AMOR BRUTAL

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Resumo

Riven não deseja delicadeza. Ele a devora. E Tina é a delicadeza envolta em pele. Um monstro no submundo do crime, Riven é a violência esculpida na forma de um homem — frio, brutal, inquebrável. Todos sabem que não se deve tocá-lo. Todos sabem que não se deve desejá-lo. Exceto ela. Tina entra em seu mundo com mãos gentis e um sorriso trêmulo, tentando curar feridas que ele conquistou com os punhos. Ela tem cheiro de calor, parece pecado e se move como se não entendesse que entrou em uma jaula. Riven tenta espantá-la. Ele rosna. Ameaça. Encurrala-a contra as paredes. Manda ela fugir. Ela não foge. E algo dentro dele se rompe. O ódio se torna fome. A crueldade vira um jogo de ver o quão perto ele pode chegar antes que ela se quebre. O medo dela se torna a coisa mais doce que ele já provou. Ele a avisa que é perigoso. Ela sussurra que não vai embora. Agora, a obsessão de Riven tem presas. Ele a quer tremendo sob ele. Ele a quer pressionada contra sua porta, sua parede, suas mãos, suas regras. Ele quer a voz dela tremendo ao dizer seu nome. Mas, acima de tudo — ele quer ser a única coisa em que ela pensa quando fecha os olhos. Tina veio para curar um lutador. Ela despertou um predador. E Riven cansou de lutar contra essa atração. Porque alguns monstros não roubam corações. Eles reivindicam corpos. Eles reivindicam o fôlego. Eles reivindicam tudo. E Tina? Ela já é o seu pecado favorito. Mesmo que ela ainda não saiba disso.

Status
Completo
Capítulos
20
Classificação
4.7 6 avaliações
Classificação Etária
18+

Wicked Games

O ar no vestiário era algo palpável, uma mistura densa de suor, linimento e o cheiro metálico de sangue. Era uma capela masculina de dor e vitória, feita de concreto e aço, exalando esforço e exaustão. Tina parou logo após a porta, seu kit médico pesando de forma tranquilizadora em sua mão. Ela respirou fundo, tentando se acalmar, como sempre fazia antes de entrar em uma sala de trauma.


Sua entrada foi um toque suave de cor naquele ambiente monótono e rude. Algumas mechas de cabelo escuro haviam escapado de seu coque bagunçado, emoldurando um rosto de traços delicados e preocupados, com olhos castanhos grandes e atentos. Ela vestia um uniforme hospitalar simples e funcional, mas que não conseguia esconder a curva suave de seus quadris ou a força esguia de suas mãos. Ela sentiu o peso dos olhares imediatamente — quatro pares de olhos, avaliando, curiosos, hostis, intimidadores.


“Ora, porra”, disse uma voz vinda de um banco perto da parede. Um homem com uma cabeleira loira queimada pelo sol e um sorriso capaz de encantar uma cobra a observava, com um corte no lábio que ainda sangrava. “Estou tendo uma concussão ou um anjo acabou de entrar nesse buraco?”


Este era Pedro. Seu físico era o de um nadador, magro e fibroso, atualmente decorado com um hematoma roxo espetacular florescendo em suas costelas. Ele se movia com uma graça desajeitada, mesmo quando estava parado.


Perto da pia, uma presença mais sombria e taciturna, Axel, deu uma olhada. Sua cabeça era raspada, seu corpo era uma paisagem de músculos densos e poderosos, marcados por tatuagens de vinhas espinhosas. Ele pressionava uma toalha ensanguentada contra um corte no bíceps. Ele cutucou o homem ao lado, Kael, que tinha o corpo de uma estátua clássica — músculos perfeitos e simétricos, atualmente estragados por um nariz inchado e deformado. “Ela nem parece assustada”, murmurou Axel, com a voz grave. “Como...?”


Kael, com a voz anasalada por causa do ferimento, estudou-a com olhar de artista. “Delicada”, murmurou de volta. “E perigosa, tudo ao mesmo tempo.”


Tina ignorou os comentários, ou pelo menos fingiu. Ela não recuou. Em vez disso, encontrou uma mesa de metal vazia e colocou seu kit lá com um clique suave e definitivo. O som foi profissional e decidido. Ela abriu a maleta, revelando fileiras de instrumentos brilhantes, bandagens enroladas e frascos de antisséptico. Suas mãos, enquanto arrumava os materiais, eram calmas e precisas, seus dedos ágeis. Eram mãos de curandeira, e seu movimento suave e seguro contrastava com a energia violenta que ainda estalava no ambiente.


