Para ele proteger: O terapeuta do Major

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Resumo

🌶️🌶️🌶️ “Um Coronel de joelhos?”, provoquei, ofegante, atordoada. Ele deu um sorriso de lado, então levantou uma das minhas pernas e a apoiou sobre seu ombro. “Apenas por você.” Ele nunca deveria sentir nada novamente. Ela nunca deveria estar em perigo. O Major Owen Fisher era o soldado perfeito — até a missão que o destruiu. Enviado para uma especialista em traumas após anos fora de circulação, ele nunca esperou que a Dra. Lilian Hannigan abrisse o cofre onde ele havia enterrado tudo. Mas quando uma sessão revela um segredo mortal, ela se torna um alvo — e a única coisa que importa. Agora, caçado, ferido e desesperado, Owen não medirá esforços para proteger a mulher que se tornou sua razão de sobreviver. Mas Lilian tem seus próprios segredos… E um deles pode colocar tudo a perder.

Gênero
Romance
Autor
B E Harmel
Status
Completo
Capítulos
20
Classificação
4.9 22 avaliações
Classificação Etária
18+

Chapter 1

POV: Owen

Disseram que eu precisava de ajuda. De novo.

O engraçado é que, normalmente, eu era a pessoa para quem ligavam quando tudo o resto já tinha falhado.

Eu já tinha ouvido isso antes — de comandantes de campo, médicos da agência, um colega de esquadrão bêbado com metade do fígado comprometido e uma medalha que não merecia. Sempre terminava da mesma forma. Uma avaliação psicológica. Uma suspensão. Uma prescrição feita de qualquer jeito por alguém que nunca viu uma garganta ser rasgada por estilhaços ou viu uma criança atravessar um campo minado como se fosse o quintal de casa.

Desta vez, veio com um cartão.

Branco. Minimalista. Com relevo.

Dr. Lilian Hanningan, Ph.D.

Especialista em Reprocessamento de Trauma e Integração de Memória

Clínica particular – apenas por encaminhamento

O agente Connors — meu antigo líder de equipe que virou um engravatado — deslizou o cartão pela mesa como se fosse minha última esperança ou meu último aviso. Talvez os dois.

“Você tem duas opções, Fischer”, ele disse. “Fazer as sessões. Ou tirar uma licença permanente.”

Encarei o cartão. Sem logotipo. Sem selo da agência. Apenas o nome dela.

Eu deveria ter jogado fora. Ido embora. Mandado ele enfiar essa porcaria de terapia de boa vontade bem naquele rabo barbeado. Mas não fiz. Não porque eu acreditasse nisso — claro que não —, mas porque eu estava cansado. Cansado de burocracia. Cansado das sombras. Cansado de acordar encharcado de suor e sangue que não era meu.

Ir embora nunca foi o meu problema. Ficar sempre foi a escolha mais difícil.

Então, eu fiz a ligação.

E foi assim que me vi parado em frente a um prédio de tijolos, no limite de Georgetown, encarando uma porta que parecia mais a entrada de um spa do que o escritório de uma psicóloga. Pintura branca. Vidro fosco. Sem seguranças. Sem câmeras.

Apenas um nome gravado em prata:

Dr. Lilian Hanningan

Quase dei meia-volta.

E então a porta se abriu.

E eu esqueci como respirar.

Só isso já me dizia que ela era perigosa.

O rosto dela era tão bonito que parecia familiar.

Ela não era nada do que eu esperava. Nada de óculos de aro fino ou psicóloga de coque apertado. Nada de distanciamento clínico.

Ela parecia… droga, nem sei dizer. Uma lembrança que eu não sabia que tinha. Uma mulher jovem demais para ter visto o tipo de escuridão que eu carrego. Suave demais para lidar com isso. Exceto que… havia algo nos olhos dela. Não era pena. Não era medo.

Algo que segurava.

Cabelo cor de castanha com mel, longo e solto pelos ombros. Pele pálida, luminosa. Quase sem maquiagem. Uma blusa leve colocada para dentro de calças de cintura alta que abraçavam curvas que eu não tinha motivo nenhum para notar.

Ela era linda.

Mulheres bonitas eram uma distração. Distrações faziam as pessoas morrerem.

Não o tipo de beleza que você encontra em bares. O tipo que te desfaz sem nem tentar. O tipo que parece misericórdia depois de uma guerra.

Mas foram os olhos dela que me pegaram.

Grandes e azuis — não o tipo brilhante, nem o tipo claro. Azuis como o oceano depois de uma tempestade, quando as nuvens ainda não se dissiparam totalmente e tudo está pesado, profundo e infinito. O tipo de azul que faz você querer se afogar. O tipo que faz você querer ficar submerso.

Como se eu pudesse olhar para eles pelo resto da vida.

E como se eles pudessem me abrir se eu deixasse.

“Agente Fischer?”, ela disse, com a voz calma. Estável. Quente como calor infiltrando ossos velhos.

Minha boca estava seca.

“Você não é o que eu esperava”, murmurei.

Ela sorriu levemente. “Ouço isso muito.”

