Os Guardiões: Livro 1

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Resumo

*AVISO DE CONTEÚDO* Levi "O Tubarão" Sharpton, o líder da equipe de motocross Os Guardiões, matou o meu pai. Agora, fiz da minha missão destruir não apenas ele, mas também tudo o que ele ama para vingar a morte do meu pai. Tropes e gatilhos: she stalks him, enemies to lovers, assassinato, estupro, uso de drogas, pedofilia, negligência e exploração infantil, relacionamento swinger temporário, Dom/Sub, atos sexuais explícitos, violência, gore.

Status
Completo
Capítulos
38
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

Levi

Observar a fileira de árvores coloridas ao longe traz uma paz que tem sido difícil de encontrar ultimamente. Abby adorava o outono. Eu nunca tinha admirado sua beleza até que ela se foi.

“Ei, Shark! O que você está olhando?”, pergunta Ham, vulgo Granger Hamilton. Ham e Deck, Declan “Deck ‘em” Voss, não são apenas meus melhores amigos e parceiros para todas as horas, mas também meus companheiros de motocross.

“Estou olhando para a sua mãe. Ela está dançando pelada perto daquelas árvores”, provoco.

“Vai se foder. Não está não... ou está?”, ele pergunta, inclinando-se para frente e semicerrando os olhos.

“Estou admirando as árvores, seu idiota. Abby amava tudo no outono”, suspiro.

“Eu me lembro. Uma vez ajudei ela a colecionar folhas.”

“Sério?”

“É, foi divertido até.” Ele dá de ombros antes de ficar em silêncio. Então, ele também fica olhando para as árvores à distância.

“Sinto falta dela”, suspiro.

“Eu também.”

“O que vocês dois babacas estão encarando?”, pergunta Declan.

“A mãe do Ham está dançando, pelada, perto daquelas árvores”, respondo.

“Pera, é sério?”, Deck pergunta, parecendo interessado demais.

“Não, seu pervertido!”, Ham ri, dando um soco no estômago dele.

“Vamos lá, a corrida vai começar”, dou risada, batendo nos ombros deles.

“Ouvi dizer que tem uns novatos correndo hoje. É bom eles estarem com fome, porque vão comer poeira”, gaba-se Ham.

“Nada a ver”, Deck bufa.

“Preparem o equipamento”, ordeno, apontando para a nossa pilha de acessórios espalhada no canto da tenda.

Ao descermos para a pista, fazemos uma última verificação para garantir que nossas motos estejam em perfeitas condições.

Correr sempre me fez sentir vivo, mas especialmente nos últimos tempos. Faz dois anos que perdemos minha irmãzinha, Abby, e as corridas foram a única coisa que impediu nós três de surtarmos. Bom, isso e a bebida, as mulheres e as brigas.

Não saber o que realmente aconteceu com a Abby torna quase impossível sair da cama todos os dias. Mas saber que preciso aparecer, não só pela minha própria sanidade, mas pela do meu time também, torna a sobrevivência suportável.

“Você vai perder, Shark! Direto para o fundo do oceano!”, ameaça Ham.

“Ele está falando sério com essas piadas de tiozão?”, resmungo, olhando para Deck.

“A única coisa que qualquer um de nós vai levar para o fundo é a sua mãe, Ham”, retruca Declan.

“Parem com a difamação da minha mãe, beleza?!”, Ham reclama.

“Então pare de agir como se pudesse me vencer, cowboy”, dou risada antes de colocar o capacete.

Em uníssono, levamos nossas motos para a linha de largada e ligamos os motores. Como é típico dos Guardians, nenhum de nós presta a mínima atenção nos novatos ao nosso redor.

Já virou senso comum que pelo menos um de nós ganha todas as corridas. Nossas habilidades são imbatíveis na nossa divisão, o que nos tornou uma força respeitável.

Começamos a nos chamar de Guardians logo após a morte de Abby. Depois, decidimos usar o nome para nossa equipe de corrida, após fazermos um juramento de que nenhum de nós descansaria até que o assassino dela fosse pego.

O barulho e a expectativa dos motores acelerando por perto sempre me causam arrepios. Uma onda de adrenalina percorre meu corpo como um raio enquanto o cheiro de escapamento invade meus sentidos.

Empurro o suporte da moto, posicionando-a enquanto espero pelo disparo da arma que sinaliza o início da corrida.

Alguns segundos depois, o tiro ecoa. Rasgando a pista, com o motor rugindo embaixo de mim, minha alma volta, mais uma vez, do mundo dos mortos.

Assim que assumo a liderança, fazendo a curva, sou fechado bruscamente por um vulto vermelho. Isso me assusta pra caralho. Algum bastardo do caralho corta tão perto entre mim e a curva que quase caio.

“FILHO DA PUTA!”, grito antes de acelerar tudo para colar na traseira dele.

Faz anos que nenhum piloto foi habilidoso o suficiente para chegar perto de mim assim, e esse desgraçado agora fez meu sangue ferver.

Declan emparelha ao meu lado, cerrando o punho e gesticulando na direção do bastardo.

