Sexto esquadrão: Black Wings

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Resumo

Ghunter é um garoto não muito comum, cresceu como uma pessoa normal, mas sempre foi julgado por seus olhos diferentes, nunca ligando para isso e achando que não era nada demais. Porém um dia ele descobre que foi convocado desde pequeno para uma academia supostamente ligada ao rei de Elgardya, para proteger aqueles que ele ama, mesmo com o medo e falta de compreensão sobre aquilo, Ghunter se prontifica à ir e arriscar sua vida pela dúvida, com isso ele passa por diversas situações onde ele pode ou não estar descobrindo mais sobre o seu passado. É tempo de revelações e mistérios, Ghunter não pode deixar o medo impedi-lo... Ou será que pode?

Status
Em Andamento
Capítulos
2
Classificação
n/a
Classificação Etária
16+

Prólogo

   Está tudo um caos, o pequeno vilarejo se encontra em total destruição, o vapor de calor vindo dos celeiros pegando fogo, os gritos das pessoas que correm por suas vidas, o cheiro de carne queimada... Carne humana incinerada pelo fogo, a cena é de embrulhar o estômago.

   Você foi mandado para este vilarejo na intenção de impedir o ataque e evacuar as pessoas, mas você e a tropa que te acompanhou acabaram não conseguindo chegar a tempo.

   O motivo que causou toda essa destruição? Foram os Khaloks montados em seus Neraghors, dragões escuros como sombras e ágeis como águias de rapina.

   Você é um recruta da trono de sangue. A academia acabou recebendo avisos dos guardas de uma guarita sobre Neraghors se aproximando em direção a esse vilarejo, para causar o menor número de perdas civis, os guardas da guarita a essa hora já devem estar mortos, pensar isso faz o seu coração apertar.

   O seu grupo está sendo liderado pela instrutora de batalha e sua dragoa Howl, que estão na linha de frente acompanhadas por alguns dos melhores recrutas disponíveis. Por que você não está lá? Você não é habilidoso o suficiente? São perguntas que te rondam a todo momento.

   Os que não estão na linha de frente, receberam ordens da instrutora de procurarem por sobreviventes e os levarem para um lugar seguro “Lugar seguro é? Não tem lugar seguro aqui”. Seus pensamentos por mais pessimistas que sejam, infelizmente eles condizem com a realidade.

   O aperto no seu coração está sendo bem incômodo e a dificuldade em respirar te sufoca cada vez mais, assim que você chegou no vilarejo de Vasthara, a primeira coisa que você fez foi ir na casa de Charlyne, mas ao chegar lá, você se deparou com a casa totalmente destruída, a esperança de Charlyne ter conseguido escapar a tempo é a única coisa que não te deixou desabar em choro ainda.

   Mesmo com diversos gritos de pessoas ressoando no ar, achá-las não é uma tarefa fácil, você mais do que todos ali se sente na obrigação de salvar a maior quantidade de pessoas possível ali, e isso é o que te motiva a não desistir e continuar procurando até no canto mais improvável.

   Você sobrevoa uma casa com Aylef a procura de pessoas vivas, novamente nada, até agora você não conseguiu ajudar ninguém dos que estavam ali presentes... Em todos os lugares que você foi na intenção de salvar os sobreviventes não tinha ninguém, os que tinham estavam mortos das formas mais variadas, desde esmagados até queimados.

   Todos esses corpos, muitos de pessoas que você conhecia, essa situação toda é bem impactante para você, até crianças, isso tudo te deixa extremamente desconfortável.

   “GHUNTER, ALGUNS NERAGHORS PASSARAM PELA LINHA DE FRENTE”. O aviso de Christian te deixa preocupado, com Neraghors atrapalhando vai ficar bem mais difícil de procurar sobreviventes.

   Três sombras surgem no seu campo de visão “Em um combate à noite esses bichos devem ser bem chatos”. Um deles tem sua atenção atraída por Christian, ele deveria estar na linha de frente de acordo com sua habilidade, mas preferiu evitar e ficar na retaguarda ajudando os outros.

   O que estava no centro, antes de um deles se dissipar da formação, vem em sua direção, você e Aylef nunca negam um desafio e seguem em direção à ele, deixando os outros recrutas a procura de sobreviventes.

   Aylef poderia facilmente ser confundido com um deles, as únicas diferenças são os olhos amarelos e uma diferença de tamanho, isso acabou causando uma certa relutância de alguns ao verem pela primeira vez.

   Quando você fica próximo do Neraghor central e seu Khalok, ele muda sua rota e dá um rasante em direção à alguns recrutas levando um casal de crianças para algum lugar seguro onde quer que tenha um.

