Personalizar legibilidade
Aa

Bastardo Adorável

Todos os Direitos Reservados ©

Resumo

Bastardo Adorável (Sequência de The Taste of Forbidden) Thunder William tem tudo o que se poderia desejar: riqueza, poder, uma família que o ama. Mas amor? Esse é um campo de batalha no qual ele jurou nunca entrar. Surdo e assombrado por uma infância de abusos, ele mantém seu coração trancado e suas noites estritamente casuais. Relacionamentos são perigosos e sentimentos... proibidos. Então, Darial Calvarn entra em sua vida — o neto charmoso e imprudente de um cliente exigente. Um encontro, que deveria ser apenas uma formalidade, transforma-se em um perigoso jogo de aparências. Thunder concorda em seguir o jogo, achando que pode controlá-lo. Mas o charme implacável, a inteligência afiada e a presença insaciável de Darial destroem todas as muralhas que Thunder construiu — e despertam desejos que ele jamais imaginou sentir. O que começa como uma mentira inofensiva espirala para algo sufocantemente real. Noites que deveriam ser casuais tornam-se toques roubados, olhares prolongados e momentos intensos que queimam todos os limites. O amor fingido transforma-se em obsessão, e quanto mais próximos eles ficam, maior o risco: perder o controle pode significar perder tudo. Bastardo Adorável — um romance LGBT slow-burn e steamy sobre desejo, decepção e a atração magnética entre dois homens que não deveriam se apaixonar, mas que não conseguem resistir.

Gênero
Lgbtq
Autor
Petty
Status
Completo
Capítulos
45
Classificação
5.0 (10 avaliações)
Classificação Etária
18+

Capítulo 1: eco na alma silenciosa.

Era uma meia-noite fria no final de julho. Dentro do Tips Club, o ar estava carregado de perfume, suor e o peso das batidas. Lá estavam seus famosos primos William — Zeke e Trisha, os filhos de Fox e London — e, em seguida, Sandra, Monna e Kilan, os filhos de Anitha e Daniel. Havia também Novarn, colega de classe e melhor amigo de Thunder e Zeke, e Christian, o noivo de Monna.

Sandra era a mais velha, com trinta e oito anos, seguida por Chris com trinta e quatro, e então Monna com trinta e dois. Thunder, Zeke e Novarn tinham vinte e sete anos; Trisha tinha vinte e dois e Kilan, apenas vinte — o primo mais novo de todos.

Eles estavam na boate para celebrar o noivado de Monna William e Chris Mark. A mesa era uma bagunça de copos semimortos, coquetéis brilhantes e risadas que subiam e desciam conforme o ritmo da música. Alguém gritou um brinde; outro derrubou uma bebida; Zeke e Novarn discutiam sobre uma música, enquanto Trisha estava na pista de dança, jogando o cabelo como se fosse a dona da noite.

Thunder sorriu discretamente, tentando acompanhar. Mas quanto mais a noite avançava, mais difícil ficava.

Os aparelhos auditivos que ele usava para conseguir acompanhar as conversas estavam transformando a música em um caos. Cada batida do baixo vibrava em seu crânio; cada nota aguda ardia como vidro. As risadas da multidão se misturavam em um ruído branco, espetando as bordas de sua enxaqueca.

A questão sobre aparelhos auditivos e lugares barulhentos é que eles não combinam. E, naquela noite, o barulho estava o cortando, impiedoso e bruto.

Ele queria que aquela droga de festa acabasse para que pudesse arrancar aqueles dispositivos malditos, mergulhar no silêncio e deixar seu mundo ficar quieto novamente.

Em momentos como aquele, Thunder quase sentia falta de ser surdo, porque o silêncio, pelo menos, nunca doía.

Thunder William era surdo de ambos os ouvidos. Não de nascimento, mas pela brutalidade. Seus pais biológicos lhe ensinaram cedo que o amor vinha com hematomas, que barulho significava dor. Eles o bateram até que seu corpo pequeno quebrasse, deixando-o trancado em um armário — machucado, sangrando e mal conseguindo respirar. Ele se curou, de alguma forma. Mas sua audição nunca voltou.

Depois que perceberam que ele havia ficado surdo, enviaram-no para o Orfanato Holedip, onde a vida ficou ainda mais difícil. Seu porte pequeno, a desnutrição e a surdez o tornaram um alvo fácil. Outras crianças o intimidavam sem parar, e a mãe do orfanato o punia com rigor, muitas vezes o deixando sem comida ou espancando-o. Cada dia parecia uma luta pela sobrevivência — até que ele conheceu Nolan e Ryker William.

