CAPÍTULO 1- TOC, TOC. Quem é?
Lúcio empurrou a porta do bar. Era madeira maciça, tinha peso, ranhuras e, ao largar, bateu com força. Todos olharam para ele.
Tudo era perfeito, o teto iluminado, a sombra no chão e a sensação das botas enquanto andava.
— Puta que pariu — sussurrou enquanto olhava para um espelho no canto do balcão. — Olha só esse bíceps! -— Fez uma pose de fisiculturista, flexionando o braço hipertrofiado.
Uma mulher, que estava acompanhada, deu uma risada. Lúcio girou no próprio eixo, sentindo a firmeza dos músculos das pernas. Observou o ambiente novamente. Agora todos riam. Estava morrendo de vergonha.Um ardor subiu por seu rosto. Começou a suar.
-— Porra, que calor. — falou para justificar o rosto vermelho.
Uma pessoa vinha em sua direção.
— Ei, Lúcio! É você?
— Si... sim — gaguejou ao olhar para a mulher mais linda daquele lugar. Era negra, cabelo curto e tinha um corpo perfeito. Não conseguiu disfarçar, o suor aumentou, seus olhos fixaram em suas pernas, depois uma pequena pausa nos peitos e, finalmente, com uma cara de bobo, disse com a voz falha: — Rebeca? Você é a Rebeca Nunes?
— Bom, pode me chamar de Rebeca, só minha mãe me chama assim.
Estendeu a mão, tentou dar um abraço, mas ficou no meio do caminho.
— Bonito aqui, né? A iluminação, as cores... — Arghh... não sabia o que dizer.
— Sim. Está pronto? — perguntou Rebeca.
— Na carta fala que o pagamento seria em cripto. É isso mesmo?
— Shiii - colocou o indicador nos lábios. — Não fala isso, depois da proibição Americana só o pessoal do submundo da rede usa criptomoedas.- brincou Rebeca.
— Merda, desculpa. Esses porcos estão dominando tudo.- Só depois percebi que era brincadeira.
— Então vamos lá —disse Lúcio, agora com mais confiança.
Ela tocou no seu braço. Ele sentiu um arrepio elétrico percorrer a pele.
-— Tem certeza? Não quero te prejudicar, e pode ser perigoso. Está preparado?
— Sim.— Estufou o peito e falou com convicção.
— As armas estão no carro vermelho, no estacionamento - ela lhe deu um beijo no rosto e sussurrou: — A chave está na roda traseira, do lado do motorista.
— Uau... Depois da missão... Talvez... Quem sabe...— falou Lúcio enquanto coçava a cabeça.
— Claro, sabe onde me encontrar — respondeu Rebeca cheia de charme e saiu do local.
Ele foi logo atrás, mas ela havia sumido.
Lúcio avistou o carro: um Camaro, vermelho escuro, com lindas rodas. — Vou dirigir essa máquina — pensou Lúcio enquanto fazia uma dancinha ao atravessar a rua.
Estava estacionado em frente a Igreja Vida Eterna, um monumento grandioso localizado na zona nobre de Belo Horizonte.
— Olha só esse pé direito! O edifício todo de mármore e granito azul.—
falou Lúcio enquanto percebia que um pedestre o olhava com estranheza.
-— Que foi cara? Algum problema?— disse encarando o senhor que saiu balançando a cabeça.
Pegou as chaves, abriu o porta-malas:
— Granada... pistolas... Puta que pariu, tem um lança-chamas aqui!
Pegou somente as armas e granadas, deixou lá o trambolho do lança-chamas.— Muito chamativo, pra que isso?
Viu um grupo de pessoas apontando para a direita da Igreja.
Um carro passou "voando baixo" — vruuunnn. Cortou o cruzamento da rua Curitiba com Timbiras, avançou o sinal a 200 quilômetros por hora.
— Gostei deste lugar.— disse Lúcio com um sorriso no rosto.
Logo atrás, 4 carros da polícia estadual avançam com as sirenes ligadas.
— Opa - guardou as armas no bolso e gritou: — Pega eles, policial!
A velocidade daquela imagem, o barulho, o vento no rosto e o calor do sol impressionava Lúcio.
Helicópteros apareceram, o barulho foi ensurdecedor. De repente — o BUMMM — um carro explodiu. Agachou e sentiu a vibração no asfalto.
— Caralho, deve ser uma bazuca.
Neste momento, o cara com a mala prateada saiu da igreja. Ele foi atrás dele. O baixinho careca entrou no carro preto e acelerou.
— Já vi esse cara na TV- Lucas pensou em quanto pegava a chave.
Ligou o Camaro, bate duas vezes para tirar o carro da vaga, mas não perdeu ele de vista. Seguiu afastado por 8 minutos até o momento que ele entrou em uma avenida pouco movimentada.
— Avenida das Américas... acho que essa estrada leva até um condomínio em Nova Lima. Hora da ação, vamos ver se aquelas horas gastas com jogos de corrida vão ajudar.
Acelerou o carro.
Fez a ultrapassagem a 115 km/h e pisou fundo no freio de uma vez.
— IIIIIIIIHHH! — O pneu cantou no asfalto.
Ele bateu na traseira do Camaro enquanto desviava, tentou ficar na pista, mas capotou. Lúcio desceu do carro com a arma na mão. Bateu no vidro:
— Passa a maleta, baixinho!
O careca estava envolto pelo airbag, todo preso. A cena era engraçada. Ele mostrou o dedo do meio. Lúcio deu um tiro no vidro traseiro.
O calvo sorriu: — O carro é blindado, seu bosta, e já liguei pra segurança. Eles chegam em 5 minutos.
Lúcio atirou mais de 10 vezes e nada.- Cara, não posso perder essa grana.- Lembrou do lança-chamas no porta-malas do Camaro, correu e voltou com a arma.
— Agora você sai, senão vai virar churrasco!
O calor daquele fogo químico era fenomenal. Com dois minutos de calor insuportável no capô, o homem saiu com as mãos para cima e entregou a maleta.
Lúcio Entrou no Camaro, que estava todo amassado. Digitou o código que Rebeca passou na carta, depois pegou a digital do homem careca. Ele ficou desesperado; a maleta abriu. Tinha um relógio com contagem regressiva - 47:39:16 horas - e uma senha: 3004P2412J0707A. Repeti 3 vezes em voz alta:
— Ótimo, está aqui sua maleta. Espero que fique bem- Puts... que frase sem noção.
Lúcio foi até o carro; estava todo amassado, mas ainda ligava.
Pisou fundo. A roda estava presa na lataria. O pneu queimava e o motor chiava bastante.
Lúcio estava Tossindo com a fumaça tóxica do motor.— Caralho, até o cheiro da fumaça é perfeito.
Percorreu 4 km. Rebeca estava perto, faltava 8 km de acordo com GPS , em uma favela no Barreiro.
As pessoas apontavam para meu carro e gritavam palavrões-vai explodir seu maluco!! — falou um homem que atravessava a passarela na avenida.
Acenei com a arma na mão e ele saiu correndo.
Agora era só entregar a maleta e curtir a vida.
De repente, escutou um barulho vindo do alto: TOC, TOC...
— Lúciooo...
— Agora não, porra- parou o carro e bateu a cabeça no volante enquanto reclamava.- merda...merda...
— LÚCIOOO, TOC, TOC...
— TOC, TOC....- Sua cabeça queimava, perdeu o controle do corpo. O mundo escureceu.








