Paixão em Campo

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Resumo

Um capitão de equipe disciplinado. Um novo reforço explosivo. Um dos maiores clubes de futebol do mundo — e um segredo capaz de incendiar uma tempestade global. Quando um talento recém-chegado desembarca em Manchester, ele espera rivalidade, não a fria hostilidade do capitão. Os conflitos entre eles despertam uma química perigosa que nenhum dos dois quer admitir. O que começa como ressentimento transforma-se em sessões de treino tarde da noite, confissões cruas e uma tensão intensa o suficiente para dividir o elenco. Mas tudo muda quando o time viaja para um país onde suas identidades são proibidas. Forçados a dividir o quarto sob um regime que pune quem eles são, a raiva transforma-se em honestidade, o medo em desejo e a rivalidade em algo impossível de esconder. Um vídeo vazado causa ondas de choque no mundo inteiro, colocando ambos os jogadores no centro de uma batalha política e cultural. Perseguidos pelas autoridades, defendidos por milhões, eles precisam decidir entre permanecer em silêncio por segurança — ou arriscar tudo pela verdade que os libertou. Paixão em Campo é uma história sobre amor proibido, rebeldia, sobrevivência e a coragem de emergir para a luz, mesmo quando o mundo exige que você permaneça nas sombras.

Gênero
Romance
Autor
Ozan Obashi
Status
Completo
Capítulos
33
Classificação
5.0 1 avaliação
Classificação Etária
18+

Capítulo 1: Bem-vindo a Manchester

A chuva caía em gotas finas e cortantes, como uma típica recepção de verão em Manchester, que facilmente entrava pelas golas e arruinava o otimismo de qualquer um tolo o suficiente para confiar na previsão do tempo.

Rafael Fogo desceu do jato particular Gulfstream. Seu andar confiante dava a impressão de que o chão cinzento e molhado o tinha convidado pessoalmente para uma dança. Ele usava óculos escuros espelhados, um agasalho vermelho vibrante do Flamengo aberto até o peito e um sorriso relaxado, beijado pela chuva, que fez os funcionários do aeroporto esquecerem o que deveriam estar fazendo.

As câmeras dispararam instantaneamente no momento em que o amarelo-neon de suas chuteiras tocou o solo.

“Rafael! Por que este City?”

“Rafe, um alô para o Brasil!”

“Você realmente recusou o Madrid?”

Ele levantou uma das mãos — palma aberta, dedos bem espalhados como uma bênção rápida — respondendo a cada pergunta alta em português fluido e veloz. A única palavra que os repórteres, perdidos, conseguiram captar claramente foi “Manchester”, um nome que ele provou lentamente, como se saboreasse um novo tempero que já planejava apreciar.

Vinte metros dali, escondido dentro de um Range Rover com vidros fumê, Finn Marlowe observava todo o espetáculo com a expressão tensa e dura de um homem forçado a mastigar vidro. Seus braços estavam cruzados com força sobre o moletom cinza do clube, e seu maxilar estava tão cerrado que o músculo sob sua orelha tremia. Deram-lhe a ordem direta de buscar o novo jogador pessoalmente — uma tarefa que ele teria trocado alegremente por levar uma chuteirada na cara.

A porta dianteira do Rover se abriu. Uma lufada de ar, quente e carregada com o perfume de loção de coco e algo mais, indefinivelmente mais quente, preencheu o carro. Rafe deslizou para o banco de couro ao lado dele, de alguma forma preenchendo o interior sem graça do carro inglês com um brilho tropical que não pertencia ao Noroeste.

“Capitão.” Rafe arrastou a palavra, fazendo-a soar como um desafio suave e aveludado. Ele empurrou os óculos espelhados para a ponta do nariz apenas o suficiente para que seus olhos escuros brilhassem com intenção. “Você fica ainda melhor quando está bravo do que na TV.”

Finn olhou fixamente para a frente. A chuva escorria pelo para-brisa, deixando o mundo lá fora borrado. “Coloque o cinto de segurança.”

