Amor Encantado

Resumo

Tudo começou naquele dia fatídico. Ele me prendeu ao sofá, revelando quem realmente era. Ele não era o nerd que todos pensavam; ele era o herdeiro e o futuro Presidente de seu país. Eu deveria ter dado ouvidos aos seus avisos. Agora, estou mantida em cativeiro em uma terra desconhecida, presa como sua esposa sem qualquer esperança de fuga. Ele afirma que se apaixonou por mim à primeira vista, mas eu sei a verdade. Não é amor; é sua obsessão doentia. _________________________________ "Você chama de obsessão, eu defino como amor." _________________________________ Você talvez conheça este livro como 'President', que foi deletado pelo Wattpad.

Status
Completo
Capítulos
27
Classificação
4.9 15 avaliações
Classificação Etária
18+

Cap. 1 | Projeto

Uma brisa suave passou, tocando o rosto bonito de um homem deitado de bruços, de olhos fechados. O zumbido ritmado da máquina de tatuagem ecoava pela sala, gravando padrões intricados em sua pele. Os cabelos longos caíam sobre os olhos, que costumavam ficar escondidos atrás dos óculos, criando um véu de mistério. "Pronto, senhor", disse o tatuador.


Ele abriu os olhos, levantou-se e encarou a tatuagem recém-feita no espelho. Era uma obra-prima que sempre ficaria escondida sob o moletom, um segredo só dele. Sem demonstrar nenhuma emoção, observou os detalhes. De repente, uma notificação no celular desviou seu olhar. Ele conferiu a mensagem.


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"Argh! Que dia!", ela resmungou enquanto subia as escadas correndo e olhava mais uma vez para o relógio de pulso. Qualquer um perceberia que ela estava exausta e precisava descansar só de olhar. Parou por um segundo, respirou fundo e continuou subindo, os passos ecoando no corredor vazio.


Ao dobrar o corredor, quase esbarrou em alguém que descia. Ao levantar os olhos, encontrou os dele, sua pessoa favorita. O coração disparou, as pupilas dilataram, e um sorriso discreto surgiu nos cantos dos lábios. Apesar da vontade de parar, decidiu ignorá-lo, ciente de que estava atrasada.


Ele estendeu a mão e segurou seu braço com delicadeza, fazendo-a parar. "Aonde você vai? Achei que suas aulas já tinham acabado", disse, com curiosidade e preocupação. Ela assentiu rápido. "Acabaram, mas acabei de receber uma mensagem sobre uma aula extra. Dizem que é importante, então não posso faltar", explicou, ofegante.


Sophia, mediana nos estudos, era aluna de Ciências Políticas na Suíça e tinha um namorado chamado Sihyun. O melhor amigo dele, Jackson, era amigo em comum dos dois. Sihyun assentiu e soltou seu braço. "Te vejo logo, querida. Me manda mensagem quando estiver livre", disse. Sophia concordou e saiu apressada, enquanto Jackson riu da cena fofa dos dois.


"Se já acabou de babar nela, vamos embora?", Jackson provocou Sihyun. Ele deu um soco de brincadeira no amigo, e os dois desceram as escadas, absortos na conversa. Estavam tão entretidos que não notaram o rapaz subindo correndo. Ele usava um moletom branco, com uma mochila pendurada em um ombro, mal contendo um livro dentro. Os cabelos pretos e longos realçavam sua aparência marcante. Bastava um olhar para perceber que tinha um corpo perfeito.


Jeon Jungkook, filho único do presidente do país XXX, era uma figura imponente. Como único herdeiro, estava na linha de sucessão para se tornar presidente. O país, governado pela família Jeon, não tinha democracia. O presidente criava e revogava leis à vontade, reinando como um rei e vivendo em luxo absoluto.


O poder da família Jeon era absoluto, e seu governo era marcado por controle rígido. Sair do país sem permissão do presidente era impossível — tentar fazê-lo ilegalmente, se descoberto, resultava em pena de morte. Jungkook, com seu carisma e linhagem poderosa, estava destinado a continuar o legado da família, vivendo uma vida de privilégios e responsabilidades.


sᴏᴘʜɪᴀ |


Cheguei à sala e soltei um suspiro de alívio, sabendo que não estava atrasada. Ao entrar, procurei rapidamente um lugar vazio. Vendo um no canto, sentei-me e respirei fundo, acalmando-me com um gole de água gelada. Foi então que notei um rapaz entrando, um pouco ofegante. Reconheci na hora: Jeon Jungkook. Um dos nerds mais bonitos da universidade. Era conhecido pelo comportamento rude e nerd. Mas ele é nosso veterano! Por que estaria na nossa aula?


Ele olhou ao redor, e seus olhos cruzaram com os meus por um instante. Naquele breve contato, senti uma faísca de curiosidade e interesse passar entre nós antes que ele seguisse em frente para encontrar um lugar. A maioria dos veteranos já estava sentada, e Jungkook ocupou a única cadeira vazia atrás de mim. O professor chegou, e cumprimentamos enquanto a aula começava.


A aula estava chata, e não conseguia entender por que fomos chamados com tanta urgência se não havia nada de especial para discutir. Enquanto a aula seguia, o professor anunciou de repente um projeto importante. Aquilo não era inesperado, mas o que me pegou de surpresa foi a exigência de trabalhar em dupla com veteranos. Não fazia ideia de quem pedir. Eu costumava me manter na minha, achando difícil confiar em alguém numa universidade onde muitos alunos pareciam falsos.


