Cold Tide
O clube pulsava como um batimento cardíaco.
Tetos baixos, saturados em uma névoa de neon e suor. O ar estava pesado — fumaça de cravo, perfume, adrenalina — uma coisa viva que deslizava entre os corpos movendo-se ao som do grave como se estivessem presos em algum ritual antigo. A luz vermelha pintava a multidão com tentação.
No teto, arcos pendiam de correntes onde mulheres seminuas dançavam em espirais lentas e surreais, seus cabelos balançando como seda, seus membros sombras esculpidas em movimento.
Garrafas de champanhe incendiavam como tochas, bombinhas estalavam enquanto os garçons as desfilavam pela multidão. Risadas, altas e sem filtros, estouravam como notas selvagens de um trompete de jazz.
Era Ibiza — despida, imprudente, sem remorso.
E Rafael Navarre se encaixava como um demônio em veludo.
Ele não ia a festas por diversão. Não mais. Para Rafael, cada noite como aquela era negócio vestido em brilho. Se ele estava em um clube em Ibiza, significava que alguém ia assinar — um nome no papel, um acordo em movimento, mais uma peça do império se encaixando. Ele era o arquiteto de momentos como aqueles: um caos planejado que disfarçava uma intenção afiada como uma navalha.
Com olhos cor de avelã que não perdiam nada e uma voz que poderia vender água ao mar, Rafael fazia o poder parecer natural. As pessoas o viam e pensavam em playboy — um herdeiro mimado e endiabrado com um iate, um sorriso e mulheres penduradas em ambos os braços. Mas a verdade era mais afiada — ele não se entregava para escapar. Ele se entregava para vencer. Cada sorriso era uma arma, cada noite como aquela, uma armadilha.
E hoje à noite, como sempre, ele sairia de lá com exatamente o que veio buscar.
Ele estava sentado no melhor camarote — elevado, isolado, escondido nas sombras, mas com uma visão perfeita de tudo.
Ao redor dele, três homens com blazers caros demais, do tipo que parecia nunca ter sido amassado. Garotas empoleiradas em seus colos, entediadas e decorativas.
Um dos homens inclinou-se para a frente, o rosto avermelhado pelo calor e pelo uísque. “Então, o que torna a sua ilhazinha diferente?”, perguntou ele com a voz pastosa, cortando a música.
Os lábios de Rafael mal se moveram. “Ela é intocada.”
Os outros se inclinaram. Ele agora tinha a atenção deles.
“Sem resorts. Sem estradas. Sem torres de celular. Apenas selva, litoral e uma população local que não se importa em vender cocos para navios de cruzeiro.”
O homem avermelhado arqueou uma sobrancelha. “Parece uma dor de cabeça.”
O sorriso de Rafael não chegou aos seus olhos. “Essa é a beleza. Nós a vendemos como eco-luxury. Um refúgio consciente para elites conscientes.”
Outro homem riu. “Então, uma armadilha para turistas ricos que querem se sentir éticos?”
“Exatamente”, respondeu Rafael, com gelo na voz. “Eles pagarão o dobro por madeira reciclada e uma selfie com filtro sob um painel solar. O triplo se acharem que isso compensa as emissões do jato particular deles.”
Todos explodiram em risadas.
Ele serviu-se de uma dose de tequila, sem se preocupar com o limão. Um gole. Sem vacilar.
“E as licenças?”, perguntou alguém.
“Estamos trazendo a ReefCo para cuidar da certificação de sustentabilidade”, disse ele suavemente. “Nome grande. Torna tudo à prova de falhas.”
“Caro.”
Rafael deu de ombros. “Não tão caro quanto um protesto ou um processo judicial. Dessa forma, parecemos salvadores, não incorporadores.”
Os copos tilintaram. Acordos selados. Os homens ergueram suas bebidas.
“À ilusão da virtude”, disse um deles.
“Ao lucro”, corrigiu Rafael, levantando seu copo. “E aos idiotas que acham que isso significa alguma coisa.”
Eles rugiram. Brindaram. Beberam.
Um dos homens recostou-se, girando o resto do seu uísque. “Então você vai pessoalmente? Isso é ousado.”
Rafael apoiou o copo na mesa, a voz suave. “Passarei seis meses no paraíso. Praias, sol, mulheres... e nada de paparazzi.”
“Isso é demais, cara”, outro interveio. “Podemos ir junto?”
Os olhos de Rafael brilharam, afiados. “Depende. Quanto vocês estão dispostos a pagar?”
A mesa riu. “Você está sempre fazendo negócios.”