A porta se abriu novamente, e a atmosfera mudou de casual para respeitosa em um instante. Don Marchetti entrou, um homem na casa dos cinquenta anos cujo terno caro não escondia o predador que havia por baixo. Ele se movia com uma autoridade natural, seu olhar varreu a sala antes de pousar em Tina.


“Cavalheiros”, disse ele, com a voz suave como uísque envelhecido. “Esta é Tina. Ela é a nova médica de vocês. Ela foi altamente recomendada de um centro de atendimento militar. Ela vai mantê-los vivos — ou pelo menos fora de problemas permanentes. Vocês a tratarão com respeito.”


O sorriso de Pedro aumentou. “Melhor do que qualquer médico babaca que já tivemos, Don. Prometo me comportar.”


Do canto, encostado nos armários com um ar de divertimento distante, estava Corvin. Ele era magro e ágil, cheio de olhos astutos e reflexos rápidos, sua pele era uma tela de tatuagens geométricas intrincadas. Um corte feio acima da sobrancelha já tinha parado de sangrar. “Fiquem de olho nela”, disse Corvin, com um sorriso de lado. “Ela vai fazer todos nós de bobos com um simples sorriso.”


Tina ofereceu um sorriso pequeno e gentil, com os olhos enrugando nos cantos. Era um sorriso tímido, porém firme, um reconhecimento silencioso que mantinha sua posição. Ela se virou para seu kit, com movimentos fluidos enquanto preparava os suprimentos. A provocação era um teste, e ela tinha passado ao simplesmente se recusar a cair na armadilha.


“Muito bem, quem é o primeiro?”, perguntou ela, com a voz mais suave do que esperavam, porém clara e firme.


Pedro se levantou num pulo, estremecendo apenas um pouco ao ir para a mesa que ela indicou. “As costelas, doutora. Acho que uma delas está cantando soprano.”


Ela o guiou para sentar, com um toque leve e profissional em seu ombro. “Vamos ver.” Seus dedos examinaram seu lado com uma pressão suave, com a testa franzida em concentração. “Respire fundo para mim.” Ele obedeceu, e ela assentiu. “Muito machucado, mas não acho que tenha quebrado. Você teve sorte.” Ela pegou uma bolsa térmica do kit, ativou-a e pressionou suavemente contra a pele roxa. Seu toque era frio, firme e imensamente relaxante. Pedro soltou um suspiro de alívio genuíno.


O próximo foi Kael. “O nariz”, disse ele, com a voz carregada.


“Isto vai estar gelado”, avisou ela, com a voz em um murmúrio suave enquanto pegava uma bolsa de gelo químico e a moldava cuidadosamente sobre o nariz dele. Sua outra mão segurou o maxilar dele para mantê-lo estável, com o polegar pousado levemente em sua maçã do rosto. A proximidade dela, o cheiro de sua pele limpa e o leve sabonete de lavanda, era um ataque silencioso. Kael, que já tinha levado socos de homens duas vezes maiores que ele sem piscar, viu-se segurando a respiração.


Ela foi até Axel em seguida, limpando o corte em seu bíceps com um algodão antisséptico. Ele ficou tenso, mas as mãos dela eram incrivelmente delicadas, passando o produto com uma ternura que desmentia a natureza clínica da tarefa. Ela aplicou um curativo com uma precisão que era quase artística. “Tente não forçar muito por algumas horas”, ela aconselhou, encontrando os olhos dele por um momento. Eram quentes e inteligentes. Ele apenas deu um aceno seco, desconcertado pela intensidade silenciosa do cuidado dela.


Finalmente, ela se aproximou de Corvin. O corte na testa dele estava limpo, mas profundo. “Isso pode precisar de um ponto ou dois”, disse ela, preparando um kit de sutura estéril.


“Tem certeza de que consegue dar conta, gatinha?”, provocou ele, embora seus olhos estivessem atentos.


“Já suturei homens que passaram por coisas piores do que uma briga de soco”, respondeu ela, com tom firme, sem ceder ao desafio. Ela aplicou uma anestesia local com uma picada rápida e indolor, e em poucos minutos estava fechando o ferimento com pontos minúsculos e perfeitos. Seu foco era total, sua respiração estava regular. Corvin a observava, com o sorriso de lado desaparecendo, tornando-se algo mais pensativo, mais impressionado.


O ritmo tranquilo de seu trabalho, a autoridade gentil com que ela comandava a sala, era hipnótico. Os lutadores, aqueles homens endurecidos pela violência, estavam sendo desarmados por uma ternura profunda e despretensiosa.


Então, a porta principal do vestiário se abriu novamente.


E o mundo parou.