Depois de meia hora, o professor começou a perguntar aos alunos quem seriam seus parceiros para registrar os dados, e eu ainda não tinha certeza se algum veterano sequer me conhecia. "Senhorita Sophia! Quem será seu parceiro no projeto?", o professor me perguntou. "Ainda não encontrei ninguém, professor", respondi, com um pouco de culpa. "Senhor Jungkook, e o seu parceiro?", ele perguntou. "Ainda não encontrei", respondeu ele, com sua voz grave. Notei algumas colegas admirando sua voz. Que vergonha. Voltei a prestar atenção no professor.


"Que tal vocês dois formarem uma dupla? Vocês são os únicos sem parceiros", sugeriu o professor. Ouvi meu nome e olhei para cima, encontrando os olhos castanhos escuros de Jungkook. Por um momento, me perdi no seu olhar antes de voltar a encarar o professor. "Tudo bem, professor", Jungkook concordou. Soltei um suspiro de alívio, sabendo que não precisaria fazer o projeto sozinha. Além disso, Jungkook era conhecido como o melhor aluno da turma, o que era um bom sinal para o nosso trabalho.


Quando a aula terminou, começamos a sair. Notei Jungkook alguns passos à minha frente e me apressei para alcançá-lo. "Oi! Meu nome é Sophia", disse com um sorriso. Ele me olhou com uma expressão vazia, encarando por um momento antes de voltar a olhar para frente. "Jungkook", respondeu secamente. "Quando começamos o projeto?", perguntei. "Não precisa se preocupar com isso. Eu cuido do projeto, porque não tolero erros", disse. A resposta soou rude, e parei na frente dele, sem saber como prosseguir.


"O que isso quer dizer?", perguntei. "Você deve ser uma aluna mediana. E eu não preciso da sua ajuda. É isso que quero dizer", ele respondeu. Fiquei sem reação. Ele acabou de me ofender? Arqueei a sobrancelha. Ele continuou me encarando. Fiz o mesmo até meu celular tocar. Ele foi embora sem ouvir uma palavra minha. "Uau! Quem ele pensa que é? Um babaca arrogante." Respirei fundo para me acalmar e atendi a ligação.


ᴊᴜɴɢᴋᴏᴏᴋ |


Sophia… Linda… Sempre a admirei de longe. O que me impediu de me aproximar foi o fato de ela já estar em um relacionamento. O casal deles é bem conhecido na universidade. Soltei um suspiro. Não quero que algo dê errado no projeto por causa dessa bobagem de romance. É melhor fazer tudo sozinho. Recebi uma ligação do meu pai. Ignorei. Velho chato do caralho. Fui até a lanchonete pegar um almoço. Logo depois, recebi uma ligação do assessor do meu pai. Suspirei. "Sim?" "Bom dia, Príncipe."


"Aqui não é de manhã. Diga logo o que é", falei. "A saúde do Presidente está se deteriorando. Ele pode não ter muito tempo." Aquilo, na verdade, era uma boa notícia para mim. "E daí?", perguntei. "Seria bom se o senhor o visitasse", ele disse. "Vou pensar", respondi e encerrei a ligação. Como se eu fosse pegar um voo de horas só para vê-lo morrer! De jeito nenhum. Tenho muito trabalho aqui. Coloquei meu sanduíche na mesa, abri o laptop, coloquei os óculos e comecei a procurar um tema para o projeto.


Alguém me empurrou com força no ombro, fazendo-me tropeçar. "Essa mesa é nossa, nerd! Some daqui", o cara disse. Cerrei os dentes, tentando controlar a raiva. Meus olhos encontraram os dele — Sihyun, o namorado nada atraente de Sophia. Olhei ao redor e a vi pedindo comida com as amigas. Voltei a encarar Sihyun. "Ah, não sabia que essa mesa era reservada para perdedores. Valeu pelo aviso", falei e me levantei.


"Você—", Sihyun começou a dizer algo, mas parou, claramente surpreso com minha resposta. "É, aproveitem seu lugar especial", completei, com desdém. Tranquei a tela do laptop e estava prestes a ir embora quando vi Sophia caminhando em nossa direção. Nossos olhos se encontraram. "Oi!", ela disse. Não respondi. "Sobre o projeto, que tal começarmos amanhã?", ela sugeriu, enquanto o namorado passava o braço pela sua cintura. Odeio isso.


"O quê! Esse nerd está fazendo um projeto com você?", o namorado perguntou. "Para de chamar ele de nerd", Sophia sussurrou, mas eu ouvi. "Como eu disse, vou fazer sozinho, não se preocupe, coloco seu nome", falei e passei por eles, sem querer ver mais nenhum momento romântico entre os dois. Um dia eu mato esse cara. Destranquei o carro, entrei e joguei a mochila no banco do passageiro. Minha mão apertou o volante com força ao lembrar de como ele segurava a cintura dela.


Comecei a dirigir em direção ao meu apartamento, enquanto minha mente ainda estava presa aos momentos em que me apaixonei por ela. Foi no dia da recepção dos calouros, quando os professores me pediram para apresentar o evento. Meus olhos a encontraram, porque ela estava toda de roxo, dos sapatos até a faixa no cabelo. Na época, achei estranho, mas agora sou viciado. Já se passaram três anos desde então. Nunca a persegui como um tarado. Mas sempre a observei. Só ela. Nem eu mesmo sei o que tem de tão especial nela.


Achei que minha obsessão passaria logo. Mas só aumentou. E quando descobri que ela já estava comprometida, meu primeiro pensamento foi matar o namorado e ficar com ela só para mim, esperando pacientemente até hoje para não deixar meus pensamentos intrusivos vencerem. Mas agora, com a saúde do meu pai piorando, talvez eu tenha que deixar essa vida para trás em breve. E não consigo imaginar meu dia sem vê-la. Simplesmente não consigo.