O Segredo Obscuro do Papai

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Resumo

Kat é filha de Theodore Heaton, um magnata dos negócios e possível futuro político. Mas você nunca diria isso ao olhar para ela. Sobreviver nas ruas, longe do pai, não tem sido nada fácil, e as coisas estão prestes a piorar muito. Quando Kat se encontra no lugar errado e na hora errada, seu destino fica por um fio no momento em que seus sequestradores entram em contato com a única pessoa que ela nunca mais quis ver: seu pai. A salvação de Kat vem de um lugar inesperado, resultando em um pesadelo para Theodore Heaton e suas ambições políticas. Alguns esqueletos estão melhor escondidos, especialmente daqueles que pretendem usá-los para seus próprios fins. No entanto, a confiança de Kat foi destruída, e o homem em quem ela precisa confiar não é outro senão o chefe da máfia, Luca Romano. Parece um pouco como pular da frigideira direto para um fogo tão intenso que talvez ela até goste de se queimar.

Status
Completo
Capítulos
22
Classificação
5.0 11 avaliações
Classificação Etária
18+

Chapter 1

Kat

Encaro as portas enormes do banco no centro da cidade. Lá dentro é quente, não faz esse frio de lascar que está aqui fora. Se eu tiver sorte, vou conseguir me misturar com os clientes comuns, pelo menos o tempo suficiente para me esquentar antes que um dos caixas me lance um olhar de desprezo.

Geralmente vou embora nessa hora, porque significa que os seguranças estão vindo, ou pior, o gerente do banco, que tem uma cara de quem enfiou um cabo de vassoura no rabo.

Puxo o capuz do casaco sobre a cabeça. A última coisa que eu preciso é que a câmera de segurança escaneie meu rosto. Estou tentando não chamar atenção. Não quero uma luz vermelha piscando em cima de mim, apontando e dizendo: "olha, a Kat Heaton está aqui".

Assim que empurro a porta pesada do banco, uma lufada de ar quente me atinge. Quase suspiro de prazer, mas me controlo. Preciso me enturmar. Então, sigo em direção ao expositor de folhetos, que vão me ensinar como conseguir um empréstimo ou como investir. Chance zero de isso acontecer agora.

Mal cheguei na metade do caminho quando uma das portas laterais se abre com tudo. O senhor "cabo de vassoura no rabo" vem correndo na minha direção, com uma cara de poucos amigos.

"Você de novo", ele sibila. "Devia chamar a polícia. Provavelmente está vigiando o lugar, mas não estou a fim de perder tempo com a papelada."

Ele agarra a parte de trás do meu capuz.

Bom, foi rápido demais. Vou ter que achar outro lugar para me aquecer.

Ele começa a me empurrar em direção à porta da frente, quando ela se escancara.

Vários clientes gritam quando três homens de máscara de esqui entram correndo, brandindo armas.

O primeiro está segurando uma espingarda de cano serrado.

"Todo mundo. Pro chão, porra!", ele grita.

Meu acompanhante tão corajoso me empurra para frente, e eu tropeço antes de atingir o chão. Depois, ele sai correndo para a porta de onde veio.

Ouço um estrondo alto quando a espingarda dispara. Olho por cima do ombro para o tal gerente e queria não ter feito isso. Ele não se mexe e uma grande poça de sangue começa a se formar embaixo do corpo dele.

Coloco a mão sobre a boca para abafar um grito, que acaba virando um gemido. Fecho os olhos com força, incapaz de olhar, sabendo que se eu gritar, posso ser a próxima.

Isso não impede os outros clientes de gritarem até que outro tiro soa. Dessa vez para o alto.

Meus olhos se abrem de repente para ver o gesso caindo do teto, com um dos outros homens ainda apontando a arma para cima.

"O próximo filho da puta que gritar vai acabar igual ao idiota ali, então cala a porra da boca!"

Ouço choramingos e alguns soluços. Então, outra voz masculina.

"Encham as bolsas rápido, e não tentem nada estúpido ou matamos alguém", ele rosna.

Arrisco um olhar rápido e vejo o caixa enchendo o que parece ser uma fronha com notas de dinheiro.

