Antes do Sim
Pedro conhecia o caminho que Juquebeth fazia todos os dias.
Não porque precisasse passar por ali.
Mas porque gostava de vê-la.
Todas as manhãs, quando o sol começava a iluminar as ruas de Jericó, ele deixava seus companheiros perto do rio e caminhava até o mercado.
Era sempre a mesma desculpa.
— Preciso comprar alguma coisa.
Seus amigos já sabiam.
Ele não precisava comprar nada.
Pedro queria apenas encontrar Juquebeth.
Naquela manhã, ela apareceu carregando um pequeno cesto.
Os cabelos longos, castanho-claros, estavam soltos sobre os ombros.
Pedro parou.
Juquebeth percebeu.
E sorriu.
Não era a primeira vez.
Ela já havia percebido seus olhares há meses.
E, secretamente, esperava por eles.
— Você vai continuar me olhando de longe? — perguntou ela certa manhã.
Pedro quase deixou cair o peixe que segurava.
— Eu... não estava olhando.
Juquebeth arqueou uma sobrancelha.
— Não?
— Não.
Ela se aproximou.
— Então estava olhando para quem?
Pedro ficou sem resposta.
Juquebeth sorriu.
— Imaginei.
Ela passou por ele.
Pedro ficou parado, acompanhando-a com os olhos.
Um dos pescadores que estava perto começou a rir.
— Você está perdido.
Pedro respirou fundo.
— Eu sei.
Juquebeth também pensava nele.
Muito mais do que admitia.
Quando ouvia os pescadores voltando do rio, procurava Pedro no meio deles.
Quando passava perto do mercado, diminuía o passo.
Quando sabia que ele estaria por perto, ajeitava os cabelos.
Mas nunca fazia o primeiro movimento.
Não porque não o desejasse.
Muito pelo contrário.
Ela queria Pedro.
Queria conhecê-lo.
Queria ouvir da boca dele aquilo que seus olhos já diziam havia tanto tempo.
Só não pretendia fazer o trabalho por ele.
Se Pedro realmente a queria...
teria que criar coragem.
Certa tarde, Pedro encontrou Juquebeth perto de uma árvore, afastada do movimento do mercado.
Ela estava colhendo pequenas flores.
Ele respirou fundo.
Dessa vez, iria falar.
Aproximou-se.
— Juquebeth.
Ela levantou o rosto.
— Pedro.
Só ouvir seu nome na voz dela já fez seu coração disparar.
— Posso ajudá-la?
Juquebeth entregou algumas flores a ele.
— Pode.
Pedro pegou as flores.
— O que faço?
— Segure.
Ele olhou para as flores.
Depois para ela.
— Só isso?
Juquebeth sorriu.
— Por enquanto.
Pedro sorriu também.
Ficaram alguns segundos em silêncio.
Era um silêncio diferente.
Nenhum dos dois queria ir embora.
Pedro finalmente criou coragem.
— Eu gosto de estar perto de você.
Juquebeth sentiu o coração acelerar.
Mas manteve a calma.
— Eu sei.
Pedro ficou surpreso.
— Sabe?
— Você não é muito discreto.
Ela riu baixinho.
Pedro abaixou os olhos.
— Tenho medo de falar demais.
Juquebeth se aproximou.
— Então não fale demais.
Ele ergueu os olhos.
— Fale apenas a verdade.
Pedro respirou fundo.
— A verdade é que eu penso em você todos os dias.
Juquebeth ficou em silêncio.
— E quando não estou pensando em você...
Ele sorriu.
— Estou procurando uma desculpa para vê-la.
Ela finalmente deixou escapar uma risada.
— Então talvez você devesse parar de procurar desculpas.
— Por quê?
Juquebeth pegou as flores de suas mãos.
— Porque pode simplesmente vir me ver.
Pedro sorriu.
Naquele instante, ele percebeu.
Ela também sentia.
Os encontros começaram a acontecer com mais frequência.
Pedro aparecia no mercado.
Juquebeth sempre estava por perto.
Ele levava peixes para a família dela.
Ela guardava frutas para quando ele voltasse do rio.
Às vezes conversavam por minutos.
Às vezes por horas.
E, mesmo sem ainda existir uma promessa entre eles, todos ao redor já percebiam.
Pedro estava apaixonado.
Juquebeth também.
Só faltava uma coisa.
A iniciativa.
Certa noite, Pedro ficou diante da casa de Juquebeth.
Seu coração batia tão forte que parecia querer escapar do peito.
Ela saiu.
Quando o viu, sorriu.
— O que você está fazendo aqui?
Pedro respirou fundo.
— Vim falar com seu pai.
O sorriso dela desapareceu por um instante.
— Para quê?
Pedro olhou diretamente para seus olhos verdes.
— Para pedir sua mão.
Juquebeth ficou imóvel.
Depois sorriu.
Um sorriso que Pedro jamais esqueceria.
— Demorou.
Ele riu.
— Você estava esperando?
Ela se aproximou.
— Todos os dias.
E, naquela noite, o amor que durante tanto tempo existira apenas nos olhares finalmente ganhou um nome.
Noivado.
E, algum tempo depois...
casamento.








