O Rei Licantropo Amaldiçoado

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Resumo

Mia West vive de controle e rotina. Uma estrela em ascensão no lacrosse e uma filha querida no café da família, ela está satisfeita com sua vida universitária agitada — até que seu vizinho e amigo de infância, Noah Sinclair, volta para a cidade. Noah não é o mesmo garoto de quem Mia se lembra. Reservado, enigmático e um pouco atraente demais, ele é apenas uma distração de que ela não precisa. Especialmente quando ela começa a sentir uma atração inegável por ele, um impulso que ela não consegue explicar nem resistir. Noah Bennett Sinclair tem segredos. Como assistente de professor e um homem com um passado que o persegue, Noah está determinado a ficar longe de Mia. Mas quando o destino continua unindo os dois, e seus instintos de lobisomem se tornam impossíveis de ignorar, Noah percebe que manter distância pode não ser mais uma opção. Presos entre seu vínculo inegável, a atração irresistível e as sombras da maldição de Noah, Mia e Noah precisam navegar pelo terreno traiçoeiro da confiança, do desejo e da autodescoberta. Eles cederão à conexão magnética, ou os segredos que escondem irão separá-los? * * * Nenhuma parte desta história pode ser reproduzida, reescrita ou distribuída de qualquer forma sem permissão expressa e por escrito do autor. Plágio é crime!

Status
Completo
Capítulos
52
Classificação
5.0 25 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

MIA

A vida universitária na pequena cidade de Maplecrest County sempre foi uma mistura de caos e previsibilidade. Todos sabiam da vida de todos, o que só aumentava o meu desconforto. Para a maioria das pessoas aqui, o "relógio de parceiro" despertava por volta dos quinze anos. O meu? Silencioso como um túmulo. Por anos, levei na esportiva com meus amigos, dizendo que tinha outras coisas para focar, como lacrosse e os estudos. Mas a verdade era que, a cada dia que passava sem qualquer sinal no meu peito, sentia como se uma força estivesse pressionando cada vez mais.

“West. Você está prestando atenção?” A voz aguda do treinador Greene interrompeu meus pensamentos, trazendo-me de volta ao presente.

“Sim, Treinador”, gritei, ajustando a pegada no meu taco de lacrosse.

O resto da equipe já estava formando uma barreira defensiva, com movimentos rápidos e fluidos. Corri para me juntar a eles, afastando aquela dúvida incômoda que surgia em todo treino: O que há de errado comigo?

Das arquibancadas, eu podia ouvir Sasha, Emily e Lily conversando. Elas sempre vinham assistir; suas risadas e provocações eram uma constante reconfortante no meu mundo, que de resto parecia despedaçado. Sasha tinha encontrado seu parceiro no primeiro ano, e Emily e Lily não estavam longe disso. Elas nunca diziam em voz alta, mas eu podia sentir a pena delas toda vez que o assunto "parceiro" surgia. Mesmo agora, os olhos delas se voltavam para mim entre as jogadas, e aquele julgamento silencioso era mais alto do que o apito do treinador.

“Foca, Mia”, murmurei para mim mesma enquanto me posicionava. Eu não tinha tempo para remoer o que não tinha.

Treinamos por mais uma hora, correndo através de exercícios sob a luz do sol que se punha. Quando o Treinador finalmente apitou o final, minhas pernas doíam e meus pulmões queimavam, mas eu agradeci pela distração. Qualquer coisa para impedir que minha mente entrasse em parafuso. Corri em direção à lateral, pegando minha garrafa de água onde a tinha deixado. Minhas amigas acenaram, fazendo sinal para eu me juntar a elas, mas balancei a cabeça. Eu não estava com humor para aquela preocupação mal disfarçada hoje.

“Mia, espera”, Emily chamou, correndo até mim. “Você ainda vai à fogueira mais tarde, né?”

Hesitei, mordendo a parte de dentro da bochecha. “Talvez. Depende de quão cansada eu estiver.”

Ela franziu a testa, mas assentiu, sem insistir. “Beleza. Só avisa a gente. Não vai ser a mesma coisa sem você lá.”

Após um sorriso forçado, segui em direção aos vestiários. O campus fervilhava de vida enquanto os estudantes saíam do campo, suas conversas se misturando em um zumbido baixo. Olhares curiosos e as encaradas de sempre me seguiam por toda parte. Eles não precisavam dizer em voz alta, mas eu podia imaginar o que todos pensavam sobre mim.

A retardatária. A garota sem parceiro.

