Capítulo 1
O céu, que costumava ser de um azul brilhante, tornou-se pálido e nublado, como se estivesse vestindo um cobertor de névoa e neblina. É um sinal de que a chuva está a caminho. E, assim que começamos a notar a mudança, gotas de chuva começam a cair suavemente do céu, produzindo um som leve ao tocarem o solo. É como a própria música da natureza, calma e serena. O ar parece fresco e frio, carregando o cheiro de terra molhada. É como se a terra estivesse se preparando para se renovar, prometendo novos começos.
"Prometendo novos começos"
O moreno, parado sob a cobertura do ponto de ônibus, suspirou e manteve a bolsa sobre a cabeça antes de pisar naquela poça d'água. "Eu deveria ter trazido um guarda-chuva", murmurou para si mesmo, apressando o passo.
Não existe algo de especial na melodia da chuva ao começar a cair, pegando-nos desprevenidos em seu abraço frio? A umidade da noite, uma surpresa refrescante, torna-se ainda mais encantadora quando compartilhada com alguém querido. Juntos, o toque suave da chuva e os sorrisos compartilhados parecem tecer uma alegria simples, porém profunda, transformando uma noite encharcada em uma lembrança querida.
Os passos apressados do moreno diminuíram e finalmente pararam ao se aproximar do portão de madeira de uma casa modesta, de um único andar, aninhada sob os braços acolhedores de velhos carvalhos.
A casa, com sua aparência aconchegante e caminho de flores, parecia chamá-lo para dentro, fugindo da chuva. Com um sorriso de alívio, ele empurrou o portão; o rangido familiar misturou-se ao som das gotas de chuva, fazendo-o sentir-se instantaneamente em casa. Ao pisar na varanda coberta, ele se livrou da água, a expectativa de calor e secura envolvendo-o com a mesma certeza com que a chuva o encharcara momentos antes.
Ele foi direto para a varanda, onde rapidamente colocou a bolsa no chão de madeira seca assim que ficou sob a proteção do telhado. O alívio de escapar da chuva inesperada era palpável. Enquanto estava ali, o som reconfortante das gotas de chuva batendo no telhado preenchia o ar, misturando-se ao leve aroma de pinheiro úmido das árvores ao redor.
"Ah, Kookie. Onde está o appa? Por que você se molhou na chuva?" Uma mulher, provavelmente com quase 60 anos, surgiu da casa, com uma expressão de preocupação ao dirigir-se a ele.
"Esqueci de pegar o guarda-chuva, mamma", ele confessou, enquanto seus dedos passavam pelo cabelo preto úmido, que chegava aos ombros, numa tentativa de ajeitá-lo.
"Mas o appa foi até o ponto de ônibus com um guarda-chuva para você", ela respondeu com um toque de diversão na voz. Ela voltou para dentro da casa e reapareceu momentos depois com uma toalha de banho felpuda nas mãos. Ela a entregou a ele.
"Ah, mas eu não o vi. Talvez o appa tenha ido pelo caminho oeste e eu pelo leste", respondeu ele, tentando montar o quebra-cabeça do desencontro.
Sua mãe cantarolou pensativa e o guiou até a cadeira mais próxima, ao notar como ele secava o cabelo com preguiça. Ela imediatamente pegou a toalha das mãos dele e assumiu a tarefa, esfregando-a vigorosamente em suas madeixas úmidas.
"Você vai ficar doente, Jungkook", ela o repreendeu gentilmente, com o tom carregado de decepção e preocupação. Ela continuou a secar o cabelo dele, garantindo que não restasse nenhum fio molhado.
"Mm... O pai não foi à loja hoje?", Jungkook perguntou, curioso sobre a rotina habitual do pai.
"Mm. Mas ele voltou ao meio-dia. Havia algumas pimentas-do-reino que precisavam ser colhidas, então ele cuidou disso", respondeu a mãe, com os dedos passando gentilmente pelo cabelo já seco.
"Sozinho?", ele perguntou, querendo saber se o pai teve ajuda. "Não, o Jinie visitou hoje. Então ele ajudou", explicou ela, sentando-se ao lado dele na varanda.
"E ele já foi embora? Por que não esperou por mim?", perguntou Jungkook, com os olhos vasculhando o quintal em busca da scooter de Jin.
"Mm. Na verdade, ele veio porque precisava de algum dinheiro. O negócio do Namjoon está indo mal agora, então eles estão passando por dificuldades", compartilhou a mãe, com a voz baixando um pouco ao falar da luta do filho mais velho. Jungkook apenas cantarolou, ouvindo-a.
