entidade contemplava o mundo dos mortais, onde impérios nasceriam e cairiam em meio a guerras, intrigas e rios de sangue.
Os doze olhos das mãos entrelaçadas piscaram em perfeita sincronia ao fixarem um único ponto na vasta malha do destino.
As engrenagens invisíveis do tempo estalaram.
A boca central entreabriu-se, liberando um eco profundo que fez o próprio espaço estremecer.
A Roda contemplava dois escolhidos.
Duas vidas.
Dois destinos.
Duas existências que, quando finalmente colidissem, mudariam para sempre o rumo do mundo.
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