Chapter One: Childhood Spark
Nota da Autora: Acredito que esta história tem algo especial, mas ela é compartilhada aqui de graça e não foi publicada formalmente, então não será perfeita. Um lembrete gentil para serem gentis e aproveitarem!!💐💐💐
LAKIN ASHWOOD — 10 ANOS
Eu não deveria tê-los seguido. Nem hoje, nem nunca, pelo menos era o que meu irmão dizia. Mas as regras nunca tinham me impedido antes, especialmente as que me mantinham longe de Conrad Calloway.
A floresta atrás de casa estava úmida com o calor do início do verão. Raios de sol atravessavam a copa das árvores como flechas douradas. Pássaros saltavam entre os galhos, e em algum lugar próximo, água pingava devagar de uma pedra coberta de musgo. Se eu prestasse atenção, ainda conseguia ouvir minha mãe me chamando para as tarefas, mas a voz dela foi sumindo conforme eu avançava entre as árvores.
Passei por baixo de uma cortina de samambaias e pisei nas folhas úmidas com o máximo de cuidado. Minhas sandálias não faziam barulho, eu prendia a respiração, e todo o meu corpinho de dez anos estava concentrado em uma única missão: segui-los sem ser pega.
Eles eram meu irmão Ryker e Conrad Calloway.
Ryker era o que sempre dizia não. Conrad era o que nunca se importava.
Fui atrás deles enquanto seguiam pela trilha estreita que levava à clareira que usavam quase todas as tardes. Ryker andava com aquela confiança de valentão que era só dele, ombros largos, passos pesados. Conrad, quase com quatorze anos, andava de outro jeito. Mais leve, mais suave, como se já tivesse aprendido a esconder sua força nos lugares mais quietos.
Meu olhar se fixava nele como sempre fazia. Talvez fosse admiração. Talvez fosse curiosidade. Talvez fosse aquela sensação de borboletas no estômago toda vez que ele olhava na minha direção.
Não que ele ainda me olhasse com frequência.
Ryker empurrou um galho para o lado, falando alto sobre alguma coisa, mas Conrad apenas murmurou, com a atenção já voltada para a floresta. Ele era assim, sempre observando, sempre ouvindo, sempre calculando coisas que eu não entendia. Parecia mais velho. Mais afiado. Quase como um lobo, mesmo antes da sua primeira transformação.
— Lakin — Ryker chamou de repente, sem se virar. A voz dele cortou o ar entre as árvores como um galho quebrando. — Vai para casa.
Fiquei paralisada no meio do passo, com os dedos apertando a casca áspera do carvalho mais próximo. Meu coração batia tão forte que parecia mais alto do que as cigarras cantando acima de mim. Ele já tinha me ouvido? Como? Eu tinha sido silenciosa. Eu sempre era silenciosa. De alguma forma, os ouvidos de Ryker funcionavam como os de um lobo, mesmo que ele ainda estivesse anos longe da transformação.
Prendi a respiração, esperando que, se eu não me mexesse, ele pudesse achar que tinha me imaginado.
— Eu sei que você está aí. — O tom dele ficou mais duro, irritado daquele jeito de irmão mais velho que ele tinha aperfeiçoado. — Sério, Lakin, vai fazer outra coisa.
O calor subiu pelo meu pescoço. Ele sempre fazia isso. Sempre me mandava embora como se eu fosse um filhote perdido sem lugar. A vergonha doía mais do que as palavras. Eu sabia por que ele dizia aquilo. Achava que eu ia me machucar. Achava que eu não era forte o suficiente. Achava que ele e Conrad pertenciam ao mundo do treinamento de verdade, dos lobos de verdade, e eu… não.
Por um momento, pensei em dar meia-volta. Minha mãe ainda estaria na cozinha, cantarolando enquanto sovava a massa, sem saber que sua caçula estava sendo expulsa da diversão mais uma vez. Talvez eu devesse simplesmente voltar. Talvez eu devesse parar de tentar pertencer a um lugar onde claramente não cabia.
— Deixa ela vir.
Tudo dentro de mim ficou muito quieto. Me aproximei devagar do tronco da árvore, com a respiração presa na garganta.
