Capítulo 1
— Oi, Viv — Carla atendeu a chamada, olhando com cansaço para o engarrafamento parado entre ela e a saída. — O que houve?
— Nossa, você parece exausta! — respondeu sua melhor amiga desde o segundo ano do ensino médio. — Me diz que não vai trabalhar hoje à noite?
— Não, terças e sextas são meus dias de folga — riu. — Só as nove horas no escritório hoje, estou me dando ao luxo de relaxar.
— Você precisa desacelerar, amiga — Viv disse. — Precisa mesmo de três noites em pé vendendo maquiagem num quiosque de shopping?
— Não vamos ter essa conversa de novo. O Henry me deixou com a casa, a mensalidade do Brandon e os cartões de crédito que ele estourou antes de sumir com aquela piranha.
— Não era qualquer piranha, era a mulher do amigo dele — Viv suspirou. — Eu nunca gostei muito dele, mas, nossa, aquilo foi baixo até pros padrões dele. Te traiu e ainda fodeu um dos melhores amigos.
— E abandonou o Brandon, já repassamos isso umas cem vezes desde que ele foi embora ano passado.
— Desculpa, é que fico puta de ver você se matando de trabalhar e aquele babaca não fazer porra nenhuma pelo filho.
— Ele tá na Flórida, pra onde todos os merdas como ele fogem, não caiu da Terra — Carla resmungou. — Seria melhor se tivesse caído, assim eu não ficaria tentada a ir atrás dele.
— Eu ajudo! — Viv riu. — Seguro a arma enquanto você enche ele de porrada.
— Não vale a pena. Pelo menos ele assinou a casa pra ficar no meu nome, e ele não pode encostar nela.
— Pra se livrar de pagar parte da hipoteca, e porque te convenceu a tirar um empréstimo pra ele abrir o consultório, então você nem tem patrimônio. Você deixou ele sair barato demais.
— Não quero nada dele, nem falar sobre ele — fez uma pausa e completou: — De novo.
— Tá bom, entendi — Viv respondeu. — Só fico com raiva por você e pelo Brandon. Ele é um ótimo garoto, merecia coisa melhor.
— Ele tem coisa melhor, agora só tem a mim, o que significa que é tudo por ele, não por um pai Peter Pan de meia-idade que queria que tudo girasse em torno dele.
— É verdade, mas é uma merda ele ter que trabalhar enquanto estuda. Devia estar se divertindo com os amigos. A faculdade só acontece uma vez — Viv deu uma risadinha. — E a gente se divertiu pra caramba na faculdade, né?
— Provavelmente mais do que eu me diverti no meu casamento — Carla reclamou. — O Brandon trabalha porque quer ajudar. Vivo dizendo pra ele parar, mas ele insiste em ganhar um dinheiro e comprar coisas pra casa. Desisti de convencê-lo.
— Teimoso que nem a mãe. Responsável e não quer nada de graça.
— Mais homem do que o pai dele jamais foi — Carla assentiu ao ver uma brecha na faixa ao lado e se enfiou nela.
— O garoto cuida melhor de você do que o pai dele cuidou, isso é fato.
— É, ele acha que agora é o homem da casa — ela cortou duas faixas, ouvindo buzinas irritadas, mas finalmente conseguiu pegar a saída. — Juro que ele faz mais serviço doméstico do que eu ultimamente.
— Não é difícil — Viv deu uma risadinha.
— Obrigada. Você ligou só pra cutucar feridas antigas e me ofender?
— Liguei, sim, e estava tentando chegar lá quando brinquei sobre a faculdade. Você viu a mensagem da Robin no Facebook?
— Os 25 anos da Sis?
— Isso, vinte e cinco anos atrás fundamos nossa irmandade fora do campus, as Sisters in Sin.
— Seis de oito ainda moram aqui — ela deu de ombros ao virar à esquerda na saída. — Acho que todo aquele papo de sair de Rhode Island não passou de conversa.
— A Robin quer que a gente se reúna pra comemorar.
— Eu sei, estava na mensagem, almoço no Twin Oaks no domingo.
— Você vai, né?
— Eu deveria trabalhar das 12 às 17 — Carla não tinha certeza se estava a fim de encontrar gente que não via pessoalmente há muito tempo e ter que relembrar o ano de merda que tinha vivido.
