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JESSIE
“Vou desistir da faculdade.” Puxo meu rabo de cavalo, mas o aperto do elástico não serve de nada para aliviar o nó de pânico no meu peito.
Carla e Mona me lançam um olhar atravessado, mas nenhuma delas diz nada. É claro, para elas isso soa ridículo.
As palavras soam ridículas até para mim, mas a verdade é que estou ficando sem opções. A mensalidade vence em uma semana, e não estou nem perto de ter o dinheiro. Meu emprego de meio período no café mal cobre o aluguel, quanto mais as aulas. A pilha de contas na minha mesa me encara como um monte de perguntas sem resposta.
Se ao menos alguém me oferecesse uma saída desse pesadelo…
Mas, claro, isso não vai acontecer.
“Quer parar de franzir a testa? Você vai ficar com marcas de expressão aos vinte e um anos”, provoca Carla, aproximando-se para sentar ao meu lado no banco em frente ao prédio do laboratório de ciências da universidade.
Eu olho para ela, com a frustração borbulhando. “O que você quer que eu faça, Carla? Estou quebrada.” Esfrego as mãos no rosto, abaixando a cabeça para descansar sobre os joelhos.
Ela passa a mão nas minhas costas, mas não diz nada. Sei que elas gostariam de ajudar, mas não podem. Carla tem um namorado rico, é verdade, mas ela usa o dinheiro que ele lhe dá para pagar agiotas.
Se você me perguntasse como diabos ela se meteu com esse pessoal, eu não saberia dizer, mas sei que eles estão sempre no pé dela, então a maior parte do dinheiro vai para eles.
Quanto à Mona, ela não tem nada. A família praticamente a deserdou neste semestre. Disseram para ela trabalhar e se virar, porque não queriam continuar pagando as contas de uma filha lésbica. Babacas, todos eles.
Então é isso, estou sozinha nessa. Sem pais, sem ajuda.
Sou órfã.
“E se você entrar no site?”, diz Carla de repente.
Minhas orelhas se aguçam com a menção ao “site”, e me sento tão rápido que quase esmago o rosto dela. Diriam até que alguém balançou um frango frito na minha frente. Eu adoro frango.
Viro-me para encará-la, exatamente no momento em que uma Mona exausta se arrasta para sentar à minha esquerda. Seu cabelo azul e branco balança enquanto ela caminha, um farfalhar suave no ar.
“Me conta. Que site? Dá para ganhar dinheiro com ele?”, pergunto ansiosa, com a curiosidade aguçada.
Os lábios de Carla se contraem. “Você sabe de qual site estou falando. Aquele onde conheci o Killian.”
Solto um suspiro. “O site de sugar daddy?”
Não é que eu ache a ideia repulsiva, tá, talvez um pouco, mas também não me sinto exatamente confortável com isso. Quando a Carla mencionou pela primeira vez, imaginei um velho avô, careca e com uma barriga caindo por cima do cinto, o tipo de cara que quer ser mimado por uma menina jovem como ela em troca de dinheiro. Um homem com filhos, netos, o pacote completo. Mas quando vi o Killian pela primeira vez, o sugar daddy que ela conheceu no site, meu queixo caiu.
O cara era jovem — enorme, alto e ridiculamente bonito de um jeito bruto e rústico. E a diferença de tamanho entre ele e a Carla era... uau. É só o que posso dizer.
A Carla nunca nos contou exatamente o que ela faz por ele, mas eu não era ingênua a ponto de não saber. É claro que é sexo.
Mas a ideia de dormir com alguém como o Killian? Não era repulsiva. Nem um pouco. Na verdade, era até bom.
“Ela está viajando de novo.”
As palavras da Carla me tiram dos meus pensamentos, e eu pisco para ela, percebendo que tinha me distraído.
“Eu não sei.” Me esparramo na cadeira, batendo o pé nervosamente.
Carla segura meu queixo, virando meu rosto para o dela. Tenho uma visão clara do seu rosto bonito e, por um segundo, entendo perfeitamente por que o Killian gasta dinheiro com ela. Carla é linda. É a mais bonita do nosso trio. Com seus olhos de gata, o longo cabelo branco natural e lábios rosados e macios, que sempre parecem ter acabado de serem beijados, às vezes, quando ela fala, eu me perco só de ver os lábios dela se mexendo. Sem falar que o corpo dela é exatamente aquele que todo mundo é obcecado hoje em dia. O tipo pelo qual todos correm para o TikTok e Instagram, aquele que as pessoas gastam milhares em cirurgias para conseguir. O corpo BBL.
O dela era natural, no entanto; ela tinha aquele formato de ampulheta perfeito, e era tão foda de gostosa.
Mas eu? Sou o que chamariam de menina apagada. Ao contrário da Carla e até da Mona, que adoram usar vestidos que acentuam suas curvas, eu fico nos moletons e calças. Sempre que me descrevem, é algo como: “Olha lá. É aquela que está sempre de moletom”.
Mas é com isso que me sinto confortável. E ainda têm os meus óculos grandes. Eu sei, né? Quem ainda usa óculos? E quanto às lentes de contato? Bem, digamos apenas que quase morri na última vez que tentei usá-las, então vou ficar com o que eu já conheço.
“Sério, Carla, não tenho certeza. Esse tipo de site atrai garotas como eu... e calma, não estou dizendo que sou feia nem nada, mas não é garantido que eu vá arrumar alguém como o seu cara.”
Carla assentiu, mas foi Mona quem falou em seguida. “Você é muito bonita, e a maioria dos caras adora esse visual nerd.”
Eu me virei para ela e revirei os olhos. O visual nerd?
Ela riu da minha expressão, e eu não pude deixar de rir também.
Mas a Carla não estava rindo. “O termo ‘sugar daddy’ não significa que sejam homens velhos. Significa apenas homens dispostos a gastar dinheiro com garotas jovens. A maioria dos homens lá é jovem. O Killian está na casa dos trinta e poucos anos. Então vai fundo, e você vai ter o melhor sexo da sua vida.”
Com as últimas palavras, o rosto dela corou, e não pude deixar de notar o chupão cobrindo todo o seu pescoço. Era uma marca, alta e clara: MEU. NÃO CHEGUE PERTO.
Eu sorri. Os olhos dela brilhavam, reluziam até. Ela estava claramente adorando.
“Mas você pode garantir que todos eles serão como o Killian?”, arqueei uma sobrancelha em dúvida.
Ela balançou a cabeça. “Não acho que haverá outro como ele.”
Sua voz estava cheia de admiração, até um pouco de afeto. Hum, ela estava se apaixonando por ele sem nem perceber. Isso me deixava desconfortável, mas eu não queria pensar muito nisso. Ela era a mesma que dizia que o Killian a lembrava de que não havia compromisso, sem sentimentos, mas lá estava ela, agindo de forma um pouco grudenta.
Mas eu não ia me prender a isso. Eu tinha meus próprios problemas.
Este era meu último ano na escola, e eu tinha que terminar tudo inteira.
Porque, por algum motivo insano e perturbado, eu realmente estive considerando por quanto conseguiria vender um rim.
Pois é. Tempos desesperados exigem medidas desesperadas.
Respirei fundo. “Ok, Carla. Pode me inscrever nessa coisa de sugar daddy.”