"Eu tinha um pouco de dinheiro comigo. Semana passada, seu appa recebeu a aposentadoria dele. Mm. Então, eu dei a ele", acrescentou ela hesitante, incerta sobre como o filho reagiria. Jungkook cantarolou novamente.
"Vou tomar um banho então", disse ele, levantando-se da cadeira de madeira. Ele foi para o quarto, deixando a conversa para trás enquanto se preparava para lavar o estresse e a chuva do dia.
Depois de fechar e trancar a porta, Jungkook pendurou a bolsa na maçaneta. Ele rapidamente tirou as roupas encharcadas e se enrolou em uma toalha de banho, sentindo-se aliviado por estar fora das peças frias e úmidas. Enquanto atravessava o quarto até a mesa, um sorriso surgiu em seu rosto ao ver vários pacotes de seus chocolates favoritos espalhados na pequena mesa perto da janela. Ele roçou levemente os dedos nos invólucros coloridos, um lembrete tangível das pequenas alegrias e confortos que seu hyung poderia ter deixado para trás.
Com um sorriso caloroso, ele se virou e foi em direção ao banheiro, pronto para um banho quente para lavar o frio da chuva e as preocupações do dia.
Recém-saído do banho e sentindo-se renovado, Jungkook pôde ouvir uma voz familiar abafada pelas paredes ao sair do banheiro, vestido com uma camiseta simples e calças. Parecia que seu pai estava de volta e conversando na sala de jantar. Ele passou os dedos pelo cabelo levemente úmido para ajeitá-lo enquanto se dirigia para onde as vozes vinham.
"Ah, Jungkookie. Eu esperei por você no ponto de ônibus. Você se molhou muito?", seu pai perguntou preocupado, no momento em que Jungkook entrou na sala de jantar.
"Um pouco. Peguei o caminho leste. Como o trajeto era cheio de árvores, não peguei muita chuva", explicou Jungkook. "Mm. Você comeu alguma coisa?", seu pai perguntou, com a testa levemente franzida pela preocupação paternal. "Ainda não", respondeu a mãe por ele, entrando na conversa enquanto colocava uma caneca de café fumegante e alguns lanches na frente dele. Ela também colocou um envelope pardo, que parecia fora de lugar entre os petiscos informais.
A atenção de Jungkook foi instantaneamente atraída para o envelope pardo que a mãe colocara ao lado dos lanches. "Mãe", disse ele, indicando o envelope com um suspiro. "Apenas veja. A agência os enviou hoje", ela explicou, com a voz carregada de uma mistura de excitação e antecipação enquanto se sentava ao lado dele.
Jungkook hesitou e empurrou o envelope um pouco para longe, mais interessado no calor reconfortante de seu café. Ele soprou suavemente a fumaça que subia da caneca, tentando evitar a conversa que pressentia estar por vir.
"Há algumas boas opções. Uma delas é até médico", ela continuou entusiasmada, esperando despertar o interesse dele.
"Médico? Você acha que um médico escolheria um simples recepcionista?", ele respondeu, seu tom quase zombando da ideia enquanto balançava a cabeça para o que considerava o casamenteiro irreal de sua mãe.
"Então esqueça esse. Olhe o restante", ela sugeriu, sem querer pressionar o ponto, enquanto começava a tirar fotografias do envelope.
Jungkook respirou fundo, pegou sua caneca e foi para a sala de estar. Ele se acomodou no sofá e ligou a televisão, tentando criar uma distração da discussão iminente sobre perspectivas de casamento.
"Você ama alguém, então?", a voz de sua mãe o seguiu, cheia de curiosidade e um toque de preocupação. "Não", ele respondeu secamente, seu olhar desviando da TV para encontrar o dela. "Então, qual é o problema?" Ela sentou-se ao lado dele novamente, persistente.
"Ah, appa, você ainda quer ela? Eu vou jogá-la naquele canal", Jungkook brincou, meio sem jeito, com seu pai, tentando aliviar o clima enquanto gesticulava em direção à mãe. O pai apenas sorriu, acostumado com as provocações deles. "Pelo menos, veja uma vez, Bun", aconselhou calmamente, encorajando o filho a pelo menos considerar as opções.
"Mm". Jungkook suspirou, a resignação clara em sua respiração, enquanto finalmente pegava as fotografias das mãos de sua mãe, concordando em dar uma olhada, nem que fosse para aplacar a preocupação de seus pais com o seu futuro.