— Ah, para com isso! A gente só faz isso de cinco em cinco anos, tira o dia de folga. Pede pra aquela garota novinha que trabalha com você cobrir seu turno.
— Não tô a fim de falar do Henry.
— Você é a quinta de seis a se divorciar, e eu nunca casei. Elas já passaram por isso, e é por isso que eu nunca me casei — riu. — Pra mim, a vida é uma sequência de homens.
— Tanto faz.
— Além disso — a voz dela ficou maliciosa —, a única coisa que a gente vai falar é do outro evento que a Robin planejou.
— Que evento? Vamos fazer alguma coisa de mulher na crise dos quarenta e ver stripper?
— Já que você tá de folga hoje, que tal eu passar aí mais tarde pra tomar um café? Quero te contar pessoalmente.
— Ai, meu Deus — Carla revirou os olhos escuros. — Me conta logo.
— Não, pessoalmente, e como é sexta-feira e essa é sua única outra noite de folga, a gente precisa conversar hoje.
— Pelo tom, já tô dizendo não sem nem saber do que se trata.
— Carla, a gente é melhor amiga desde os dezesseis anos. Alguma vez eu te dei um conselho ruim?
— Você já nos meteu numa prisão, quase nos expulsaram do colégio e nos deixaram em liberdade condicional na URI.
— Boas lembranças! — Viv riu. — Vamos, Carla, pelo menos me ouve, por favor?
— Tá bom, passa aqui por volta das sete. Posso pelo menos ter uma dica?
— Só vou dizer que, de todas nós, você é a que mais precisa disso — Viv deu uma risadinha. — Te vejo às sete!
— Não me diz que ele fez isso sem mim! — Carla murmurou ao estacionar em frente à casa e ver a porta da garagem aberta e várias sacolas de lixo na entrada.
Como esperado, assim que estacionou, Brandon saiu carregando uma caixa grande de papelão com a inscrição "Goodwill" e a levou até a velha picape Ford Ranger preta, que ele se recusava a trocar, mesmo com quilometragem alta, amassados de acidente e ela tendo oferecido ajuda para comprar algo mais novo.
— Filho, o que você tá fazendo? — ela perguntou ao sair do Rav 4 preto. — Eu falei que a gente ia fazer isso junto no fim de semana!
— Eu sei — Brandon colocou a caixa na caçamba com outras e fechou a tampa. — Por isso que fiz agora.
— O motivo sendo que você não me escuta? — Ela o seguiu enquanto ele voltava para a garagem, os saltos batendo no cimento.
— O motivo sendo que você trabalha no shopping no domingo e não precisa gastar seu único dia de folga limpando isso aqui.
Brandon pegou uma garrafa de água do isopor no chão e bebeu metade de uma vez.
— Você também só tem um dia de folga entre o trabalho e a faculdade. Por que pra você pode?
— Sou mais novo — ele deu um sorrisinho malicioso. — Óbvio!
— Olha a boca, espertinho! — Carla olhou ao redor da garagem, que estava uma bagunça havia
meses e agora estava completamente organizada, até o chão varrido.
— Sim, senhora — ele fez uma pausa para terminar a água. — Quer que eu desarrume tudo de novo pra você poder dizer que limpou também?
— Eu disse olha a boca — Carla o repreendeu. — Mas obrigada, Brandon. Eu agradeço.
— Eu sei que agradece, e eu agradeço por tudo que você faz — ele jogou a garrafa na lixeira de recicláveis.
— Tenho certeza que a dona Givens, do outro lado da rua, agradece você aqui de jeans apertado e sem camisa.
— Tá um calor dos infernos aqui dentro, mesmo com a porta aberta, e não é minha culpa se a vizinha tarada tem um show de graça — ele fez questão de flexionar os músculos.
— Ah, por favor — Carla revirou os olhos, mas riu quando Brandon começou a fazer uns passos de dança esquisitos, cantando:
— Olha esse corpo, olha esse corpo, sou sexy e eu sei!
— Ai, meu Deus, para com isso! — ela deu um tapinha de brincadeira no braço dele, mas não conseguiu parar de sorrir. — Que horror.
— Horrivelmente verdade! — ele deu uma piscadela exagerada. — E aí, gostosa, como é que tá?
— Tô melhor agora — ela secou o canto do olho. — Você sempre sabe como me fazer rir.