Conrad levantou o braço para afastar uma teia fina pendurada entre dois galhos e, ao fazer isso, virou o suficiente para que seu olhar varresse em minha direção. Seus olhos, aquele cinza-tempestade claro mesmo aos quatorze anos, encontraram os meus na hora. Era como se ele soubesse exatamente onde eu estava o tempo todo. Algo se suavizou no rosto dele, um leve puxão no canto da boca. Não era bem um sorriso. Era mais como se estivesse compartilhando um segredo silencioso comigo, um que eu não tinha certeza de ter merecido.
— Ela é mais quieta do que você pensa — ele acrescentou.
Meu coração sacudiu no peito com tanta força que pressionei a mão contra ele, com medo de que pudesse agitar as folhas ao redor. Se Conrad pudesse sentir o que eu sentia naquele momento, ele teria voltado atrás imediatamente. Eu não era quieta, não por dentro. Não quando ele me olhava daquele jeito.
Ryker gemeu alto. — Ela vai se machucar.
Conrad deu de ombros sem olhar para ele. Seu cabelo loiro-arenoso caiu sobre a testa enquanto ele avançava pelo caminho. A voz dele ficou mais suave, o suficiente para prender minha respiração.
— Eu vou protegê-la.
Ele disse como se fosse a coisa mais natural do mundo. Como se me proteger fosse tão simples quanto respirar. Como se realmente quisesse dizer aquilo.
Provavelmente nem pensou duas vezes no comentário. Era só o tipo de coisa que meninos mais velhos diziam quando se achavam invencíveis, indestrutíveis e responsáveis por tudo ao redor.
Mas as palavras pousaram dentro de mim como uma faísca em folhas secas.
O calor subiu pelo meu pescoço tão rápido que precisei desviar o olhar. Meu rosto queimava, minhas orelhas queimavam, até as pontas dos meus dedos formigavam com aquela onda repentina de calor.
Esperei até eles se moverem de novo antes de me arrastar atrás deles, com os dedos enrolados com força ao redor do pequeno amuleto de madeira no meu bolso. O lobo que eu tinha esculpido naquela manhã era torto e desproporcional, e eu tinha cortado o polegar duas vezes tentando acertar o focinho, mas eu tinha terminado. Ou terminado o suficiente.
Porque hoje eu ia dar para Conrad. Ele estava partindo em alguns dias para o treinamento de Alfa. Estava partindo dois anos antes do que qualquer um esperava, e algo naquilo parecia uma porta se fechando no meu peito.
Se eu não desse agora, talvez nunca tivesse outra chance.
A trilha se abria na clareira de treinamento, com a luz do sol se espalhando pelo chão macio. No centro, dominava tudo um velho e enorme bordo, com o tronco largo o suficiente para que Ryker e Conrad o usassem como poste de luta quando os pais não estavam por perto para repreendê-los.
Ryker jogou a camisa de lado e espreguiçou os braços. — Pronto?
Conrad deu um passo à frente e rodou os ombros. O sol pegou o brilho leve do suor na pele dele depois da caminhada, pintando-o de ouro quente. Era injusto, honestamente, a forma como ele parecia. Meninos não deveriam ter aquela aparência. Certamente não meninos apenas alguns anos mais velhos do que eu.
Mas Conrad não era como os outros meninos. Não mais.
Algo nele tinha mudado naquele verão, mesmo antes da transformação de verdade chegar. Seu maxilar tinha ficado mais definido, perdendo a suavidade da infância. Seus olhos tinham ficado mais claros, mais escuros nas bordas, como nuvens de tempestade se formando atrás de um vidro. E quando ele se movia, havia uma força quieta em cada passo que tornava difícil olhar para qualquer outra coisa. Quase como se seu lobo, ainda adormecido, já estivesse se agitando por dentro, esperando para romper.
Ele parecia alguém feito para liderar.
Subi em um dos galhos baixos do bordo para ter uma visão melhor. A casca arranhou a parte de trás das minhas coxas, mas não me importei. Dali de cima, eu podia observar sem Ryker me mandando embora por estar no caminho. Me sentia alta e importante, como uma sentinela postada acima do mundo.
Lá embaixo, eles começaram os exercícios. Primeiro o trabalho de pés. Rápido, preciso, ritmado. Eles entravam e saíam de linhas imaginárias de combate marcadas na terra por centenas de tardes de prática. Depois vieram os golpes, cada um cortando o ar com um impulso surdo e satisfatório que agitava mechas do meu cabelo mesmo de onde eu estava sentada.