Ela deu um passo atrás, segurando a porta aberta para mim, e eu hesitei. Minhas botas não pertenciam àquele piso de madeira polida. Meu tipo geralmente não entrava em lugares assim, a menos que algo tivesse dado muito errado. Minha presença não combinava com aquele escritório de luz suave, estantes de livros, poltronas de veludo e cheiro de lavanda e algo mais — algo limpo.

Eu pertencia à terra. Às sombras. Ao sangue.

Mas entrei assim mesmo.

Porque Connors continuaria pegando no meu pé se eu não entrasse. Porque algo dentro de mim — pequeno e enterrado — queria saber como seria ser visto por alguém que ainda não tinha me descartado.

Porque eu não conseguia parar de olhar para ela.

E isso me assustou para um caralho.

Passei anos dominando o controle. Ela parecia uma variável que eu não conseguia calcular. Eu não gosto de variáveis.

Ela me levou para uma sala que cheirava a cedro e coisas suaves que eu não sabia nomear. Sem aço. Sem café frio. Sem eco de ordens gritadas pelo rádio.

Apenas uma estante cheia de livros de psicologia, um sofá cinza macio e duas cadeiras viradas uma para a outra, como uma montagem para um interrogatório silencioso.

“Onde quer que se sinta confortável”, disse ela.

Em lugar nenhum. Mas sentei mesmo assim.

Ela ocupou a cadeira à minha frente, cruzando as pernas, com um tablet no colo e uma caneta a postos. “Quero que saiba”, ela começou, “que a única informação que recebi sobre você é que sofre de insônia crônica. Só isso.”

Eu bufei. “Eles não incluíram o colapso nervoso ou a contagem de corpos?”

Ela não vacilou. “Não. Apenas a insônia.”

“Então eles estão mais otimistas do que eu pensava.”

A Dra. Hanningan não respondeu ao sarcasmo. Ela cruzou as mãos, composta, como se já tivesse ouvido aquilo antes. “Na minha experiência, a insônia crônica — especialmente em militares — tem menos a ver com má higiene do sono e mais com respostas de trauma não resolvidas. Seu corpo não está falhando com você, Agente Fischer. Ele está protegendo você.”

Meu maxilar travou. Desviei o olhar.

Ela continuou, a voz firme, porém suave. “Seu cérebro não consegue distinguir o que aconteceu, o que está acontecendo e o que pode acontecer. Quando essa fronteira entra em colapso, ele trata a memória como uma ameaça. E para alguém treinado para se manter alerta em ambientes de alto risco… essa hipervigilância se torna um ciclo de sobrevivência.”

Eu não respondi.

“Você não está quebrado”, ela disse gentilmente. “Você só está preso em um ciclo que seu cérebro acredita que está te mantendo vivo.”

Um silêncio denso se instalou entre nós. Fiquei encarando uma estante, meus olhos percorrendo fileiras de títulos nos quais eu não conseguia me concentrar. Minhas mãos continuavam cerradas em punhos no meu colo.

“Eu costumo usar hipnose”, ela acrescentou, como se não fosse nada. “Para guiar o paciente de volta a um momento específico em que o corpo aprendeu que o perigo era permanente. Trabalhamos ali. Devagar. Com cuidado. Não para reviver — para resolver.”

Virei a cabeça na direção dela. “Hipnose.”

Os lábios dela se curvaram levemente. “Eu sei como isso soa. Você não seria o primeiro cético.”

“Não sou cético. Só não sou muito de abrir mão do controle.”

“Imagino que não.”

Ergui uma sobrancelha. “Isso é uma avaliação psicológica oficial?”

“É uma observação.”

Ela estava calma. Calma demais. E, apesar de mim mesmo, admirei isso. Ela não vacilou. Não pisou em ovos. Ela não me tratou como se eu fosse frágil. Ela me tratou como se eu fosse real.

Ela não parecia ter medo de mim. Isso era um erro — ou ela entendia exatamente no que estava se metendo.

“Já trabalhei com outros pacientes militares”, ela acrescentou. “Forças Especiais. Rangers. Deltas.”

“Impressionante. Você parece ter doze anos.”

Ela sorriu novamente, e dessa vez alcançou os olhos. “Ouço isso muito também.”

“Você é sempre tão confiante com homens que não gostam de ser analisados?”

“Entrei na faculdade aos dezesseis. Publiquei meu primeiro artigo aos dezenove. Treinei com dois dos maiores especialistas em neurotrauma do país antes de completar vinte e quatro. Faço isso há tempo suficiente para ter conquistado meu espaço — mesmo que ele não venha costurado em um uniforme.”

Eu a estudei. A voz dela não tremeu. A postura não mudou. Ela dizia cada palavra com convicção.

“Olha”, ela disse, firme e direta. “Você não é meu primeiro paciente. E definitivamente não é o mais difícil. Já trabalhei com vários céticos. Alguns saíram pela porta antes mesmo de começarmos. Mas a maioria voltou.”