— É, mas eu tava falando sério. Afinal, venho de uma linhagem de modelos. Tá no sangue! — conseguiu manter a cara séria por alguns segundos antes de abrir um sorriso enorme.
— Tá bom, tá bom, mas gosto de te ver feliz. Você anda séria demais ultimamente.
— Posso dizer o mesmo de você — ela respondeu enquanto o observava pegar a vassoura, que estava encostada na bancada, e colocá-la no suporte junto com o rastelo e outras ferramentas de jardinagem.
Brandon até brincava sobre a própria aparência, mas só porque era um garoto pé no chão e humilde. A realidade era que seu filho era um jovem muito bonito. Aquela cabeleira curta, preta e naturalmente ondulada, combinada com os olhos azuis-gelo do pai, era uma combinação sexy.
O rosto dele era másculo, e mesmo relaxado, tinha um ar intenso. Esse olhar, somado à barba por fazer bem cuidada, dava a ele um charme de bad boy.
Para completar, tinha duas tatuagens grandes, uma em cada braço, do ombro até o cotovelo. Eram desenhos de demônios assustadores, e Carla não era fã, mas ele adorava filmes de terror e pagou por elas com o próprio dinheiro.
Brandon não fumava, nem bebia, não curtia festas e nunca se meteu em confusão, então ela achava que, se era só isso que ele fazia de "errado", não era grande coisa. Além do olhar intenso e das tatuagens escuras, o físico do filho chamava a atenção de qualquer mulher.
Anos de futebol, academia e agora o trabalho noturno carregando caminhões na UPS tinham deixado seu corpo musculoso, e ela tinha certeza de que não era só a Lori Givens, do outro lado da rua, que ficava de olho nele quando ele corria só de short no verão.
No fim das contas, Brandon não era só atraente, mas tinha aquele charme de bad boy que fazia mulheres de todas as idades suspirarem. Era um visual irônico, considerando que ele era um amor de pessoa, com um humor bobo, um coração generoso e uma natureza gentil.
Era um cavalheiro com as garotas e nunca se metia em brigas ou confusões com outros caras. Parte disso podia ser porque a aparência dele não o tornava um alvo fácil, mas também porque sempre pareceu mais maduro do que a idade, não levando nada para o pessoal, como sua mãe diria: uma alma velha.
Os olhos de Carla baixaram para o jeans dele, que, para uma mãe, parecia apertado demais, marcando bem o traseiro, e quando ele se virou de frente, ela não pôde deixar de notar que a parte da frente também estava bem preenchida.
Não era um pensamento apropriado, mas era por isso que ela não gostava muito de vê-lo se vestir daquele jeito. Era também um pensamento de mulher, porque Carla sabia que, se Brandon fosse qualquer outro rapaz que não seu filho, estaria babando tanto quanto Lori, aquela "milf" de araque que já tinha dado em cima dele descaradamente várias vezes.
Se ainda tinha alguma dúvida sobre a aparência do filho, o ano passado, quando ele foi com ela ao piquenique anual da empresa no Goddard Park, acabou com elas. Todas as mulheres, desde estagiárias da idade dele até outras mais velhas que ela, não tiravam os olhos dele, e várias chegaram a comentar com ela o quanto ele era bonito.
Uma garota tinha ido além de comentar. Carla não conseguiu encontrá-lo no piquenique nem na praia por mais de uma hora, e Cindy, a sobrinha de uma colega de trabalho, também estava sumida.
Quando Carla brincou com ele sobre isso depois, Brandon disse que tinham ido nadar do outro lado do parque. Quando ela perguntou se era só isso que tinham feito, ele respondeu que sim, mas não conseguiu encará-la e ficou vermelho.
Carla não ficou brava; ele tinha 19 anos, era um garoto bonito e despreocupado, aproveitando a vida. Como Viv tinha brincado, ela também teve sua fase de loucuras e noites quentes no colégio e na faculdade, até conhecer Henry logo depois de se formar e sossegar.
Isso foi no ano passado, quando Brandon estava na faculdade, jogava no time de futebol, saía com os amigos e tinha uma porção de namoradas. Nunca saía com mais de uma ao mesmo tempo, mas não durava mais que uns dois meses com nenhuma.
Carla até gostaria que ele se apegasse a alguém, mas a única coisa que exigia dele era que não traísse nem usasse as garotas. Se estava namorando, era sério, e se quisesse mais, que terminasse antes.