“Cavalheiros”, disse Rafael, com a voz subitamente fria e autoritária, “não estou aqui para mentir para vocês. Ou estão dentro ou fora.”
O homem avermelhado de antes deu um sorriso de lado. “Você sabia que estávamos dentro no momento em que nos sentamos.”
“Então?”
“Então, onde e quando assinamos?”
Rafa deu um sorriso presunçoso. “Vocês terão os contratos pela manhã.”
Um deles checou a hora. “Cara. Já é manhã.”
Ele deu a eles um sorriso lento e perverso assim que seus telefones vibraram.
Eles olharam para baixo.
“Caixa de entrada. Agora.”
“Porra, cara”, riu um deles, segurando o telefone. “Você é um tubarão.”
“Espero as assinaturas antes do fim do dia.”
Seu trabalho estava feito. Seus olhos vagaram.
Foi quando ele viu uma silhueta familiar, feita de curvas escuras e energia magnética, observando-o do outro lado do recinto.
A mulher de vestido preto, com uma fenda na coxa que se colava como água e descia baixo o suficiente para despertar seu interesse. Ela estava encostada no bar, torcendo o cabelo distraidamente, observando-o como se já conhecesse o jogo. Lábios entreabertos em uma risada lenta, a pele brilhando sob as luzes e um olhar nos olhos que dizia eu quero você.
A boca de Rafael contraiu-se.
É claro que ela estava aqui.
Camila Ortega sempre aparecia onde o dinheiro e o prazer colidiam. Ela morava em Barcelona, mas de alguma forma sempre encontrava o caminho até ele — ou talvez ele até ela. Não havia perseguição, apenas o encontro. Sem surpresas, apenas o momento certo.
Ele esvaziou o copo, deixando os homens no meio do brinde.
A conversa atrás dele tornou-se um ruído de fundo enquanto ele entregava a taça a um garçom que passava e se afastava sem dizer uma palavra. Ele não se desculpou. Não pediu permissão.
Eles o observaram partir. Alguém murmurou: “Ele nunca vai mudar.”
Eles estavam certos.
Ele serpenteou pela multidão como fumaça, focando nela. O olhar dela brilhou em sua direção e se manteve — curiosa, divertida, expectante.
“Eu estava me perguntando quanto tempo você levaria”, disse ela, com a voz baixa e suave como chocolate derretido.
Rafael deslizou para trás dela, perto o suficiente para roçar seu ombro nu com sua respiração. “Eu estava trabalhando.”
Ela virou-se lentamente, erguendo o queixo. “Você sempre está. Mesmo quando está foda.”
Ele sorriu — aquela curva preguiçosa e perigosa que nunca chegava aos olhos. “Negócios e prazer não são tão diferentes.”
Ela bebeu seu drinque, indiferente. “Você só diz isso porque gosta de dominar ambos.”
Seus dedos traçaram o ar por um segundo antes de fazerem contato — as costas da mão roçando levemente a linha da coluna dela. Lento. Possessivo. A respiração dela falhou no momento em que os nós dos dedos dele roçaram a parte baixa de suas costas. Ele não parou. Sua mão deslizou mais para baixo, arrastando calor em seu rastro, até alcançar a curva de sua bunda.
Ele apertou um lado com firmeza. “E você gosta de ser a exceção.”
Ela gemeu — baixo, involuntário — o som escapando pelos lábios como algo primitivo e desprotegido. “Eu gosto do jogo”, ela sussurrou. “Do jeito que você olha para mim como se eu fosse apenas mais uma bebida que você esquecerá pela manhã — e, ainda assim, você sempre volta.”
“Eu não volto”, ele murmurou. “Você é apenas fácil de encontrar.”
A boca dela contraiu-se. “Cuidado. A lisonja pode começar a soar como afeição.”
“Não vamos estragar o momento.”
Seus olhos se encontraram. Aquela breve pausa silenciosa onde toda a tensão se esticou — o tipo que fez todos os outros na sala desaparecerem.
Então, Rafael inclinou a cabeça em direção às escadas nos fundos do clube — a entrada privativa para as suítes superiores.
“Você conhece o caminho.”
Camila colocou seu copo vazio no bar. “Eu conheço.”
Ele não ofereceu a mão.
Ela não esperou permissão.
Ela virou-se, os quadris balançando com intenção, e liderou o caminho — a multidão abrindo-se ao redor dela como seda na água.
Rafael seguiu, sua expressão indecifrável.
A suíte cheirava a sal, sexo e ao ar-condicionado com toque cítrico. Janelas amplas abriam-se para o mar, a cidade brilhando abaixo como uma caixa de joias tombada.