Com eles, tudo mudou. Pela primeira vez, Thunder experimentou um amor sem condições. Eles se adaptaram às suas limitações, ajudaram-no a aprender a conviver com elas e lhe deram um cuidado tão genuíno que ele nunca precisou duvidar. O lar deles se tornou um lugar onde ele podia ser ele mesmo, a salvo da crueldade que conhecera.

Ryker e Fox fizeram questão de que todos os garotos William aprendessem artes marciais, mas Thunder recebeu um treinamento extra. Sua surdez o tornava vulnerável, então eles o forçaram mais. Quando ele chegou ao ensino médio, o treinamento valeu a pena — qualquer um tolo o suficiente para implicar com ele logo aprendia a não fazer isso novamente.

Thunder podia se defender com habilidade e precisão, e os valentões pararam de mexer com a família William de uma vez por todas.

Daniel ensinou-o a manusear armas, levando-o para caçadas ou para o campo de tiro. Thunder aprendeu rápido, gostando do desafio e da competição saudável com os outros rapazes.

London apresentou-o ao mundo da arte, e Thunder descobriu uma paixão que inflamou sua imaginação. Ele era talentoso para desenhar, interpretando obras com uma percepção além de sua idade. London costumava comentar que Thunder tinha o olhar de um verdadeiro colecionador.

Thunder adorava visitar exposições, estudar arte e até ajudar Novarn, que trabalhava na galeria de London, a selecionar peças para exibições e vendas. Cada momento passado naquele mundo parecia uma nova descoberta, uma liberdade que ele nunca conhecera em seus primeiros anos.

Thunder tornou-se gerente geral de projetos na AGL ao lado de Monna, motivado pelo desejo de honrar a bondade de seus pais e garantir que o legado deles continuasse por muitos anos. Ryker ficou orgulhoso quando Thunder decidiu estudar administração e logística — isso lhe deu uma compreensão sólida das raízes dos negócios da família —, mas ele também deixou claro que Thunder não precisava seguir aquele caminho.

“Você pode ser o que quiser, até cantor pop”, Ryker lhe dissera uma vez. “Eu vou te apoiar, não importa o que aconteça.”

Thunder sorriu ao lembrar. Ele sabia, sem dúvida, que seus pais apoiariam qualquer escolha que ele fizesse — mas ele escolheu trabalhar na AGL, e eles apoiaram essa decisão de todo o coração.

Monna também deixou seu emprego como professora com Chris para se juntar aos negócios da família. Agora, ela trabalhava ao lado de seus pais e de Thunder, ajudando a administrar a empresa. Anitha ainda era COO, Ryker o CEO, e Nolan, o Diretor Financeiro.

Novarn deu um cutucão em Thunder, sorrindo. “Você parece perdido em pensamentos, Penny. No que está pensando?”

Thunder apenas sorriu levemente. “Estou bem. Eu estava apenas pensando em uma apresentação de projeto que não terminei. Tenho um cliente milionário na próxima segunda-feira, então preciso me preparar.”

Novarn riu. “Pensando em trabalho durante uma saída à noite? Você é tão chato às vezes, meu melhor amigo.”

Thunder deu um sorriso irônico. “E, ainda assim, você ficou ao meu lado por uns vinte anos?”

Eles riram juntos, o som se misturando à música pulsante da boate.

A música batia no ar, luzes fracas piscavam em dourado e azul sobre a mesa enquanto uma mulher — confiante e ousada — caminhava até eles com duas de suas amigas atrás. Seus saltos batiam contra o chão como um ritmo de tentação. Ela se inclinou para frente, com os olhos fixos em Thunder.

“Vocês são tão gostosos”, ela ronronou. “Vocês realmente conseguiram me deixar lisonjeada, eu e minhas gatas aqui. Importam-se se nos juntarmos a vocês? Talvez a gente possa festejar um pouco… se pegar um pouco?”

Elas riram entre si, claramente divertidas com sua própria ousadia.

“E quando a festa acabar”, ela acrescentou, com os lábios curvados em um sorriso malicioso, “vocês cavalheiros podem nos levar de volta ao nosso dormitório. O que me dizem?”

A última frase foi direcionada diretamente a Thunder — seu olhar era desafiador, quase faminto.