Ryker era forte. Sempre tinha sido. Mas Conrad… Conrad era outra coisa. Ele se movia como se já soubesse o resultado de cada golpe antes que acontecesse, como se pudesse ver o movimento de Ryker meio segundo antes. Cada deslocamento de peso era deliberado. Cada esquiva, limpa. Cada golpe pousava com a certeza de alguém muito mais velho do que quatorze anos.
Me inclinei para frente apoiada nos cotovelos, hipnotizada. Tentei memorizar a forma como ele se movia, tentei entender como ele sempre parecia um passo à frente. Como nunca parecia pego de surpresa. Como lutava como se o mundo desacelerasse para ele e só para ele.
O galho embaixo de mim gemeu em aviso.
Fiquei paralisada por um segundo, depois ignorei, me movendo mais um centímetro para ter um ângulo melhor. Eu tinha feito isso centenas de vezes. O galho sempre rangia. Sempre aguentava.
Até que não aguentou. A casca rachou embaixo do meu pé com um estalo seco. Meu pé escorregou. Meu estômago despencou. O mundo tombou para o lado, céu e árvores se misturando num redemoinho tonto de verde e dourado.
Não tive nem tempo de gritar. O ar passou pelos meus ouvidos, frio e rápido e implacável. Me preparei para o chão, para a dor, para o baque horrível do meu corpo batendo na terra.
Mas nunca bati.
Em vez disso, braços fortes me alcançaram num abraço repentino e brusco. Eles se enrolaram na minha cintura com uma precisão instintiva e perfeita, interrompendo minha queda tão abruptamente que o ar saiu dos meus pulmões de uma vez. Meu corpo bateu contra um peito quente e sólido que cheirava levemente a resina de pinheiro, suor de verão e algo mais que eu nunca tinha notado antes, algo que eu mais tarde reconheceria como sendo unicamente Conrad.
Meus dedos se agarraram ao tecido da camisa dele sem pensar. Ele me segurou com firmeza, uma mão espalmada entre minhas omoplatas, a outra apertando minha cintura como se tivesse medo de me soltar.
A respiração dele veio rápida pelo esforço. A minha não veio de jeito nenhum.
Conrad.
O nome dele explodiu na minha mente como uma faísca pegando folhas secas. Suas mãos eram firmes na minha cintura, estáveis e seguras, me segurando como se soubesse exatamente onde eu ia cair. Como se estivesse pronto para isso. Seu aperto não tremeu. O meu, sim.
Sua respiração roçou o topo da minha cabeça, quente e irregular, ainda se recuperando do salto repentino que ele tinha dado para me alcançar a tempo.
— Lakin.
Meu nome soou diferente na boca dele. Mais áspero, tenso, arrancado de um lugar que ele normalmente mantinha trancado. — Você está machucada?
Ergui o rosto, atordoada e sem fôlego, com os dedos ainda enroscados na frente da camisa dele. O rosto dele pairava sobre o meu, todo ângulos afiados e tensão intensa. Seus olhos cinza-tempestade, geralmente calmos e inexpressivos, estavam mais escuros agora. Pareciam nuvens se formando antes de uma tempestade de verão, carregadas de tudo o que ele jamais diria em voz alta.
— Acho que não — sussurrei. Minha voz soou pequena, até para mim mesma.
Só então ele soltou o ar, num tremor que me surpreendeu. Conrad Calloway não tremia. Nunca hesitava, nunca tropeçava, nunca parecia nada além de firme e seguro. Mas ele havia sentido medo. Eu vi isso claro como água.
— Você poderia ter quebrado o pescoço — disse ele com rispidez. O tom não era raiva direcionada a mim, eu sabia disso instintivamente. Era raiva da queda e do quanto havia chegado perto. — O que você estava fazendo lá em cima?
Antes que eu pudesse responder, galhos estalaram e Ryker surgiu com folhas enredadas no cabelo e uma expressão de pânico puro no rosto, já gritando meu nome e exigindo saber o que havia acontecido enquanto corria em nossa direção com urgência desenfreada. Conrad não me soltou imediatamente. Suas mãos ficaram suspensas na minha cintura por um momento, como se precisasse de um batimento a mais para se convencer de que eu estava de pé em chão firme e realmente a salvo. Só então ele me abaixou com cuidado, me sustentando até ter certeza de que meus pés estavam bem plantados no chão. Mesmo assim, minhas pernas vacilaram, moles e traiçoeiras por causa da queda e, se eu fosse honesta, por causa da sensação dos braços dele ao meu redor.