A risada de Rafe foi baixa e rica, como o motor de uma máquina cara ligando. Ele se esticou lentamente, e a manga do seu agasalho roçou na coxa de Finn, antes que o cinto finalmente desse um clique. O som agudo cortou o silêncio tenso como um tiro de largada.

Eles partiram. Um bando barulhento de fotógrafos em motos os perseguiu por oitocentos metros antes que o motorista acelerasse o suficiente para deixá-los para trás.

Rafe se recostou, com as pernas longas abertas apenas o suficiente para que as calças de algodão ficassem esticadas sobre o colo. Mesmo através do tecido folgado, o peso em suas calças era impossível de ignorar. Uma forma longa e grossa repousava contra sua coxa esquerda; pesada, relaxada e completamente óbvia. Os olhos de Finn desceram por um momento involuntário antes de voltarem, num salto, para a janela molhada.

“Está frio na Inglaterra”, murmurou Rafe, com diversão transbordando na voz. “Acho que meus culhões estão tentando se esconder dentro de mim.”

Finn não disse nada. Os músculos em suas próprias mãos, apertando as coxas, ficaram tensos.

O restante do caminho passou em uma paz rígida e contrariada, quebrada apenas pelo ritmo constante dos limpadores de para-brisa e pelo som distante de um funk brasileiro que vazava dos fones de ouvido de Rafe. A cada curva, o joelho de Rafe batia suavemente no de Finn. Cada toque fazia Finn se afastar em direção à porta, até ficar praticamente colado no vidro.

O Centro de Treinamento Carrington surgiu na garoa como um prédio moderno e sério de aço e ambição. Lá dentro, a inevitável coletiva de imprensa aguardava: centenas de repórteres, drones sobrevoando e crianças segurando fotos de papelão de uma camisa número 10 que agora pertencia a Manchester, não ao Flamengo.

O motorista desligou o motor. Finn saiu rapidamente, sem esperar. Ele nunca esperava. Mas podia sentir o olhar de Rafe em suas costas durante toda a travessia pelo estacionamento molhado — uma marca definitiva de calor, ele percebeu, como uma mão possessiva pousada entre seus ombros.

Dentro da sala de imprensa, o ar fervilhava com uma energia inquieta, luzes piscando e o cheiro limpo de tinta fresca. Os donos sauditas sentavam-se como reis na primeira fila, com seus trajes brancos impecáveis brilhando, sorrindo como homens que acabaram de comprar o céu. O técnico Elias Grant estava no púlpito com um terno afiado o suficiente para cortar diamantes.

“E agora, senhoras e senhores”, a voz de Grant trovejou, assumindo o controle da sala, “o momento que todos vocês estavam esperando. Por uma taxa recorde mundial, deem as boas-vindas ao Manchester City… Rafael Fogo!”

A sala explodiu. Rafe caminhou como se fosse dono do palco e de cada coração ali presente. Seus quadris se moviam com facilidade, os ombros soltos sob o agasalho vermelho, que capturava as luzes e brilhava como fogo. Ele levantou os dois braços, fez sinais brincalhões com os dedos para a multidão e depois mandou um beijo que fez metade dos repórteres lutarem por suas câmeras e pelo fôlego.

Finn seguia dois passos atrás, com o rosto impassível como gelo. Ele vestia o novo uniforme oficial sob uma jaqueta do clube aberta; o número 9 estava claramente visível em suas costas. Quando ele se sentou ao lado de Rafe na mesa principal, as câmeras imediatamente capturaram o contraste perfeito: gelo e fogo, mármore liso e bronze quente, separados por centímetros.

Microfones foram estendidos para frente.

“Rafe, como é se sentir o jogador mais caro da história da Premier League?”

Rafe se inclinou, seus lábios roçando a espuma do microfone. “Sinto que sou uma das pessoas mais sortudas que existem.” Seu sotaque forte fazia cada palavra soar como um convite sensual.

Risos se espalharam. Outra voz gritou: “Acha que consegue lidar com o clima inglês?”

