Capítulo 1
POV: Barbara
O cheiro de pedra antiga e tinta me atingiu no segundo em que entrei no salão do conselho.
Guerra.
Sempre tinha o mesmo cheiro — planos traçados em pergaminho, suor no ar, desespero escondido atrás de modos refinados. Mas, desta vez, eu não estava ali para implorar por recursos ou lutar por uma causa. Eu *era* o recurso.
Caminhei pelas portas duplas como se fossem minhas. Porque, ali dentro, elas eram.
Meu nome era sussurrado entre as alcateias como um aviso e uma prece. Barbara Konnor — estrategista, comandante de campo e a mulher que se transformou em uma porra de uma arma depois de ser descartada como uma Luna fracassada. E agora? O Conselho me convocou.
Minhas botas ecoaram de forma aguda pelo chão de mármore. Minha trança pendia firme pelas minhas costas, e meus olhos verdes vasculhavam a longa mesa no centro da sala de guerra.
Doze membros do conselho.
Dois escribas.
E uma cadeira vazia na cabeceira da sala — o Alpha que solicitou apoio.
Aquele cuja alcateia estava sob cerco de uma facção rebelde.
Aquele que precisava de *mim*.
Parei a poucos passos da mesa e cruzei os braços, lançando aos anciãos reunidos um olhar frio e expectante.
"Vocês me chamaram", eu disse. "Então não vamos perder tempo."
Alguns dos homens mais velhos se enrijeceram com o meu tom. Mas não discutiram.
Conselheira Mira, uma mulher de olhos penetrantes na casa dos sessenta anos com cabelos prateados enrolados como uma coroa, foi a primeira a falar.
"Obrigada por vir, Srta. Konnor. Entendemos que você concluiu recentemente campanhas na região de Blackmount e na Fronteira North Crescent."
"Cinco vitórias. Perdas mínimas", eu disse, marcando os fatos como se fosse uma lista de compras.
"Você está ciente de que isto é diferente."
"Alcateia rebelde", eu disse, assentindo. "Organizada. Engenhosa. Não são animais selvagens comuns. Se eles tomarem esta alcateia, terão um corredor direto através das Eastlands. Vocês perderão o controle de quatro territórios limítrofes."
Mira sorriu levemente. "Exatamente."
Ergui uma sobrancelha. "Então, de quem é a alcateia que estou salvando?"
As portas laterais se abriram.
E eu senti antes de vê-lo.
Meu lobo.
Um brilho repentino sob minha pele, como um raio sem trovão. Como uma memória que despertou no meu sangue.
O homem que entrou era mais alto do que eu me lembrava, mais largo. Cabelo castanho escuro, desgrenhado nas pontas, aqueles mesmos olhos cor de avelã como a luz do sol atrás de nuvens de tempestade. Ele caminhava como se a guerra estivesse costurada em sua espinha — calmo, pesado, controlado.
Minha boca secou.
Alastor, porra, Campbell.
Alpha da Alcateia Moonridge.
Meu ex.
Meu companheiro.
O homem que me beijou sob a lua cheia quando tínhamos dezessete anos.
Meu primeiro namorado.
Aquele que eu pensei ser o amor da minha vida.
Aquele a quem me entreguei, completa e incondicionalmente.
E quando fizemos vinte e um anos — ele se tornou algo mais.
Meu companheiro.
Destinado. Escolhido pela própria Lua.
E então ele me rejeitou.
Um dia depois.
Sem aviso.
Sem explicação.
A razão pela qual deixei minha casa.
A razão pela qual treinei até meus ossos estilhaçarem e se reconstruírem mais fortes.
A razão pela qual me transformei em uma arma.
A razão pela qual eu era uma lenda agora.
E ele estava parado na minha frente.
Olhando para mim como se eu fosse um fantasma.
Não — pior.
Como se eu fosse uma memória que doía ao tocar.
Endireitei minha coluna. Escondi tudo. Deixei minha voz fria.
"Alpha Campbell", eu disse. "Que surpresa."
A garganta dele oscilou. Seus punhos se cerraram.
"Barbara", ele disse — suave. Reverente. Como se meu nome ainda significasse algo.
Isso quase me quebrou.
*Quase.*
"Agora é Srta. Konnor", respondi, de queixo erguido.
Um momento de silêncio.
O ambiente ficou tenso. Quieto demais. Até o conselho sabia que algo tinha mudado.