   Quando Aylef percebe, instantaneamente ele se prepara na intenção de dar um rasante na tentativa de impedir o ataque, mas sua ação é interrompida por um Khalok pulando em suas costas, te fazendo ficar em pé e se virar para o inimigo “Esse desgraçado usou o do meio como distração por ele estar em maior visibilidade, esses filhos da puta são mais inteligentes do que parecem”.

   É a primeira vez que você fica tão próximo de um Khalok, na real é a primeira vez que você está em uma missão onde envolve esses monstros, eles podem ter uma postura humanoide, mas eles não são humanos... Não mais pelo menos.

   Você se posiciona e segue os ensinamentos de Lian, sua instrutora estaria orgulhosa agora. Aylef sobe voo, com isso o invasor em suas costas perde um pouco de equilíbrio, porém você também perde.

   A luta para se manter em pé nas costas de seu dragão é bem maior para você, sendo bem sincero você parece ser o único que está sofrendo com isso. O Khalok se aproveita de sua baixa estabilidade e arremessa uma pequena bola de magia em você, ela pode ser pequena, mas a velocidade compensa sua falta de tamanho.

   Seu desvio é questão de milésimos de segundo, e mesmo assim a magia ainda consegue acertar em você, porém apenas causando danos superficiais.

   O local onde a magia acertou, queima como se o fogo do inferno te atingisse, por dentro é como se milhares de agulhas cutucassem a carne ferida e não para por aí, você consegue sentir o dano da magia se espalhando ao redor do machucado.

   O Khalok não parece com pressa e resolve esperar, os olhos brancos sem alma, a pele rachada como cascas de árvore seca, os dedos finos, porém longos como galhos, o odor de cinzas recém formadas que emanam de seus corpos e aquele sorriso quase sem dentes... Sim, aquilo está sorrindo para você.

   Um problema um tanto quanto incômodo para você é que pelo fato do Khalok ser de longa distância, ele não partirá para cima de você, o que te deixa em grande desvantagem.

   Vocês já estão bem altos, altos o suficiente para você começar a sentir os efeitos da densidade do ar “Espero que esse desgraçado também esteja com complicações aqui em cima”. O efeito da mudança de densidade te deixa um pouco desequilibrado, se o Khalok também não estiver assim as coisas não vão ficar boas para o seu lado.

   Mesmo com a sua dificuldade, você não pode desistir fácil assim, no treinamento vocês nunca haviam subido tão alto. Não importa o quanto Lian tenha lhe dito para nunca ser o primeiro a partir para cima, agora você sabe que ou você parte, ou você já perdeu “Qual é, ele atacou antes, então acho que conta né?”.

   Na intenção de se aproximar do Khalok, você corre pelas costas de Aylef, tentando não perder o equilíbrio por causa da dor imensurável que você está sentindo e o fato de estarem em uma altura que você não está acostumado.

   Enquanto você corre em sua direção, o Khalok joga mais daquelas magias em você, dessa vez um pouco maiores o que as torna mais lentas e fáceis de desviar, mesmo que algumas ainda te acertem por suas delimitações de equilíbrio.

   Você pega sua adaga de Drakonys e a de Drakium, ao se aproximar da fera, ataques com as lâminas são deferidos na intenção de acerta-la. Seu oponente se desvia dos ataques com extrema maestria, como se ele conseguisse saber exatamente o que você pretende fazer.

   Mesmo a curta distância o Khalok não desiste de lançar magias nos momentos que ele encontra uma abertura, a maioria está te acertando, o seu corpo todo queima como se você estivesse sendo incinerado vivo por fogo de dragão.

   Durante a luta algo te incomoda profundamente. O quê? O fato de que desde o começo, o sorriso no rosto do Khalok não se esvaiu uma única vez e todas as magias que ele usou em você, nenhuma acertou um único ponto vital... Ele sabia exatamente onde ia acertar... Ele está apenas brincando com você enquanto te debilita aos poucos.

   O pensamento do Khalok estar apenas brincando com você te deixa desconcertado e você resolve recuar alguns passos, o seu corpo está começando a falhar, mas isso não importa, apenas uma coisa passa pela sua cabeça agora “Charlyne, Lili... Pai... Eu decepcionei todos?... Eu falhei de novo”.

   Seu oponente não parece estar com pressa em te matar, ele parece gostar da situação, a altura não está o afetando em nada, você não acertou um único golpe... A sua derrota está clara... Mas o pensamento de desistir não te convence... Você vai lutar até o fim... É o que todos esperam de você.

   “Seu pai está vivo Ghunter...”. O Khalok pronuncia com sua voz rouca e grave “E mais próximo do que você pensa”. Você demora alguns segundos até conseguir processar o que ele fala, mesmo depois de entender o que o Khalok falou você não consegue acreditar ter ouvido certo.