Camila entrou como se fosse dona do lugar, embora nunca fosse.
“Ainda usando o mesmo quarto”, provocou ela, chutando os saltos. “Romântico.”
“É o único disponível”, respondeu Rafael, trancando a porta atrás de si com um clique suave. “Talvez seja o pior deles.”
Ela riu levemente, caminhando para o centro do quarto. “Você é dono deste lugar, Rafael.”
Ele não respondeu. Apenas enfiou as mãos nos bolsos da calça e encostou-se na parede, observando-a.
Camila não vinha com expectativas. Ela nunca buscava sua mão depois, nunca perguntava no que ele estava pensando. Ela era aberta, não apenas no corpo, mas no propósito. Descomplicada. Prática.
Seu pai era um de seus sócios de longa data, fornecendo produtos de spa de alto padrão para as propriedades Navarre — óleos, perfumes, aquelas coisas com cheiro de lavanda que Rafael nunca se preocupou em lembrar.
Ela era linda da maneira que o satisfazia — mas Rafael não se importava. Não com ela. Não com ninguém.
Ele simplesmente sentia... a necessidade. A urgência. A vontade de esvaziar a si mesmo.
Ela virou-se lentamente, deixando-o olhar. Ela sabia exatamente o que estava fazendo — fazendo-o esperar.
Suas mãos moviam-se com precisão sensual enquanto ela alcançava a nuca, desabotoando a alça fina e deixando-a cair. O tecido deslizou pelo seu corpo polegada a polegada, revelando a pele macia e as curvas iluminadas suavemente pelo brilho ambiente da suíte.
A seda preta sussurrou até o chão e acumulou-se ao redor de seus tornozelos. Ela saiu dela com elegância, os pés descalços sobre o mármore polido, a coluna longa e orgulhosa.
Ela virou-se ligeiramente, dando-lhe uma vista de perfil enquanto deslizava sua calcinha rendada pelos quadris, o movimento deliberado, quase provocante.
Ela ficou nua, com confiança e um convite envolto em silêncio.
“Você gosta do que vê?”, perguntou ela, com a voz carregada de calor.
Rafael lambeu o lábio inferior, roçando-o com o polegar, seus olhos nunca deixando o corpo dela.
Ele tinha visto Camila nua mais vezes do que poderia contar e, ainda assim, havia algo constante nisso, algo conhecido.
Suas curvas eram familiares, seus movimentos fluidos, e ela nunca pedia mais do que ele estava disposto a dar. Era isso que a tornava tolerável — útil, até.
Então ele se moveu.
Sem dizer nada, ele chegou por trás dela, agarrando seus quadris e girando-a para encarar as portas de correr de vidro que davam para as luzes da cidade e a beira do oceano. Ele nem se despiu. Ele lambeu a curva de seu pescoço, beijou sua espinha abaixo e mordeu seu ombro com força suficiente para fazê-la estremecer.
Uma mão deslizou entre suas omoplatas, pressionando-a firmemente contra o vidro. A outra foi ao seu cós — abrindo o botão, arrastando o zíper para baixo.
Ele puxou seu pau para fora, duro e pronto, o calor dele pressionando contra a pele nua dela.
Então ele a curvou para frente, seus seios achatando-se contra o vidro frio.
Camila ofegou quando o vidro frio tocou seus seios. Suas mãos se espalharam sobre o painel, a respiração embaçando a vista.
Com um movimento prático, ele lambeu dois dedos e alcançou o meio de suas coxas. Deslizou-os lentamente para dentro dela, alongando-a, sentindo o calor escorregadio que já o esperava.
Ele sibilou, a voz sombria e baixa no ouvido dela: “Droga, você está molhada.”
Ela gemeu, sem fôlego. “Eu estou sempre molhada por você, Navarre.”
Ele continuou trabalhando com os dedos dentro dela, esticando-a com pressão firme e constante, enquanto a outra mão a pressionava com mais força contra o vidro. O frio fez seus mamilos enrijecerem, pontiagudos e dolorosos contra a superfície lisa.
Ela lambeu as pontas dos dedos com um suspiro suave e alcançou o meio das pernas, esfregando seu clitóris, desesperada para se levar ao limite.
Então ele entrou fundo, gemendo enquanto a preenchia. Ela gemeu alto, sua voz abafada ligeiramente pelo vidro enquanto o ritmo dele se estabilizava — constante, controlado, cada estocada mais profunda que a anterior. O som de sua bunda batendo nas coxas dele ecoava pela suíte, agudo e obsceno, enchendo o ar com a crueza de tudo aquilo.
