A Promessa do Alfa

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Resumo

Quando o pretendente controlador de Kaylee cruza todos os limites, a salvação surge com presas — e um preço que ela jamais esperou pagar. Skoll Ulfric retornou após cinco anos de um exílio autoimposto, e o impiedoso Alfa Lycan não voltou para ser bonzinho. Sua intervenção naquela noite não foi um ato de bondade — foi posse, despertada pela maneira como ela tremia e implorava, um momento que assombra cada um de seus pensamentos. Agora, Kaylee é arrastada para o mundo brutal de Skoll enquanto ele caça a fonte de uma droga distorcida — uma substância que transforma lutadores sobrenaturais em monstros e ameaça destruir tudo o que eles conhecem. A obsessão de Skoll é sombria e devoradora, puxando-a para as sombras onde cada toque promete dor e cada respiração tem gosto de pecado. E os inimigos estão se aproximando. Quando Kaylee descobre que seu irmão está envolvido na mesma teia mortal que destruiu a família de Skoll, ela é forçada a escolhas impossíveis. Forças poderosas espreitam atrás de fachadas polidas, seus sussurros são afiados como lâminas, e a traição está muito mais perto do que ela ousa imaginar. Presa entre o perigo mortal e uma fome que queima como fogo sacrificial, Kaylee precisa escolher: confiar no Alfa brutal que já reivindicou sua alma ou trilhar seu próprio caminho em um mundo que devora os fracos — sabendo que qualquer uma das escolhas pode destruir tudo o que ela ama.

Status
Completo
Capítulos
60
Classificação
4.8 20 avaliações
Classificação Etária
18+

Prólogo

LUCIEN

O ar de outono cortava a pele de Lucien, frio e intenso, trazendo o cheiro de terra úmida e folhas mortas. A estação estava mudando, mas o frio não era suficiente para pará-lo. Nada nunca era.

Suas patas massivas batiam contra o chão da floresta, os músculos movendo-se com facilidade enquanto ele serpenteava entre as árvores. Correr assim — sobre quatro patas, em sua verdadeira forma — parecia mais limpo, mais puro. Sem mentiras, sem jogos de poder, sem acordos do caralho para negociar. Apenas a força bruta do instinto e da potência, um predador no topo da cadeia alimentar.

Mas esta noite não era sobre prazer.

Esta noite era sobre encontrar Skoll.

Aquele bastardo estava fora de circulação há tempo demais. Ignorando chamadas, evitando o mundo, afogando-se na própria raiva do jeito que só Skoll Ulfric, porra, sabia fazer. Mas agora, com os lutadores apresentando sinais da mesma doença que matou Kane, o irmão de Skoll, Lucien não tinha tempo para o exílio autoimposto dele.

Ele precisava voltar. E se se recusasse, Lucien mesmo o arrastaria de volta.

O vento mudou, trazendo algo pesado e acre.

Sangue.

Não um sangue qualquer — eram as presas de Skoll. No momento em que o cheiro o atingiu, ele viu os cadáveres de um bocado de linces. Os corpos estavam espalhados a quilômetros de distância, mas foram abertos e estraçalhados de um jeito que não era apenas caça.

Aquilo não era pela sobrevivência. Aquilo era um massacre.

O primeiro lince estava despedaçado; suas patas e a parte superior do corpo estavam separadas por metros de vísceras mutiladas, tripas enroscadas nas raízes de uma árvore próxima. A morte foi cruel e desnecessária — não era caça, era destruição.

Outro jazia estirado perto dali, com a garganta rasgada em um corte irregular — como se Skoll nem tivesse esperado ele morrer antes de seguir para o próximo. O modo como o sangue se acumulava embaixo dele, ainda brilhando sob a lua, dizia a Lucien que ele morrera há poucos instantes.

E o último — o pior.

O alce estava sentado em um monte retorcido, sua pelagem coberta de terra e sangue, mas seus olhos… eles ainda estavam abertos. Congelados de horror, presos no último momento de desespero antes de encontrar o monstro na floresta.

Lucien soltou o ar com força, sua respiração formando uma névoa no frio.

— Porra, Skoll — resmungou ele, balançando a cabeça. — Estamos declarando guerra a toda essa floresta, é isso?

Lucien diminuiu o passo, inspirando fundo, permitindo que a noite lhe dissesse o que seus olhos ainda não podiam ver. Seu Alpha estava por perto.

E lá estava — o almíscar espesso de seu amigo. Lucien disparou novamente, serpenteando pela floresta densa, seus membros poderosos devorando a distância entre eles. Cada respiração puxava mais do cheiro de Skoll, o almíscar pesado de suor, sangue e algo selvagem.

O vento mordia sua pelagem, frio e cortante, carregando os últimos traços do outono antes que o inverno reivindicasse a terra. O ar tinha gosto de chuva, de morte. Gosto de resquícios de carnificina.

Suas garras cavavam a terra, cada passo deliberado, com o instinto assumindo o controle.