Aquele idiota vai ter uma briga e tanto quando essa corrida acabar, se ele deixou o Deck tão irritado assim. Ele deve ter arranjado briga com ele antes de me cortar.

Abro o acelerador no máximo enquanto descemos a reta, ambos nos aproximando da misterante moto vermelha. Assim que meu pneu dianteiro chega perto do traseiro dele, o filho da puta intencionalmente faz um zigue-zague, me forçando a puxar o guidão.

Perco o controle da minha moto, atingindo o chão com tanta força que meu corpo rola quatro vezes após ser jogado na pista empoeirada.

“PORRA!”, grito com os ouvidos zunindo. Cada músculo do meu corpo dói pelo impacto.

Olhando os outros pilotos à distância, cada um cruza a linha de chegada sem mim. Mas, por causa da poeira do acidente, é impossível ver quem ficou em primeiro.

“Levi, você está bem?”, pergunta Alex, nosso mecânico, correndo para o meu lado. Ele estende as mãos, me ajudando a levantar.

“Filho da puta! Quem diabos era aquele?!”, grito, arrancando meu capacete.

“Não sei, um dos novatos. Eles são independentes, não estão associados a nenhuma equipe”, ele responde.

A multidão subitamente explode em um rugido unido, sinalizando o fim da corrida.

Alex tira minha moto da pista enquanto eu manco em direção à linha de chegada. É aí que vejo o Ham fazendo, literalmente, um estrelinha.

“Que porra aconteceu?!”, grito.

É quando ele começa a fazer o moonwalk que percebo Declan cruzando os braços e balançando a cabeça, como se estivesse morrendo de vergonha alheia.

“Não me diga que ele ganhou?”, pergunto para Deck.

“Com certeza ganhei, parceiro! Eu disse que VOCÊS iam perder! Eu sabia que hoje era o meu dia!”, gaba-se Ham.

“Cristo”, suspira Declan, ainda balançando a cabeça.

“Que porra aconteceu com você?”, pergunto ao meu segundo no comando.

Esta é a primeira vez que o Ham vence um de nós. Claro, ele já mandou bem em outras corridas, mas geralmente quando Deck e eu não estamos competindo. Quando estamos os três, eu geralmente fico em primeiro e o Declan em segundo.

Declan já me venceu uma ou duas vezes, mas foi logo depois que perdemos a Abby. No começo, era porque eu estava perturbado demais para pensar, depois eu só deixei ele ganhar algumas vezes por pena, já que ele estava tão abalado quanto eu.

“Aquela maldita moto vermelha, cara. O idiota me fechou logo antes de tirar você da pista.”

“Em que lugar aquele babaca ficou?”, pergunto.

“Em segundo”, ele responde.

“DROGA! Você não conseguiu nem o segundo lugar, Deck?”, suspiro.

Ele rosna e estala os dedos, balançando a cabeça com vergonha.

“Onde ele está?”, rosno.

“Então... nada de ‘bom trabalho, Ham! Parabéns, Ham! Estamos orgulhosos de você, Ham!’?”, Ham reclama, cruzando os braços.

“Claro, bom trabalho, babaca. Agora, nos ajude a encontrar aquela moto vermelha”, respondo.

Ele revira os olhos e suspira dramaticamente, como a pequena atenção que ele é. O esforço dele não ficará sem reconhecimento, vamos comemorar a vitória dele mais tarde, depois que nos vingarmos, ou pelo menos descobrirmos o nome do bastardo que quase me matou.

Procuramos nas laterais, nas arquibancadas e na garagem, mas não encontramos ninguém.

“Talvez ele tenha coragem de aparecer no próximo fim de semana”, sugere Ham.

“Eu vou quebrar o pescoço dele”, Deck rosna.

“Eu tenho prioridade nesse desgraçado”, rosno, deixando claro que esse cara é um problema meu.

Depois da corrida, vamos para o nosso lugar favorito, The Rig. Acho que uma comemoração pela vitória de Ham é necessária. Deus sabe que, se não fizermos um estardalhaço sobre sua primeira grande conquista, nunca mais vamos ouvir o fim dessa história.

The Rig é um bar local, a poucos quilômetros da pista. Tornou-se uma espécie de segundo lar para os pilotos locais. Nossa equipe praticamente vive aqui, especialmente depois que perdemos a Abby. Além disso, é o único lugar para sair nessa cidadezinha de fim de mundo.

“A Monster Energy estava lá hoje procurando patrocinar uma equipe”, suspira Declan ao colocar um balde de cerveja no centro da mesa.

“Diz que você está brincando com a gente”, exclamo.

“Não, a Angel acabou de me contar.”

Angel é a garçonete que parece saber da vida de todo mundo nessa cidade.

“Como diabos ela sabia?”, pergunto.

“Ela disse que o olheiro estava aqui jantando logo depois da corrida.”

“Ela disse se eles estavam interessados em alguém?”, pergunta Ham.

Deck e eu rimos. É claro, na única corrida em que nos ferramos, Ham acaba parecendo o superastro. Uma empresa de verdade finalmente aparece procurando patrocinar uma equipe e eu acabo batendo. Que azar do caralho.