Ainda bem que ele a ouviu e não seguiu o exemplo do pai, que manteve um caso de dois anos com a esposa de um amigo antes de sumir uma noite com o computador, as roupas e alguns pertences, deixando só um bilhete dizendo que não aguentava mais viver uma mentira e fugiu do estado com uma mulher tão ordinária, imoral e nojenta quanto ele.
O ano desde então tinha mudado Brandon, e de um jeito compreensível. Ele largou o futebol para poder trabalhar, duas coisas que ela insistiu que ele não fizesse, mas ele estava decidido a cobrir o rombo que o pai deixou e ajudar a pagar as contas que sobraram para ela.
O único tempo que passava com os amigos era jogando online depois do trabalho, e fazia meses que ela não o via com nenhuma garota. As notas continuavam ótimas, provavelmente porque ela tinha avisado que, se caíssem, ela mesma ia mandá-lo largar aquele maldito emprego.
Entre estudar, trabalhar e fazer muito mais do que sua parte nas tarefas de casa, Brandon não tinha vida nenhuma, quando deveria estar curtindo como nunca. As únicas vezes em que ela o via agir como agora, brincando e rindo, era perto dela, só para não deixá-la virar a "mamãe chorona".
Ele a chamava assim quando ela caía naqueles momentos amargos, pensando em Henry e no que ele tinha deixado para ela, em como tinha ido embora sem nem se despedir cara a cara, escapulindo enquanto ela estava em uma conferência em Nova York e Brandon tinha um jogo de futebol fora do estado.
— Ei, ei! — Carla piscou e se encolheu quando Brandon balançou a mão na frente do rosto dela. — Tá tendo um momento de velhinha?
— Se continuar com essas piadinhas de velho, não vai viver para ser um — ela rebateu. — Só estava pensando que você deveria estar saindo com os amigos, não limpando a garagem.
— Eu me diverti — ele apontou para a caminhonete. — Todas essas caixas são as porcarias que aquele babaca deixou. Bom finalmente se livrar disso.
— Eu deveria dizer para não chamar seu pai de babaca, mas... — ela deu um sorriso tenso. — Nem sempre dá para fazer o que a gente deveria.
— É verdade, e não sou só eu que precisa sair mais com os amigos, sabia?
— A Viv vem aqui mais tarde, e posso sair para almoçar com ela e mais algumas amigas no domingo, tá bom?
— Tá — ele concordou. — E que tal outro tipo de amigo?
— Já falei que isso não está em discussão. Não estou pronta.
— Já faz um ano.
— Eu sei, e...
— E nos dois anos antes disso, o babaca estava comendo a vadia dele e mal olhava para você.
— Brandon, chega! — ela cortou. — Eu sei, estava lá e não preciso que me lembrem.
— Desculpa — ele baixou a cabeça. — Só fico puto porque ele tá por aí curtindo a vida e você ainda trabalhando e se remoendo um ano depois.
Ela passou o braço pelos ombros nus dele. — Também fico puta por você. Você deveria estar jogando bola e correndo atrás de garotas. Precisa desse outro tipo de amigo também.
— Ei, eu passo toda sexta à noite com uma cougar gostosona!
— Meu Deus, e eu aqui de salto alto em vez de bota — Carla o dispensou com um gesto.
— Sério, mãe, você foi modelo na casa dos vinte e ainda poderia ser, se quisesse. É nova demais e gostosa demais para ficar sozinha.
— Gostosa? — ela franziu a testa. — Não sei se gosto de ouvir isso de você. — Mas, pensando bem, não tinha acabado de pensar a mesma coisa sobre ele, só que no sentido clínico de "bonito"?
— Então arruma outra pessoa para dizer que você é linda.
— Nossa, agora sou gostosa e linda! Tá bom, não precisa exagerar. Vou entrar e começar o jantar.
— Já tá pronto — ele avisou.
— Pronto? Você fez o jantar?
— Claro que fiz. Fui direto no... — ele baixou a voz. — Açougue do Dave e comprei a lasanha pronta que você gosta. Mas! Eu mesmo, com essas duas mãos, entrei em casa e coloquei no forno, e acertei o timer uns cinco minutos antes de você chegar.
Tirou o celular do bolso. — Faltam vinte minutos.
— Você é incrível, sabia? — ela beijou o rosto dele.