Ele agarrou o cabelo dela e puxou sua cabeça para trás, mordendo o lóbulo de sua orelha. Ela gemeu, pressionando os quadris contra ele, tentando acompanhar seu ritmo. Ele não lhe deu controle — suas estocadas rápidas, profundas, punitivas.
Ela esfregou sua pele sensível mais forte, mais rápido, igualando o ritmo dele para perseguir seu próprio clímax.
Ele não a parou. Não a ajudou. Não se importou.
Ele golpeou-a com mais força, surfando na onda de sua própria urgência. Ela gozou com um grito estrangulado, as costas arqueando, seu corpo tremendo sob ele.
A pressão havia crescido rapidamente — afiada e exigente — uma urgência que latejava em seu pau a cada estocada punitiva. Seu aperto apertou-se nos quadris dela, a respiração irregular, a tensão contorcendo-se em sua espinha até que ele quase não conseguisse se conter.
Com um grunhido áspero, ele saiu na hora certa, masturbando-se uma, duas vezes. Seu maxilar travou, olhos fechando-se com força enquanto o gozo vinha. Seu sêmen, quente e pesado, espalhou-se pela curva da bunda dela, espesso e sem remorso. Ele gemeu baixo, estabilizando-se com uma mão nas costas dela, a outra segurando seu pau para controlar a intensidade.
Camila olhou para trás, por cima do ombro, com um sorriso presunçoso. “Você foi rápido”, disse ela, sem fôlego. “Faz tempo?”
Ele respondeu com um meio sorriso preguiçoso. “Sim. Esta manhã.”
Ela riu, balançando a cabeça.
Rafael alcançou um lenço na mesa de apoio atrás dele, limpou-se com facilidade mecânica e fechou o zíper da calça. Sem outro olhar, ele virou-se para a porta.
“O quarto já está pago. Pode ficar”, disse ele de forma monótona.
Então ele saiu.
As luzes do corredor diminuíram quando ele entrou no elevador, a porta fechando-se atrás dele com um sibilo baixo.
Seu telefone vibrou. Papà.
Ele exalou, tocou a tela e atendeu. “Sim?”
“Você sabe que estou no TikTok agora”, a voz grave de Alejandro Navarre veio pela linha. “Outra festa. Outra cena viral sua.”
Rafael saiu do elevador quando ele abriu no andar térreo. Seus passos eram suaves, precisos. Ele acenou brevemente para o concierge enquanto saía, o ar noturno úmido envolvendo-o. “É parte da estratégia. Imagem vende. Você costumava dizer isso.”
“Eu disse que a história importa”, respondeu Alejandro. “Não o espetáculo. Há uma diferença.”
Rafael parou perto do manobrista, os olhos varrendo a rua. O motorista estava atrasado. Ele odiava isso. “Bem, história e espetáculo são a mesma coisa agora. Os americanos estão dentro. O pitch funcionou.”
Alejandro ficou em silêncio. Então: “Então você realmente está fazendo isso.”
“Vou voar para a ilha amanhã. Quero supervisionar tudo pessoalmente.”
“Você nunca gostou desses projetos verdes.”
“Nunca gostei de nada que me lembrasse da mediocridade humana.”
Isso atingiu o alvo. Silêncio novamente.
“Li a proposta atualizada”, disse Alejandro, finalmente. “Você está construindo um monumento aos investidores, não um futuro para os locais.”
A boca de Rafael contraiu-se. “São ambos. E sou o único que pode fazer isso acontecer sem que entre em colapso por causa de concessões.”
“Você soa como eu, sabe.”
“Eu não sou você.”
“Mas você também não é sua mãe”, disse Alejandro calmamente. “Ela teria deixado tudo selvagem.”
Um carro preto virou na esquina, os faróis baixos. Rafael deu um passo à frente, ainda segurando o telefone na orelha.
“Não estou fazendo isso por ninguém”, disse ele. “Estou fazendo isso porque sou aquele que sempre termina o que os outros têm medo de começar.”
A voz de Alejandro suavizou. “Apenas certifique-se de que ainda se reconheça quando estiver terminado.”
Rafael não respondeu.
A linha ficou muda.
O motorista saiu, abriu a porta. Ele entrou sem dizer mais nada, as luzes da cidade refletindo na janela fumê enquanto o carro se afastava.
Rafael baixou o telefone no colo. Ele olhou pela janela, o maxilar tenso, pensamentos barulhentos.
Pela manhã, ele estaria naquela ilha. E ele podia sentir — aquele não era apenas mais um fechamento de negócio.
Esta noite, como todas as outras, ele fechou o negócio.