“Não, ela não disse”, ele responde, caindo na cadeira.

“Rapazes, parece que vocês precisam de umas doses”, diz uma voz feminina atrás de mim. Viramos e notamos uma loira muito voluptuosa parada logo acima do meu ombro.

O visual dela é demais para um lugar como este, e a faz se destacar como um polegar dolorido. Usando saltos agulha, uma calça de couro rosa apertada e um suéter branco peludo decotado, ela parece mais uma Barbie do que alguém daqui.

Tudo nela parece falso, desde seus lábios até seu bronzeamento artificial. Bem, quase tudo. A bolsa Louis Vuitton pendurada no braço certamente não é.

“Sempre, madame. Nunca fomos de recusar uma dose de uma bela dama. Eu sou Ham... é... Granger Hamilton, quer dizer”, Ham gagueja enquanto pula da cadeira como um cachorrinho ansioso. Rapidamente, ele puxa uma cadeira da mesa ao lado, oferecendo um lugar para ela.

“Bom, então... eu sou a Heather”, ela sorri, sentando-se bem ao meu lado.

“Eu sou Levi Sharpton, madame”, digo, acenando com a cabeça.

“Declan Voss”, Deck grunhe, não parecendo impressionado com a presença dela.

“Eu vi a corrida hoje”, ela sorri ao chamar a garçonete.

“O que vai ser?”, pergunta Holly.

“Uma garrafa de tequila Don Julio, por favor... com quatro copos”, responde Heather.

“Hum, desculpe. Não temos essa marca”, responde Holly, fazendo uma careta.

“Caso você não tenha notado, estamos em um bar pé-sujo”, Deck bufa, balançando a cabeça.

“Então, uma garrafa de qualquer tequila de primeira linha que vocês tenham”, responde Heather com desprezo.

Holly volta para o bar.

“Primeira linha, é?”, pergunto.

“Só o melhor para meus potenciais clientes”, Heather sorri. Ao mesmo tempo, nós três nos endireitamos nas cadeiras.

“Eu sou da Fox racing”, Heather esclarece.

Holly coloca a garrafa e os copos no meio da mesa e começa a se afastar.

“Podemos pedir uns petiscos também?”, pergunta Heather por cima do ombro.

Olhamos um para o outro enquanto a expectativa cresce entre nós.

“Fox, é?”, pergunto, tentando parecer o mais indiferente possível.

“Sim, estamos de olho no Team Guardians há algum tempo. Especialmente em você”, ela responde, dando um sorriso malicioso.

Declan pega a garrafa primeiro e começa a servir as doses.

“Então você me viu ganhar hoje, certo?”, Ham comenta empolgado.

“Vi sim. Bom trabalho.”

Ela o parabeniza, mas mantém o olhar fixo em mim.

“Com certeza foi”, ele ri.

“Você teve sorte, babaca”, Declan ri.

“Linguagem”, repreendo, lembrando-o de manter o profissionalismo.

“Tudo bem, eu prefiro homens com a boca suja”, Heather suspira. De repente, sinto a mão dela cair no meu joelho debaixo da mesa.

“Somos uma equipe. Nenhum de nós assinará nada como piloto solo. É tudo ou nada com a gente”, informo. Fizemos um pacto quando começamos a correr de nunca nos separarmos.

Heather lambe os lábios, toma uma dose da tequila e olha para nós.

“Isso não é um problema. Temos espaço para todos vocês”, ela diz antes que seus dentes toquem o lábio inferior.

Então ela se inclina para frente, apoiando seu peito voluptuoso na mesa, quase como uma oferta que ela está usando para nos convencer. Então ela diz, “quanto mais, melhor”, com uma piscadela sedutora.

Ham se mexe na cadeira, soltando uma tosse engasgada enquanto encara o peito dela. Não é segredo que ele é o maior fã de peitos do planeta. Ele está no céu agora.

Olho para Declan. Ele está inclinado na cadeira, encarando Heather como se quisesse jogá-la escada abaixo. Ele sempre foi um excelente juiz de caráter. Eu confiaria na linguagem corporal dele mais do que em qualquer outra pessoa.

“Temos estipulações”, respondo.

“Claro que têm. Só saibam que podemos oferecer tudo o que vocês quiserem”, ela diz, me olhando como se eu fosse um banquete gratuito.

“A Monster também esteve aqui sondando”, acrescento.

Ela suspira, revirando os olhos. “Eu vi. O representante deles e eu nos conhecemos.”

“Aposto que sim”, Ham bufou.

“Nós queremos vocês, e muito. Farei o que for preciso para que assinem conosco”, ela oferece.

“Precisaremos de algum tempo para pensar. Depois, voltaremos com nossos termos”, digo.

“Ei! Quem tem aquela moto amarelo-brilhante lá fora... alguém está mexendo nela!”, um morador grita de repente do outro lado do bar. Seu olhar está fixo na vitrine da frente.

“PORRA!”, grito, saltando da cadeira enquanto um pânico toma conta de mim. Ele está falando da MINHA MOTO.