Assim que Jungkook segurou a primeira fotografia na mão, um sorriso animado se espalhou no rosto de sua mãe enquanto ela começava a detalhar cada pretendente em potencial, sua voz cheia de uma mistura de esperança e ansiedade ao descrever o primeiro candidato.
"Cha Eunwoo, um funcionário do governo. Ele trabalha no departamento de água. É o mais novo da família. Ele não é bonito?", perguntou ela, pegando a fotografia da mão de Jungkook e estudando-a atentamente antes de mostrá-la a ele. Jungkook deu uma olhada rápida e a colocou de lado, sem muitos comentários.
"Próximo, Kim Mingyu. Ele trabalha como contador no Hospital Care Well. Sua família consiste em quatro membros, como a nossa", disse ela, esperando traçar um paralelo que pudesse agradá-lo. Mas Jungkook parecia desinteressado e colocou aquela foto de lado também.
"Você não gostou do Mingyu? Eu gostei dele. Ah. E este... este é Lee Min Ho, um professor. Ele só tem a mãe. O pai morreu há alguns anos. Ele é filho único", explicou ela, sorrindo gentilmente como se quisesse suavizar os detalhes sombrios ao olhar para a próxima foto que seu filho segurava. Jungkook reconheceu a informação com um aceno, mas, novamente, deixou a foto de lado.
"Kim Taehyung", continuou ela, com a voz levemente hesitante enquanto Jungkook pegava outra fotografia. "Na verdade, a mãe do Joon trouxe esta. Nós já a rejeitamos." Jungkook olhou para a foto por mais tempo desta vez, talvez curioso sobre a rejeição anterior. "Ele é um empreiteiro civil. Ele tem uma mãe e uma irmã. O appa dele morreu há alguns anos. Mas a questão é", ela pausou, a voz baixando, claramente inquieta sobre o que estava prestes a revelar. "Ele foi casado anteriormente e tem uma filha de seis meses." Jungkook deu outra olhada na fotografia.
O peso das expectativas de sua mãe e as complexidades do passado de cada pretendente pareciam pairar no ar. Ele finalmente olhou para sua mãe, cujas sobrancelhas estavam franzidas de preocupação, provavelmente ponderando como seu filho reagiria a essas revelações, especialmente a última.
"A primeira esposa dele faleceu durante o parto", comentou ela, com a voz frágil de pesar. Jungkook apenas cantarolou em resposta, sua expressão ilegível. Ele colocou gentilmente a fotografia na mesa, seus dedos demorando-se nas bordas como se pudesse tocar o passado daquela pessoa. O silêncio que se seguiu parecia carregar o peso das palavras não ditas entre eles.
"Deixe para lá", disse ela, com a voz carregada de decepção. "Este é Park Chanyeol. Ele é um homeopata de uma família respeitada. Ele tem uma pequena clínica na cidade. Na verdade, estávamos considerando este pretendente. A família dele é composta por pai, mãe, uma irmã que ainda está na escola e um irmão que já é casado e mora separado com sua própria família. Eu mostrei essa foto ao Jinnie mais cedo, ele também gostou desta proposta." Ela sorriu, esperando aprovação ao olhar para o filho com olhos de cachorrinho e mãos juntas no colo.
"Bom", Jungkook reconheceu, colocando a última foto na mesa antes de mudar para o canal de comerciais na televisão.
Enquanto um drama piscava na tela, sua mãe virou-se para ele, buscando sua opinião. "O que você diz?", perguntou ela, olhando para o perfil lateral de seu rosto bonito. "Não", respondeu ele categoricamente.
"Ah, Jungkook. Por quanto tempo mais você vai ficar assim? Quando pretende se casar? Depois de ter rugas nos cantos dos olhos? Você já fez 28 anos. Não desejamos ver você com sua própria família?", perguntou ela, dando um tapa leve no braço dele, uma mistura de frustração e preocupação evidente em seu tom.
"Ai, mamma. As pessoas não vão morrer se não se casarem", Jungkook retrucou, esfregando o braço.
"Viu, viu! Por que você não está dizendo nada?", sua mãe apelou para o pai dele.
"Pense nisso, Jungkook. Sua mamma tem razão. Queremos ver você vivendo feliz com sua própria família", seu pai acrescentou, tentando persuadi-lo. Mas Jungkook permaneceu em silêncio, sua atenção fixada no drama que se desenrolava na tela, sem vontade de participar da conversa sobre seu futuro.