Ele ocupou a entrada, uma montanha de músculos cheios de cicatrizes e uma ameaça silenciosa. Ele era maior que os outros, seu físico não era esculpido em uma academia, mas forjado em um crisol de pura violência. Cada tendão de seu pescoço, cada gominho de seu abdômen, estava definido sob uma pele mapeada com um histórico de dor — linhas prateadas de cicatrizes antigas, a tinta escura e espalhada de um dragão por todo o seu peito e costas, e o sangue fresco e brilhante de um nódulo dos dedos rachado. Suas mãos eram sua característica mais temível, grandes e brutais, com as juntas sendo uma paisagem permanente de tecidos calcificados e feridas recentes.


Este era Riven.


A energia brincalhona da sala morreu instantaneamente, sufocada por sua presença. O ar ficou frio. Ele não falou. Seus olhos, da cor de uma tempestade de inverno, varreram a sala e pousaram em Tina.


Foi um impacto físico. Ela sentiu na boca do estômago um solavanco de medo primal e algo mais, algo mais quente e perigoso. O olhar dele era feral, predatório e totalmente possessivo. Ele não estava olhando para uma pessoa; ele estava avaliando uma posse, uma ameaça, um prêmio. Era um olhar que despia seu profissionalismo, seu uniforme, sua compostura, vendo diretamente a mulher vulnerável por baixo.


Corvin, que tinha observado toda a troca silenciosa, inclinou-se perto de Tina, com a voz num sussurro divertido. “Gatinha... é melhor você ficar longe daquele ali. Ele não sabe brincar com os outros.”


Mas Tina mal o ouviu. Ela estava presa naquele olhar tempestuoso. A química foi instantânea e feroz, um fio desencapado faíscando no espaço entre eles. Seu coração batia contra as costelas, um pássaro frenético em uma gaiola. O calor inundou seu peito, subindo pelo pescoço. Seus dedos, que estavam tão firmes momentos antes, tremiam ligeiramente em torno da pinça que ela segurava.


Por um longo momento suspenso, a sala parecia um quadro. Os outros quatro lutadores, observando. Tina, paralisada sob o escrutínio de Riven. E Riven, uma estátua de intenção brutal, com o peito subindo e descendo em respirações lentas e poderosas.


Então, sem uma palavra, ele se virou. O feitiço foi quebrado. Ele caminhou até seu armário isolado no canto mais distante, com o som de seus passos pesado e final. Ele não olhou para trás.


O ar voltou a preencher a sala, mas estava diferente agora, carregado, elétrico.


Tina percebeu que estivera segurando a respiração. Ela a soltou em um suspiro lento e trêmulo. Sua boca estava seca. Ela estivera prestes a falar, a oferecer sua ajuda, mas as palavras morreram em sua garganta. Ela olhou para baixo, forçando suas mãos a se moverem, a limpar o kit de sutura, a guardar seus suprimentos. Seus movimentos ainda eram precisos, mas a graça natural tinha sumido, substituída por um esforço consciente de vontade. Seus olhos, no entanto, continuavam se voltando para a presença sombria no canto, atraídos por uma força que ela não conseguia entender.


Os quatro homens trocaram olhares lentos e cúmplices. Pedro ergueu as sobrancelhas. Axel fez um aceno de cabeça quase imperceptível. A expressão de Kael era de uma compreensão piedosa. O sorriso de lado de Corvin retornou, mais largo desta vez, sentindo o início de uma tempestade.


Tina terminou de arrumar suas coisas e fechou seu kit com um clique suave, que soou como um tiro na sala silenciosa. Sua delicadeza e beleza, que pareciam tão deslocadas momentos antes, agora pareciam a única luz trêmula em uma escuridão vasta e invasora. E essa escuridão tinha um nome, uma forma e um par de olhos cinzentos como uma tempestade, que já a tinham marcado. O desafio havia sido lançado, não com palavras, mas com um olhar. E o jogo, um jogo perigoso, sedutor e aterrorizante, acabara de começar.

O silêncio que Riven deixou em seu rastro era algo pesado e vivo. Tina forçou suas mãos a se moverem, guardando o kit de sutura com um barulho que pareceu obscenamente alto. O ritmo tranquilo que ela tinha estabelecido fora destruído. Ela podia sentir o peso da presença dele do outro lado da sala; uma estrela fria e escura que a atraía.


Ela terminou o curativo na testa de Corvin, com o toque ainda hábil, mas agora apressado. "Mantenha seco por vinte e quatro horas", ela instruiu, com a voz um pouco ofegante. Ela se virou para sua mala grande, remexeu entre rolos de bandagens e frascos de antisséptico, e tirou quatro garrafas de um litro de uma solução eletrolítica transparente.