É aí que eu as ouço. Sirenes. Alguém deve ter acionado o alarme. Porra, estamos todos ferrados. Eles já mataram uma pessoa. Sinto meu coração martelando contra a caixa torácica. Nunca fui do tipo medrosa, mas que merda. Minha vida pode não ser um mar de rosas, mas eu gostaria de viver o suficiente para descobrir se um dia pode ser.

Achei que o líder era o cara da espingarda, mas logo fica claro que ele só era doido para atirar.

"Vamos embora", grita o cara que atirou no teto. Ele deve estar no comando.

"O quê? Mal pegamos alguma coisa."

"Não vamos ter nada se a polícia chegar aqui antes de sairmos."

O chefe olha em volta e aponta para mim.

"Seguro", ele rosna.

O cara da espingarda vem até onde estou caída no chão. Antes que eu possa pensar, ele bate com a coronha da arma na minha bochecha.

A dor sobe pelo meu maxilar e explode na minha cabeça, e pouco antes de a escuridão me levar, ouço o chefe dele.

"Eu disse para pegá-la como seguro, não para matar a porra da garota."

Tudo o que consigo ouvir é um gotejar irritante: pingo, pingo, pingo. É como uma tortura chinesa. Minha cabeça parece que vai explodir, e ainda sinto gosto de sangue na boca. Forço meus olhos a abrir e agradeço pela penumbra. A única luz vem de uma janela rachada no fundo de uma cabine de banheiro aberta.

Meus pulsos estão algemados a um cano ligado a uma pia. É de lá que vem o gotejar monótono. Isso é algum tipo de banheiro. Ladrilhos sujos e rachados cobrem o chão e alguns mictórios estão presos na parede do outro lado.

Estou no banheiro masculino. Provavelmente em algum café ou bar por aí.

Minha gratidão logo desaparece quando uma luz fluorescente é acesa. Estreito os olhos por causa do clarão. Um homem está parado na porta. Ele não está com uma arma, então, pelo menos, não planeja me matar, ou pelo menos não agora. Ele ainda usa uma máscara de esqui, provavelmente por minha causa. É difícil dizer qual deles é. Acho que não importa muito, não é como se algum deles quisesse ser meu melhor amigo.

Eles devem achar que eu vou correndo para a delegacia mais próxima se sair daqui e tentar descrever a aparência dos meus sequestradores. Nada poderia estar mais longe da verdade. A última coisa que preciso é que meu pai descubra onde estou.

De repente, sinto um enjoo subir pela garganta. Merda. Minha identidade. Estava no bolso do meu jeans. Eu deveria ter me livrado dela. Tanto esforço para não chamar atenção, embora eles provavelmente tenham reconhecido meu rosto de qualquer jeito.

Meu pai teve que inventar uma desculpa para o meu sumiço, então os jornais ficaram cheios de histórias sobre Katrina Heaton ter sido mandada para uma clínica de reabilitação. O trauma de perder a mãe a fez perder o juízo. Minha foto foi estampada na capa de todos os tabloides.

Nunca usei drogas na vida, mas fiquei traumatizada com a morte da minha mãe, só que não do jeito que todos pensam. Meu pai precisou de uma desculpa para o meu desaparecimento. Acho que foi o melhor que ele conseguiu quando o plano original dele falhou.

Pisco quando o flash da câmera dispara.

"Vamos ver se o papai querido vai soltar a grana pela filha rebelde", ele debocha.

Então a luz apaga e fico na escuridão.

Droga, não posso deixar ele me encontrar, porque se encontrar, todo esse tempo fugindo e vivendo nas ruas nas últimas duas semanas terá sido em vão.

Puxo o cano, torcendo para me soltar. O banheiro parece estar em péssimo estado. É muita falta de sorte minha que o cano seja a única coisa que não está caindo aos pedaços.

Eu poderia ter ficado grata por não terem atirado em mim no banco, mas esse alívio logo desaparece quando penso nas consequências de meu pai me encontrar.

Meu pai quer se livrar de mim. Que jeito melhor do que deixar uns sequestradores acabarem comigo? Seria uma saída fácil para ele. Significa que ele não teria que lidar comigo pessoalmente. Sei demais e, se a verdade viesse à tona, suas aspirações políticas iriam por água abaixo. Não dá para ser o próximo senador se você está cumprindo pena na penitenciária estadual ou no corredor da morte.

