Capítulo 1
— Meu amigo, você não pode estar falando sério sobre simplesmente atravessar o portão — disse o homem mais baixo, balançando a cabeça em descrença. Ele passou a mão pelo cabelo castanho bagunçado pelo vento, hesitante, e olhou para o loiro que trotava ao seu lado enquanto diminuía o passo de seu cavalo cinzento. — Que tal tentarmos o meu plano?
— Você quer dizer aquele em que, Marcus, nós cortamos a garganta dos guardas, chacinamos todos os soldados e queimamos o castelo até o chão? — perguntou o loiro, levantando uma sobrancelha. O outro soltou uma gargalhada alta, ganhando um olhar de desaprovação.
— Como quiser — Marcus levantou as mãos em uma rendição fingida. — Apenas admita que a minha sugestão seria mais divertida. No fim das contas, eles são apenas humanos...
Por um tempo, cavalgaram em silêncio pela floresta estranhamente silenciosa. Era como se as próprias árvores estivessem dizendo que eles não eram bem-vindos ali. E embora a expressão do loiro mostrasse uma determinação inabalável, em sua mente ele repetia a mesma pergunta: o que raios eles estavam fazendo ali?
O plano era evitar problemas durante todo o caminho até o destino e ficar longe de qualquer criatura viva, humana ou animal. Nenhum elfo pisava em terras habitadas por humanos há quase mil anos, e isso não era por acaso. A guerra entre os dois povos, ocorrida há cerca de um milênio, selou o destino deles e causou danos irreversíveis à relação entre elfos e humanos. Desde então, os elfos viveram isolados em seu próprio continente, e os humanos só falavam deles em lendas. Entre os elfos, porém, ainda havia muitos que viveram a grande matança. Casas élficas inteiras foram extintas naquela época, vítimas da ganância humana. Mesmo após mil anos, o povo da natureza não foi capaz de perdoar o que lhes foi feito, e era estritamente proibido pisar em solo humano. Qualquer um que o fizesse era marcado como traidor e nunca mais podia voltar para casa.
O pai de Dorian, contudo, quebrou o silêncio de um milênio e enviou um mensageiro ao rei humano, anunciando que enviaria dois emissários em paz para negociar. A condição do rei humano era que os emissários falassem primeiro com seu homem de maior confiança, e só então ele decidiria se continuaria as conversas.
Os dois cavaleiros, portanto, vieram com o plano de procurar o nobre mais favorecido do continente, conhecido entre os humanos simplesmente como o Barão, e chegar a um acordo com ele — não importava o custo. Essa era sua tarefa mais importante, e Dorian tinha vindo acreditando que era inabalável em seus objetivos, pronto para fazer qualquer coisa. Ou quase qualquer coisa, pois os feitos dessa raça vil quase dizimaram os elfos. Quanta maldade a mais eles teriam que suportar dos humanos? Na verdade, eles mereciam a morte. E era isso que ele preferiria ter trazido a eles.
— Agora você está com a mesma cara de antes, Dorian... — começou Marcus com um sorriso.
— Que cara exatamente? — suspirou Dorian, embora seu olhar permanecesse na floresta que se estendia diante deles.
— Você sabe, como pouco antes de você quebrar o nariz daquele jovem soldado porque...
— Shhh. — Dorian ergueu a mão repentinamente para silenciar Marcus. Como se entendessem sua vontade, os cavalos pararam imediatamente, e ambos os homens ficaram tensos, observando as árvores.
— Temos companhia — disse Dorian após alguns segundos escutando. Ele ouviu passos silenciosos, porém distintos, não muito longe. Ele virou a cabeça para a direita e viu um vulto vermelho à distância. Instantaneamente, ele fez seu cavalo galopar e disparou atrás de quem os observava, com Marcus logo atrás.