Depois de algumas horas, Jungkook retirou-se para seu quarto, fechando a porta atrás de si. Ele se jogou na cama, esperando tirar um cochilo rápido. No entanto, o sono o evitou enquanto ele se revirava, incapaz de encontrar uma posição confortável. Eventualmente, ele se deitou de bruços, com a cabeça aninhada no travesseiro. Enquanto estava ali, sua mente voltou para as fotos que tinha visto mais cedo, uma em particular chamando sua atenção.
"Kim Taehyung", sussurrou ele, seus pensamentos transportando-o de volta aos dias passados no amplo edifício de tijolos de pedra de sua escola. Memórias inundaram sua mente, pintando cenas vívidas de risadas, amizade e sonhos compartilhados.
...
"Taehyung!
Kim Taehyung!!
Kim! Taehyung!
O aperto de Jungkook na bolsa se intensificou, seu coração disparando e a respiração acelerando a cada passo que Taehyung dava em direção à cesta. Ele observava atentamente enquanto Taehyung, brilhando de suor, driblava a bola na quadra, seu cabelo loiro levemente crespo e úmido, preso por uma bandana.
Os olhos de Jungkook piscaram para o placar, lendo 11-11, a tensão aumentando a cada segundo que passava. Fechando os olhos brevemente, Jungkook se preparou enquanto Taehyung entrava em ação, seu corpo voando em direção à cesta, a bola deixando as pontas dos seus dedos em um arco perfeito em direção ao aro.
"Yeeeeeeee.. yeaaaahhh.. Taehyung.. Taehyung.. yeeeee.. wowww.. waaaahhh.. Kim Taehyung.."
Os olhos de Jungkook se abriram de repente, um sorriso se abrindo em seu rosto, revelando seu sorriso de coelho característico. Era uma mistura de alívio e admiração enquanto ele observava o arremesso de Taehyung voar pelo ar, sua habilidade e determinação nunca deixando de impressioná-lo.
Infelizmente, a admiração de Jungkook não durou muito, pois seu amigo chamou: "Jungkook, vamos. Temos aula em dez minutos". Jungkook desviou o olhar de Taehyung, que estava sendo carregado nos ombros de seu time em celebração. Com um sorriso, Jungkook seguiu Hobi, deixando a cena da celebração.
"Sim, aquilo foi intenso", disse Hobi, amigo de Jungkook, com um sentimento de orgulho evidente em sua voz. Jungkook assentiu para ele como se desse uma resposta. "Eu não vi o jogo todo, mas a pontuação final do Taehyung foi incrível", Hobi comentou enquanto se dirigiam para a aula. Jungkook simplesmente assentiu novamente em concordância, sentindo uma sensação de admiração pelas habilidades de Taehyung no basquete.
Mais tarde na sala de aula, o foco de Jungkook vacilou das anotações que estava rabiscando ao ouvir os sons distantes de vivas altos ecoando pelo corredor. Com a curiosidade aguçada, ele olhou pela janela e avistou Taehyung e seu time desfilando pelo corredor, carregando orgulhosamente um vibrante buquê de flores.
Um sorriso puxou os cantos dos lábios de Jungkook enquanto ele observava a celebração se desenrolar. Ele se inclinou ligeiramente para frente, descansando as mãos na mesa e apoiando a cabeça na palma da mão, tentando ver Taehyung melhor. No entanto, assim que Taehyung voltou seu olhar para a janela, Jungkook rapidamente abaixou a cabeça na mesa, escondendo o rosto da vista. Ele permaneceu nessa posição até sentir Taehyung se afastar, o calor do constrangimento inundando suas bochechas. Assim que teve certeza de que Taehyung havia ido embora, Jungkook se sentou ereto, respirando fundo para se acalmar, com as bochechas ainda coradas com um rubor persistente.
...
Jungkook se espreguiçou e bocejou ao acordar de seu curto cochilo à tarde. Sentindo-se renovado, ele se levantou da cama e foi até a janela. Lá, ele olhou para a lua, seu brilho suave lançando uma luz serena sobre o mundo lá embaixo.
Enquanto estava ali, envolto no abraço calmo da noite, Jungkook não pôde evitar soltar um suspiro. O nome "Kim Taehyung" escapou de seus lábios quase involuntariamente, um sussurro carregado pela brisa, um lembrete da oração de um tempo muito distante.
No silêncio da noite, com apenas a lua como testemunha, Jungkook permitiu-se sentir a dor persistente em seu coração, um lembrete agridoce de uma conexão que um dia brilhou como uma luz guia em seu caminho.
..continua..