Ela se inclinou um pouco — sem agressividade, mas com intenção. Eu não me afastei. Mantive o olhar dela, testando quem de nós quebraria primeiro. “Porque eu era o último recurso deles. E eu fiz a diferença. Todas as vezes.”

Eu não me movi.

“Eu sei que não sou sua primeira opção, Agente Fischer. Mas não faça de mim a última.”

Então, mais baixo — um desafio embrulhado em calma:

“Me dê um mês. Quatro semanas. Se nada mudar, você vai embora. Sem ressentimentos.”

Recostei-me lentamente, ponderando.

“O quê, nada de avaliação psicológica? Nenhuma queda de confiança?”

O tom dela permaneceu uniforme. “Não estou aqui para te diagnosticar, Agente Fischer. Estou aqui para ajudar você a dormir.”

Não sei por que eu disse sim.

Talvez porque eu estivesse cansado.

Talvez porque algo em mim — a parte que eu enterrei sob sangue e silêncio — acreditou nela.

Talvez porque os olhos dela ainda estivessem me observando como se eles me vissem.

“Tudo bem”, murmurei. “Um mês.”

Ela assentiu, como se já soubesse que eu concordaria.

E esse foi o primeiro erro.

Ela não perdeu tempo.

Depois de algumas perguntas suaves sobre sono, padrões, gatilhos — respostas que dei com grunhidos e de ombros — ela mudou o foco.

“Você estaria aberto”, ela disse, “a tentar algo agora?”

Estreitei os olhos. “Agora?”

“Você já está aqui.”

“Você sempre embosca os pacientes no primeiro dia?”

Ela sorriu. “Apenas aqueles que entram com muros tão altos.”

Eu não respondi.

“Não é o que você está imaginando”, ela disse. “Você ficará totalmente consciente. Saberá onde está, quem eu sou, o que está fazendo. Não é sobre controle, Agente Fischer. É sobre acesso. Vamos pedir à sua mente que nos mostre algo a que ela tem se agarrado.”

“Eu não me lembro dos meus sonhos”, murmurei.

“Isto não é sonhar. É localizar o arquivo que você enterrou fundo demais para encontrar por conta própria.”

Soltei um suspiro lento. “Faça”, eu disse. “Mas não pense por um segundo que você está no controle.”

Ela assentiu e ajustou seu tom, sua postura. Sua voz diminuiu. Acalmou-se.

“Feche os olhos”, ela disse. “Mantenha os pés no chão. Mãos relaxadas.”

Não relaxei. Mas obedeci.

“Agora”, ela continuou, “quero que imagine o momento antes do sono. O segundo exato em que seu corpo começa a se soltar. Mas não deixe cair. Apenas fique lá. Parado. Consciente.”

As palavras dela já não pareciam uma voz. Pareciam movimento — como algo dentro do meu peito se virando.

“Sua mente pode lhe mostrar uma cena. Um som. Uma cor. Não lute contra isso. Apenas observe.”

Eu estava prestes a zombar — quando isso me atingiu.

O cheiro.

Areia. Diesel. Cobre.

Não aqui. .

Eu estava em um telhado na província de Balkh, respirando através da poeira, ouvindo disparos ecoarem nas paredes de metal. Eu não pensava naquele dia há anos — não desde—

Abri os olhos. Minha mão já tinha ido para a coxa — memória muscular, procurando uma arma que não estava lá.

Ela ainda estava me observando. Calma. Presente. Como se ela soubesse.

Pisquei uma vez. Minhas mãos estavam tremendo.

Puta que pariu.

“Eu estive acordado o tempo todo”, disse de forma seca.

“Eu te disse que estaria.”

“Aquela não foi uma memória em que eu penso.”

Ela inclinou a cabeça, curiosa. “Mas ela veio à tona mesmo assim.”

Eu não respondi.

Ela se levantou e caminhou até o calendário. “Mesmo horário na semana que vem?”

“Eu não aceito ordens.”

Ela sorriu sem se virar. “Tudo bem. Vou chamar de recomendação.”

Ela anotou algo e olhou para trás. “Quarta-feira às dez. Você estará aqui.”

E que se dane — eu sabia que ela estava certa.

Naquela noite, não dormi.

Não que eu dormisse — não de verdade.

Servi duas doses de uísque, sentei na beira da cama e fiquei encarando o chão como se ele pudesse oferecer algo que eu ainda não tivesse visto.

A voz dela ficou comigo.

Assim como os olhos dela. Aqueles olhos azuis banhados de chuva que viam mais do que eu queria que vissem.

E aquela lembrança — aquela que eu enterrei tão fundo que não surgia há anos — clara como vidro agora. Apenas pela voz dela.

Em que porra o Connors tinha me metido?

E por que eu queria voltar?

Eu quase não notei.

A pequena estátua sentada perto da estante dela. Bronze. Lisa. Talvez abstrata — uma figura curvada, envolta nos próprios braços. Eu não tinha prestado atenção nela durante a sessão.

Mas algo nela me incomodava agora.

A base era grossa demais.

Perfeita demais.

Emitida pelo governo demais.