— Ela caiu — disse Conrad, e embora sua voz fosse uniforme, havia uma tensão nas bordas dela. — Mas está bem.
Ryker se virou para mim com a frustração tomando o lugar do medo inicial, me repreendendo por ter subido alto demais e me acusando de fazer bobagem de um jeito que um dia ia me machucar de verdade, o tipo de machucado que faria nossa mãe culpá-lo, e ele falava cada vez mais rápido, como se as palavras tivessem se acumulado dentro dele por horas. Antes que o resto da bronca pudesse vazar, Conrad se moveu. Não foi nada dramático, apenas um único passo à frente, um deslocamento sutil que mal perturbou o ar ao redor, mas que redirecionou tudo. Num momento, a raiva de Ryker estava apontada diretamente para mim, quente e afiada como uma flecha. No momento seguinte, ela colidiu inofensivamente com os ombros largos de Conrad.
— Ela está bem — Conrad repetiu, com a voz mais baixa, mais firme, sólida o suficiente para não deixar espaço para mais discussão. — Deixa pra lá.
Ryker franziu o cenho, mas recuou, pegou a camisa do chão e murmurou algo sobre eu ser um estorvo enquanto marchava para o outro lado da clareira. Mal o ouvi. Fiquei muito quieta, tentando controlar minha própria respiração enquanto meu corpo inteiro vibrava como se um raio tivesse passado por mim. Minhas palmas formigavam com a lembrança da camisa de Conrad entre os dedos, minhas bochechas ardiam com um calor que eu tinha certeza que ele conseguia sentir mesmo a alguns passos de distância, e cada respiração enchia meus pulmões com o cheiro de pinho, adrenalina e algo mais doce que eu não tinha coragem de nomear.
Meu coração estava preso no momento em que ele me havia segurado, me abraçado, me impedido de bater no chão. Ninguém jamais havia me segurado assim. Ninguém jamais havia me alcançado com puro instinto, sem hesitação ou impaciência. A memória daqueles poucos segundos se repetia com uma clareza tão vívida que parecia que eu ainda estava suspensa no ar, leve e segura, envolta pela força dos braços dele.
Conrad se mexeu, o olhar caindo para o chão entre nós, e eu o segui com os olhos, sentindo um aperto de vergonha no peito. O amuleto de lobo que eu havia esculpido em madeira estava meio enterrado na grama, torto e amassado pela queda, com todos os seus defeitos expostos à luz da tarde.
— Não — sussurrei, mortificada, estendendo a mão para pegá-lo antes que ele pudesse ver o quanto estava horrível. Mas Conrad se abaixou primeiro. Ele pegou a pequena escultura com uma delicadeza inesperada, virando-a nas mãos como se fosse algo frágil. Seu polegar percorreu o focinho irregular e as patas tortas, pausando na borda serrilhada onde a cauda quase havia se partido. Nas mãos dele, o amuleto parecia ainda pior, com todas as imperfeições impossíveis de ignorar.
— Você fez isso? — ele perguntou, e havia algo suavizado em sua voz, algo quieto e cauteloso, como se a pergunta significasse muito mais para ele do que ele queria que eu percebesse.
Engoli em seco. — Não ficou muito bom.
Ele ergueu os olhos para os meus com uma gentileza que quase me desfez. — Ficou sim.
— Não ficou não — argumentei, com o calor subindo pelo pescoço. — O nariz está errado, as orelhas parecem triângulos, o rabo está praticamente quebrado, as patas estão estranhas e…
— Parece um lobo — disse ele, com um tom suave, mas inabalável, sem deixar espaço para que eu fugisse do elogio. — De verdade.
Não consegui dizer se ele estava sendo sincero ou se apenas queria aliviar meu constrangimento. Mas o jeito como ele falou, a convicção tranquila na voz dele, afrouxou algo que estava apertado bem fundo dentro de mim, algo que eu nem havia percebido que estava carregando. Antes que eu perdesse a coragem de vez, a verdade escapou num impulso.
— É para você — disse eu, com a voz mal acima de um sussurro. — Já que você vai embora em breve. Queria que você tivesse alguma coisa.