"Certo", ela disse, com a voz mais firme ao se virar para os quatro homens, mantendo as costas deliberadamente voltadas para o canto de Riven. Ela entregou uma garrafa para cada um deles. Pedro, Axel, Kael e, finalmente, Corvin. "Isso não é negociável. Vocês precisam repor os fluidos e eletrólitos que perderam. A garrafa inteira, antes de saírem desta sala. Depois, uma refeição decente. Proteína e carboidratos complexos. Nada de comida gordurosa."


Pedro pegou sua garrafa fazendo uma careta. "Doutora, isso tem gosto de desespero."


"Tem gosto de evitar cãibras amanhã", ela corrigiu gentilmente, com um sorriso pequeno e determinado surgindo nos lábios.


Foi então que Corvin, tendo aceitado sua garrafa, alcançou um pequeno cooler perto de seus pés e tirou uma lata de cerveja suada. Houve um *pssht* seco quando ele a abriu.


Tina não disse uma palavra. Ela apenas olhou para ele. Sua cabeça inclinou-se levemente, seus grandes olhos castanhos fixos nos dele. Não havia raiva em seu olhar, nem ordem. Era um olhar de decepção profunda e doce, misturado com uma expectativa silenciosa e inabalável. Era o olhar que uma mãe dá a um filho que sabe que poderia ter agido melhor.


O vestiário prendeu a respiração. Axel observava, intrigado. Kael escondeu um sorriso fingindo ajustar a bolsa de gelo em seu nariz. Pedro sorriu abertamente, esperando pelo confronto.


Corvin sustentou o olhar dela por um longo momento, a lata de cerveja a meio caminho da boca. Ele suspirou, uma expiração longa e teatral. "Você é uma mulher cruel, médica." Mas ele colocou a cerveja de volta no cooler, sem beber, e pegou a garrafa de eletrólitos. "Feliz?"


"Ficarei quando isso estiver vazio", ela disse, seu sorriso finalmente chegando aos olhos, transformando seu rosto em algo radiante. "Os corpos de vocês são suas ferramentas. Vocês não colocariam açúcar em um motor de alta performance."


"Você ficaria surpresa", Kael murmurou, mas ele já estava bebendo sua porção obedientemente.


Ela circulou pela sala, reunindo o restante de seus suprimentos, sendo o foco de quatro pares de olhos. Eles a observavam não com a fome predatória que Riven demonstrara, mas com uma mistura de admiração, diversão e um respeito nascente. Ela era uma anomalia, uma criatura de ordem gentil em seu mundo de violência caótica.


"Então, Tina", Pedro começou, bebendo de sua garrafa. "Uma instalação militar, hein? O que a traz ao nosso... estabelecimento encantador?"


Ela não olhou para ele, limpando cuidadosamente sua mesa. "O Don fez uma oferta convincente. E eu prefiro... trabalho ativo."


"Ativo", Axel repetiu, sua voz grave pensativa. "Você se comportou muito bem. A maioria das pessoas pula quando recebe pontos em um corte."


"Estou acostumada a trabalhar com pessoas com dor. Elas nem sempre têm paciência para a gentileza, mas sempre a merecem." Ela finalmente fechou seu kit e o içou. "Terminem isso. Vejo todos vocês amanhã."


Ela ofereceu um último sorriso geral, um gesto suave e inclusivo que excluiu deliberadamente a presença sombria no canto, e saiu. A porta se fechou atrás dela com um clique suave e definitivo.


No momento em que a porta se fechou, o feitiço foi quebrado. O vestiário pareceu exalar, a tensão se dissipando em um zumbido de energia empolgada.


A porta principal se abriu de repente e vários outros lutadores do card preliminar entraram, uma onda de barulho e bravata. Eles eram mais jovens, mais barulhentos, menos refinados — os homens das cavernas comparados aos cavaleiros experientes daquela sala.


"Quem diabos era *aquela*?", um deles, um lutador magricela com uma orelha de couve-flor, deixou escapar, encarando a porta por onde Tina acabara de sair.


"Aquela, meu amigo", Pedro disse, levantando sua garrafa de eletrólitos em um brinde, "é nosso novo anjo da guarda. E ela é aterrorizante."


"Ela é diferente de tudo", Kael concordou, finalmente removendo a bolsa de gelo do nariz. "Costurou-me sem nem me fazer vacilar. Mãos de cirurgiã."


"E ela fez o Corvin largar a cerveja!", Pedro exclamou. "Nunca vi nada igual. Ela apenas... olhou para ele."