Thunder olhou para elas com a mesma expressão que usaria se estivesse encarando uma parede branca. Calmo. Entediado. Absolutamente indiferente.

Então Sandra, a prima mais velha, quebrou o silêncio, seu tom leve, mas afiado o suficiente para cortar a música.

“Eu não me importo se meus irmãozinhos aqui estiverem a fim”, ela disse com um sorriso preguiçoso, “mas se não estiverem, vocês devem respeitar isso e seguir em frente.”

A mulher fez um biquinho dramático, fingindo estar ofendida.

“Qual é, bonitão”, ela disse, dando um passo em direção a Thunder. “Eu reuni toda a minha coragem só para falar com você porque eu gostei de você. Você não pode, pelo menos, me deixar ficar com seu grupo?”

Novarn lançou-lhe um olhar fulminante, pronto para dispensá-la, mas Thunder falou primeiro. Sua voz era calma, educada, mas firme.

“Não. Desculpe”, disse ele. “Deixar você se juntar a nós sabendo onde sua atenção realmente reside — e sabendo que eu nunca retribuiria — seria cruel. Então não, você não pode se juntar a nós.”

O sorriso dela vacilou. Ela piscou duas vezes e, em seguida, soltou uma risada debochada.

“Você deve estar brincando. Você nem está me vendo? Eu sou uma mulher gostosa pra caralho. A não ser que você seja gay, não tem como você recusar isso.”

A maneira como ela disse "gay" pretendia ser um insulto, mas só mostrava sua ignorância.

Na família Williams, o amor vinha de todas as formas. Os próprios pais de Thunder — Zeke e Trisha — eram a prova viva disso. Então as palavras dela não arderam. Elas nem sequer o atingiram.

Monna deu uma risadinha, incapaz de resistir.

“Como você descobriu isso?” ela provocou. “Ele é gay. Mas, honestamente, mesmo que não fosse, conhecer uma garota como você já o teria transformado em gay agora.”

A boca da garota se abriu em choque. “O que isso quer dizer?” ela retrucou.

Trisha se inclinou para frente, com um sorriso de lado. “Eu sou lésbica”, disse ela claramente. “Mas olhar para você acabou de me fazer questionar isso por um segundo.”

Risadas explodiram ao redor da mesa. Trisha, conhecida por sua língua afiada, não ia perder aquele momento.

“O que ela quer dizer”, ela acrescentou, com a voz carregada de sarcasmo, “é que sua aparência é tão perigosa que poderia fazer as pessoas mudarem de sexualidade só para evitar acabar com você.”

O grupo rugiu de risadas, o som se misturando ao baixo pesado da música da boate. A resposta de Trisha atingiu em cheio — exatamente como pretendido.

“Dane-se!” a mulher sibilou, jogando o cabelo. “O azar é seu de qualquer jeito!”

Ela girou, com os saltos batendo enquanto saía furiosa, suas amigas seguindo logo atrás, murmurando xingamentos e humilhações baixinho.

Quando elas se foram, a mesa caiu na gargalhada novamente, provocando e repetindo o momento como se fosse a cena favorita de um filme.

À medida que a risada diminuía, Novarn se recostou, ainda rindo.

“Você ainda não quer um relacionamento sério, hein? Notei que você lida com essas coisas com muito mais firmeza agora. Por que isso?”

Thunder inclinou a cabeça, sua expressão pensativa sob as luzes fracas da boate.

“Meus sentimentos sobre relacionamentos e casamento não mudaram”, disse ele. “Eu não quero nenhum dos dois. Mas, no passado, éramos mais jovens — compromisso não era esperado. Agora, nesta idade, todos namoram pensando em casamento. Eu não quero isso. Então, em vez de desperdiçar o tempo de alguém, prefiro ser honesto desde o começo.”

Novarn assentiu lentamente, compreendendo.

Thunder levantou-se então, ajeitando sua jaqueta.

“Com licença por um minuto”, disse ele. “Vou ao banheiro.”

Novarn deu-lhe espaço, deixando-o passar.

Thunder saiu, calmo como sempre — a multidão e as luzes o engolindo por inteiro, até que tudo o que restava dele era o eco suave de seus passos desaparecendo na pulsação da música.