Ao entrar no vestiário fresco e vazio, soltei um suspiro de alívio. O cheiro fraco de suor e desinfetante preenchia o ar, me mantendo centrada enquanto tirava meu equipamento e entrava no chuveiro. A água estava escaldante, mas eu gostei da ardência. Era melhor do que o vazio doloroso no meu peito.

Assim que comecei a relaxar, aconteceu.

Um calor estranho surgiu no fundo do meu peito, espalhando-se como fogo. Minha respiração falhou à medida que a sensação crescia, um pulsar rítmico que não era exatamente ruim, mas que me deixava ofegante mesmo assim. Pressionei a mão contra o osso esterno, tentando me estabilizar, mas o calor apenas intensificou. Tão rápido quanto começou, o sentimento se concentrou em um puxão único e implacável.

Que porra foi essa?

A realização me atingiu como um raio. Meu cronômetro — ele tinha começado. Cambaleei para fora do chuveiro, mal me dando ao trabalho de me secar enquanto corria para o meu armário. Minhas mãos tremiam enquanto eu vestia um moletom e um capuz, minha mente disparada. Por anos, imaginei esse momento. Pensei que sentiria alegria, alívio, talvez até entusiasmo. Mas tudo o que senti foi pavor.

Saí tropeçando do vestiário, ignorando os olhares confusos das minhas colegas que ainda estavam por perto. O puxão no meu peito ficou mais forte, mais insistente, como se algo — ou alguém — estivesse me chamando. Meus pés se moveram sozinhos, me levando através do pátio em direção ao lado leste do campus.

O ar estava frio, com um toque de pinho e terra úmida. Sombras se estendiam pelos caminhos de paralelepípedos e a conversa dos estudantes sumiu ao fundo. Meu coração martelava no peito enquanto eu seguia o fio invisível que me guiava.

Ele me levou além da biblioteca, por um beco estreito e para fora, no pátio aberto perto do prédio da administração. Minha respiração saía em curtos intervalos enquanto eu vasculhava a área, procurando por... algo. Alguém.

Mas a pessoa para quem meu laço me direcionava não estava no pátio. E se eu vim ao lugar errado?

Os estudantes ao redor diminuíram o ritmo, seus olhares me seguindo para saber meu próximo passo. Esse era o lado negativo do cronômetro. Mesmo que os outros não pudessem vê-lo, eles podiam senti-lo também. Eles sempre sabiam quando o seu cronômetro começava. A pequena multidão cresceu para um grupo de dez. Pessoas que eu nunca vi na vida ficavam rondando o pátio, algumas com os telefones levantados. Meu peito apertou enquanto a dúvida surgia. E se eu estiver errada? E se isso for uma brincadeira cruel que meu corpo está pregando em mim?

Pelo canto do olho, notei um movimento. Um grupo de estudantes caminhava para o banco de ferro ao lado da fonte no centro do pátio. Suas risadas ecoavam na noite silenciosa enquanto eles se sentavam. Sasha, Emily e Lily estavam entre eles, suas vozes se sobressaindo ao som da água.

“Mia”, Sasha chamou, fazendo sinal para eu ir até lá.

Como elas chegaram aqui tão rápido? Às vezes, eu odiava este condado. Eu demorei, o puxão no meu peito me arrastando, me instigando a continuar. Mas eu estava plantada no lugar, o peso dos olhares delas me prendendo. Sasha franziu a testa, sua preocupação evidente mesmo à distância.

Como se fosse um sinal, as risadas mudaram. Já não eram descontraídas. Eram zombeteiras, cruéis. Talvez fosse coisa da minha cabeça, mas todos pareciam estar olhando para mim, sorrindo.

“Acho que o parceiro dela está atrasado”, murmurou um dos caras no pequeno grupo, alto o suficiente para eu ouvir.

“Talvez ela não tenha um”, acrescentou outra garota, com um tom escorrendo condescendência.

O calor subiu às minhas bochechas enquanto meu estômago dava um nó. Continue andando, meus instintos sussurravam. Mas minhas pernas não obedeciam. Elas estavam plantadas ali. Aquilo deixava claro um fato que eu sempre tentei negar. Eu podia ser a melhor jogadora de lacrosse ou a melhor pessoa de toda a faculdade e do condado, mas se eu não tivesse um parceiro, eu não era nada.

Com o olhar focado no chão para evitar os olhares zombeteiros, mexi no meu colar, torcendo para que eles se cansassem e fossem embora. A Maplecrest College tinha alguns dos estudantes mais intrusivos. Eu já tinha visto isso acontecer algumas vezes. Eles eram tão cruéis quanto gentis, sem meio-termo. Hoje, por acaso, eu estava vivenciando a crueldade deles. Pelo meu bem, espero que ninguém estivesse gravando isso, ou eu estaria nas páginas de mídia de Maplecrest County.

