Chapter One
Ponto de vista da Danny
Eu solto um gemido enquanto o líquido quente e encorpado desce pela minha garganta.
Do outro lado da pequena mesa do Starbucks, Stacey me olha com um julgamento puro e absoluto.
“Vamos para a aula antes que você decida fazer amor com esse copo”, ela diz, recostando-se na cadeira.
Eu bufo, dando um último gole defensivo antes de segui-la porta afora. O ar fresco da manhã nos atinge enquanto atravessamos a rua em direção ao campus da Cornell.
Este era o meu segundo ano, e eu estava cursando Marketing. Enquanto algumas pessoas entravam no curso às cegas, eu tinha um plano muito específico para a minha vida: eu queria ser dona da minha própria loja de maquiagem. Eu sabia exatamente como isso soava — como qualquer outra garota que cresceu grudada no YouTube — mas eu sonhava com isso desde os dez anos, assistindo a NikkieTutorials no meu quarto de infância. O Marketing era minha ferramenta. Era como eu aprenderia a entender minhas futuras clientes, construir uma marca e navegar pelo mundo dos negócios.
Eu e Stacey nos conhecemos na aula introdutória de marketing. Ela tinha uma motivação completamente diferente; estava herdando o negócio do pai.
“É um esquema bem sólido”, ela me disse na época. Ele vendia carros. Não era glamoroso, mas era lucrativo.
“Danny”, diz Stacey, estalando os dedos bruscamente na frente do meu rosto, me tirando dos meus pensamentos enquanto nos sentamos no anfiteatro.
“O quê?”, eu murmuro, piscando e me virando para ela.
“Como vai o apartamento?”, ela pergunta, com um risinho malicioso e cheio de segundas intenções escapando.
Eu reviro os olhos para o drama dela, mas não consigo esconder totalmente o sorriso. Eu tinha tomado a decisão recentemente, saindo da casa da minha mãe para morar em um apartamento com meu namorado, Jason. Em junho, faríamos três anos completos juntos. Ele andava um pouco distante ultimamente — meio distraído, um pouco tenso —, mas eu achava que sabia o motivo.
Eu tinha quase certeza de que ele ia me pedir em casamento.
Eu estava tentando desesperadamente não criar expectativas, mas quem eu estava querendo enganar? Elas já estavam nas alturas.
“Está bom”, respondo, mantendo a voz casual. “Embora ele precise seriamente consertar os canos do chuveiro.”
Stacey solta um suspiro dramático. “Aposto que você está aproveitando tudo o que quer. Enquanto isso, estou presa em uma seca brutal de três meses.”
Forço uma risada, mas um peso frio despenca no meu estômago. Por dentro, eu me sentia exatamente como ela. Jason não me tocava há semanas.
“Eu já disse, posso facilmente te apresentar um dos amigos do Jason”, ofereço, tentando desviar do assunto da minha própria realidade.
“Esses caras são uns babacas completos”, resmunga Stacey, apoiando o queixo na mão.
“Bom ponto”, admito.
“Além disso, não tem nem ferrando que vou levar alguém para a casa dos meus pais. Isso é simplesmente constrangedor.”
“Estou atrasada?”
Nós duas olhamos para cima e vemos nossa outra amiga próxima, Olivia, escorregando para a fileira. O cabelo dela estava preso em um coque caótico e bagunçado, e ela estava submersa em uma regata grande demais e calça de moletom cinza. Basicamente, ela saiu da cama e veio direto para o campus.
“Está tudo bem, o professor nem chegou ainda”, tranquiliza Stacey.
Olivia desaba na cadeira ao meu lado com um gemido pesado. “Minha colega de quarto é um pesadelo real”, lamenta ela. “Ela toca álbuns do Green Day no volume máximo às duas da manhã. Não durmo há dias.”
“Procure um lugar novo”, sugiro. “Tem um monte de anúncios no mural do campus.”
Olivia sibila entre os dentes. “Você viu os esquisitões que anunciam lá? Não, obrigada.”
“É só um quarto”, rebato gentilmente.
“Falar é fácil para você”, murmura Olivia, ajeitando o caderno. “Você tem sorte. Você tem um namorado para morar junto.”
Engulo o nó na garganta e dou um sorriso fraco. Acho que eu tinha mesmo.
Por volta das 17h, tropeço na porta da frente do apartamento, com os braços doendo sob o peso de duas sacolas de compras pesadas. Eu não esperava que Jason estivesse em casa; sua agenda com a bolsa de estudos de futebol americano o mantinha fazendo treinos até o fim da noite.
Solto as sacolas na bancada da cozinha e começo a tirar uma caixa de leite quando um som me paralisa.
Era um barulho de rangido rítmico e pesado. Vindo direto do nosso quarto.
Que estranho, penso, franzindo a testa.
Travo, prendendo a respiração, esperando que fossem apenas os canos velhos ou os vizinhos do andar de cima. Mas o rangido só ficou mais alto, acompanhado por um som que fez meu sangue gelar instantaneamente.