   “Espera... Se esse tem a capacidade de falar... Ele é pelo menos equivalente as habilidades da instrutora... E ele sabe o meu nome”. O pensamento de ele ser tão forte quanto Lian faz suas pernas fraquejarem, você já não tinha esperanças de vencer, você já está todo debilitado, você nem sabe como está em pé ainda, mas mesmo assim desistir não é uma opção.

   Aylef compreende o quão debilitado você está e prossegue com um rasante na direção oposta que estava indo. Você acaba vendo os recrutas que estavam com o casal de crianças voando em seus dragões ainda a procura de sobreviventes, a esperança de eles terem conseguido salvar as crianças te alivia.

   Você se prepara novamente “Segundo round defunto mal passado”. Você fala na intenção de irritar a criatura. Aylef por maior que seja, é o mais rápido dos dragões da academia, você nota que dessa vez, quem está em desvantagem é o Khalok.

   Com a velocidade de Aylef, saltos poderiam acabar levando a um escorregão facilmente, você sabe bem como isso funciona, então por mais que suas esquivas estejam limitadas, as do seu oponente também estão.

   O vento forte bate em sua cara quase te jogando, mas você ainda consegue se manter em pé, por mais machucado que você esteja. Seu novo avanço é atrapalhado pelo machucado em sua perna que começa a arder ainda mais agora, com a dor repentina você se assusta e acaba soltando sua adaga de Drakonyx a deixando cair em algum lugar no vilarejo.

   Mesmo com a dor na perna, você tenta novamente, Lian jamais te perdoaria se você desistisse. Novamente você começa a atacar, dessa vez conseguindo acertar alguns golpes, mas mesmo assim o sorriso no rosto do Khalok não some por nada, o que te deixa bem desconfortável.

   O seu inimigo finalmente está aparentando estar em uma situação complicada, quando você vai dar um golpe certeiro em seu pescoço, instantaneamente ele salta o mais alto que pode, te fazendo acertar o corte na perna do Khalok ao invés do pescoço.

   Com o salto e a velocidade de Aylef, antes mesmo da queda da criatura, seu dragão já havia saído de baixo dela, fazendo com que a mesma continuasse caindo em direção ao chão. Por um momento você pensa ter ganhado do Khalok, mas vê um Neraghor pegando o mesmo ainda no ar.

   “Acho que o Zoan seria uma boa pedida aqui”. Seus pensamentos são interrompidos ao sentir todo o seu corpo desistindo de você, o fazendo cair das costas de seu dragão.

   Por mais rápido que Aylef seja, ele não consegue mudar a direção do rasante a tempo. Durante sua queda você não conseguia sentir nada a não ser o vento em seu rosto, o único som que você ouvia era o chiar do vento e sua mente estava livre de qualquer pensamento, por mais que a situação seja complicada, desespero não passa por sua mente, você apenas não morreu com a queda por causa que uma recolhedora amenizou o impacto.

   Você se encontra agora quase inconsciente em uma recolhedora, no centro do vilarejo, arrodeado por casas destruídas ou pegando fogo. Alguns momentos após a queda Aylef se aproxima de você, te protegendo contra o que quer que possa aparecer.

   “SAI AYLEF”. O seu grito é interrompido por um engasgo, você começa a cuspir sangue logo após, o estrago que o Khalok fez parece ter sido grande “Se vieram Khaloks e Neraghors, os Tharvoks vão chegar a qualquer momento... Em terra você não tem chance contra um bando deles em seus Vorgaths”. Você clama para que seu dragão te deixe ali, sendo respondido com uma lufada de ar quente. Aylef não é o tipo de dragão que abandonaria o companheiro.

   “Por favor”. Você fala em um cochicho quase sem voz. Novamente sendo ignorado por seu dragão que não se importa em quão arriscado seja.

   Você já não consegue nem manter os olhos abertos, seu corpo não responde mais aos seus comandos. A dor sumiu, mas será que isso é realmente um bom sinal?

   Acima de você uma pessoa salta de seu dragão, não é a mesma distância que você caiu, mas é o suficiente para um estrago se não cair de forma certa. A pessoa corre até você, embora você já não consiga mais reagir ou ao menos abrir os olhos para receber de forma educada.

   Antes de perder a consciência a última coisa que você consegue perceber é a pessoa te tirando da recolhedora e o segurando nos braços enquanto grita “ABRE OS OLHOS CAS, NÃO DORME POR FAVOR. TRAGAM LOGO O ZOAN MERDA”. Você reconhece a voz, finalmente algo passa pela sua mente novamente “Lili... Ela veio”.