Os recém-chegados se aglomeraram em volta, com a curiosidade aguçada. "Ah, lá vamos nós", um deles resmungou, meio que brincando. "Vocês já estão domados. Um rosto bonito e todos vocês estão bebendo... o que é isso, ácido de bateria?"


"São eletrólitos, seu Neandertal", Axel disse, embora ele também estivesse bebendo. "Ela tem razão. Nós lutamos como animais, mas agora nos recuperamos como profissionais. Ou vamos nos recuperar."


Corvin, que observava a troca em silêncio, finalmente falou, sua voz carregada de diversão. "Ela é perigosa."


"Perigosa como?", perguntou o lutador magricela. "Ela parece que um vento forte a derrubaria."


"Esse é o ponto, seu idiota", Corvin disse, balançando a cabeça. "Ela entra aqui, com olhos suaves e mãos gentis, e em cinco minutos faz com que quatro dos bastardos mais teimosos da cidade façam exatamente o que ela diz. Ela não deu ordens, não ameaçou. Ela apenas... esperava que fosse feito. E nós obedecemos. Esse é um tipo diferente de poder. Ela não luta contra a nossa força; ela a desarma."


A sala absorveu aquilo. Era verdade. O poder dela não era físico; era psicológico. Era o poder do cuidado inabalável, de uma competência silenciosa que exigia respeito.


"Ela está deslocada", uma nova voz resmungou do canto.


Todos os olhos se voltaram para Riven. Ele falara sem olhar para eles, focado em enfaixar seus próprios nós dos dedos com uma eficiência brutal e prática. A pele crua e cortada desapareceu sob a fita branca.


"Claro que ela está deslocada, Riven", Pedro rebateu, encorajado pelo grupo. "Ela é uma maldita rosa em uma rachadura no concreto. É uma melhoria."


Riven finalmente levantou o olhar, e seus olhos tempestuosos varreram o grupo, silenciando a conversa. "Ela não pertence a este lugar. Este mundo tritura coisas como ela. Ela é mole. Ela é limpa." Ele disse as palavras como se fossem xingamentos. "O Don trouxe um cordeiro para cuidar de lobos. É um erro."


"Você acha que ela é um cordeiro?", Corvin perguntou, seu interesse aumentando. "Eu vi os olhos dela quando você entrou. Um cordeiro teria fugido. Ela travou, sim, mas não correu. Ela se manteve firme."


"Estupidez, não coragem", Riven rosnou, levantando-se. Ele era mais alto que todos, sua sombra se estendendo pela sala. O sangue fresco em seus nós dos dedos enfaixados era uma mancha carmesim vívida. "Ela olha para nós como se fôssemos pessoas. Nós não somos. Nós somos armas. E quando ela finalmente entender isso, ela vai quebrar. Ou vai ser quebrada." Ele deu um passo em direção a eles, e o grupo instintivamente se afastou. "Eu não confio nela. Não confio em ninguém que pareça tão fora de lugar. Ou é uma mentira, ou é uma fraqueza."


Ele passou esbarrando pelo grupo de lutadores mais jovens, que recuaram diante de sua aura palpável de violência, e saiu do vestiário, deixando um novo silêncio mais frio em seu rastro.


O lutador magricela assobiou baixo. "Bom. Ele está de mau humor."


"Ele está sempre de mau humor", Axel corrigiu, com o rosto sombrio. "Mas ele está errado sobre ela."


"Será?", Kael perguntou baixinho, olhando para a porta. "Essa vida... não permite coisas moles. Ela ou as endurece ou as destrói."


Pedro terminou sua garrafa de eletrólitos com uma careta final e a jogou na lixeira de reciclagem. "Talvez. Ou talvez", ele disse, com um olhar pensativo, "uma coisa mole seja exatamente o que precisamos. Talvez seja a única coisa resistente o suficiente para nos salvar de nós mesmos."


A conversa diminuiu, os lutadores se dispersaram para seus armários, a imagem do sorriso gentil de Tina e a desconfiança brutal de Riven pairando no ar; duas forças opostas que tinham acabado de ser colocadas em uma rota de colisão inevitável. Do lado de fora do vestiário, Tina encostou-se na parede de concreto frio, seu kit a seus pés, esperando que seu coração diminuísse o ritmo. Ela ouvira as vozes alteradas, embora não as palavras. Ela sentira o conflito. E sabia, com uma certeza que a gelou, que o maior ferimento naquela sala não era um lábio cortado ou costelas machucadas. Era o coração selvagem, ferido e profundamente desconfiado do homem que chamavam de Riven. E, contra o seu melhor julgamento, contra todos os instintos de autopreservação, era o ferimento que ela se sentia mais compelida a curar.