Encontrá-lo.

A floresta silenciara ao seu redor — nada de corujas, nada de pequenas presas se movendo no mato, apenas o sussurro das folhas e o impacto constante de seu próprio movimento. Os animais sabiam o que era melhor.

Algo estava ali, algo que eles não queriam cruzar.

Algo maior. Algo pior.

Lucien forçou o ritmo, entrando mais fundo, atravessando a mata densa; o cheiro se tornava mais forte a cada respiração — Skoll estava perto.

Então, adiante, em uma clareira banhada pelo luar e pelo sangue, Lucien o encontrou.

Skoll estava sobre um enorme urso negro, com a garganta arrancada e vapor subindo de sua carcaça ainda quente.

Sua pelagem — antes sedosa e negra como a meia-noite — estava encharcada de carmesim, pingando nas folhas secas abaixo. Seus olhos, um verde selvagem mesmo em sua forma de Lycan, brilhavam sob a luz da lua, fixos na presa como se ele fosse partir para outra rodada só pelo prazer da coisa.

Lucien já tinha visto muitos monstros em sua vida, mas poucos pareciam tão selvagens quanto Skoll parecia agora. Ele achava que o terror que Skoll causou naquelas arenas de luta anos atrás fora ruim — quebrar homens como se fossem feitos de papel, afogando-se na própria raiva.

Mas aquilo?

Aquilo era uma espiral do caralho.

— Essa coisa já estava morta há cinco minutos — Lucien falou, revelando-se. — Você só está brincando com a sua comida a essa altura.

Skoll não se moveu, não piscou. Nem sequer o reconheceu.

Típico, porra.

Os pelos das costas de Lucien se eriçaram, mas desta vez, algo inquietante se agitou em seu estômago. Há quanto tempo Skoll estava assim?

O cheiro de sangue antigo impregnava seu corpo, espesso e viciado sob a carcaça fresca.

Dias? Uma semana? Tempo demais.

Permanecer em forma de Lycan por longos períodos os tornava mais fortes e rápidos — mas também os tornava mais animais do que homens. Mais instinto. Mais violência. Menos controle. E Skoll não era um Lycan qualquer. Ele era o Alpha, porra.

Lucien soltou o ar bruscamente, sabendo que, se Skoll tivesse passado do limite... porra. Aquilo seria um problema. Um problema do caralho.

Mas hesitar não era uma opção. Ele já tinha lutado contra seu amigo antes, puxando-o de volta da beira do abismo mais vezes do que conseguia contar, e se esta noite fosse mais uma dessas?

Que assim seja.

— Skoll. Sua voz agora carregava um aviso.

Nada.

Lucien mostrou as presas. Ótimo. Eles fariam do jeito difícil, e ele se lançou.

Skoll girou rapidamente — mais rápido do que qualquer Lycan normal seria capaz de se mover — e o recebeu com um rosnado; seus corpos colidiram em um borrão de pelos negros e força bruta.

Dentes se chocaram. Garras arranharam a pele grossa. Lucien sentiu o peso de Skoll jogá-lo contra a terra; o bastardo lutava como um bicho selvagem.

Bom.

Significava que ele não estava completamente perdido.

Lucien os girou, imobilizando Skoll, com as presas à mostra. — Chega.

Skoll rosnou, suas patas massivas cavando os ombros de Lucien, os músculos flexionados. Sua força ainda era brutal, mas Lucien não soltou.

Aquilo não era sobre domínio. Era sobre lembrá-lo de quem, porra, ele era.

— Terminou? — Lucien resmungou, e seus dentes encontraram a pele, cravando-se na garganta de Skoll — não para dilacerar, não para romper, mas para segurar.

Para lembrá-lo.

Skoll rosnou, os músculos se retesando para revidar, mas Lucien não soltou. Aquilo não era sobre domínio. Era sobre tirá-lo do abismo antes que ele afundasse fundo demais.

Um aviso. Uma âncora.

— Bastardo do caralho. Runa sentiria vergonha de você — agindo como um vira-lata raivoso, atormentando esse ecossistema maldito.

O rosnado de Skoll vibrou através das presas de Lucien, um aviso baixo e primal por mencionar sua irmã morta. O instinto de lutar — de rasgar, despedaçar, recuperar o controle — tensionou-se, pronto para estourar. Por um segundo, Lucien achou que ele atacaria.

Então, finalmente, a tensão abandonou o corpo de Skoll.

Lucien soltou o ar pelo nariz, segurando firme por apenas mais um segundo antes de liberar seu amigo.

Sem palavras. Sem desculpas. Apenas respirações embaçando no ar frio, o peso silencioso da compreensão.

E, por agora, isso era o bastante enquanto ele observava Skoll recuar, e então começou.

Ossos estalaram, pelos retraíram, músculos se contorceram e deformaram, voltando à forma humana. A agonia grotesca e perfeita da transformação — algo que deveria ter sido doloroso, mas parecia natural.