— Tenho uma mãe incrível. — Ele sorriu. — Gostosa e linda também.
— Linda. — Ela ergueu as sobrancelhas.
— Ei, só uma mulher linda poderia fazer um cara tão bonito quanto eu.
— Vai tomar banho, seu suado e imundo, e se apressa antes que eu coma toda a lasanha.
— Coloquei uns pãezinhos da Pillsbury também.
— Já te falei que você é o melhor filho do mundo?
— Já, mas continua falando, tenho baixa autoestima.
— Dá para ver, seu gostosão que sabe que é.
— E você é a gostosa que precisa saber disso.
— Banho — ela o enxotou com os dedos.
— Já vou — ele pegou o controle e fechou a porta da garagem. Carla o seguiu pela porta lateral que dava no corredor e depois na cozinha.
— O que deu em você com tantos elogios hoje? — ela perguntou antes que ele saísse da cozinha para subir.
— Não sei, só queria que você soubesse que tem muito a oferecer para alguém.
— Sinto que tem mais coisa por trás disso.
— É que faz uma semana que completou um ano e você nem saiu com ninguém. Precisa se divertir, mãe, e tô falando daquele tipo de diversão.
— Tá passando dos limites, mocinho — ela o advertiu.
— Você tem 45, não 65, e se não quer namoro nem drama, então só... sei lá, transa.
— Brandon! Sou sua mãe.
— Também é mulher e merece ser bem cuidada, inclusive na cama.
— Sério, você tá passando dos limites de uma conversa entre mãe e filho.
— E já faz muito mais de um ano. Deus sabe que aquele egoísta não cuidava de você.
Carla piscou, surpresa não só com a conversa, mas com o tom inflamado dele. Tinha acabado de pensar em como ele era tranquilo e descontraído, mas esqueceu que o jeito dele mudava completamente quando o assunto era o pai.
— Isso não é da sua conta, Brandon. Sei que é adulto, mas o que eu faço na cama é...
— Ou não fazia — ele ergueu as mãos. — Olha, ouvi você reclamando com a Viv no telefone algumas vezes. Contando como o pai não queria e como você estava usando brinquedinhos.
— Peraí! — Carla levantou a voz. — Chega, mocinho!
Ele parou e pareceu perceber o que estava dizendo. — Desculpa, não deveria falar assim. Só quero que você saia por aí e viva, mãe. Conheça um cara legal ou arrume um "agora mesmo" e se divirta. Só quero que seja feliz.
— Agradeço, mas uma mulher da minha idade, ainda mais mãe, não entra no Tinder para transar.
— Por quê?
— Oi? — A forma como ele perguntou a pegou de surpresa.
— Você é solteira, e eu tenho 20, sou um homem feito, não uma criança de 6 anos que precisa da mamãe para colocar na cama.
— Você pensa muito diferente da maioria dos garotos da sua idade, isso eu admito. — Ela tentou sorrir. — Vai criar um perfil no Tinder para mim?
— Não, eu tava errado nisso. — Ele piscou. — Talvez mais para o Silver Singles, sabe, para os velhinhos.
— Banho! — ela ordenou, apontando para a escada, e tentou acertar o braço dele.
Rindo, ele desviou da mão dela e saiu correndo da cozinha.
Carla fungou e correu para abrir o forno. Os pãezinhos estavam dourados, prontos antes da lasanha, coisa que Brandon não tinha pensado. Com um sorriso, pegou uma luva e tirou a assadeira.
Depois de cobrir os pães com um pano para mantê-los quentes, Carla saiu da cozinha e foi pelo corredor até o quarto. O cômodo antes era o quarto de hóspedes, mas depois que Henry foi embora e ela descobriu que tinha sido a segunda opção dele por dois anos e dormiu ao lado de um mentiroso traidor, não quis mais ficar ali.
O quarto era espaçoso, grande o suficiente para caber uma cama queen-size nova, a cômoda e o armário da avó, e tinha um closet que antes estava cheio de tacos de golfe, esquis e equipamentos de pesca de Henry, provando que ela era o hobby de que ele menos gostava nos últimos anos.
Ele ainda teve a cara de pau de ligar e perguntar se podia mandar um amigo buscar as coisas, mas aí Brandon, em um gesto que ela adorou, tirou fotos de tudo e vendeu tudo no Craigslist.
Continua...