Encosto a cabeça nos ladrilhos frios. Isso alivia um pouco a pulsação na minha cabeça, e então espero. Não tenho certeza do quê. Provavelmente os sequestradores irritados descarregando a raiva em mim quando perceberem que não vai ter dinheiro nenhum.

Não preciso esperar muito. Bom, não parece ter sido muito, mas quem sabe? É difícil contar a passagem do tempo quando você está algemada a um cano em um banheiro masculino.

Quando a luz acende de novo, dou de cara com dois deles. Isso não parece que vai acabar bem.

"Parece que o papai não está querendo colaborar, ou talvez precise de um pouco mais de prova."

Um deles vem por trás de mim e me dá um mata-leão. Luto contra, mas é inútil. O aperto dele só aumenta, a ponto de eu mal conseguir respirar.

O outro destranca uma das algemas, então não estou mais presa ao cano. Mas, antes que eu possa tentar bater nele, sou empurrada para o chão, de cara para baixo.

As aulas de defesa pessoal que fiz por insistência da minha mãe não estão ajudando muito. Dois contra uma desse jeito, não tenho chance nenhuma.

Não estou mais sendo enforcada, mas ele torce um braço meu para trás em um ângulo nada natural, enquanto o outro cara puxa meu outro braço, deixando minha mão espalmada no chão de ladrilhos.

"Vamos ver se o papai colabora quando tiver um dos seus dedos."

Grito quando ele tira uma faca do cinto, e tento me soltar, mas é inútil. Meu outro braço é torcido ainda mais, me fazendo gemer e desistir de qualquer tentativa de fugir.

Antes que ele possa fazer o que quer, ouço um barulho alto vindo de fora do banheiro.

Parece uma porta sendo arrombada.

Meu coração bate forte contra as costelas. Não sei de quem tenho mais medo. Dos caras aqui dentro tentando arrancar um dedo meu, ou de quem quer que tenha acabado de invadir.

Se for alguém enviado pelo meu pai, estou em muito mais perigo do que apenas perder um dedo.

O cara com a faca solta minha mão.

"Porra, é o Romano. Fica aqui enquanto tento resolver as coisas."

Reconheço a voz dele. É o chefe do trio.

Ele solta a faca enquanto corre para a porta, com as mãos para o alto, como se fosse se render.

"Sr. Romano… eu posso explicar."

Ouço um estrondo alto de um tiro. Porra. Tenho que sair daqui.

Não sei quem é esse Romano, mas ele soa como o tipo de pessoa que meu pai contrataria para fazer o trabalho sujo. Um assassino a sangue-frio que acabou de atirar em alguém sem nem esperar para ouvir o que tinham a dizer.

Vejo a faca e sei o que preciso fazer. Estico a mão rapidamente e, antes que o imbecil atrás de mim perceba, eu a enterro com força na coxa dele.

Puxo e enfio de novo.

Ele grita e solta meu braço.

Ele rola pelo chão, tentando estancar o sangue que começa a formar uma poça debaixo da perna dele. Saio rastejando. Não vou soltar essa faca agora. Já usei uma vez e, se precisar, usarei de novo.

Não posso sair pela porta, não com esse tal de Romano lá fora, então vou em direção à pequena janela da cabine.

Passo pela poça de sangue, ignorando a viscosidade na sola do meu tênis.

Tento abrir a janela, mas parece estar emperrada, então faço a única coisa que posso. Quebro o vidro com a algema pendurada no pulso. Ele estilhaça e cacos voam para todo lado. Sangue pinga da minha mão, mas puxo a manga do meu casaco para tentar estancar o corte e proteger a mão enquanto empurro o restante do vidro quebrado das bordas. A janela é pequena, mas sempre fui magra, e somando ao fato de quase não ter comido nada nas últimas duas semanas, estou fina o suficiente para passar pelo vão.

A queda até o concreto lá embaixo é maior do que eu pensava e, quando atinjo o chão, solto um chiado quando meu tornozelo vira. Não posso me preocupar com isso agora. Tenho que sair daqui.

Olho para a esquerda e para a direita e vejo um beco. É minha melhor aposta. É o caminho mais rápido para longe do prédio onde eu estava sendo mantida, logo, minha melhor chance de fuga.

Manco pelo beco, sentindo dor toda vez que meu pé toca o chão. Tão concentrada em fugir, nem vejo a trilha de pegadas ensanguentadas que vou deixando pelo caminho.