“Porra, Jason...” uma mulher geme.
Meu coração bate violentamente contra minhas costelas. Uma fúria cega e um pânico absoluto tomam conta de mim. Sigo pelo corredor curto e escancaro a porta do quarto.
A imagem que me recebe queima minhas retinas. Quero vomitar. Na verdade, meu estômago revolta-se violentamente e preciso me agarrar ao batente da porta para não vomitar ali mesmo no tapete.
Jason levanta-se num salto, jogando-se da cama e vindo na minha direção com as mãos levantadas em pânico. “Danny, querida, me escuta—”
“Você está fodendo a minha mãe?!”, explodo, as palavras rasgando minha garganta em um grito despedaçado.
Minha mãe. Que estava estirada nos meus lençóis, completamente nua, casualmente apoiada em um cotovelo. Ela não parecia culpada. Ela apenas dá de ombros.
“Ela veio para cima de mim”, gagueja Jason, com os olhos arregalados enquanto procura uma rota de fuga. “Eu... eu não sabia o que fazer!”
Uma risada selvagem e maníaca escapa do meu peito. Estava completamente desprovida de humor. “Talvez não foder ela?!”
“Sua mãe é gostosa, Danny!”, Jason dispara, como se isso fosse uma defesa legal válida.
“Eu vou vomitar”, sussurro, pressionando a mão sobre a boca.
“Mas eu ainda te amo”, ele insiste, dando um passo à frente, completamente indiferente à sua própria hipocrisia. “Ainda podemos fazer isso dar certo. Ainda podemos ficar juntos.”
Eu rio novamente, um som agudo e sufocado. “Você acha que eu ainda quero ficar com você? Depois de te encontrar enterrado na minha mãe?”
“Querida, o Jason é bom para você”, minha mãe intervém, finalmente decidindo levantar da cama. Ela nem pegou uma toalha. Apenas ficou lá, completamente indiferente à sua própria nudez.
“Bom o suficiente para você foder ele, pelo visto”, cuspi, com o nojo escorrendo de cada sílaba.
“Querida, não tem problema dividir”, ela diz calmamente, como se estivesse me dando uma lição sobre como dividir brinquedos de infância.
“Vocês dois são doentes”, estalo, afastando-me deles enquanto as lágrimas finalmente inundam meus olhos, embaçando a cena horrível. “Fiquem longe de mim.”
Viro nos calcanhares, corro para fora do apartamento e praticamente me jogo dentro do carro. Minhas mãos tremem tanto que mal consigo girar a chave na ignição. Saio em disparada do estacionamento, dirigindo puramente por adrenalina e memória muscular em direção ao único lugar seguro que consigo pensar: o condomínio da Olivia.
Praticamente jogo meu peso contra a porta da frente dela, batendo na madeira até que ela se abra. A colega de quarto de Olivia, Ying, está parada ali, piscando para mim.
“A Olivia está?”, pergunto, com a voz embargada.
Ying assente, com os olhos arregalados ao ver meu estado, e dá um passo para o lado. Passo direto por ela, invadindo o corredor até o quarto de Olivia e escancarando a porta. Ela estava debruçada sobre a mesa, cercada por marca-textos e livros didáticos.
No momento em que ela olha para cima e vê meu rosto, a barreira se rompe. Eu desabo para a frente.
Olivia fica de pé em um segundo, me segurando antes que eu atingisse o chão e me puxando firmemente contra ela. “O que aconteceu? Ei, fala comigo”, ela murmura gentilmente, fazendo carinho nas minhas costas enquanto eu soluçava incontrolavelmente em seu ombro.
“Jason... o Jason estava me traindo”, eu grito, a traição me cortando como uma lâmina física.
Sinto a postura de Olivia enrijecer instantaneamente. “Com quem?”, ela rosna, sua voz caindo uma oitava. “Quem foi, Danny?”
Meu estômago dá outra volta violenta. O quarto gira e eu me solto dela com violência, avançando para a lixeira de plástico ao lado da mesa. Caio de joelhos e vomito, tendo ânsias de vômito até minha garganta queimar.
Olivia está ali ao meu lado, puxando meu cabelo para trás e dando tapinhas gentis nas minhas costas. “Quem foi?”, ela pergunta baixinho, com a voz carregada de uma fúria silenciosa.
Limpo a boca com as costas da mão trêmula e me recosto na cama dela. “Minha mãe”, sussurro rouca.
Da porta, Ying se apoia no batente com uma expressão de choque antes que ela se transforme em uma risada sombria e cheia de descrença.
“Puta merda”, murmura Ying, balançando a cabeça. “Isso seria uma merda do caralho.”
Solto um suspiro longo e exausto, encarando o teto.
Obrigada, Ying. De grande ajuda.









I love green day but I'd never disrespect my roommate by playing their songs earn they're trying to sleep 😭😭
I don't know, but until now the story sounds quite stupid. Very unreal conversations.
Well-written. I get the scanario right away and there is no fluff or padding your writing. Right to the point.