Uma voz cortou o barulho, baixa e firme. “O que está acontecendo aqui?”

O barítono me tirou do transe e, sem pensar, corri para a borda do pátio para escapar dos olhares, mas bati em uma parede de músculos rígidos. Ele me segurou antes que eu caísse, com as mãos firmes em meus ombros. Abri a boca para pedir desculpas, mas minha respiração falhou quando olhei para o tom mais quente de olhos cor de avelã que eu já tinha visto. O bom senso exigia que eu desse um passo atrás e me desculpasse, mas não o fiz.

Tudo ficou em câmera lenta enquanto o vento levava algumas mechas do seu cabelo castanho escuro, levemente bagunçado, para cima dos olhos. O brilho suave das luzes da fonte iluminava seus traços marcantes: um maxilar esculpido, maçãs do rosto altas e o par de lábios mais rosados que já vi em um homem. Ele era um deus.

“Mia, você está bem?” ele sussurrou.

Era a mesma voz de antes, e era relaxante aos ouvidos. Espera, ele sabia meu nome. Essa percepção enviou um choque elétrico ao meu cérebro e eu pulei para trás. Seus olhos se estreitaram, mas ele me deu o espaço que eu parecia precisar agora. Resquícios de faíscas zumbiam onde nossos corpos tinham se tocado. Tudo parecia amplificado, até o silêncio. Esse encontro aconteceu na hora certa.

“Eu te conheço? Como você sabe meu nome?”

Ele franziu a testa. “Você não se lembra de mim?” Eu tentei, de verdade, mas não conhecia tantos homens bonitos. Sentindo minha confusão, ele me jogou uma boia de salvação ao oferecer seu nome. “Noah Bennett Sinclair. Ouvi o barulho no caminho.”

“Noah?” consegui dizer, minha voz quase um sussurro.

“O Noah Bennett”, ele respondeu.

Tive o segundo choque da noite. Dei um passo atrás, e tudo se encaixou. É claro que eu o conhecia. Sim, ele parecia mais velho, mais sério do que eu me lembrava, mas não havia como confundir aquelas sardas espalhadas pelo nariz. Ele tinha mudado. Noah sempre tinha sido um cara fofo, mas agora, ele era a personificação do homem mais sexy do mundo.

Conforme a confusão se dissipou, um constrangimento se instalou, envolvendo meu pescoço como uma coleira de ferro. Se eu achei que as pessoas iriam embora logo, eu estava muito enganada. Essa conversa inesperada tinha dado mais margem para fofocas.

“Eles ainda estão olhando, não estão?” Ele não tirou os olhos de mim, e eu senti a necessidade de explicar. “Meu cronômetro.”

Ele assentiu, compreensivo. “E seu parceiro ainda não está aqui?” Eu murmurei um "não" em resposta, e em uma voz baixa o suficiente apenas para eu ouvir, ele disse: “Finja que eu sou seu parceiro.”

“O quê?”

Antes que eu pudesse processar o que estava acontecendo, ele passou um braço em volta da minha cintura e me puxou para perto. O calor do seu toque enviou um zumbido pelo meu sistema que me fez vibrar de satisfação. Por um momento, o puxão no meu peito parou, estabilizando-se em algo mais quieto e calmo.

Para quem estivesse olhando, provavelmente parecíamos um casal reunido após anos separados. Mas enquanto eu olhava para ele, com a confusão rodando na minha mente, percebi duas coisas.

Primeiro, Noah Sinclair tinha me salvado de uma humilhação total.

Segundo, o puxão no meu peito — o cronômetro — parou no minuto em que ouvi a voz de Noah.

Nota da Autora

Olá, Rainhas! Obrigado por escolherem TCLK. Esta é minha primeira tentativa com histórias de lobisomens, e espero que gostem tanto quanto eu gostei de criar este novo mundo.

À medida que avançarem na história, por favor, não se esqueçam de deixar uma curtida, um comentário ou uma avaliação. É a única maneira de eu saber que vocês estão curtindo a história, e é uma motivação extra para continuar. Mais importante ainda, deixará meu coração de escritora muito, muito feliz.

Obrigada desde já e boa leitura!

Iniciado: 3 de dezembro de 2024

(PS: Você pode comentar o dia em que começou a ler. Vamos ver quanto tempo você leva para terminar TCLK).