---

Dentro do banheiro, a música retumbante da boate desapareceu em um zumbido distante e depois sumiu completamente quando Thunder removeu seus aparelhos auditivos. O silêncio repentino o envolveu como um alívio e, pela primeira vez naquela noite, sua cabeça pareceu um pouco mais leve.

Ele exalou lentamente, relaxando os ombros. A pressão em seu crânio vinha se acumulando há horas — vozes demais, barulho demais, o baixo pesado vibrando através do chão. Noites como aquela sempre o deixavam esgotado.

Enfiando a mão no bolso da jaqueta, ele tirou um pequeno frasco de analgésicos, colocou dois comprimidos na palma da mão e os engoliu. Ele desenroscou a tampa de sua garrafa de água e bebeu, o líquido fresco aliviando sua garganta seca.

Por um momento, ele apenas ficou ali, estudando seu reflexo. As sombras fracas sob seus olhos, a máscara calma que ele sempre usava — tudo encarava de volta, familiar e exaustivo. O silêncio ao seu redor era reconfortante, quase íntimo, até que...

A porta se abriu com um estrondo.

Um homem entrou cambaleando, murmurando xingamentos. Sua camisa estava encharcada de vinho tinto, grudada em seu peito.

“Droga”, o homem sibilou, puxando o tecido arruinado por cima da cabeça.

Thunder olhou por hábito e, por um breve segundo, ele congelou.

O corpo do estranho era impressionante — magro, definido, o tipo de físico que vinha da disciplina, e não da vaidade. A luz baixa do banheiro traçava cada linha de músculo, cada sombra.

Thunder rapidamente desviou o olhar, fingindo checar seu celular, mas seu olhar voltou uma vez — apenas o suficiente para captar o rosto do homem. Maxilar marcado. Cabelo escuro caindo sobre a testa. Olhos ardendo de irritação.

O homem falou novamente, as palavras saindo em uma enxurrada, mas Thunder não conseguia ouvi-lo. Sem os aparelhos, tudo era silencioso — apenas lábios se movendo, gestos cortando o ar parado. Um mundo mudo transformado em movimento.

Ele tentou fazer a leitura labial, mas o homem continuava se virando, animado demais para acompanhar. Era inútil.

Com um pequeno suspiro, Thunder colocou seus aparelhos auditivos de volta. O mundo voltou instantaneamente — a torneira pingando, o zumbido do ventilador de teto, o eco fraco do baixo através das paredes.

Ele ajeitou sua jaqueta, deu uma última olhada no espelho e empurrou a porta para sair.

O homem atrás dele nem percebeu quando Thunder saiu — mas o destino já tinha decidido que eles se encontrariam novamente.

---

Capítulos
1. Capítulo 1: eco na alma silenciosa.
Deixe Petty saber o que você pensou sobre este capítulo!
Amo isso

22

Amo isso

Engraçado

3

Engraçado

Picante

0

Picante

De Suspense

6

De Suspense

Emocional

2

Emocional

Profundo

0

Profundo

Tocante

5

Tocante

Chocante

2

Chocante

Boa Escrita

8

Boa Escrita

Enredo Envolvente

5

Enredo Envolvente

Personagem Ótimo

5

Personagem Ótimo

Diálogo Forte

4

Diálogo Forte

Ver 5 comentários anteriores...
author

Autora aquí estoy de nuevo iniciando una nueva historia, estoy entusiasmada

3 meses
1
author

انا بحب كتاباتك لهيك ممكن اعرف ليش بعض رواياتك بتطلع ع chrom وممكن تترجم وباقي رواياتك لاء.. انا كنت متحمسة كتير لأقرأ هي القصة بس ما طلعت ع chrom

um mês
1
author

اوه شكرا جزيلا لك.. انا متشوقة أيضا لقراءة باقي السلسلة سأحرص على اخبارك بمدى روعة حبكة رواياتك كلما سنحت لي الفرصة🤍

um mês
1

Outras Recomendações

Quando o Tempo Voltou

Ramon Detoni: Apesar de ser o criador essa história conta momentos que gostaria de ter mudado, mas o tempo é curto e escolhas decide o futuro e destinos.

Leia Agora
No Ritmo Do Teu Silêncio

Amanda: Poesia e arte. E muito romance 👏🏻👏🏻👏🏻😍🥰

Leia Agora
OBSESSIVO - Parte 1

Sidcleia: Gostei muito, só não gostei do pai competindo com o filho. Mas pode acontecer eu não sei. Ta legal

Leia Agora
Sweety Bastard