Ele ficou completamente imóvel. Um músculo na mandíbula se contraiu, como se minhas palavras tivessem tocado num lugar que ele mantinha bem guardado. Ryker chamou o nome dele de novo do outro lado da clareira, impaciente, mas Conrad não se virou. Não piscou. Apenas me observou com uma expressão mais sombria e mais complexa do que eu conseguia entender naquele momento, como se estivesse ordenando pensamentos pesados demais para serem ditos em voz alta.
— Obrigado — disse ele por fim, as palavras suaves o suficiente para parecerem um segredo.
Ele guardou o amuleto no bolso com um cuidado deliberado, não o gesto descuidado de quem pretendia esquecer, mas um movimento lento e preciso que fazia a pequena escultura parecer preciosa. Ficou ali por mais um instante, me estudando com uma expressão que eu não conseguia decifrar. Algo mais profundo que diversão, mais pesado que irritação, mais antigo do que os dois juntos. Algo para o qual eu só teria palavras muitos anos depois.
— Você me assustou — disse ele em voz baixa.
A confissão me surpreendeu mais do que a própria queda, porque Conrad Calloway não se assustava. Não durante os treinos. Não durante as tempestades. Nem mesmo quando Ryker o desafiou a pular da corda alta no rio gelado no inverno passado. Medo não era algo que ele jamais admitia para ninguém.
— Eu? — sussurrei.
Ele assentiu uma vez, rápido e seco, quase como se desejasse ter guardado as palavras para si. — Não suba tão alto de novo.
— Não vou — prometi, mesmo que os dois soubéssemos que eu provavelmente subiria. Sempre fui curiosa demais, agitada demais, determinada demais a acompanhar meninos que nunca diminuíam o ritmo por mim.
Por um brevíssimo momento, algo parecido com um sorriso puxou o canto da boca dele. Era tão leve que eu poderia ter imaginado, se a luz do sol não tivesse brilhado na sua bochecha exatamente naquele instante.
— É — disse ele baixinho —, vai sim.
Algo quente esvoaçou dentro do meu peito ao ouvir aquilo. Então ele se virou e voltou em direção a Ryker, entrando no ritmo do treino como se me segurar tivesse sido uma interrupção menor. Mas havia uma diferença perceptível. Seus movimentos estavam mais afiados agora, seus golpes mais fortes, sua postura tensa com uma intensidade que sugeria que a queda havia deixado sua marca nele também, um resíduo de medo ou adrenalina que ele precisava trabalhar para tirar dos músculos.
Encontrei meu lugar no tronco caído na beira da clareira e dobrei os joelhos contra o peito, deixando a casca áspera me ancorar enquanto os observava treinar. A cada poucos minutos, o olhar de Conrad deslizava em minha direção, rápido e discreto, apenas verificando que eu continuava com os pés no chão. Cada olhar mandava faíscas por mim, pequenas chamas que desciam e se instalavam nos lugares quietos do meu coração.
Quando Ryker finalmente encerrou a sessão, o sol havia baixado no céu, tingindo a floresta de dourado. Voltamos para casa juntos pelas árvores iluminadas, com nossas sombras se alongando sobre a terra coberta de musgo. Ryker marchava à frente, reclamando de fome. Eu caminhava atrás dele, repassando cada segundo da queda e o jeito como Conrad havia me segurado antes que eu tocasse o chão.
E Conrad caminhava entre nós, silencioso e pensativo, com uma mão enfiada no bolso onde o amuleto de lobo repousava. Ele não o tirou. Não o devolveu. Não me provocou do jeito que meninos mais velhos costumam provocar meninas mais novas. Simplesmente o guardou. Talvez não significasse nada. Talvez ele tivesse esquecido no dia seguinte. Talvez o amuleto tivesse afundado no fundo de uma gaveta e nunca mais aparecido.
Mas eu me lembrei.
Porque aquele foi o dia em que Conrad Calloway me segurou de mais de uma forma. O dia em que aprendi o que era cair e desejar os mesmos braços me segurando toda vez. O dia em que algo pequeno, luminoso e assustador se moveu dentro de mim. Mesmo que ele já estivesse meio fora do meu mundo, mesmo que fosse embora em poucos dias, levado para o treinamento de Alpha e uma vida da qual eu só ouviria falar em sussurros esparsos e boletins da alcateia, mesmo que ele nunca fosse destinado a ser meu. Ainda assim, eu me lembrava do jeito como ele me segurou e da sensação que aquilo deu, só por um momento, de que ele não queria me soltar.
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me gusto
I am so ready for this story!!
great start. worth perusing more of this