Conselheira Mira limpou a garganta. "Vocês se conhecem?"
Eu sorri, de forma afiada e contida. "Sim."
O vínculo entre nós pulsava como uma ferida que nunca sarou.
Eu tinha ido embora um dia após a rejeição. Nunca mais o vi.
E ainda assim agora — ali parada — parecia que nada tinha mudado.
Meu lobo se agitou sob minha pele, inquieto. Faminto. Confuso.
*Esperançoso.*
Não. Não, não, não.
Não depois de todos esses anos.
Não depois que ele me destruiu.
Virei-me para o conselho, com a voz firme. "Se esta é a alcateia em questão, presumo que a situação seja pior do que vocês admitiram."
Mira assentiu lentamente. "É."
"Então me deem o comando total. Seus mapas. Acesso aos seus batedores. E eu ganharei esta guerra para vocês."
Alastor recuou como se eu tivesse lhe dado um tapa.
Mas eu não olhei para ele.
Não de novo.
Eu não podia.
Porque se eu olhasse, poderia me lembrar de como era ser *dele*. E eu não era mais aquela garota.
"Precisarei do comando total", repeti, cruzando os braços. "Mapas. Relatórios dos batedores. Cadeia de comunicação passando por mim."
Alastor deu um passo à frente.
"Não."
A palavra soou como um trovão.
O conselho se moveu. Os olhos de Mira se estreitaram. Mas eu apenas me virei lentamente em direção a ele, deixando meu olhar deslizar por ele como uma lâmina.
"Não?" ecoei, com a voz fria como aço.
"Esta é a *minha* alcateia", ele disse, com a voz tensa pelo controle. "Eu sangrei por ela. Construí. Trouxe-a de volta da beira do abismo mais de uma vez. Não entregarei o controle total a uma estranha — mesmo que ela tenha reputação."
Estranha.
A palavra picou mais do que eu gostaria.
Mas eu sorri.
"Ah, entendo. Então você chamou *a mim* — o conselho me convocou — por minha estratégia, por meus resultados, por minha capacidade de vencer batalhas que ninguém mais poderia..."
Dei um passo em direção a ele. Lento. Deliberado. Minha voz baixou, afiada e letal.
"Mas agora que estou aqui, você quer me colocar na coleira? Me dizer onde e como posso liderar?"
O maxilar dele se contraiu. "Você não entende a dinâmica interna..."
"Eu entendo de *guerra*, Alpha Campbell", disparei, e o nome dele soou como veneno. "E entendo de estratégia rebelde melhor do que qualquer um nesta sala. Incluindo você."
Nossos olhos se travaram.
O ar ficou cortante como uma navalha.
O lobo de Alastor se agitou atrás de seus olhos — brilhando levemente, surgindo.
O meu também.
Conselheiro Jones pigarreou alto. "Chega. O conselho pediu à Srta. Konnor sua experiência, sim. Mas o Alpha Campbell permanece o líder de seu território. Vocês trabalharão *juntos*."
"Juntos?" repeti, com os lábios curvados em um sorriso sem humor. "Isso vai ser divertido."
"Eu aprovarei cada movimento tático", disse Alastor, com o maxilar ainda tenso. "Cada relatório de batedor passa por mim. Cada destacamento — autorizado por mim."
"E se eu disser não?" perguntei, com os olhos brilhando.
"Então falharemos", ele disse, com a voz baixa. "E eu não deixarei isso acontecer."
Ele olhou para mim — não como a garota que ele deixou para trás.
Mas como a igual que eu me tornei.
Isso deveria ter me satisfeito.
Mas não satisfez.
"Não estou aqui para seguir suas regras", disse, recuando. "E não devo nada a você — muito menos seu orgulho."
Ele não respondeu.
Não se moveu.
Mas eu podia sentir a raiva fervilhando sob sua pele.
*Bom.*
Virei-me para Mira. "Precisarei de aposentos longe da ala do Alpha. Uma mesa de guerra e espaço para minha equipe quando chegarem. Se estão me pedindo para vencer essa coisa, eu faço nos *meus* termos."
Mira assentiu lentamente. "Você terá."
E eu fui embora sem dizer mais nada.
Porque esta guerra não era mais apenas sobre território.
Era sobre controle.
E eu terminei de deixar Alastor Campbell ditar os termos da minha vida.