Um batimento cardíaco depois, Skoll estava diante dele como um homem novamente — nu, coberto de sangue e completamente indiferente.

O ar entre eles estava pesado, carregado com algo não dito.

Lucien seguiu o exemplo; seus próprios ossos quebraram e se reformaram, seu corpo encolhendo para algo humano outra vez. Quando ele se endireitou, sua respiração formou uma névoa no ar frio, e a tensão pairava entre eles como um fio desencapado.

Eles estavam ali, nus, sem vergonha, dois animais de volta à pele.

Lucien girou os ombros, o último vestígio de dor da transformação assentando-se em seus ossos antes de estreitar os olhos.

— Há quanto tempo você está aqui fora? — Sua voz era um rosnado baixo, carregado de desaprovação.

Skoll apenas girou os ombros, alongando-se, os músculos tensos sob a pele ensanguentada. — Não começa — ele ordenou, e Lucien soltou um suspiro lento.

Paciência.

Paciência do caralho. — Você tem evitado minhas chamadas.

— Você tem o controle do Apex Pit.

— Sim, mas isso não impede que os outros questionem onde o Apex Alpha de Toronto desapareceu. Por cinco anos, porra.

As palavras atingiram como um golpe nas costelas, mais afiadas do que Lucien pretendia. Afiadas demais. Ele não queria ter explodido daquela forma — não com Skoll, não daquela maneira. Mas, porra... Cinco anos.

Cinco anos mantendo o Apex Pit unido com sangue e ossos. Cinco anos lidando com os lutadores, os negociantes, os jogos de poder — garantindo que o maldito império não colapsasse sob o próprio peso.

Lucien não estava reclamando. Ele teve sorte que os lutadores e os outros seres sobrenaturais o respeitavam o suficiente para não o desafiar. Sorte que o medo era tão eficaz quanto a lealdade.

Mas ainda assim — cinco anos era muito tempo para administrar um reino que não era seu, e agora, depois de tudo — Skoll finalmente estava de volta.

Ou, pelo menos, o que restou dele.

— Não estava a fim de conversar — ele disse secamente, girando os ombros como se a última década não passasse de um pensamento tardio.

Lucien bufou, com o maxilar trincado. Claro. — É, bom, isso não é problema meu. — Ele cruzou os braços, a tensão percorrendo sua espinha. — Nós temos uma situação.

Skoll arqueou uma sobrancelha. Desinteressado e distante.

Lucien conhecia aquele olhar. A mesma expressão do caralho que ele deu ao mundo cinco anos atrás antes de desaparecer na natureza, mas aquilo não era meia década atrás. E Lucien não o deixaria fugir de novo.

Suas próximas palavras soaram como um tiro. — A droga, Skoll. — Sua voz baixou, tornando-se mais aguda. — Ela voltou.

Skoll parou. Não muito. Apenas um leve aperto em seu maxilar, um lampejo de algo sombrio em seu olhar.

Lucien viu — a mudança. A coisa à espreita sob a superfície, contorcendo-se, esperando.

A voz de Skoll veio mais baixa agora, mais mortífera. — O que você disse?

— Você me ouviu.

Lucien manteve o olhar. Não recuou. Não suavizou. — Lutadores estão caindo, Skoll. Os mesmos sintomas que Kane.

Aquele nome foi uma bomba do caralho, e um músculo no maxilar de Skoll saltou. Seus dedos se curvaram. A tensão travou seus ombros, no jeito que seu peito subia de forma lenta e controlada.

Lucien conhecia aquele olhar também. Aquele antes do sangue ser derramado.

Kane, o irmão de Skoll. Runa, sua irmã... Cinco anos não foram suficientes para enterrar a raiva. Nem de longe.

A voz de Skoll era baixa, perigosa. — Quem está fornecendo?

— Ainda não sabemos — ele balançou a cabeça. — Mas vamos saber. É só uma questão de tempo, considerando que agora ela está ficando mais popular.

Lucien hesitou. Ele sabia que o que estava prestes a dizer irritaria Skoll, mas ele não estava ali para mimar ninguém. — Cyrus Ramirez entrou em contato comigo.

Aquilo gerou uma reação. O olhar esmeralda de Skoll se tornou afiado como uma lâmina. — Aquele sanguessuga do caralho? Ele não dava a mínima antes.

— Porque você invadiu o Blood Lounge dele, acusando-o porra, de fabricar a droga misteriosa que matou Kane — Lucien rebateu. — Mas ele sabe de algo. Ele quer uma reunião.

Silêncio.

A tensão entre eles engrossou, escureceu. Então, finalmente, Skoll soltou o ar lentamente, girando os ombros como se estivesse se livrando da última ponta de contenção antes que ela se estilhaçasse.

Então vieram as palavras que Lucien estava esperando.

Skoll estalou o pescoço, girou os ombros e expirou. — Então vamos caçar.

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