Capítulo 1
Llyn y Dylwyth Teg
Tir Anghofi
Osian - 61 anos
Dahlia - 11 anos
Osian Baudelaire, Rei dos Fae de Tir Anghofi, cravou sua adaga de ferro na garganta do Fae de cabelos prateados sobre o qual estava inclinado, prendendo-o contra a terra. O homem se debatia enquanto o sangue borbulhava em sua boca e escorria pelo ferimento da faca. O corte não o mataria, mas algo mais o faria.
Sombras giravam pelos braços musculosos e tatuados de Osian como serpentes, depois se enrolavam ao redor do Fae, extinguindo sua vida. O corpo desapareceu nas sombras, para nunca mais ser visto, deixando a adaga de Osian para trás. Era uma das únicas maneiras de um Fae morrer e, embora Osian odiasse fazer isso, às vezes era necessário.
Cada morte o incomodava, lembrando-o de que seu coração não era de pedra. Ele não tinha desejo algum de massacrar ninguém, muito menos seu próprio povo. Uma vida é uma vida, e ele odiava tirar a de alguém. Mas, ao mesmo tempo, algumas coisas não podiam ficar impunes, e era sabido em todo o reino que qualquer um que liderasse uma rebelião não sairia vivo.
Às vezes, Osian não achava que seu povo o levava a sério. Ele era Rei há apenas dezesseis anos e já tinha tido que conter mais de uma rebelião. Ele não entendia o motivo, mas isso também não tinha sido seu foco principal nos últimos anos. Em vez disso, ele estava focado em tentar corrigir os erros de seu pai e trazer prosperidade aos que viviam sob seu governo.
E estava dando certo. Seu povo estava em uma situação muito melhor do que antes. Seu pai havia implementado muitas leis que restringiam uma infinidade de coisas, e Osian revogou a maioria delas. Ele reduziu drasticamente os impostos, o que aliviou muito a pressão sobre o povo, mas, ainda assim, havia alguns que reclamavam, que pareciam nunca estar felizes. Ele não entendia.
Ele olhou para Caden Kendrick, seu braço direito e assassino da coroa Fae. Caden, sob as ordens do pai de Osian, o treinara quando era mais jovem sobre como manejar sua magia das sombras. Eles se tornaram próximos durante aquele tempo, e Osian começou a confiar no Fae. Depois de um tempo, Caden o ajudou a derrubar seu pai.
Osian tinha se tornado bem próximo do assassino silencioso nos últimos anos. Caden vivia no castelo, tinha um quarto lá e, embora Osian provavelmente o conhecesse melhor do que qualquer outra pessoa, Caden ainda era, em grande parte, um mistério. Um Fae sem parceira, que Osian nunca viu com uma fêmea. Ele raramente falava sobre si mesmo, e Osian não sabia muito sobre ele. Ninguém sabia.
Caden assentiu para ele, deixando claro que a ameaça tinha sido contida. Entre ele, Luc, Iwan e Osian, eles conseguiam acabar com uma rebelião rapidamente. Sempre parecia que, assim que eles apareciam, a maioria dos homens se dispersava, saindo da área o mais rápido possível, alegando que não queriam se envolver.
Os líderes pareciam ser os únicos que ainda estavam dispostos a lutar e que os enfrentariam em batalha. Eles sempre pareciam tão determinados e eram os que acabavam mortos. Os outros eram presos por um período e eventualmente libertados. Talvez em uns cem anos.
Osian pegou sua adaga e se levantou, suas sombras envolvendo a arma e engolindo-a por inteiro até a próxima vez que precisasse dela. Seu olhar passou pelo que restou da multidão, aqueles que foram corajosos o suficiente para ficar e testemunhar o que tinha acontecido. Eles seriam interrogados, informações seriam coletadas e, com sorte, isso não aconteceria novamente. Osian não estava criando muitas expectativas. Ele deu um passo à frente para falar com os espectadores.
“Que isso sirva de testemunho para aqueles que presenciaram os eventos de hoje. Se vocês se voltarem contra seu Rei, cometem traição! Aqueles que o fizerem serão punidos, e seus líderes, massacrados. Minha guarda interrogará a todos, então esperem uma visita deles. Agora, vão para casa!” Ele os observou se moverem, enquanto a praça da vila esvaziava.
Assim que todos foram embora, ele olhou para Caden, e ambos desapareceram de volta para o castelo. Ewan e Luc ficariam para supervisionar a limpeza. Seu capitão da guarda real, Arthur, cuidaria do interrogatório e da prisão dos envolvidos.
“Que porra de bagunça”, Caden murmurou baixinho quando estavam de volta ao solário do castelo. Ele olhou para si mesmo com nojo. Havia sangue espalhado por seus braços e rosto. Um testemunho daqueles que ele feriu e matou naquele dia.
