A vingança do dragão

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Resumo

O que você faria se fosse obrigada a substituir alguém que morreu? Cyrena, uma órfã que foi criada por uma guilda, é sequestrada em sua última missão. Seu tio, que nunca a procurou, solicitou o sequestro, ele deseja que ela finja ser a prima, que faleceu, para a disputa a imperatriz. Muitos mistérios giram em torno da morte da prima, mas além disso, um homem, extremamente tentador, acorrentado em uma cabana próximo da mansão, a chama de mestra e implora por seu calor.

Status
Em Andamento
Capítulos
2
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

O navio

O mar brincava como se tivesse acordado de bom humor e disposto a mostrar suas melhores ondas que batiam forte balançado o pequeno barco mercador, observei a proa em busca de algum porto a frente, mesmo sabendo que alguém gritaria a plenos pulmões quando estivéssemos perto.

Voltei pelo convés desviando das redes de pesca e caixas de peixes recém pescados, voltando para o meio do barco, me lembrando novamente porque aceitei aquela missão assim que cheguei de outra extremamente cansativa.

Bivot, o líder da guilda, sabia ser bem persuasivo, mas naquele caso aceitei principalmente pelo pagamento oferecido, eles pagariam três vezes mais nessa missão apenas por uma entrega, segundo Bivot o preço se justificava pela distância e a importância da mercadoria.

Ignorei o enjoo do balanço constante do barco e foquei meus pensamentos na pedra de mana que compraria para esquentar a água. A cidade de Penôvia estava no extremo norte do império, a neve constante fazia a compra mais do que necessária, justifiquei em meus pensamentos, ficaria dentro de um banho quente até sentir o corpo inteiro pedir para sair da água, talvez até comprasse uma vela perfumada para a ocasião.

Pensar em um banho quente não combinava em nada com a temperatura atual, chegávamos mais ao centro do império, o calor tornava a túnica de forro duplo parecer uma grande sauna, naquela manhã específica sentia a umidade quente do ambiente começar a me afetar, deixei a túnica e a maioria das armas no quarto, andando pelos marinheiros penas com o básico e suficiente para afastar qualquer um dos homens.

Me perdi em meus pensamentos quando o sino soou alto, a atenção de todos voltando a frente para um porto distante. Finalmente estávamos chegando na cidade de Verta, o menor porto da região, não havia nada de pequeno nele, os outros portos em volta eram mais bem patrocinados por isso recebiam mais mercadorias diariamente.

Voltei para minha cabine recolhendo meus pertences enquanto a movimentação aumentava no convés. Coloquei meus itens na minha pequena mala e peguei o pacote da entrega com cuidado, o pacote era pequeno e pesado, tentei adivinhar seu conteúdo ao longo dos dias, mas estava com um selo mágico disfarçando totalmente o poderia haver dentro.

Finalmente no porto desci pisando forte no cais de madeira caminhando o mais rápido possível até a cidade, finalmente sentir o chão firme sob meus pés. A cidade portuária era grande em comparação a Penôvia, era minha terceira vez naquela cidade, joguei minha bolsa nas costas andando pela feira da cidade, já sabia qual seria o local de entrega do produto, precisava me preparar até o anoitecer.

Segui as ruas chegando a uma pequena estalagem parceira da guilda, Bivot era uma das maiores guildas do reino do dragão, isso facilitava a locomoção e a busca por informações. Puxei o cordão que deixava bem guardado dentro das minhas roupas e solicitei um quarto com banheira.

Entrei no quarto espaçoso inspecionando primeiro. Tomei um banho me livrando do cheiro de peixe e suor, a mudança de temperatura era grande, o calor excessivo da cidade causava arrepios pelo meu corpo acostumado ao frio.

Finalmente limpa trancei meu cabelo deixando apenas a franja comprida de fora, vesti uma calça leve, botas e uma blusa fina com um espartilho externo feito de tecido grosso de couro e metal com compartimento suficiente para algumas facas.

Mesmo sendo uma entrega, o recebedor poderia ter inimigos rodeando em volta, armada o suficiente para causar terror, coloquei a encomenda em uma bolsa lateral embaixo de uma túnica curta.

A feira da cidade começava a desmanchar, andei pelas ruas de pedra, passei em frente a rua combinada, uma rua sem saída cercada por um prédio alto que deixava a rua ainda menos iluminada. Apenas três portas para a saída do beco.

— Que ótimo, nada de fuga fácil.

