2 Faces

Todos os Direitos Reservados ©

Resumo

Ele sorri com doçura. Ajuda órfãos. Salva vidas com cheques. Mas o nome dele, em russo, significa açougueiro. Yegor Reznikov é CEO de uma grande empresa respeitada. Educado. Generoso. Impecável. Mas por trás dos olhos verdes e da voz aveludada, esconde-se o verdadeiro chefe da Bratva Nyemaya, uma máfia onde o erro custa a vida... e o toque pode ser o último. Ártemis Rodríguez sempre soube farejar mentiras. O que ela não esperava era desejar o próprio lobo. Reznikov não é um homem. É um aviso. E agora, ele a escolheu.

Gênero
Romance
Autor
Fragmentada
Status
Em Andamento
Capítulos
1
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

Chapter 1

O aroma de café premium impregnava o ar da pequena cafeteria dentro do impressionante arranha-céu da ZAROV GROUP. Ártemis Rodríguez checou seu reflexo no espelho de bronze polido atrás do balcão, ajustando rapidamente o coque desalinhado que prendia seus longos cabelos negros. Seus olhos cor de âmbar escanearam o estabelecimento ainda vazio naquela manhã de segunda-feira.

"Atenção, pessoal," a gerente da cafeteria sussurrou com urgência, reunindo a pequena equipe. "O próprio Sr. Reznikov virá hoje. Parece que ele quer inspecionar as operações mais recentes do prédio."

O coração de Ártemis não acelerou como o das outras garotas. Aos 21 anos, ela já havia aprendido a não se impressionar facilmente - especialmente com homens ricos. Afinal, havia crescido no orfanato financiado por esse mesmo homem, um "benfeitor" que aparecia uma vez por ano para sorrir para as câmeras e depois desaparecia em sua vida perfeita.

"Limpem tudo! Certifiquem-se de que cada xícara está impecável!" continuou a gerente, o pânico evidente em sua voz.

Ártemis revirou os olhos discretamente enquanto limpava o balcão de mármore. O famoso Yegor Reznikov. O russo que havia conquistado os EUA e o mundo com sua empresa de tecnologia, o filantropo admirado, o solteiro mais cobiçado... A ironia não lhe escapava: agora ela servia café na empresa do homem que financiara o orfanato onde crescera. A vida tinha um senso de humor peculiar.

O burburinho na entrada da cafeteria anunciou sua chegada antes mesmo que as portas de vidro se abrissem. Quando Yegor Reznikov entrou, o ar pareceu mudar de densidade. Com mais de 1,90m, ele não precisava esforçar-se para impor presença - ela emanava dele naturalmente, como uma força gravitacional.

Ártemis o observou com cautela clínica. O terno escuro perfeitamente cortado para seu corpo robusto, os sapatos italianos impecáveis, o relógio que provavelmente custava mais que seu salário anual. Mas foram os olhos verdes que capturaram sua atenção - havia algo ali, algo que não combinava com o sorriso educado que ele oferecia a todos. Como água profunda demais, onde você não consegue ver o fundo.

"Senhorita," a voz dele ressoou, grave e com aquele sotaque russo que fazia cada palavra parecer mais importante do que realmente era. "Um espresso duplo, por favor."

Ártemis encarou aqueles olhos verdes diretamente, sem desviar como as outras atendentes faziam. "Claro, Sr. Reznikov. Gostaria de experimentar nosso café colombiano especial ou prefere o blend da casa?"

Por um segundo - tão breve que depois ela questionaria se havia imaginado - algo diferente cintilou naqueles olhos. Surpresa? Interesse? Irritação por ela não demonstrar o nervosismo esperado?

"O blend da casa será perfeito." Ele inclinou levemente a cabeça, estudando-a. "Você é nova aqui. Como se chama?"

"Ártemis Rodríguez." Ela começou a preparar o café, movimentos precisos e eficientes.

"Ártemis," ele repetiu, como se saboreasse o nome. "Como a deusa da caça."

"E da lua," ela completou automaticamente, sem olhar para ele enquanto operava a máquina de espresso. "Minha mãe era professora de mitologia."

Não era verdade. Ela não sabia praticamente nada sobre seus pais, exceto que haviam morrido tentando cruzar a fronteira. Mas algo nela quis criar distância, construir uma história que a separasse do orfanato que ele financiava.

"Fascinante." O sorriso dele permaneceu perfeitamente controlado. "Você tem um nome poderoso."

Quando ela lhe entregou o café, seus dedos se tocaram brevemente. Ártemis sentiu um arrepio involuntário percorrer sua espinha - não de atração, ela disse a si mesma, mas de alerta. Como um animal selvagem que sente a aproximação de um predador.

"Espero que esteja do seu agrado," ela disse, recuando um passo.

Yegor tomou um gole, seus olhos nunca deixando os dela. "Perfeito," ele declarou. "Exatamente como deve ser."

Ele deixou uma gorjeta generosa no balcão - excessivamente generosa - e moveu-se para conversar com o gerente do local. Ártemis observou como todos ao redor pareciam gravitar em sua direção, como ele tinha uma palavra gentil para cada funcionário, como seu sorriso parecia iluminar o ambiente.

Perfeito demais, ela pensou. Ninguém é tão perfeito.

Enquanto isso, do outro lado da cidade, em um armazém abandonado perto do porto, um homem amarrado a uma cadeira respirava com dificuldade através do nariz quebrado. Sangue escorria por seu rosto, pingando na camisa rasgada.

A porta metálica abriu com um rangido, e dois homens corpulentos entraram, seguidos por uma figura mais baixa em um terno impecável.

"Anton, meu velho amigo," disse o homem de terno em russo, tirando lentamente as luvas de couro. "Temo que nossa conversa de ontem ficou... inacabada."

O prisioneiro tentou falar, mas só conseguiu emitir um gemido sufocado.

"Shh," o homem no terno aproximou-se, agora removendo o paletó cuidadosamente e dobrando-o sobre uma mesa próxima. "A Bratva Nyemaya tem um nome a zelar. Você sabe o que significa ser parte da Irmandade Silenciosa?"

O homem amarrado tremeu visivelmente.

"Significa," continuou ele, arregaçando meticulosamente as mangas da camisa branca, revelando veias proeminentes nos antebraços musculosos, "que o silêncio é nossa lei mais sagrada."

Em um movimento fluido, ele pegou um alicate da mesa. Não havia mais nenhum traço do sorriso que ele exibira na cafeteria. Seus olhos verdes agora pareciam vazios, clínicos, como os de um cientista observando uma experiência particularmente interessante.

"E você, meu amigo, quebrou essa lei." A voz de Yegor Reznikov era quase um sussurro agora. "Vamos ver quantos dedos precisamos remover antes que você entenda o valor do silêncio."