“Preciso de um banho”, Osian murmurou, querendo se livrar do sangue espalhado em seu próprio corpo. “Encontro você no meu escritório em vinte minutos.”
“Pedirei que a cozinha nos prepare um jantar tardio”, respondeu Caden com uma expressão séria.
Ambos desapareceram, e Osian surgiu diante de seus aposentos. Dois guardas estavam em posição de sentido do lado de fora, e ambos se afastaram, curvando a cabeça. Ele fez um gesto com a mão, mais amplo do que o necessário, abrindo as portas. Elas bateram nas paredes e ricochetearam um pouco. Osian entrou a passos largos e girou o pulso, fechando-as atrás de si.
Assim que ficou sozinho no quarto, seus ombros caíram. Ele estava exausto com os eventos do dia. Também estava furioso, e sua raiva fazia suas sombras girarem ao seu redor, dando-lhe a aparência de estar em uma nuvem escura. Assim como seu humor. Sombrio e carrancudo.
Os espiões de Caden tinham lhe contado que os rebeldes estavam se preparando para agir contra ele. Eles os mantinham sob vigilância nos últimos dias e, hoje, finalmente estavam prontos para atacar, invadir seu castelo e fazê-lo prisioneiro. Trancá-lo na prisão de seu pai e colocar Carwyn de volta no trono.
Os espiões de Caden haviam reunido provas suficientes contra eles para justificar prisões e a execução dos líderes da rebelião. Eles vinham vigiando várias das vilas, atentos a qualquer sinal de rebelião. Ele estava começando a achar que talvez precisassem endurecer o jogo. Ele não entendia. Aquela vila nunca tinha sido um problema antes. Eles pareciam felizes sob seu governo até alguns meses atrás, quando algo mudou. A questão era: o quê?
Ele foi para o quarto, girou o pulso, despindo-se de todas as suas roupas, e ligou a água do chuveiro com outro movimento prático. Ele ficou ali diante do espelho, observando-se em silêncio. Havia sangue espalhado por todo o seu rosto, dando-lhe uma aparência sinistra. Ele tinha matado dois Fae hoje, e ele odiava isso profundamente.
Ele finalmente entrou no chuveiro, frustrado ao extremo com o que estava acontecendo, mas sabia que isso era apenas parte da vida. No entanto, ele realmente não conseguia entender por que parte de seu povo queria voltar ao que era sob o governo de Carwyn. Por que as coisas mudariam de repente, de forma tão inesperada?
Seu pai fora um bom governante durante a maior parte de seu reinado. Ele fora um Rei justo que amava seu povo e trouxe muita prosperidade ao reino. Os Fae de Tir Anghofi e os transmutadores prosperaram sob seu governo. Até que pararam de prosperar.
Os Fae foram os que mais sofreram, já que ele era o Rei deles, mas os efeitos começaram a se espalhar também para as comunidades de transmutadores. Ele sabia que seu pai fora abordado por muitos líderes transmutadores sobre vários problemas diferentes. Osian ficara ali observando seu pai fazer promessas vazias a eles. Ele sabia que eram vazias, também.
Carwyn nunca prometia nada diretamente, pois não podia mentir. Ele apenas rodeava o que eles queriam, evitando dizer qualquer coisa específica. Os transmutadores mais velhos, como Kingston Draig, Rei dos transmutadores de dragão, sabiam o que Carwyn estava fazendo. Kingston perguntara a Osian mais de uma vez quando ele assumiria o trono. “Eu te apoiarei como Rei, desde que você não se torne seu pai”, ele lhe dissera.
À medida que envelhecia, Carwyn tornava-se cada vez mais ciumento e amargurado, e descontava isso em seu povo. Ele criou leis que não faziam sentido, e tudo começou a desmoronar. Foi gradual no início, mas, como uma bola de neve, ganhou tamanho e velocidade, criando o caos. Os Fae estavam passando fome e não estavam nada bem. Ninguém estava prosperando.
Osian observou tudo, sabendo que teria que fazer algo. Ele era o Príncipe Herdeiro, afinal, e o trono seria seu um dia, mas ele finalmente percebeu que não podia esperar seu pai abdicar. Se o fizesse, talvez não restasse nada para Osian governar. Seu reino seria destruído se ele esperasse até seu pai decidir sair. Se é que ele sairia um dia.
Osian sentia que seria parcialmente culpa sua se não fizesse nada. A história não seria gentil com o Príncipe Herdeiro que ficou sentado com a bunda na cadeira, observando seu pai destruir o reino. Então, ele começou a colocar seus planos em movimento. Os Fae de Tir Anghofi não precisavam mais sofrer.