Coloquei meu capuz e esperei, andei entre as barracas ainda em funcionamento e comi uma torta de frutas observando a entrada e saída da rua, ninguém entrou ou saiu da rua, ela realmente não chamava atenção a primeira vista, poucos olhavam mais de uma vez para o lugar.

Finalmente escureceu o suficiente para ficar próximo ao horário combinado, três homens entraram na rua, dois com espadas presas a lateral do corpo e o que andava ao meio bem mais baixo que os outros, com uma túnica com um bordado dourado que chamava atenção de longe.

— Chegaram – engoli o último pedaço de torta.

Esperei alguns minutos observando em volta, entrei na rua de beco sentindo o arrepio de o começo de uma missão. Andei os últimos metros e bati a porta do local de entrega, houve um barulho dentro do local, a porta grossa finalmente rangeu quando foi aberta, um homem alto com cara amarrada abriu.

Meus olhos passaram rápido por ele, roupa simples talvez até mesmo desgastadas, mas principalmente eu não o vi entrando na rua durante minha vigia.

— Bateu a porta para ficar me encarando?

Estreitei os olhos para ele por baixo da túnica e ele retribuiu o olhar.

— Vim a procurar do senhor Tadeu.

Ele me olhou rapidamente de cima a baixo formando uma careta no final e deu um passo para trás.

— Pode entrar.

Passei pelo homem com passos rápidos observando o ambiente, uma sala de dois ambientes com caixas e duas cadeiras, parecendo um pequeno deposito. Os três que entraram primeiro estavam dentro da sala, o com a túnica bordada encostado a mesa com seu capuz baixo, podia ver seu rosto, cabelos e olhos escuros, ele sorriu ao me ver.

— Ah, foi pontual, excelente.

Ele se desencostou da mesa estendendo sua mão a frente, observei ele mais uma vez em sua simpatia e peguei o pacote na bolsa entregando para ele.

— Muito bem.

O homem, alguns centímetros mais baixo que eu percebi quando ele se aproximou, pegou o pacote e colocou em cima da mesa de costas não conseguia ver enquanto ele o abria. Finalmente a minha parte estava feita.

— Agradecemos a confiança, estou de saída.

Segurei a bolsa vazia em mãos e me virei para a porta de saída, o homem que abriu para mim estava encostado nela praticamente deitado sob a madeira observando o restante da sala.

— Saída? – disse o homem atrás de mim.

Me virei em sua direção, sabendo que ele era quem comandava o brutamontes na saída.

— Nossa parte foi feita.

— De fato, por isso você ficará.

— Acho que não.

Tirei a espada da cintura apontando para as costas do homem na mesa.

— Mande seu brutamontes sair da frente.

O homem continuou movimentando as mãos e girou de frente para mim, sem se dar o trabalho de olhar a espada que o ameaçava. Percebi que olhava para um pingente dourado grande como um ovo, que conhecia muito bem.

— O... o que faz com isso?

— Ah, você reconhece? – o homem analisava a joia com todo cuidado. — Isso é muito importante para ficar jogado por aí.

A última lembrança do meu pai, vendi assim que entrei na guilda por ser algo que podia ser valioso e comprei algumas armas, não imaginei que voltaria a ver a peças, mas lá estava, exatamente na encomenda que estava levando.

Me dei conta de uma possível armadilha, avancei novamente na direção do homem.

— Sabe, Cyrena – o homem falou meu nome verdadeiro finalmente me olhando com um sorriso – encontrar você deu mais trabalho do que eu imaginava, então que tal você me acompanhar?

Senti a tensão correr em meu corpo, ao procurar por locais de fuga , aquele lugar não foi escolhido por nada, sem janelas apenas uma saída. Os dois guardas puxaram suas espadas e me observavam atentamente, esperando meu próximo movimento, estiquei o corpo passando a outra mão livre pelo espartilho puxando uma das adagas.

— Enquanto ainda estou sendo simpática... saia do meu caminho.

Falei com um sorriso no rosto jogando a adaga na perna do guarda a minha esquerda, o grito dele fez o homem a minha frente se movimentar, rapidamente puxei outra adaga do espartilho e mirei no guarda da direita, ele conseguiu desviar enquanto vinha a minha direção. Puxei a espada pela proximidade desviando do seu primeiro golpe atingindo-o com o cabo da espada no estomago, empurrei em direção ao homem no centro da sala.

A cena foi rápida, girei nos calcanhares para ir em direção ao brutamontes na porta, ele não estava mais encostado, sorri por ter minha saída facilitada. Um arrepio percorreu minha espinha, quando o barulho alto soou, foi rápido demais para assimilar, vi apenas a sombra do homem que antes estava na porta e tudo apagou.

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