Ele inclinou a cabeça e o cabelo preto molhado caiu sobre um dos olhos. “A chuva é boa. Deixa tudo… escorregadio.” Ele deixou a palavra pairar no ar como mel e depois exibiu o sorriso que já tinha vendido um bilhão de camisas.

O maxilar de Finn travou tão forte que ele sentiu como se seus dentes fossem quebrar.

Então veio a esperada pergunta em busca de fofoca. Um repórter de Londres, vestindo um terno barato, levantou-se com um sorriso cínico tão afiado quanto uma faca.

“Rafe, você tem vinte e sete anos, é solteiro e nunca foi fotografado com uma namorada. Manchester tem algumas das mulheres mais bonitas da Europa. Planeja experimentar o talento local?”

A sala silenciou, à espera.

Rafe apoiou os cotovelos na mesa e juntou os dedos suavemente, deixando o silêncio se esticar até que o jornalista começasse a suar sob as luzes fortes. Então, ele sorriu de forma lenta, doce e totalmente séria.

“Meu amigo”, disse ele, mudando para um inglês perfeito e claro, “quando eu quero uma mulher, não preciso das suas câmeras para mostrar. Quando quero um homem, também não preciso da sua permissão.” Ele deu de ombros, um movimento que percorreu seus ombros como água morna. “Minha cama é problema meu. Próxima pergunta.”

O auditório explodiu novamente: aplausos, suspiros, mil câmeras disparando ao mesmo tempo. Finn sentiu as palavras atingi-lo direto no peito, instalando-se lá dentro de forma baixa, quente e perigosa.

Grant encerrou sabiamente a coletiva logo depois disso. O bastidores cheirava a café amargo e nervos à flor da pele. Finn marchou à frente, desesperado por ar fresco, mas Rafe acompanhou seu passo com facilidade.

“Capitão.” A voz de Rafe estava baixa agora, um segredo íntimo apenas para ele. “Você não aplaudiu. Nem uma vez.”

Finn não diminuiu o passo. “Eu não bato palma para show de circo.”

Rafe riu, genuinamente divertido. “Continue dizendo isso a si mesmo, gelo.” (Portuguese for ‘ice cube.’)

Eles chegaram à porta do vestiário da casa. Finn abriu a porta e se afastou apenas o suficiente para Rafe entrar. Trinta homens adultos com trajes de futebol silenciaram no instante em que o brasileiro apareceu na soleira.

O silêncio caiu pesado.

Rafe olhou para o escudo do clube no chão, os armários brilhantes, o cheiro leve e reconfortante de pomada muscular e suor masculino, e seu sorriso se alargou. Sem dizer uma palavra, ele levou a mão ao zíper do agasalho e puxou-o para baixo em um movimento lento e deliberado.

A jaqueta deslizou, revelando seus ombros, que pareciam perfeitamente bronzeados pelo sol do Rio — pele lisa, quente e morena esticada sobre músculos definidos. Ele tirou também a camisa de treino branca por baixo. Agora sem camisa, ele se virou para pendurar as peças no armário marcado FOGO 10, com novas letras douradas.

A garganta de Finn ficou seca.

As costas de Rafe estreitavam-se até uma cintura tão fina e perfeita que parecia irreal, e então se expandiam para um par de músculos glúteos que fariam qualquer homem adulto parar para olhar; redondos, altos e esculpidos por anos de arrancadas. A pequena tanga preta que ele usava estava levemente visível; as tiras desapareciam completamente entre aquelas curvas perfeitas, entrando nas calças e deixando quilômetros de pele lisa à mostra.

Ele se inclinou levemente para desamarrar as chuteiras, com as pernas um pouco afastadas. O movimento puxou o cós da calça para baixo; depois, o tecido voltou ao lugar, mas não antes que todos os homens na sala vissem exatamente o que a internet apenas supunha.

Rafe se endireitou lentamente, como se tivesse tempo ilimitado, e finalmente se virou para encarar a sala. Ele encontrou o olhar amplo e intenso de Finn de frente, com seus próprios olhos brilhando em triunfo e desafio.

“Algo em que eu possa ajudar, Capitão?”, perguntou ele suavemente.

E piscou.