Premonition
Estou correndo pela floresta, puxada para frente por algo que não compreendo.
Não sei o nome dele quando começo a correr. Só sei que algo na floresta está me chamando.
Não está me perseguindo. Está me chamando.
Meus pulmões ardem enquanto passo por entre árvores antigas, meus pés descalços mal tocam o chão. Não sei para onde estou indo, apenas que não posso ignorar o que quer que esteja me chamando.
Não parece que estou correndo em direção a algo novo. Sinto como se estivesse sendo atraída de volta para algo que sempre estive destinada a encontrar.
A floresta parece viva enquanto corro. O ar vibra. As folhas sussurram. As sombras se esticam e se retorcem à minha passagem, inclinando-se em minha direção como se estivessem observando.
Estou me movendo rápido demais.
Mais rápido do que deveria ser capaz.
Mais rápido do que qualquer humano deveria.
É quando percebo que estou de quatro.
O pensamento mal teve tempo de processar antes que o chão me traísse. Algo se enrola em minhas pernas, me puxando para baixo com força. Grito enquanto raízes retorcidas brotam da terra, envolvendo meus braços e tronco – me prendendo ao solo da floresta.
Elas apertam, esmagando o ar dos meus pulmões.
O pânico me domina enquanto meu coração martela descontroladamente no peito. Tento respirar, buscando um ar que não vem. Minha visão embaça nas bordas.
Isso não pode ser real. Acorde.
Antes que eu consiga respirar de novo, a floresta se acalma.
Um rosnado baixo ecoa entre as árvores – profundo e ameaçador, e perto demais.
O chão treme sob mim.
Passos pesados trovejam mais perto – lentos e deliberados. Esforço-me para ver através da penumbra, com medo e algo desconhecido se entrelaçando fortemente em meu peito.
Então eu os vejo.
Olhos fascinantes emergem das sombras, brilhando como âmbar derretido – perfurando a escuridão e focando em mim com uma precisão aterrorizante. Um olhar é o suficiente para saber que pertencem a alguém poderoso. Alguém mais que humano.
Não consigo desviar o olhar.
No momento em que nossos olhares se cruzam, algo se incendeia dentro de mim. Um puxão elétrico e agudo atravessa meu peito, roubando meu fôlego. Meu medo se dissolve em algo muito mais perigoso – desejo e reconhecimento.
Não parece conhecer um estranho, mas sim colidir com algo que meu corpo sempre conheceu.
Não sei como sei. Só sei que sei.
Quem quer que seja, ele irradia poder. Não é humano. Seja o que for, parece que ele esteve me esperando.
A presença dele me pressiona, pesada e inegável, mas sob ela há uma sensação esmagadora de segurança – de que é o certo.
Como se eu pertencesse a este lugar.
Com ele.
Ele se aproxima, apenas o suficiente para que o luar toque o contorno de sua forma. Vislumbro ombros largos, força esculpida através das sombras – mas meu foco é atraído, impotente, de volta aos seus olhos.
Eles queimam com uma intensidade selvagem.
A atração entre nós se intensifica, enrolando-se lá no fundo do meu estômago, fazendo minha pele arder. Cada instinto dentro de mim grita para alcançá-lo, para diminuir a distância, para...
A brisa muda e ele inspira profundamente.
O som envia um calafrio violento por mim. Arrepios surgem em minha pele enquanto o ar estala, carregado de tensão. O olhar dele percorre meu corpo, como se visse muito mais do que deveria.
A expressão dele muda – não é apenas fome, não é apenas surpresa, mas algo muito mais perigoso.
Seus lábios se entreabrem, como se ele estivesse prestes a falar.
Seja o que for que ele vai dizer, eu sei, com uma certeza profunda, que isso mudará tudo.
Prendo a respiração. Até a floresta parece se inclinar, esperando.
E então...
Meu peito se contrai dolorosamente enquanto a escuridão me atinge, me arrastando para baixo antes que eu possa ouvir o que ele tem a dizer.